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25 de jul. de 2007

A História de Balaão


O EPISÓDIO DE BALAÃO — Num 22:2 - 25:18
Os capítulos anteriores do Livro de Números nos mostram os israelitas atacados, mas sempre vitoriosos. Todavia, agora, surge da parte dos inimigos uma nova tática como a precaver o crente das ciladas que o inimigo lhe pode também armar, muitas vezes através de um outro crente para esse fim industriado. Aqueles que durante certo tempo pareciam seguir o Senhor e até dele dar testemunho são frequentemente procurados por Satanás para agirem no mesmo sentido. Reparem na responsabilidade, que cabe aos que se dizem filhos de Deus, de nunca deixar que a sua influência seja usada contra um testemunho fiel à verdade!
No presente caso, a tentativa falhou, evidentemente, pois foi manifesta a intervenção sobrenatural do Senhor. Vacilou a princípio Balaão, e estava pronto para entregar-se, mas Deus estava com ele para o guardar e assim provar que nada impediria os Filhos de Israel de entrarem na Terra Prometida.
Conhecedor das derrotas infligidas pelos israelitas a quantos os atacaram, procurou o rei de Moabe um processo indireto de os destruir. Começou por chamar os anciãos dos midianitas, pois Moabe e Mídia eram aliados, nesse período. Moabe era possuidor do território ao sul dos acampamentos dos israelitas bem como era uma nação estável.
Como os midianitas eram um povo nômade, talvez o próprio Balaque fosse também midianita, embora fosse o rei dos moabitas.
Não se conhecem alusões anteriores à figura de Balaão, a quem a Bíblia daqui em diante apresenta como prestan¬do culto ao Senhor, apesar de não per-tencer à família de Israel. Contudo, no dizer de Pedro a Cornélio (At. 10:35), Deus não distingue os homens pelo país a que pertencem, ouvindo todo aquele que O teme e fazendo o que é justo. Deve-se notar ainda que, se por vezes Balaão se refere a Deus servindo-se deste mesmo vocábulo "Deus", o qual podia aplicar-se a qualquer divindade, não raro ele recorre ao nome especial e característico do Deus da Aliança de Israel, conhecido simplesmente por "Senhor".
Muito se tem discutido a propósito da aplicação a Balaão da designação de verdadeiro "profeta". Diga-se, antes de mais nada, que tudo depende do sentido que atribuirmos a este termo. Assim, a Bíblia não indica uma ocupação ou missão permanente, mas apenas um indivíduo através do qual é concedida uma mensagem. Deus pode, na realidade, servir-se de um profeta apenas temporariamente, substituindo-o mais tarde por outro, de tal sorte que nem todas as suas palavras são inspiradas. Quando Davi disse ao profeta Natã ser do seu agrado construir um templo em honra ao Senhor, respondeu-lhe este: "Vai e faze tudo quanto está no teu coração, porque o Senhor é contigo" (II Sam. 7: 1-3). No dia seguinte, todavia, numa nova mensagem, declarou que só ao des¬cendente de Davi caberia essa honra da construção do Templo (II Sam. 7:4-16). Reparem que Natã era, normalmente, instrumento do Senhor nas Suas mensagens ao povo, mas desta vez ele se serviu apenas das suas faculdades intelectuais para dizer a Davi que o Senhor abençoaria os seus planos relativos à construção do templo, e falhou completamente, pelo que Deus o obrigou a corrigir a afirmação. Como não se duvida que os caps. 23-24 contêm mensagens concedidas por revelação direta de Deus através de Balaão, é certo que era o próprio Deus quem falava pela boca de Balaão, sendo, portanto, em toda a acepção da palavra, um verdadeiro profeta. Isso não significa, porém, que fosse um homem perfeito. Ao contrário, Balaão cometeu vários pecados graves, tal como sucedeu com outros profetas.
Balaque conhecia perfeitamente a capacidade de Balaão. Disse-lhe saber que
todo aquele a quem Balaão abençoasse seria abençoado, e amaldiçoado aquele a quem amaldiçoasse. Não se tratava de qualquer poder mágico, segundo a Bíblia. Apenas Balaque supunha que Balaão fosse dotado desse poder. O próprio Balaão não se arrogava disso, insistindo somente que poderia abençoar aqueles a quem o Senhor abençoasse e amaldiçoar aqueles a quem o Senhor amaldiçoasse.
Mais prudente que Natã, parece Balaão, no episódio acima narrado, em presença das recompensas apresentadas pelos anciãos midianitas, disse-lhes que a resposta apenas seria dada depois de consultar o Senhor.
Quem são estes homens? Isso não quer dizer que o Senhor não soubesse quem eles eram. É que Deus quer que, quando nos dirigimos a Ele, nos possamos manter em estreita comunhão com o Senhor Supremo, exprimindo claramente as nossas idéias. Por vezes, resolvemos um problema apenas em face duma exposição clara.
