Parte 11
Uma outra forma de retórica pode ser percebida em Isaias, como por exemplo: Contra todos os cedros do Líbano, altos, mui elevados; e contra todos os carvalhos de Basã; contra todos os montes altos e contra todos os outeiros elevados; contra toda torre alta e contra toda muralha firme; contra todos os navios de Társis e contra tudo o que é belo à vista (2:13-16).
Uma característica adicional encontrada no estilo literário de Isaías é a sua maravilhosa variedade. Algumas vezes, o seu discurso é suave e flui com tranqüilidade; enquanto noutras vezes é duro e incisivo; de vez em quando também é simples e prático, para a seguir voar aos mais altos píncaros da imagem poética. Dentro dessa variedade, o profeta inclui todos os tipos de ornamentos literários conhecidos em sua época, tais como a parábola, a imagem mental, a ação simbólica, os diálogos dramáticos, os arroubos líricos e os refrãos. Todos esses recursos são usados na ocasião apropriada, seja para pontuar um assunto de especial interesse, seja para se contrapor a algo que não se coaduna com a lei de Deus. Eis, aí, portanto, a razão pela qual o estilo de Isaías não tem um colorido único. Ele não é um profeta especialmente lógico, nem melancólico, nem eloqüente, nem tampouco admoestatório, como talvez sejam Joel, Oséias e Miquéias, nos quais uma especial característica literária predomina. Isaías é aquele profeta que consegue adaptar o seu estilo aos mais diferentes temas, qualidade que constitui a sua grandeza e excelência. O vocabulário do profeta demonstra que ele pertence a um dos mais puros e melhores períodos da literatura hebraica, razão pela qual nele não se encontram termos arcaicos. Alguns termos aramaicos foram identificados, mais especificamente nas suas últimas profecias. Todavia, tais termos não são suficientes numerosos para manchar a conclusão geral de que o seu vocabulário, como um todo, é bastante puro. Além disso, a quantidade de palavras que não ocorrem nos demais livros da Bíblia é acentuadamente grande, mostrando um vocabulário mais amplo do que em qualquer outro livro das Escrituras.
Não obstante, existem algumas teorias que questionam a autoria do Livro de Isaías. Uma delas, iniciada no final do século XVIII, afirma que Isaías não foi o verdadeiro autor das profecias contidas a partir do capítulo 40 até o final do livro. De acordo com essa teoria, o trabalho de um outro profeta, o qual teria vivido até ao final do cativeiro babilônico, foi anexado, talvez por descuido, às genuínas profecias do filho de Amoz, passando assim a ser consideradas como de Isaías. Tal teoria tem sido corroborada por estudiosos alemães da escola racionalista. Esses pensadores baseiam-se, principalmente, em dois pontos: (1) que o autor dos capítulos 40 a 66 toma como referência a época do cativeiro babilônico, falando de tal período como se fosse presente e, a partir daí, olha para o futuro, fato que, se verdadeiro, estaria fora tempo de vida de Isaías; (2) que esse autor tem conhecimento do nome e da carreira de Ciro, a respeito de quem um profeta que viveu dois séculos antes não poderia ter.
Posteriormente, tal teoria veio a receber apoio de outros estudiosos que acrescentaram haver diferenças entre o estilo e a linguagem nos capítulos de 1 a 39, em relação aos de 40 a 66. A partir desse argumento, concluem, então, que os últimos capítulos, necessariamente, devem ser de um outro autor, já que tratam de um período bem posterior.
Desta maneira, a teoria inicia-se com a afirmação de que houve dois Isaías, um mais cedo e outro mais tarde, um contemporâneo de Ezequias e o outro que viveu no tempo do cativeiro babilônico. Contudo, a referida teoria não para por aí. Um outro teólogo afirma que o Livro de Isaías, da maneira que chegou aos dias de hoje, é um trabalho de, pelo menos, sete autores. Ao Isaías, filho de Amoz, contemporâneo de Ezequias, ele atribui apenas os trinta primeiros capítulos. A um segundo profeta, a quem ele chama de o “Grande Desconhecido” que teria estado presente no final do cativeiro babilônico, ele atribui dezoito capítulos. Um terceiro, o qual teria vivido no reinado de Manasses, teria escrito o capítulo 35 e parte de quatro ou cinco outros. Um quarto autor, pertencente à época de Ezequiel, seria o escritor de quatro outros capítulos. Outro ainda, possivelmente Jeremias, teria escrito dois capítulos, e mais dois outros “Isaías” teriam escrito partes de alguns capítulos. O Livro de Isaías é, assim, segundo esse teólogo, Ewald, uma colcha de retalhos de natureza extraordinária. Tal teoria está resumida no Quadro 1.
Não parece, entretanto, que essa teoria esgota a hipótese iniciada anteriormente. Um outro estudioso, Cheyne, é de opinião que o tratamento dado por Ewald à parte final do Livro de Isaías não pode, em nenhuma circunstância, ser considerado como decorrente de uma análise profunda. Segundo este teólogo, torna-se cada vez mais evidente que a forma atual das profecias é decorrente da pena de uma classe especial de literatos, os escribas ou escrituristas, cuja principal função era reunir e “suplementar” os registros espalhados das revelações proféticas. Tal função foi desempenhada por esses profissionais com notável abnegação. Não existe, inclusive, nenhum registro de quem teria feito esse trabalho, numa prova de que eles não buscavam proeminência. Ao contrário, tudo parece indicar que eles possuíam a autoconsciência de que o que estavam escrevendo era o trabalho de homens inspirados por Deus. Tais profissionais escreviam, revisavam e editavam, como mesmo espírito que um talentoso artista, nos dias de hoje, se entrega ao glorioso trabalho de restaurar as obras dos pintores clássicos. O mesmo crítico acrescenta que o Livro de Isaías é um mosaico, ou uma colcha de retalhos, produzido por um número desconhecido de autores.
O certo, contudo, é que tais teorias não se originaram em diferenças notáveis de estilo, entre as porções do livro que são atribuídas a diferentes autores. Tais diferenças foram levantadas a partir dos assuntos contidos nas profecias. Neste sentido, os argumentos decisivos, mas não conclusivos, contra a autoria de um único escritor decorrem: (1) das circunstâncias históricas e (2) da originalidade das idéias, ou das formas nas quais tais idéias são expressas.
No que respeita às circunstâncias históricas, o fundamento está no fato de que o escritor sagrado dos últimos capítulos, os quais tratam do exílio babilônico, os escreveu quando Jerusalém e o templo estavam há muito tempo em ruínas, bem como os judeus encontravam-se desesperados com a evidente recusa de Deus de interferir para tirá-los daquela situação.
Com relação à originalidade das idéias, encontramos a descrição sarcástica da idolatria, os apelos às vitórias de Ciro, as referências aos poderes angelicais (24.21), a ressurreição de mortos (26.19), a eterna condenação dos ímpios (50.11) e a idéia do sacrifício vicário (cap.53).
28 de jun. de 2007
Batismo Infantil
Considerações sobre
o Batismo Infantil
O batismo é apenas e tão somente um símbolo, não tendo nenhum valor intrínseco. Assim, as águas do batismo não são diferentes de quaisquer outras águas e não possuem nenhuma virtude sobrenatural, ou milagrosa, para transformar um pagão em cristão, como entendem algumas denominações. Desta forma, o batismo é um sinal exterior e visível de uma graça invisível recebida antes da cerimônia batismal, sendo, portanto, a representação simbólica da obra de regeneração no coração do pecador, embora não produza esta graça. Neste sentido, a água simboliza o lavar dos pecados no ato divino da regeneração operada pelo Espírito Santo. Confira o que diz Atos 22:16 — ... Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele. — e também Tito 3:5 — não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.
Assim, os pais crentes devem tirar do pensamento qualquer idéia de que as crianças que morrem sem ser batizadas ficam de alguma maneira prejudicadas. Em Marcos 10:14, o próprio Senhor Jesus nos ensina dizendo: — Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus.