Quando Balaque ouviu dizer que Balaão recusava aceder ao seu pedido, pensou não ter sido suficiente o primeiro presente enviado. Mas ainda o levou a pensar assim, quando por fim Balaão foi ao seu encontro, sem se lembrar, todavia, que as circunstâncias se tinham modificado completamente, ao chegar a nova embaixada de mensageiros. À primeira embaixada foi-lhe respondido que antes convinha consultar o Senhor. Agora, ele já sabia qual era a vontade do mesmo Senhor. Em princípio, devia recusar o pedido por não haver nada de novo para modificar a primeira resposta. Mas, em vez de seguir a vontade de Deus, que já conhecia, Balaão declarou novamente que iria procurar saber qual a opinião do Senhor a tal respeito. Em si, era um ato de desconfiança, porque, uma vez conhecida a Sua vontade, não há necessidade de proceder a novas consultas. O indispensável é obedecer sem perguntas e sem demoras. Mas o procedimento de Balaão foi devido à tentação dos ricos presentes, que desta vez o cativaram, oferecidos pelos homens. Como devemos ser cuidadosos em antepor a vontade do Senhor a tudo quanto seja a satisfação dos nossos interesses?!! Diz-se do Povo no deserto, que "Deus satisfez-lhes os desejos, mas fez definhar as suas almas" (Sal. 106:15). Em vez de repetir o que Balaão já conhecia de antemão, Deus aparentemente cedeu à vontade de Balaão: "Se aqueles homens te vierem chamar, levanta-te, vai com eles; todavia, farás o que eu te disser" (v.20). Ê essa a atitude de muitos cristãos que se deixam seduzir por falsas considerações! Fazem aquilo que sabem ser contrário à vontade de Deus, julgando continuar fiéis aos compromissos para com Ele. Mas, em geral, falham essas intenções, porque Deus não se contenta com a obediência pela metade. No nosso caso, Balaão levava a cabo a sua empresa, mas o poder sobrenatural de Deus teve mais força que as suas intenções, não se concretizando o que julgara ser de mais utilidade.
Já notamos que a segunda resposta do Senhor a Balaão não foi completa, por visar apenas à falta de confiança na palavra de Deus, quando a Sua divina vontade já era conhecida. Esta conclusão é confirmada pelo que narra o v.22: "E a ira de Deus acendeu-se, porque ele se ia, e o anjo do Senhor pôs-lhe no caminho por adversário".
Deus desejava impressionar Balaão que só devia transmitir as Suas divinas mensagens. Não devia, portanto, desobedecer naquele pormenor de ir, pois dava a entender que podia ir mais além e desobedecer na mensagem do Senhor. Muitos se tornam assim instrumento precioso nas mãos de Satanás, quando partem para um empreendimento com intenções boas. Desta vez, porém, fez-lhe sentir uma intervenção miraculosa de Deus a fortalecer o profeta vacilante, por ser indispensável, conforme aos Seus desígnios, para levar a bom termo o plano da entrada dos israelitas em Canaã. Convinha, pois, que não viesse prejudicar tal plano a fraqueza do profeta.
Segue-se o episódio da jumenta, que, embora sem par na Bíblia, não pode supor-se como mero sonho, parábola ou visão. Se a Palavra de Deus o relata, não pode haver dúvidas para o crente de que na realidade sucedeu. A Bíblia não é um livro comparado ao das fábulas de Esopo ou de La Fontaíne em que os animais aparecem a falar, como se fossem seres humanos. Tais casos não são vulgares nas Escrituras, se excetuarmos o da serpente (Gên. 3) por cuja boca falou Satanás. Ora, se Satanás teve poder para fazer falar uma serpente, por que não daria Deus fala a uma jumenta, se assim o entendesse? Não se faz alusão ao processo de que Deus se serviu para tal efeito. O certo é que Balaão ouviu distintamente uma voz que partia do animal.
Este fato associado às palavras do anjo do Senhor devem ter impressionado profundamente o espírito de Balaão, de forma a impedi-lo de realizar o seu objetivo, não obstante as tentadoras promessas de Balaque. Assim, Deus intervinha, diretamente, num caso de importância extraordinária no plano da Redenção. Os cristãos dos nossos dias, de certo, não esperam milagres deste gênero, em casos de fraqueza ou descrença, como no de Balaão, devendo, no entanto, aprender a viver em constante conformidade com a vontade de Deus, revelada na Sua Palavra, sempre cônscios da presença divina, sem necessidade de O ver com os olhos carnais.
Ao deparar com Balaão, assim se exprimiu Balaque: "Não posso eu na ver-dade honrar-te? (37). Falava como homem do mundo; não como homem de Deus. Mas a resposta foi-lhe dada num termo completamente diferente: "A palavra que Deus puser na minha boca, essa falarei" (38). Sem dúvida Balaque considerava esta resposta como uma réplica cheia de hipocrisia, pois não correspondia ao fato de Balaão ter comparecido. Balaque matou bois e ovelhas, e as enviou a Balaão e aos príncipes que estavam com ele (40). O termo zabah, aqui traduzido por "matou", como em Deut. 12:15, 21; I Sam. 28:24; II Cr. 18:2, nem sempre implica sacrifício. A simples idéia é de que Balaque ofereceu um grande banquete para celebrar a vin¬da de Balaão.
Por quatro vezes Balaão anunciou a palavra de Deus numa mensagem especial, embora perdesse a oportunidade de conseguir os ricos presentes que Balaque lhe oferecia para amaldiçoar Israel. Depois de cada um dos dois primeiros casos, Balaque utilizou todos os estratagemas para conduzir Balaão ao objetivo em vista. Sempre, no entanto, replicava Balaão que nada teria a acrescentar à opinião proferida pelo Senhor. Só após a terceira vez, Balaque mandou que Balaão desistisse, não atendendo nem à bênção, nem à maldção de Israel. Balaão continuou as suas mensagens, não só abençoando Israel, mas referindo-se ao destino do povo de Balaque nas mãos dos israelitas.
13 de jul. de 2007