O desejo que algumas pessoas não crentes têm de batizar seus filhos provém da idéia supersticiosa de que o batismo tem algum poder mágico, ou milagroso, para salvar as crianças. Tal crença deve ser veementemente combatida.
Somente os pais que crêem verdadeiramente em Cristo como seu Salvador e que, portanto, já estão em comunhão com Deus para obedecê-lo, têm o direito de apresentar seus filhos para serem batizados.
E mais, os pais crentes podem e devem apresentar seus filhos para o batismo. O apóstolo Pedro, em seu sermão no dia de Pentecostes, respondendo a uma indagação de seus ouvintes, declarou: — ... Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo ... Pois, a promessa é para vós e para vossos filhos... (Atos 2:38-39).
A Grande Comissão estabelecida por Jesus, em Mateus 28:10-20 e complementada em Marcos 16:16, não exclui as crianças uma vez que elas crêem. Neste sentido, quem o afirma é o próprio Jesus Cristo em Mateus 18:1-6 — Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior no reino dos céus? 2 E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. 3 E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. 4 Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus. 5 E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe. 6 Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar.
A expressão no gregotransliterada se lê: — Ton mícron touton ton pisteuonton — e cuja tradução é: os pequeninos que crêem. Tal afirmação de Jesus é confirmada pelo evangelista Marcos no capítulo 9, verso 42, onde se lê: — Mas qualquer que fizer tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar.
Do acima exposto, verifica-se que não existe qualquer base bíblica, nem exegética, para se afirmar que esses pequeninos se referem às pessoas humildes, como querem alguns. Os pequeninos são, assim, de fato, as crianças das quais Jesus estava rodeado e das quais tomou uma como padrão do cidadão do Reino dos Céus. E, o mais importante é que Jesus afirmou que os pequeninos crêem.
Numa passagem bíblica relatada em João 4, um oficial do rei creu, ele e sua casa (v.53). Sabemos, pelo próprio relato, que naquela casa havia, pelo menos, uma criança pequena. O pai refere-se ao filho, no verso 49, empregando a palavra grega paidion — que significa criancinha. Logo, havia naquela família que creu, pelo menos, uma criança. E o texto afirma, também, que "creu ele e toda a sua casa", o que nos permite concluir que a criancinha também creu. Mas, como pode uma criancinha crer e ter fé? Respondemos a esta questão com uma pergunta: Como pode uma criancinha de peito apresentar um perfeito louvor a Deus? No entanto, em Mateus 21:16 Jesus afirma que tal criancinha O louva desta maneira, quando diz: — Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?
Ora, o Deus que tira o perfeito louvor dos lábios de uma criancinha de peito é capaz de suscitar fé no pequenino coração de uma criança. A fé é mais sentimento do que razão. E é isso que Paulo diz em Romanos 10:10 — Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação.
A criança crê com o coração para a justiça e os seus lábios confessam o nome de Jesus num perfeito louvor. Nossos ouvidos é que são incircuncisos para ouvi-la.
Mas não é apenas isso. O batismo infantil é uma prática relatada nas Escrituras Sagradas. O costume de se receber crianças vem do AT, através do rito da circuncisão. Como exemplo, lemos em Gênese 21:4 — Abraão circuncidou a seu filho Isaque, quando este era de oito dias, segundo Deus lhe havia ordenado. — O próprio Jesus foi submetido a esse rito, conforme Lucas 2:21 — Completados oito dias para ser circuncidado o menino, deram-lhe o nome de JESUS, como lhe chamara o anjo, antes de ser concebido.
Como sabemos, a Igreja de Deus é uma só, em duas dispensações. A Igreja Cristã, por sua vez, é oriunda da Igreja Judaica, e não há como negar isso. Assim, esta era a Igreja de Deus naquele tempo. Observem-se as provas listadas abaixo:
1. Os crentes são filhos de Abraão – Em Gálatas 3:7, Paulo nos diz: — Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. — Assim, este verso explica porque Abraão é chamado de Pai da Fé, isto é, pai de todos os que crêem. E mais, em Romanos 4:16-17, o apóstolo reafirma que os crentes são filhos de Abraão, dizendo: — Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão, (porque Abraão é pai de todos nós, como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí.), perante aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem.
2. Jesus declarou em Mateus 8:11- Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. — Tomarão lugar onde? À mesa do banquete do Senhor, no Reino consumado de Deus. Esses que virão do Oriente e do Ocidente e se sentarão com os judeus são gentios, de tal forma que judeus e gentios, agora feitos cristãos, constituem-se em uma só família da qual Abraão é o cabeça humano.
3. A figura da oliveira – No capítulo 11 de Romanos, Paulo usa a figura da oliveira para representar o antigo povo de Deus e diz que os judeus incrédulos foram cortados da árvore, enquanto os gentios crentes foram nela enxertados. Assim, o antigo povo de Deus, juntamente com os gentios convertidos, constituíram-se numa árvore só.
Tais pontos doutrinários são prova suficiente de que a Igreja de Deus é uma só. Ora, as crianças faziam parte e eram membros da dispensação judaica. O rito pelo qual eram reconhecidas como membros, está claro, não era o batismo, mas. sim, a circuncisão. Por que? Por duas razões:
1º - A circuncisão era uma cerimônia sangrenta. O batismo é incruento. Todavia, desde que o sangue de Cristo, o sangue do Cordeiro de Deus, foi vertido, não se exige mais derramamento de sangue no culto divino.
2º - O batismo tomou o lugar da circuncisão porque pode, também, ser aplicado a ambos os sexos. Por sua natureza, a circuncisão só podia ser aplicada às crianças do sexo masculino.
Não bastasse isso, Colossenses 2:11-12 mostra que o batismo equivale à circuncisão — Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.
Assim, se a circuncisão era feita nas crianças do AT aos oito dias de nascidas; se a circuncisão equivale ao batismo cristão; fica cristalino que devemos batizar os menores em tenra idade.
Se não bastasse isso, a Bíblia nos mostra que famílias inteiras foram batizadas na era apostólica. Exemplos:
1. Cornélio com todos de sua casa - Atos 11:14 — o qual (referindo-se a Pedro) te dirá palavras mediante as quais serás salvo, tu e toda a tua casa.
2. Lídia e sua casa – Atos 16:15 — Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso.
3. O carcereiro com todos os seus - Atos 16:32-33 — E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa. Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus.
4. A família de Estéfanas – I Coríntios 1:16 — Batizei também a casa de Estéfanas; além destes, não me lembro se batizei algum outro.
5. Crispo e sua família - Atos 18:8 — Mas Crispo, o principal da sinagoga, creu no Senhor, com toda a sua casa; também muitos dos coríntios, ouvindo, criam e eram batizados.
Será que todas estas casas eram constituídas apenas de adultos?
Vejamos o significado de casa nas Escrituras:
1. Casa tem o sentido de família - (DT 25:9) então, sua cunhada se chegará a ele na presença dos anciãos, e lhe descalçará a sandália do pé, e lhe cuspirá no rosto, e protestará, e dirá: Assim se fará ao homem que não quer edificar a casa de seu irmão.
2. Casa significa a família completa, constituída do pai, da mãe, dos filhos e do taph — no hebraico, membro de uma tribo nômade que não era capaz de caminhar, isto é, os velhos e as crianças. (2CR 20:13) — Todo o Judá estava em pé diante do SENHOR, como também as suas crianças, as suas mulheres e os seus filhos.
3. Casa significa, na Bíblia, a família, incluindo as criancinha. (GN 17:12, 23) — O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe. - (23) Tomou, pois, Abraão a seu filho Ismael, e a todos os escravos nascidos em sua casa, e a todos os comprados por seu dinheiro, todo macho dentre os de sua casa, e lhes circuncidou a carne do prepúcio de cada um, naquele mesmo dia, como Deus lhe ordenara.
Além disso, existem inúmeras evidências históricas de batismos de crianças na era apostólica. A título de exemplo, verificamos que:
• Justino Mártir, escrevendo por volta do ano 150 d.C. faz menção a pessoas de seu relacionamento que contam com sessenta e setenta anos de idade e que haviam sido batizadas na infância. Não é necessário ser bom matemático para deduzir que tais batismos ocorreram antes do ano 100 d. C. e, portanto, dentro da era apostólica.