Considerações no Livro do Profeta Isaías


Parte 15
Em passagens como essas, a pureza e a sublimidade são tais que o leitor é levado a se maravilhar diante de tanto encanto, ao ponto de até imaginar estar ouvindo a própria voz do profeta. A alternância na intensidade das frases é igualmente percebida e, neste sentido, não se encontra em nenhum outro escritor bíblico uma variedade tão grande de recursos literários. A complexidade do estilo varia constantemente, razão pela qual o reconhecimento de tais mudanças se constitui no grande problema de interpretação de Isaías.
A quantidade de idéias no texto do profeta, igualmente, é algo que não pode ser questionado, e o seu autocontrole é, seguramente, tão notado nos capítulos controversos como naqueles que são aceitos pacificamente como da lavra de Isaías.
2. A semelhança na linguagem e nas construções gramaticais tem, também, sido provada por diversos estudiosos. Entretanto, não se pode negar que, da mesma forma, outros negam tal semelhança com veemência. Contudo, para se examinar esse ponto, seria necessário elaborar um verdadeiro tratado, o qual envolveria um número muito grande de textos hebraicos, bem como o emprego de uma tal sorte de argumentos que seriam somente apreciados por aqueles que têm profundo conhecimento desse idioma. Mesmo assim, certamente, a validade das conclusões de tal tratado seriam questionadas. Conseqüentemente, os mortais comuns devem se contentar com as alegações de autoridades no assunto, tais como Delitzch, Kay, Stanley Leathes, Dean Payne e S. Davidson, para citar apenas estes que concordam que há uma unidade geral na fraseologia dos escritos do profeta Isaías, ou que não há, de qualquer modo, suficiente evidências, no estilo e no vocabulário, que mostrem uma origem posterior dos tais capítulos controversos.
3. A semelhança entre as idéias, entre as imagens e entre as figuras de retórica é outro grande ponto sobre o qual é quase impossível, nos limites dessa introdução, tratar de maneira adequada. A idéia predominante do profeta a respeito de Deus está fundamentada na santidade do Criador — sua perfeita pureza, diante da qual nada que não seja absolutamente limpo pode permanecer. Em função disso, o título favorito empregado por Isaías para Deus é “O Santo de Israel”, o qual é utilizado onze vezes nos capítulos não questionados e treze vezes nos demais, enquanto que tal expressão só é usada cinco vezes em todo o restante do Antigo Testamento. Isso explica as suas palavras, na Parte I, quando o profeta vê Deus — Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! (6:5). — e a sua descrição de Deus, na Parte III, como o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo (57.15). Ao lado da santidade de Deus, o profeta gosta de exaltar o poder do Senhor. Assim, Deus é “O Poderoso de Israel” e tem esse poder magnificamente descrito em várias passagens. O Altíssimo e Santo Deus fez uma aliança com Israel, de tal maneira que eles são “o seu povo”, “os seus filhos” e “os seus bem-amados”, como nenhum outro povo o é. Todavia, esse povo rebelou-se contra Deus, quebrando a aliança e provocando com seus pecados a ira do Senhor, praticando a opressão e a injustiça, pela idolatria e pelo derramamento de sangue inocente. Conseqüentemente, eles foram rejeitados e condenados, bem como levados ao cativeiro e à Babilônia. Entretanto, eles não foram totalmente rejeitados, uma vez que Deus determinou punições ao seu povo, para corrigi-los e iria trazer de volta “os remanescentes”, colocá-los novamente em sua própria terra e lhes dar paz e prosperidade. E, assim, para maior glória ainda, Deus iria juntá-los aos gentios para formarem uma só igreja ou uma só nação. Ao seu tempo, dessa nação sairia, então, um grande Rei, o qual reinaria no “Santo Monte do Senhor”, sobre todo o seu povo para sempre. Tal Rei seria ainda um Redentor e um Salvador, reinando com justiça e paz, num lugar onde o choro não mais seria ouvido e onde não haveria mais ruínas e destruição.
Entre as imagens favoritas de Isaías, as quais estão em todo o livro, tanto nos capítulos aceitos pacificamente como nos demais, pode-se observar as seguintes:
• As imagens de “luz” e de “trevas”, usadas em sentido espiritual, para iluminar a ignorância moral. As pessoas de maneira geral estão tão familiarizadas com essas imagens, posto que elas são muito usadas no Novo Testamento, que terminam por considerá-las como imagens comuns à Bíblia, e não como uma característica particular de alguns autores sagrados. Todavia, o uso metafórico de “luz” e “trevas” é raro no Antigo Testamento, aparecendo apenas em três livros — Jó, Salmos e Isaías. Além disso, Isaías é o único profeta que usa tais imagens com freqüência. Para se ter uma idéia, ele utiliza a palavra “luz” em sentido metafórico, pelo menos, dezoito vezes, e “trevas”, dezesseis vezes. Contrastando tais palavra uma com a outra há nove ocorrências. Cabe observar, também, que as referidas palavras, em oposição uma à outra, ocorrem quatro vezes nos capítulos aceitos pacificamente e cinco vezes naqueles que são questionados.
• As imagens de “cegueira” e de “surdez” são usadas em condições semelhantes, o que é quase uma peculiaridade de Isaías em relação aos demais escritores do Antigo Testamento, ocorrendo cerca de doze vezes em todo o livro.
• A imagem do povo como “uma flor que secou” ou “uma folha que murchou” ocorre, também, várias vezes por toda a obra do profeta.
• A imagem de “tronco”, raiz, ou “renovo” aplicada ao Messias ocorre três vezes.
• As expressivas imagens de paz e de prosperidade no reino do Messias são, praticamente, idênticas tanto no “verdadeiro Isaías”, como “nos outros”. Compare-se a título de exemplo as seguintes passagens: — Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra(2:4). — A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade, o cinto dos seus rins. O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar (11:5-9). — E será que, antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei. O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; pó será a comida da serpente. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor (65:24-25).
• A imagem de “água” com o significado de vida espiritual e refrigério da alma ocorre, igualmente, em todo livro, embora mais freqüentemente na Parte I.
• A comparação de Deus com um oleiro, ou com um homem que dá forma ao barro, é encontrada também na Parte I e na Parte III do livro.
• Jerusalém, à sua vez, é representada por uma tenda com toldo, estacas, cordas e tudo o mais.
• A purificação dos pecados de Israel é descrita como o crisol onde se retiram as escórias de um metal.
• Entre outros exemplos de metáforas comuns aos capítulos aceitos em relação aos questionados pode-se citar a “estopa” para significar algo que é fraco e facilmente consumido pelo fogo; o “restolho” e a “palha” com o mesmo significado; o “deserto transformado em pomar” num tempo de bem-estar espiritual; o “estar bêbado” ou “embriagado” com o significado de estar espiritualmente apaixonado; a “cura das feridas do seu povo”, significando o perdão de Deus por seus pecados; uma “torrente impetuosa” ou “as impetuosas águas”, por uma horda de invasores; um “redemoinho” ou “torvelinho”, significando as rodas dos carros; o “gemido da pomba”, por um lamento; os “vermes” para significar decadência e dissolução; uma nação “comendo a sua própria carne”, significando a desunião e a discórdia interna; a “sombra” conotando a proteção de Deus; um “banquete de coisas gordurosas” ou “finos manjares”, por bênção espiritual; o “florescer da terra” ou “o romper em cânticos da terra”, significando a alegria do ser humano; e a “prostituição”, denotando a falta de fé.
9 de jul. de 2007