• No entorno do ano 185 d. C., Irineu, em seu "Segundo Livro Contra as Heresias", faz alusão ao batismo de infantes, de crianças e de pessoas idosas. Seu testemunho é especialmente valioso porque ele aprendera diretamente de Policarpo, o qual, por sua vez, fora discípulo do Apóstolo João, havendo, pois, ligação com o ensino apostólico.
• Igualmente, o grande pensador cristão Orígenes, cerca do ano 240 d. C., refere-se ao batismo de crianças como uma tradição ou ordem apostólica. Comentando a carta de Paulo aos Romanos, ele afirma: "Foi por esta razão que a igreja recebeu dos apóstolos a ordem de administrar o batismo às criancinhas, porque aqueles a quem foram confiados os mistérios divinos sabiam que existe em todas as pessoas a contaminação natural do pecado, o qual deve ser apagada pela água e pelo Espírito".
• Existe, também, prova de que o batismo de crianças era costume adotado pela igreja primitiva, quando se estuda a História do Cristianismo. No Concílio de Cartago, em 252 d.C. — cerca de 150 anos depois da era apostólica — um pastor da região rural, conhecido por Fido, perguntou ao Concílio se as crianças podiam ser batizadas antes do oitavo dia após o nascimento — mesmo prazo marcado para a circuncisão. Tal Concílio, constituído de sessenta e seis bispos e presidido por Cipriano, o Mártir, decidiu por unanimidade que as crianças podiam ser batizadas antes do oitavo dia. Ora, se o batismo fosse uma inovação, não seria provável que os sessenta e seis aprovassem tal novidade, sem qualquer voz de protesto.
• Por volta do ano 200 d.C., Tertuliano se opôs ao batismo infantil. Todavia, não o fez por julgá-lo antibíblico, ou contrário aos costumes apostólicos, mas, sim, porque acreditava no seu poder regenerador, capaz de apagar os pecados e o julgava, também, um remédio que só podia ser usado uma única vez. Assim, achou que não convinha usar tal remédio de maneira precipitada ou apressada. Se o "remédio" fosse usado logo, a pessoa ficaria sem ele para curar seus pecados futuros. Por razão semelhante, Tertuliano aconselhava aos moços e às viúvas jovens a adiar o seu batismo. Não se opôs, portanto, ao batismo infantil por princípios bíblicos, mas por conveniências relativas à sua maneira de pensar. Neste sentido, o testemunho de Tertuliano prova que no seu tempo as crianças eram batizadas e que ele se opôs por motivos errôneos e contrários à Bíblia.
Conclusão
Verifica-se, pois, que as evidências bíblicas e históricas a favor do batismo de crianças são muitas. No entanto, nós, os presbiterianos, legítimos representantes da fé reformada, desafiamos qualquer outra denominação a apresentar uma só prova bíblica de que o batismo infantil é condenado por Deus. Se a Bíblia Sagrada é, de fato, a nossa regra de fé e de prática, é por ela que devemos nos guiar, e não pela razão humana que é falha e, muitas vezes, tem sido orientada pelo maligno.
Assim, cientes dessas verdades, queridos irmãos, cumpramos o que prescreve a Palavra de Deus, consagrando os nossos filhos menores a Jesus. Tornemo-los participantes da igreja visível através do batismo cristão, posto que da igreja invisível eles já fazem parte, como nos ensina o próprio Jesus. Nesse primeiro passo, estamos cumprindo o que está em Provérbios 22:6 — Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.
Maceió, 25 de setembro de 2000
Pedro Corrêa Cabral
* Estes escritos foram baseados num folheto elaborado pelo Rev. Hercílio da Costa Araújo, Secretário Presbiterial do Presbitério de Sergipe, em janeiro de 1987, o qual foi reescrito, acrescentando-se outros dados julgados importantes.
27 de jun. de 2007
Considerações no Livro do Profeta Isaías
Parte 10
Além disso, o poder das descrições de Isaías é notavelmente vívido e pode ser observado nos quadros de desolação, freqüentes nos seus escritos, especialmente nos capítulos 13, 14 e 34, exemplificados a seguir: — Babilônia, a jóia dos reinos, glória e orgulho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou. Nunca jamais será habitada, ninguém morará nela de geração em geração; o arábio não armará ali a sua tenda, nem tampouco os pastores farão ali deitar os seus rebanhos. Porém, nela, as feras do deserto repousarão, e as suas casas se encherão de corujas; ali habitarão os avestruzes, e os sátiros pularão ali. As hienas uivarão nos seus castelos; os chacais, nos seus palácios de prazer; está prestes a chegar o seu tempo, e os seus dias não se prolongarão (13:19-22). — Reduzi-la-ei a possessão de ouriços e a lagoas de águas; varrê-la-ei com a vassoura da destruição, diz o Senhor dos Exércitos (14:23). — Mas o pelicano e o ouriço a possuirão; o bufo e o corvo habitarão nela. Estender-se-á sobre ela o cordel de destruição e o prumo de ruína. Já não haverá nobres para proclamarem um rei; os seus príncipes já não existem. Nos seus palácios, crescerão espinhos, e urtigas e cardos, nas suas fortalezas; será uma habitação de chacais e morada de avestruzes. As feras do deserto se encontrarão com as hienas, e os sátiros clamarão uns para os outros; fantasmas ali pousarão e acharão para si lugar de repouso. Aninhar-se-á ali a coruja, e porá os seus ovos, e os chocará, e na sombra abrigará os seus filhotes; também ali os abutres se ajuntarão, um com o outro (34:11-15).
Há, ainda, as passagens idílicas, das quais cita-se a seguinte à guisa de exemplo: — Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seio; as que amamentam ele guiará mansamente (40:11).
Não se pode deixar de citar, também, a descrição do murmúrio das águas: — Ai do bramido dos grandes povos que bramam como bramam os mares, e do rugido das nações que rugem como rugem as impetuosas águas! Rugirão as nações, como rugem as muitas águas, mas Deus as repreenderá, e fugirão para longe; serão afugentadas como a palha dos montes diante do vento e como pó levado pelo tufão (17:12-13).
Cabe também falar sobre o quadro que o profeta elabora de um exército que marcha sobre Jerusalém: — A Assíria vem a Aiate, passa por Migrom e em Micmás larga a sua bagagem. Passa o desfiladeiro, aloja-se em Geba, já Ramá treme, Gibeá de Saul foge. Ergue com estrídulo a voz, ó filha de Galim! Ouve, ó Laís! Oh! Pobre Anatote! Madmena se dispersa; os moradores de Gebim fogem para salvar-se. Nesse mesmo dia, a Assíria parará em Nobe; agitará o punho ao monte da filha de Sião, o outeiro de Jerusalém (10:28-32).
É importante, igualmente, observar que a energia e a força do estilo literário de Isaías baseiam-se no uso efetivo que ele faz da retórica. Pela repetição da mesma idéia, com diferentes palavras, várias vezes, o profeta consegue produzir uma profunda impressão em seus leitores. Tal impressão está calcada tanto na seriedade como na importância dos pontos sobre os quais ele fala reiterada vezes: — Ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniqüidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o Senhor, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para trás (1:4). — E, novamente, a mesma idéia retorna, com roupagem nova: — Porque foste a fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia; refúgio contra a tempestade e sombra contra o calor; porque dos tiranos o bufo é como a tempestade contra o muro... (25:4).
— Quem na concha de sua mão mediu as águas e tomou a medida dos céus a palmos? Quem recolheu na terça parte de um efa o pó da terra e pesou os montes em romana e os outeiros em balança de precisão? (40:12) — Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na vereda do juízo, e lhe ensinou sabedoria, e lhe mostrou o caminho de entendimento? (40:14).
Ou ainda: — Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido (53:4). — Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados (53:5).
Além disso, o poder das descrições de Isaías é notavelmente vívido e pode ser observado nos quadros de desolação, freqüentes nos seus escritos, especialmente nos capítulos 13, 14 e 34, exemplificados a seguir: — Babilônia, a jóia dos reinos, glória e orgulho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou. Nunca jamais será habitada, ninguém morará nela de geração em geração; o arábio não armará ali a sua tenda, nem tampouco os pastores farão ali deitar os seus rebanhos. Porém, nela, as feras do deserto repousarão, e as suas casas se encherão de corujas; ali habitarão os avestruzes, e os sátiros pularão ali. As hienas uivarão nos seus castelos; os chacais, nos seus palácios de prazer; está prestes a chegar o seu tempo, e os seus dias não se prolongarão (13:19-22). — Reduzi-la-ei a possessão de ouriços e a lagoas de águas; varrê-la-ei com a vassoura da destruição, diz o Senhor dos Exércitos (14:23). — Mas o pelicano e o ouriço a possuirão; o bufo e o corvo habitarão nela. Estender-se-á sobre ela o cordel de destruição e o prumo de ruína. Já não haverá nobres para proclamarem um rei; os seus príncipes já não existem. Nos seus palácios, crescerão espinhos, e urtigas e cardos, nas suas fortalezas; será uma habitação de chacais e morada de avestruzes. As feras do deserto se encontrarão com as hienas, e os sátiros clamarão uns para os outros; fantasmas ali pousarão e acharão para si lugar de repouso. Aninhar-se-á ali a coruja, e porá os seus ovos, e os chocará, e na sombra abrigará os seus filhotes; também ali os abutres se ajuntarão, um com o outro (34:11-15).
Há, ainda, as passagens idílicas, das quais cita-se a seguinte à guisa de exemplo: — Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seio; as que amamentam ele guiará mansamente (40:11).
Não se pode deixar de citar, também, a descrição do murmúrio das águas: — Ai do bramido dos grandes povos que bramam como bramam os mares, e do rugido das nações que rugem como rugem as impetuosas águas! Rugirão as nações, como rugem as muitas águas, mas Deus as repreenderá, e fugirão para longe; serão afugentadas como a palha dos montes diante do vento e como pó levado pelo tufão (17:12-13).
Cabe também falar sobre o quadro que o profeta elabora de um exército que marcha sobre Jerusalém: — A Assíria vem a Aiate, passa por Migrom e em Micmás larga a sua bagagem. Passa o desfiladeiro, aloja-se em Geba, já Ramá treme, Gibeá de Saul foge. Ergue com estrídulo a voz, ó filha de Galim! Ouve, ó Laís! Oh! Pobre Anatote! Madmena se dispersa; os moradores de Gebim fogem para salvar-se. Nesse mesmo dia, a Assíria parará em Nobe; agitará o punho ao monte da filha de Sião, o outeiro de Jerusalém (10:28-32).
É importante, igualmente, observar que a energia e a força do estilo literário de Isaías baseiam-se no uso efetivo que ele faz da retórica. Pela repetição da mesma idéia, com diferentes palavras, várias vezes, o profeta consegue produzir uma profunda impressão em seus leitores. Tal impressão está calcada tanto na seriedade como na importância dos pontos sobre os quais ele fala reiterada vezes: — Ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniqüidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o Senhor, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para trás (1:4). — E, novamente, a mesma idéia retorna, com roupagem nova: — Porque foste a fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia; refúgio contra a tempestade e sombra contra o calor; porque dos tiranos o bufo é como a tempestade contra o muro... (25:4).
— Quem na concha de sua mão mediu as águas e tomou a medida dos céus a palmos? Quem recolheu na terça parte de um efa o pó da terra e pesou os montes em romana e os outeiros em balança de precisão? (40:12) — Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na vereda do juízo, e lhe ensinou sabedoria, e lhe mostrou o caminho de entendimento? (40:14).
Ou ainda: — Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido (53:4). — Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados (53:5).
26 de jun. de 2007
A fé na pós-modernidade
Nos dias de hoje, a fé só terá sentido se for compreendida como o meio de nos tornar agradáveis a Deus
Estava conversando com um amigo, com quem freqüentemente discuto sobre a vida, teologia, Igreja, e ele comentou sobre a necessidade que temos hoje de reconsiderar alguns princípios e valores bíblicos à luz da realidade pós-moderna em que vivemos. As verdades continuam as mesmas, mas a realidade mudou e torna-se necessário perguntar mais uma vez sobre a forma como estas mesmas verdades e princípios serão relevantes para nossa cultura. Ele apresentou algumas de suas preocupações. O que significa, por exemplo, para um cristão inserido num mercado altamente competitivo, tecnológico e consumista, ser “pobre de espírito” ou “manso”? Ou, como é que um cristão, trabalhando como executivo ou empresário, pode incorporar em sua experiência espiritual o conceito bíblico da simplicidade e da confiança?
Alguns preceitos bíblicos precisam ser repensados à luz da nova realidade – inclusive, aqueles que considero básicos para a experiência cristã. Qual o significado da fé para um cristão pós-moderno? O que ela significa para alguém que vive cercado de recursos tecnológicos e científicos, que tem uma boa renda e um padrão de vida saudável? Num passado não muito distante, o exercício da fé acontecia em virtude das limitações que tornavam a vida insegura e frágil. Os pais, por não saberem onde os filhos se encontravam, aflitos, oravam para que Deus os guardasse do perigo e do mal. Hoje, ao invés de orar, tomam o celular, ligam e, imediatamente, são tranqüilizados. Diante de um problema de saúde, nossos avós oravam e exercitavam a fé na esperança da intervenção divina. Atualmente, antes da oração, os cristãos pós-modernos buscam o melhor especialista no seu plano de saúde e depositam na ciência e na competência do profissional o cuidado e a cura do enfermo.
As situações de risco e limite vão se tornando cada vez menores, requerendo de nós uma nova abordagem sobre a compreensão da fé. Para muitos cristãos, fé é aquilo que nos faz crer no impossível, que nos ajuda a enfrentar o improvável ou que nos faz acreditar no sobrenatural. Pensando assim, a fé é aquilo que acionamos em situações onde se requer uma ação divina sobrenatural; é aquilo a que recorremos quando se esgotam nossos recursos. Parcialmente, isso é verdade. O problema é que, para muitos cristãos pós-modernos, os recursos tecnológicos e científicos trazem possibilidades inimagináveis – logo, muitos vivem toda sua existência sem a necessidade de “acionar a fé” para atender a uma situação que efetivamente foge ao controle.
No entanto, quando o autor de Hebreus nos fala que “sem fé é impossível agradar a Deus”, ele não se refere à fé como o recurso que usamos nas situações críticas da vida. Ele não diz que “sem fé é impossível realizar milagres”, mas que “sem fé é impossível agradar a Deus”. Para ele, é a fé que nos torna agradáveis ao Senhor. Neste sentido, a fé envolve a totalidade da vida, e não apenas aquelas situações limites onde nossos recursos não têm soluções.
Sabemos que a única pessoa que agradou plenamente a Deus foi seu Filho Jesus Cristo por causa de sua vida de absoluta entrega e obediência e da oferta perfeita que apresentou ao Pai, entregando-se para cumprir seu propósito redentor. Diante disso, não fica difícil entender que a fé, num sentido mais amplo e bíblico, tem a ver com a forma como vivemos e respondemos aos propósitos de Deus e nos tornamos agradáveis a ele.
Quando as Escrituras falam da fé, referem-se a um conjunto de realidades espirituais que se interagem na experiência cristã. O conceito bíblico de fé sempre envolve convicções, confiança, obediência, coragem e perseverança. É por meio da fé que verdades são compreendidas e cridas. Podemos então considerar que a fé em ação é a obediência e a perseverança naquilo que cremos e que nos é revelado por Deus. É neste contexto que podemos compreender melhor o valor e significado da fé para o crente de hoje. Se, por um lado, vivemos numa sociedade que cada vez mais dispensa a fé, por outro, reconhecemos que nunca ela foi tão requerida para o viver perseverante e obediente como percebemos hoje.