Considerações no Livro do Profeta Isaías


Parte 14
Por outro lado, os últimos capítulos do Livro de Isaías, esses mesmos que são questionados, foram claramente aceitos por escritores do Novo Testamento e por seus contemporâneos. Como exemplos, pode-se citar Mateus, o qual em 3:3 de seu Evangelho diz — Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. — e João que em 12:38 diz — para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? (Is 53.1). Muitas outras passagens desse mesmo jaez poderiam ser mencionadas.
Poder-se-ia argumentar que a maior parte dos escritores do Novo Testamento era constituída de pessoas rudes, semi-analfabetas e de pobre senso crítico. Contudo, ainda assim, tem-se o testemunho do apóstolo Paulo, o qual era um homem culto, tendo sido criado “aos pés de Gamaliel” (At 22.3) e fora instruído sobre as Escrituras. Neste sentido, é quase certo que este apóstolo teria notícias, caso os judeus instruídos de seu tempo reconhecessem dois “Isaías”, ou se houvesse ocorrido a incorporação das profecias de um autor desconhecido, do período do exílio babilônico, nas do primeiro “Isaías”. Igualmente, o historiador Josefo era também alguém de considerável cultura e estava afeito às pesquisas. Entretanto, Josefo não faz qualquer citação de um segundo “Isaías”. Ao contrário, ele atribui a Isaías, o único, a composição das profecias a respeito de Ciro, assim dizendo:

“Isso era do conhecimento de Ciro pela leitura do livro onde Isaías havia escrito suas profecias; uma vez que esse profeta disse que Deus havia falado a ele numa visão: ‘Minha vontade é que Ciro, a quem eu designei para ser rei sobre muitas e grandes nações, mande de volta o meu povo para a sua própria terra, e reconstrua meu Templo’. Isso foi profetizado por Isaías cento e quarenta anos antes do Templo ser destruído”.

Pode-se ter, assim, um razoável grau de confiança, mesmo porque a tradição judaica afirma que o Livro de Isaías é um trabalho literário por inteiro, e não a reunião de diversas profecias de várias épocas, elaboradas por vários autores.
Ben Ezra, um autor que escreveu no século XII d.C., foi o primeiro crítico a sugerir que as profecias dos capítulos 40 a 66 podiam não ser do trabalho original de Isaías. Entretanto, é forçoso observar que, antes de Ezra e até o final do século XVIII, nenhuma sombra de dúvida foi levantada a esse respeito. O livro de Salmos, por exemplo, é conhecido por ser uma composição de vários autores. Igualmente, o livro de Provérbios é, declaradamente, uma composição de quatro coleções de escritos. Todavia, o Livro de Isaías sempre foi considerado pela maioria dos estudiosos, tanto os antigos como os atuais, como um trabalho contínuo de um único e mesmo autor.
Além disso, existem evidências internas que corroboram a assertiva acima. Tais evidências podem ser anunciadas em cinco pontos a saber:
1. A grandeza, a qualidade e a genialidade demonstrada pelo autor.
2. A semelhança da linguagem e da construção gramatical em toda extensão da obra.
3. A semelhança entre as idéias, entre as imagens e entre as figuras de retórica.
4. A semelhança em pequenas expressões que caracterizam o autor.
5. A correspondência, no que se refere à repetições, e, nos capítulos finais, a complementação de idéias que ficaram incompletas nos capítulos iniciais.