Se reconhecemos o valor da fé em termos apenas funcionais, caminharemos rapidamente para a falência do cristianismo – afinal, temos os recursos tecnológicos e científicos que atendem com eficiência grande parte das demandas e necessidades pessoais e comunitárias. Acabaremos nos tornando ateus funcionais. Contudo, se reconhecemos o valor da fé em termos relacionais, iremos considerá-la como uma virtude que, junto com o amor e a esperança, caminharão conosco até o fim numa longa jornada em direção a Cristo. A fé é o fundamento da perseverança e da confiança. É por meio dela que iremos prosseguir naquilo para o qual fomos chamados.
O testemunho bíblico da fé é a perseverança na nossa caminhada. Amar apenas as pessoas que nos amam é natural, mas amar aquelas que não merecem nosso amor requer fé e perseverança, confiança e obediência. Experimentar a alegria e a paz em situações de tranqüilidade e conforto também é natural – contudo, permanecer alegres e cheios de paz por causa da salvação em Cristo e da certeza de sua presença redentora, mesmo quando caminhamos pelo vale de sombra e morte e quando tudo conspira contra a alegria e paz, é um ato de fé e perseverança. Prosseguir buscando o Reino de Deus em primeiro lugar e nos consagrando a Jesus e ao seu chamado, dedicando o melhor que somos e temos a ele na promoção da redenção, justiça e liberdade, é a fé em ação.
Num mundo globalizado e tecnológico, a fé só terá sentido se for compreendida como o meio de nos tornar agradáveis a Deus. Agradá-lo é trilhar o mesmo caminho de perseverança, auto-entrega, serviço, sofrimento e obediência que seu eterno Filho trilhou. É preciso reconhecer que fé e perseverança são faces diferentes de uma mesma moeda. Se por um lado é pela fé que conhecemos e experimentamos a graça de Deus, por outro, se não perseverarmos até o fim, não seremos salvos. Uma fé não perseverante é apenas uma ferramenta funcional de nenhum valor. Já a fé que persevera é um recurso relacional poderoso.
Viver pela fé ou andar pela fé é prosseguir no caminho da obediência e da coragem evangélica em direção à conformidade com a imagem de Jesus Cristo.
Ricardo Barbosa de Souza
é conferencista e pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasilia
Estava conversando com um amigo, com quem freqüentemente discuto sobre a vida, teologia, Igreja, e ele comentou sobre a necessidade que temos hoje de reconsiderar alguns princípios e valores bíblicos à luz da realidade pós-moderna em que vivemos. As verdades continuam as mesmas, mas a realidade mudou e torna-se necessário perguntar mais uma vez sobre a forma como estas mesmas verdades e princípios serão relevantes para nossa cultura. Ele apresentou algumas de suas preocupações. O que significa, por exemplo, para um cristão inserido num mercado altamente competitivo, tecnológico e consumista, ser “pobre de espírito” ou “manso”? Ou, como é que um cristão, trabalhando como executivo ou empresário, pode incorporar em sua experiência espiritual o conceito bíblico da simplicidade e da confiança?
Alguns preceitos bíblicos precisam ser repensados à luz da nova realidade – inclusive, aqueles que considero básicos para a experiência cristã. Qual o significado da fé para um cristão pós-moderno? O que ela significa para alguém que vive cercado de recursos tecnológicos e científicos, que tem uma boa renda e um padrão de vida saudável? Num passado não muito distante, o exercício da fé acontecia em virtude das limitações que tornavam a vida insegura e frágil. Os pais, por não saberem onde os filhos se encontravam, aflitos, oravam para que Deus os guardasse do perigo e do mal. Hoje, ao invés de orar, tomam o celular, ligam e, imediatamente, são tranqüilizados. Diante de um problema de saúde, nossos avós oravam e exercitavam a fé na esperança da intervenção divina. Atualmente, antes da oração, os cristãos pós-modernos buscam o melhor especialista no seu plano de saúde e depositam na ciência e na competência do profissional o cuidado e a cura do enfermo.
As situações de risco e limite vão se tornando cada vez menores, requerendo de nós uma nova abordagem sobre a compreensão da fé. Para muitos cristãos, fé é aquilo que nos faz crer no impossível, que nos ajuda a enfrentar o improvável ou que nos faz acreditar no sobrenatural. Pensando assim, a fé é aquilo que acionamos em situações onde se requer uma ação divina sobrenatural; é aquilo a que recorremos quando se esgotam nossos recursos. Parcialmente, isso é verdade. O problema é que, para muitos cristãos pós-modernos, os recursos tecnológicos e científicos trazem possibilidades inimagináveis – logo, muitos vivem toda sua existência sem a necessidade de “acionar a fé” para atender a uma situação que efetivamente foge ao controle.
No entanto, quando o autor de Hebreus nos fala que “sem fé é impossível agradar a Deus”, ele não se refere à fé como o recurso que usamos nas situações críticas da vida. Ele não diz que “sem fé é impossível realizar milagres”, mas que “sem fé é impossível agradar a Deus”. Para ele, é a fé que nos torna agradáveis ao Senhor. Neste sentido, a fé envolve a totalidade da vida, e não apenas aquelas situações limites onde nossos recursos não têm soluções.
Sabemos que a única pessoa que agradou plenamente a Deus foi seu Filho Jesus Cristo por causa de sua vida de absoluta entrega e obediência e da oferta perfeita que apresentou ao Pai, entregando-se para cumprir seu propósito redentor. Diante disso, não fica difícil entender que a fé, num sentido mais amplo e bíblico, tem a ver com a forma como vivemos e respondemos aos propósitos de Deus e nos tornamos agradáveis a ele.
Quando as Escrituras falam da fé, referem-se a um conjunto de realidades espirituais que se interagem na experiência cristã. O conceito bíblico de fé sempre envolve convicções, confiança, obediência, coragem e perseverança. É por meio da fé que verdades são compreendidas e cridas. Podemos então considerar que a fé em ação é a obediência e a perseverança naquilo que cremos e que nos é revelado por Deus. É neste contexto que podemos compreender melhor o valor e significado da fé para o crente de hoje. Se, por um lado, vivemos numa sociedade que cada vez mais dispensa a fé, por outro, reconhecemos que nunca ela foi tão requerida para o viver perseverante e obediente como percebemos hoje.
Se reconhecemos o valor da fé em termos apenas funcionais, caminharemos rapidamente para a falência do cristianismo – afinal, temos os recursos tecnológicos e científicos que atendem com eficiência grande parte das demandas e necessidades pessoais e comunitárias. Acabaremos nos tornando ateus funcionais. Contudo, se reconhecemos o valor da fé em termos relacionais, iremos considerá-la como uma virtude que, junto com o amor e a esperança, caminharão conosco até o fim numa longa jornada em direção a Cristo. A fé é o fundamento da perseverança e da confiança. É por meio dela que iremos prosseguir naquilo para o qual fomos chamados.
O testemunho bíblico da fé é a perseverança na nossa caminhada. Amar apenas as pessoas que nos amam é natural, mas amar aquelas que não merecem nosso amor requer fé e perseverança, confiança e obediência. Experimentar a alegria e a paz em situações de tranqüilidade e conforto também é natural – contudo, permanecer alegres e cheios de paz por causa da salvação em Cristo e da certeza de sua presença redentora, mesmo quando caminhamos pelo vale de sombra e morte e quando tudo conspira contra a alegria e paz, é um ato de fé e perseverança. Prosseguir buscando o Reino de Deus em primeiro lugar e nos consagrando a Jesus e ao seu chamado, dedicando o melhor que somos e temos a ele na promoção da redenção, justiça e liberdade, é a fé em ação.
Num mundo globalizado e tecnológico, a fé só terá sentido se for compreendida como o meio de nos tornar agradáveis a Deus. Agradá-lo é trilhar o mesmo caminho de perseverança, auto-entrega, serviço, sofrimento e obediência que seu eterno Filho trilhou. É preciso reconhecer que fé e perseverança são faces diferentes de uma mesma moeda. Se por um lado é pela fé que conhecemos e experimentamos a graça de Deus, por outro, se não perseverarmos até o fim, não seremos salvos. Uma fé não perseverante é apenas uma ferramenta funcional de nenhum valor. Já a fé que persevera é um recurso relacional poderoso.
Viver pela fé ou andar pela fé é prosseguir no caminho da obediência e da coragem evangélica em direção à conformidade com a imagem de Jesus Cristo.
Ricardo Barbosa de Souza
é conferencista e pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasilia
25 de jun. de 2007
Considerações no Livro do Profeta Isaías
Parte 9
No que respeita as antíteses, sem dúvida elas são uma característica comum à poesia hebraica como um todo. Entretanto, nos demais autores sagrados, tais antíteses são mais verbais do que reais, enquanto em Isaías, elas são quase sempre verdadeira. Tal afirmativa pode ser corroborada pelos seguintes exemplos:— Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã (1:18). — Será que em lugar de perfume haverá podridão, e por cinta, corda; em lugar de encrespadura de cabelos, calvície; e em lugar de veste suntuosa, cilício; e marca de fogo, em lugar de formosura (3:24). — Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta dileta do Senhor; este desejou que exercessem juízo, e eis aí quebrantamento da lei; justiça, e eis aí clamor (5:7). — E dez jeiras de vinha não darão mais do que um bato, e um ômer cheio de semente não dará mais do que um efá (5:10). — Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo! (5:20). — Pelo que assim diz o Senhor Deus: Eis que os meus servos comerão, mas vós padecereis fome; os meus servos beberão, mas vós tereis sede; os meus servos se alegrarão, mas vós vos envergonhareis; os meus servos cantarão por terem o coração alegre, mas vós gritareis pela tristeza do vosso coração e uivareis pela angústia de espírito (65:13-14).
Por outro lado, o jogo de palavras, embora seja também uma característica comum na literatura hebraica, apenas uns poucos escritores sagrados usam tal expediente com a freqüência e com o realce que Isaías lhe empresta.
Um outro aspecto digno de observação diz respeito à força das expressões usadas por Isaías. Tal força é reconhecida, facilmente, por todos que se dispõem a estudar o trabalho desse notável profeta. Ela pode ser reconhecida, até mesmo, através do véu das diversas traduções. Tais expressões são tão fortes que, além de chamar a tenção, terminam gravadas na memória de quem as lê, em função da força implícita que carregam. Vejam-se os exemplos seguintes: — Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, contusões e chagas inflamadas, umas e outras não espremidas, nem atadas, nem amolecidas com óleo (1:6). — Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela, que estava cheia de justiça! Nela, habitava a retidão, mas, agora, homicidas (1:21). — Que há convosco que esmagais o meu povo e moeis a face dos pobres? - diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos (3:15). —Por isso, a cova aumentou o seu apetite, abriu a sua boca desmesuradamente; para lá desce a glória de Jerusalém, e o seu tumulto, e o seu ruído, e quem nesse meio folgava (5:14). — As suas flechas são agudas, e todos os seus arcos, retesados; as unhas dos seus cavalos dizem-se de pederneira, e as rodas dos seus carros, um redemoinho (5:28). — Acautela-te e aquieta-te; não temas, nem se desanime o teu coração por causa destes dois tocos de tições fumegantes; por causa do ardor da ira de Rezim, e da Síria, e do filho de Remalias (7:4). — Mas julgará com justiça os pobres e decidirá com eqüidade a favor dos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso (11:4). — Servirá de sinal e de testemunho ao Senhor dos Exércitos na terra do Egito; ao Senhor clamarão por causa dos opressores, e ele lhes enviará um salvador e defensor que os há de livrar (19:20). — Tragará a morte para sempre, e, assim, enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o Senhor falou (25:8). — Naquele dia, o Senhor castigará com a sua dura espada, grande e forte, o dragão, serpente veloz, e o dragão, serpente sinuosa, e matará o monstro que está no mar (27:1). — Os povos serão queimados como se queima a cal; como espinhos cortados, arderão no fogo (33:12). — Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam (40:31). — Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o direito (42:3). — Eu visto os céus de negridão e lhes ponho pano de saco por sua coberta (50:3). — Como pasmaram muitos à vista dele pois o seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens (52:14). — Mas os perversos são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo (57:20). — Porque eis que o Senhor virá em fogo, e os seus carros, como um torvelinho, para tornar a sua ira em furor e a sua repreensão, em chamas de fogo (66:15). — Eles sairão e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne (66:24).
No que respeita as antíteses, sem dúvida elas são uma característica comum à poesia hebraica como um todo. Entretanto, nos demais autores sagrados, tais antíteses são mais verbais do que reais, enquanto em Isaías, elas são quase sempre verdadeira. Tal afirmativa pode ser corroborada pelos seguintes exemplos:— Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã (1:18). — Será que em lugar de perfume haverá podridão, e por cinta, corda; em lugar de encrespadura de cabelos, calvície; e em lugar de veste suntuosa, cilício; e marca de fogo, em lugar de formosura (3:24). — Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta dileta do Senhor; este desejou que exercessem juízo, e eis aí quebrantamento da lei; justiça, e eis aí clamor (5:7). — E dez jeiras de vinha não darão mais do que um bato, e um ômer cheio de semente não dará mais do que um efá (5:10). — Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo! (5:20). — Pelo que assim diz o Senhor Deus: Eis que os meus servos comerão, mas vós padecereis fome; os meus servos beberão, mas vós tereis sede; os meus servos se alegrarão, mas vós vos envergonhareis; os meus servos cantarão por terem o coração alegre, mas vós gritareis pela tristeza do vosso coração e uivareis pela angústia de espírito (65:13-14).
Por outro lado, o jogo de palavras, embora seja também uma característica comum na literatura hebraica, apenas uns poucos escritores sagrados usam tal expediente com a freqüência e com o realce que Isaías lhe empresta.
Um outro aspecto digno de observação diz respeito à força das expressões usadas por Isaías. Tal força é reconhecida, facilmente, por todos que se dispõem a estudar o trabalho desse notável profeta. Ela pode ser reconhecida, até mesmo, através do véu das diversas traduções. Tais expressões são tão fortes que, além de chamar a tenção, terminam gravadas na memória de quem as lê, em função da força implícita que carregam. Vejam-se os exemplos seguintes: — Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, contusões e chagas inflamadas, umas e outras não espremidas, nem atadas, nem amolecidas com óleo (1:6). — Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela, que estava cheia de justiça! Nela, habitava a retidão, mas, agora, homicidas (1:21). — Que há convosco que esmagais o meu povo e moeis a face dos pobres? - diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos (3:15). —Por isso, a cova aumentou o seu apetite, abriu a sua boca desmesuradamente; para lá desce a glória de Jerusalém, e o seu tumulto, e o seu ruído, e quem nesse meio folgava (5:14). — As suas flechas são agudas, e todos os seus arcos, retesados; as unhas dos seus cavalos dizem-se de pederneira, e as rodas dos seus carros, um redemoinho (5:28). — Acautela-te e aquieta-te; não temas, nem se desanime o teu coração por causa destes dois tocos de tições fumegantes; por causa do ardor da ira de Rezim, e da Síria, e do filho de Remalias (7:4). — Mas julgará com justiça os pobres e decidirá com eqüidade a favor dos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso (11:4). — Servirá de sinal e de testemunho ao Senhor dos Exércitos na terra do Egito; ao Senhor clamarão por causa dos opressores, e ele lhes enviará um salvador e defensor que os há de livrar (19:20). — Tragará a morte para sempre, e, assim, enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o Senhor falou (25:8). — Naquele dia, o Senhor castigará com a sua dura espada, grande e forte, o dragão, serpente veloz, e o dragão, serpente sinuosa, e matará o monstro que está no mar (27:1). — Os povos serão queimados como se queima a cal; como espinhos cortados, arderão no fogo (33:12). — Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam (40:31). — Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o direito (42:3). — Eu visto os céus de negridão e lhes ponho pano de saco por sua coberta (50:3). — Como pasmaram muitos à vista dele pois o seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens (52:14). — Mas os perversos são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo (57:20). — Porque eis que o Senhor virá em fogo, e os seus carros, como um torvelinho, para tornar a sua ira em furor e a sua repreensão, em chamas de fogo (66:15). — Eles sairão e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne (66:24).