Cada um desses pontos são a seguir comentados, visando a uma argumentação mais consistente.
1. É universalmente aceito pelos críticos e estudiosos que a genialidade, a grandeza e a qualidade dos escritos reconhecidos como de Isaías é algo de extraordinário e transcendente, em relação a todos os demais escritores da Bíblia, e mesmo da história do mundo, visto que poucos possuíam tais atributos. Tal genialidade é reconhecida como uma qualidade singular, marcada por uma sublimidade e uma profusão de idéias novas, cujas forças variam e são autocontroladas, de forma a manter o discurso livre de expressões bombásticas ou extravagantes. Seguramente, a mesma genialidade, que aflora nos capítulos iniciais, está presente naqueles que são questionados, demonstrando a unidade de todo o trabalho. A sublimidade encontrada nos capítulos 52 e 53 acontece por todos os lados, sendo a mesma que aparece no capítulo 40, em 43:1-4 e em 63:1-6. Transcreve-se estas duas últimas passagens para que o leitor perceba tal sublimidade — Mas agora, assim diz o Senhor, que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque eu sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate e a Etiópia e Sebá, por ti.Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida (43:1-4) — Quem é este que vem de Edom, de Bozra, com vestes de vivas cores, que é glorioso em sua vestidura, que marcha na plenitude da sua força? Sou eu que falo em justiça, poderoso para salvar. Por que está vermelho o traje, e as tuas vestes, como as daquele que pisa uvas no lagar? O lagar, eu o pisei sozinho, e dos povos nenhum homem se achava comigo; pisei as uvas na minha ira; no meu furor, as esmaguei, e o seu sangue me salpicou as vestes e me manchou o traje todo. Porque o dia da vingança me estava no coração, e o ano dos meus redimidos é chegado. Olhei, e não havia quem me ajudasse, e admirei-me de não haver quem me sustivesse; pelo que o meu próprio braço me trouxe a salvação, e o meu furor me susteve. Na minha ira, pisei os povos, no meu furor, embriaguei-os, derramando por terra o seu sangue (63:1-6).
6 de jul. de 2007

Considerações no Livro do Profeta Isaías

Parte 13
Somente depois que Isaías foi dividido em fragmentos e o conteúdo das diferentes partes foi dissecado, é que ocorreu aos críticos os argumentos a respeito dos vários estilos. Tanto isso é verdade que, nos dias de hoje, tais argumentos perderam importância. Neste sentido, admite-se que as questões de estilo são muito mais matéria de gosto, razão pela qual não há unanimidade a esse respeito. Supõem-se que o “Grande Desconhecido”, caso seja mesmo um autor diferente, com freqüência imitava o estilo de Isaías e conhecia suas profecias de cor.
Logicamente, é difícil admitir que sete estilos diferentes possam ser identificados, correspondendo aos sete autores da lista de Ewald. O máximo que se tentou provar efetivamente foram dois estilos, um antigo e o outro mais recente. Todavia, mesmo assim, não se obteve êxito na tentativa. Na Alemanha, berço dos principais teólogos conhecidos, a unidade de estilo, em Isaías, foi afirmada, apesar das teorias contrárias terem nascido lá. Mais recentemente, advogou-se a teoria de que a separação deve ser feita, uma vez que a unidade de estilo não implica, necessariamente, na existência de apenas um único autor. Assim, “Isaías” pode ser o trabalho de vários autores, embora o estilo seja uniforme.
Não obstante, a questão de que “Isaias” é, ou não, o trabalho de um ou mais autores deve ser considerada apenas como um problema de interesse literário, e jamais como um tema de importância teológica. Ninguém tem dúvida de que o livro existiu, na forma como chegou aos dias e hoje, e foi aprovado pelo cânon judaico como uma porção inspirada da Palavra de Deus. Assim, deve-se entender que o Livro de Isaías é o mesmo, não importando se é o trabalho de um, de sete ou de setenta profetas. Tal controvérsia deve, pois, ser tratada sem paixões, constituindo-se mais em matéria de especulação literária do que numa questão de unidade de autoria.
Os argumentos a favor da unidade de autoria, por outro lado, são muitos e podem ser divididos em externos e internos. Os primeiros, os mais importantes, são de que as várias traduções, especificamente a Septuaginta, fornecem evidências de que, por volta do ano 250 a.C., todo o conteúdo do livro foi atribuído a Isaías, o filho de Amoz. Analogamente, diz-se que os Salmos foram atribuídos a Davi, embora muitos não tenham sido compostos por ele. Assim, os tradutores da Septuaginta nominaram o Livro dos Salmos, simplesmente, com a palavra “Salmos” e, ao titularem, os diversos Salmos atribuíram várias outras autorias, como Davi, Moisés, Jeremias, Asafe, Zacarias e outros.
Outro testemunho externo da autoria do Livro de Isaías é o de Ben Sirac, autor do livro apócrifo Eclesiástico, o qual consta na bíblia romana. Tal escritor, provavelmente, viveu por volta do ano 180 a.C. e, enfaticamente, atribuía a Isaías, o contemporâneo de Ezequias, a porção questionada do livro que os teóricos querem atribuir a outros autores de uma época posterior (Cf. Eclesiático 48:18-24 — Alguns deles fizeram o bem, outros multiplicaram as faltas. Ezequias fortificou a sua cidade e conduziu a água para o seu centro, com ferro cavou a rocha e construiu cisternas. No seu tempo, Senaqueribe pôs-se em guerra e enviou Rabsaces, ele levantou a mão contra Sião, na insolência de seu orgulho. Então seus corações e suas mãos tremeram, sofreram como as parturientes. Invocaram o Senhor misericordioso, estendendo suas mãos para Ele. Do céu o Santo os escutou imediatamente e livrou-os pela mão de Isaías. Ele feriu o acampamento dos Assírios e o seu anjo os exterminou).

Considerações no Livro do Profeta Isaías

Parte 12
Quadro 1
Capítulos Autores Datas (a.C.)
1 a 12 Isaías 759 - 713
13 a 14:23 Autor Desconhecido (1) 570 – 560
14:24 a 20 Isaías 727 – 710
21:1-10 Autor Desconhecido (2) 570 – 560
21:11 a 33 Isaías 715 – 700
34 a 35 Jeremias (?) 549 – 538
36 a 39 Não definido -
40 a 52:12 O Grande Desconhecido 550 – 540
52:13 a 54:12 Autor Desconhecido (3) 690 – 640
54:13 a 56:8 O Grande Desconhecido 550 – 540
56:9 a 57:11 Autor Desconhecido (3) 690 – 640
57:12 -21 O Grande Desconhecido 550 – 540
58:1 a 59:20 Autor Desconhecido (4) 595 – 575
59:21 a 62 O Grande Desconhecido 550 – 540
63 a 64 Autor Desconhecido (4) 595 – 575
65 a 66 O Grande Desconhecido 550 – 540
4 de jul. de 2007

Meditação

É de joelhos que a igreja marcha
Dobrar os joelhos diante de Deus em oração é uma marca da igreja cristã. Ela começou a sua primeira marcha, de joelhos em um cenáculo – “...todos estes perseveravam unânimes em oração” (Atos 1.14).
• O primeiro mártir da Igreja entregou a sua vida, “ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado” (Atos 7.60), testemunhando aos inimigos a vida de amor e perdão que a comunidade cristã possuía.
• Como uma prova da fé que a igreja depositava na manifestação do poder de Deus, Pedro, diante do corpo de Dorcas, tomado pela morte, “...de joelhos, orou” (Atos 9.4), e ela ressuscitou.
• “... ajoelhados na praia, oramos” (Atos 21.6) é a atitude de Paulo e seus discípulos em Tiro, em sua última viagem missionária.
A igreja seguiu o exemplo de seu Senhor que, na agonia do jardim, “...de joelhos orava” (Lucas 22.41).
Hoje, mais do que nunca, a igreja precisa marcar a sua história como a igreja primitiva o fez, dobrando seus joelhos diante do Pai, revigorando as suas forças para a grande marcha de inúmeras conquistas, até o dia em que “...se dobre todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fillipenses 2.10,11).
Ainda ressoa a voz de Deus dizendo, no passado: “Dize ao meu povo que marche...” (Êxodo 14.15).
Avante, Primeirona!