23 de jun. de 2007
Salvação
A Salvação, um novo nascimento
Deus ao criar o ser humano o fez perfeito e completo. Coroa de Sua criação. Imagem e semelhança Sua. E, desta forma, Sua obra não estaria completa acaso o ser humano fosse incapaz de tomar decisões por si próprio, de executar as ações decorrentes destas decisões, bem como de entender as conseqüências de seus atos. Neste contexto disse Deus ao homem:
"... De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gênesis 2:16-17 ACF)
Mas, a serpente disse:
"... Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal" (Gênesis 3:4-5 ACF)
E preferiu o ser humano crer na serpente a crer em Deus. Faltou-lhe fé em Deus. Faltou-lhe obediência a Deus. E por este pecado, o maior de todos, a falta de fé no Deus Verdadeiro, foi o ser humano expulso do paraíso e fez-se separação entre Deus e os homens:
"Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça" (Isaías 59:2 ACF)
E o pecado e todo o mal entraram para a natureza humana e isto lhe causou, por condenação divina, a morte. Pois, mesmo tendo Deus, desde o início, advertido o homem do resultado da desobediência: "Se comeres, certamente morrerás...", ainda assim o homem, dando ouvidos à serpente, ignorou o aviso e, portanto, merecendo foi condenado por suas ações.
Mas, apesar do pecado e da maldade e da escuridão do coração humano, Deus em Sua infinita misericórdia nos amou a ponto de, mesmo estando nós mortos em nossos pecados, providenciar o meio para que pudéssemos nos salvar da condenação eterna causada por nossos pecados. E esta salvação exige que nós venhamos a nascer novamente:
"Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3:3 ACF)
Mas, que tipo de nascimento é este?
Certamente não é um nascimento físico, pois se nasce apenas uma vez, mas sim, um nascimento espiritual, um milagre de Deus, um segundo nascimento durante a vida:
"... Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus" (João 3:5 ACF)
E de que forma podemos passar por este novo nascimento e ter acesso ao reino dos céus?
Existem alguns passos a serem dados de modo a que cheguemos a este novo nascimento, e Deus em sua infinita sabedoria os fez bastante simples, de modo que qualquer pessoa independentemente de seu grau de instrução possa segui-los e vir a se salvar da condenação eterna:
1º passo: Você deve se reconhecer como um pecador. Para Deus nenhum pecado é admitido, pois qualquer pecado condena por todos os pecados:
"Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos" (Tiago 2:10 ACF)
Não há qualquer pessoa no mundo que não tenha pecados:
"Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus... Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3:10-11,23 ACF)
Você se reconhece como sendo um pecador? Você sente que necessita da misericórdia e do amor de Deus? Se sim prossigamos...
2º passo: Deus pede que você se arrependa de seus pecados:
"... se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis" (Lucas 13:5 ACF)
Mas:
"Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito" (Salmo 34:18 ACF)
Confesse agora os seus pecados a Deus. Apresente-se a Ele com o coração aberto e quebrantado. Arrependa-se sincera e profundamente de seus maus caminhos e entregue o comando de sua vida ao Senhor.
3º passo: Creia que Deus enviou Seu filho unigênito para cumprir a pena que seria sua!
"Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8 ACF)
Creia profundamente no amor de Deus. Creia completamente no amor de Jesus Cristo, que veio e pagou com Sua vida na cruz para que você hoje possa ficar livre da condenação eterna e receber graciosamente a vida eterna! E para isto basta crer:
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16 ACF)
Deus amou o mundo, e em especial a você, de uma tal maneira, qual seja, completamente, sem restrições, com um amor infinito, em tal proporção que deu seu filho unigênito para que morresse na cruz, para que todo aquele que nele crê, com um coração arrependido e quebrantado, não pereça, mas tenha a vida eterna! Que promessa maravilhosa! Que amor maravilhoso Deus tem por nós!
4º passo: Receba a Cristo como Senhor de sua vida e faça parte AGORA da família de Deus:
"Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome" (João 1:12 ACF)
Todos os salvos são parte de uma mesma família, uma família que está destinada a estar ao lado de Deus, gozando de prazeres, delícias e maravilhas indescritíveis por toda a eternidade!
E não é necessário fazer nada para receber tão grandioso presente. Basta que você se arrependa dos seus pecados e creia no sacrifício que Jesus fez por você. É isto mesmo, nada do que você tenha feito ou que possa vir a fazer tem qualquer valor para Deus no que concerne à remissão de seus pecados:
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9 ACF)
Coloque neste momento sua fé no único que pode te salvar:
"E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4:12 ACF)
Entregue o seu caminho ao Senhor Jesus, tranqüilize seu coração e viva uma vida de alegria mesmo nos momentos mais difíceis, encontre enfim a paz que você sempre procurou, atenda AGORA ao chamado de Jesus:
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mateus 11:28-30 ACF)
Se você sentiu em seu coração uma imensa alegria, se você permitiu que o Senhor Jesus Cristo fizesse em você o milagre do nascer de novo, então, peço que você ore a Deus neste momento. Ore mais ou menos com estas palavras:
"Senhor meu Deus, peço de todo o coração que o Senhor me conceda o dom gratuito da vida eterna e que o teu Espírito Santo venha habitar em meu coração. Reconheço que sou um pecador e que não mereço tamanho presente, mas coloco, deste momento em diante, a minha confiança em ti e no sacrifício supremo que Jesus Cristo fez por mim na cruz do Calvário.
Recebo neste momento a Jesus Cristo, Teu Filho, como Senhor e Salvador de minha vida, e peço que o Senhor me conceda a força necessária para segui-lO por toda a minha vida. Esta é a oração que Te faço em nome de Jesus Cristo. Amém"
Se você foi realmente sincero ao fazer a oração acima, esta foi a oração mais importante de toda a sua vida!!! Você acabou de passar da morte para a vida, das trevas para a luz!
Mas, e agora? O que fazer? Aonde ir?
Escreva-nos a respeito! Faça um comentário, clicando logo abaixo. Teremos o máximo prazer em o orientar sobre estes primeiros passos na vida cristã!
E seja bem-vindo à família de Deus!
Deus ao criar o ser humano o fez perfeito e completo. Coroa de Sua criação. Imagem e semelhança Sua. E, desta forma, Sua obra não estaria completa acaso o ser humano fosse incapaz de tomar decisões por si próprio, de executar as ações decorrentes destas decisões, bem como de entender as conseqüências de seus atos. Neste contexto disse Deus ao homem:
"... De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gênesis 2:16-17 ACF)
Mas, a serpente disse:
"... Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal" (Gênesis 3:4-5 ACF)
E preferiu o ser humano crer na serpente a crer em Deus. Faltou-lhe fé em Deus. Faltou-lhe obediência a Deus. E por este pecado, o maior de todos, a falta de fé no Deus Verdadeiro, foi o ser humano expulso do paraíso e fez-se separação entre Deus e os homens:
"Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça" (Isaías 59:2 ACF)
E o pecado e todo o mal entraram para a natureza humana e isto lhe causou, por condenação divina, a morte. Pois, mesmo tendo Deus, desde o início, advertido o homem do resultado da desobediência: "Se comeres, certamente morrerás...", ainda assim o homem, dando ouvidos à serpente, ignorou o aviso e, portanto, merecendo foi condenado por suas ações.
Mas, apesar do pecado e da maldade e da escuridão do coração humano, Deus em Sua infinita misericórdia nos amou a ponto de, mesmo estando nós mortos em nossos pecados, providenciar o meio para que pudéssemos nos salvar da condenação eterna causada por nossos pecados. E esta salvação exige que nós venhamos a nascer novamente:
"Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3:3 ACF)
Mas, que tipo de nascimento é este?
Certamente não é um nascimento físico, pois se nasce apenas uma vez, mas sim, um nascimento espiritual, um milagre de Deus, um segundo nascimento durante a vida:
"... Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus" (João 3:5 ACF)
E de que forma podemos passar por este novo nascimento e ter acesso ao reino dos céus?