Aniversariantes de julho

Dia Aniversariante Fone
01 Irmã Danúsia 9328-4288
03 Irmão Eric
10 Irmã Gilza 3324-3792
12 Irmã Graça Jatobá 9332-9749
23 Irmã Gizley 3324-3792

Pastoral de julho

Desejo de Carregar a Cruz
“E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar-lhe a cruz” (Mc 15:21).
Deus está a procura de homens e mulheres cujos corações estejam comprometidos com Ele, homens que desejem, ardentemente, conhecer a Cristo na intimidade, e segui-lo com diligência. (Fl 3:7-10, 12-16)
“Pois os olhos do Senhor passam por toda a terra, para cima e para baixo, procurando pessoas que tenham coração perfeito para com Ele, de maneira que ele possa mostrar o grande poder que tem em ajudar essas pessoas” (2 Cr 16:9).
Cirene, na África do Norte, possuía numerosa população judaica. Provavelmente, Simão era um judeu daquele lugar, que viera à festa, e foi pego de surpresa e obrigado a carregar a cruz, pois Jesus que não tinha mais forças.
Simão foi obrigado. Ele não o faria espontaneamente, pois não podia ver importância naquele ato de carregar a cruz de um criminoso que ele não conhecia. E nós? Será que nós temos percebido a necessidade de carregar a cruz de Cristo?
Reparem que Simão estava apenas passando por ali. Ele havia vindo a uma festa importante, a festa da Páscoa judaica, mas algo muito mais importante estava acontecendo naquele dia. Contudo, a desatenção dele não o deixou perceber a importância daquele acontecimento. Quando estamos atentos à nossa própria vontade, não enxergamos o que é, de fato, importante, levar a cruz de Cristo, e, assim, vemos somente as nossas festas particulares.
Todavia, Simão foi encontrado e, entre tantos na multidão, foi escolhido para carregar a cruz por aquele longo percurso. Que imenso privilégio foi o seu de levar a cruz de Jesus!
Mas, nós também fomos escolhidos no meio da multidão, e Jesus nos convida a carregar a sua cruz. “E quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim” (Mt 10:38). Mas, muitos se recusam a pagar o preço substancial de carregar a cruz de Cristo hoje em dia.
A cruz do Senhor é a renúncia aos prazeres do mundo, é a santificação sem a qual ninguém jamais verá a Deus, é o servir incondicional ao Senhor dos senhores.
“Confessar a Jesus como Senhor e Salvador, sem segui-lo, carregando a sua cruz, é tão inútil quanto orar, dizendo que Deus é o nosso único e verdadeiro Deus, sem servi-lo como Deus!” (Michael Brown).
Em amor, Rev. Pedro Corrêa Cabral

Pedidos de Oração - julho

Pb. Cícero Alves e Diva (vida espiritual); Janim (justiça); Pedro Ricardo (emprego); Vera (amiga da irmã Graça – enfermidade); Ivânia Lima (família e vida espiritual); Givanildo (família e emprego); Gil (emprego); Gilza (emprego); Pb. Cícero Antônio (saúde); Internos do Desafio Jovem de Alagoas; Joelma (família); Alessandro da Silva (filho de Maria José- vida espiritual); Louise Honorato (filha do Rev. Honorato – saúde); Lourinaldo (pai do Rev. Lourinaldo – saúde).

Calendário do Mes de julho de 2007

07 – Culto nos Lares
08 – Dia do Pacificador
09 - Dia do Diácono
10 – Nascimento de João Calvino
13/14 – Congresso Sinodal da SAF - Aracaju
15 – Consagração da Mocidade – 08:00 hs
21 – Aniversário do Ministério ADAR –
Culto às 19:30
22 – Dia Nacional do Adolescente Presbiteriano
Cantina da SAF após o culto
28 – Reunião do Conselho da Igreja
29 - Consagração da Mocidade – 08:00 hs
Culto de Santa Ceia – 19:00 hs