Existem alguns passos a serem dados de modo a que cheguemos a este novo nascimento, e Deus em sua infinita sabedoria os fez bastante simples, de modo que qualquer pessoa independentemente de seu grau de instrução possa segui-los e vir a se salvar da condenação eterna:
1º passo: Você deve se reconhecer como um pecador. Para Deus nenhum pecado é admitido, pois qualquer pecado condena por todos os pecados:
"Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos" (Tiago 2:10 ACF)
Não há qualquer pessoa no mundo que não tenha pecados:
"Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus... Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3:10-11,23 ACF)
Você se reconhece como sendo um pecador? Você sente que necessita da misericórdia e do amor de Deus? Se sim prossigamos...
2º passo: Deus pede que você se arrependa de seus pecados:
"... se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis" (Lucas 13:5 ACF)
Mas:
"Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito" (Salmo 34:18 ACF)
Confesse agora os seus pecados a Deus. Apresente-se a Ele com o coração aberto e quebrantado. Arrependa-se sincera e profundamente de seus maus caminhos e entregue o comando de sua vida ao Senhor.
3º passo: Creia que Deus enviou Seu filho unigênito para cumprir a pena que seria sua!
"Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8 ACF)
Creia profundamente no amor de Deus. Creia completamente no amor de Jesus Cristo, que veio e pagou com Sua vida na cruz para que você hoje possa ficar livre da condenação eterna e receber graciosamente a vida eterna! E para isto basta crer:
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16 ACF)
Deus amou o mundo, e em especial a você, de uma tal maneira, qual seja, completamente, sem restrições, com um amor infinito, em tal proporção que deu seu filho unigênito para que morresse na cruz, para que todo aquele que nele crê, com um coração arrependido e quebrantado, não pereça, mas tenha a vida eterna! Que promessa maravilhosa! Que amor maravilhoso Deus tem por nós!
4º passo: Receba a Cristo como Senhor de sua vida e faça parte AGORA da família de Deus:
"Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome" (João 1:12 ACF)
Todos os salvos são parte de uma mesma família, uma família que está destinada a estar ao lado de Deus, gozando de prazeres, delícias e maravilhas indescritíveis por toda a eternidade!
E não é necessário fazer nada para receber tão grandioso presente. Basta que você se arrependa dos seus pecados e creia no sacrifício que Jesus fez por você. É isto mesmo, nada do que você tenha feito ou que possa vir a fazer tem qualquer valor para Deus no que concerne à remissão de seus pecados:
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9 ACF)
Coloque neste momento sua fé no único que pode te salvar:
"E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4:12 ACF)
Entregue o seu caminho ao Senhor Jesus, tranqüilize seu coração e viva uma vida de alegria mesmo nos momentos mais difíceis, encontre enfim a paz que você sempre procurou, atenda AGORA ao chamado de Jesus:
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mateus 11:28-30 ACF)
Se você sentiu em seu coração uma imensa alegria, se você permitiu que o Senhor Jesus Cristo fizesse em você o milagre do nascer de novo, então, peço que você ore a Deus neste momento. Ore mais ou menos com estas palavras:
"Senhor meu Deus, peço de todo o coração que o Senhor me conceda o dom gratuito da vida eterna e que o teu Espírito Santo venha habitar em meu coração. Reconheço que sou um pecador e que não mereço tamanho presente, mas coloco, deste momento em diante, a minha confiança em ti e no sacrifício supremo que Jesus Cristo fez por mim na cruz do Calvário.
Recebo neste momento a Jesus Cristo, Teu Filho, como Senhor e Salvador de minha vida, e peço que o Senhor me conceda a força necessária para segui-lO por toda a minha vida. Esta é a oração que Te faço em nome de Jesus Cristo. Amém"
Se você foi realmente sincero ao fazer a oração acima, esta foi a oração mais importante de toda a sua vida!!! Você acabou de passar da morte para a vida, das trevas para a luz!
Mas, e agora? O que fazer? Aonde ir?
Escreva-nos a respeito! Faça um comentário, clicando logo abaixo. Teremos o máximo prazer em o orientar sobre estes primeiros passos na vida cristã!
E seja bem-vindo à família de Deus!
21 de jun. de 2007
Considerações no Livro do Profeta Isaías
Parte 8
A primeira e mais evidente característica de Isaías, talvez, esteja na sua calma, suave e magistral, acompanhada de expressões de grandeza e de dignidade. Embora os sentimentos que o movem sejam fortes, bem assim as circunstâncias sob as quais ele escreve sejam excitantes, o profeta sempre mantém um perfeito autocontrole sobre sua linguagem para não permitir que ela se torne extravagante ou inapropriada. Enquanto a sua eloqüência aumenta ou diminui de acordo com o teor dos assuntos, a linguagem, algumas vezes, torna-se altamente poética, figurativa e fora do comum, dando a impressão de que uma calma espiritual dirige a composição, a qual apresenta controladas hipérboles e paixões com rédea curta que emprestam ao discurso um desenvolvimento majestoso e, em certo sentido, um ritmo uniforme. Observa-se em Isaías um fluxo e uma inteireza de pensamentos, os quais poderiam fazê-lo perder-se, dada a sua vastidão, mas, ao contrário, no tempo certo, ele os reúne com perfeito domínio e os tempera com exuberância, tirando deles tudo o que pode ser tirado, sem nunca exauri-los. Este sério autocontrole é o que de mais admirável se observa em Isaías, por menores que sejam suas expressões verbais, as quais, por meio de breves imagens, nos dão uma vaga sensação de algo infinito, embora elas estejam diante de nós completas em si mesmas e claramente delineadas.
Ao lado dessa calma suave e magistral, a energia e a vivacidade do estilo de Isaías exigem uma observação. Tal energia e vivacidade são produzidas, fundamentalmente, pelo uso intenso de impressionantes imagens e, secundariamente, por uma dramática representação. O profeta se utiliza, também, de muitas antíteses e, freqüentemente, joga com as palavras, pela força das expressões que emprega, pelas vívidas descrições e pela expansão das idéias contidas em pontos ocasionais.
A profusão de imagens chocantes é, deveras, evidente para todos os seus leitores, não apenas numa passagem ocasional ou num verso em particular, mas em toda a composição, a qual apresenta comparações e metáforas belíssimas. Tais figuras de linguagem dão às frases de Isaías um cunho poético e elevam o seu texto a um nível fora do comum. Neste sentido, é notável a força e a variedade de suas metáforas. A Assíria se transforma num enxame de abelhas, em águas tempestuosas, numa navalha, num leão, numa vara, num machado e assim por diante. Jehovah é um oleiro, um pastor de ovelhas, um homem de guerra, uma pedra de tropeço, uma rocha de ofensa, um laço e uma armadilha, um purificador de metais, uma coroa de glória e várias outras figuras da divindade, todas com notável força literária. Sião é uma choça na vinha e uma palhoça no pepinal, um monte do Senhor, um escravo sentado na areia, ou uma mulher em trabalho de parto. Israel é geralmente comparado a um corpo doente, um carvalho de folhas murchas, uma vinha improdutiva, ou a brecha de um muro que esta prestes a cair. O Messias é a raiz de Jessé, um renovo e um rebento, um servo, um homem de dores, um cordeiro levado ao matadouro e uma ovelha muda perante os seus tosquiadores. Os degenerados são descritos como prata que se tornou escória, ou vinho que se misturou com água. O ímpios persistentes são comparados àqueles que puxam para si a iniqüidade com cordas de injustiça e o pecado, como com tirantes de carro! O destruidor conceberá palha e dará à luz restolho. As nações estão sob a vigilância de Deus, consideradas por ele como um pingo que cai de um balde e como um grão de pó na balança.
Além disso, entre as mais belas metáforas de Isaías não se pode deixar de citar as seguintes: Então, ficou agitado o coração de Acaz e o coração do seu povo, como se agitam as árvores do bosque com o vento (7.2). O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz (9.2). A terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar (11.9). Vós, com alegria, tirareis água das fontes da salvação (12.3). Cada um servirá de esconderijo contra o vento, de refúgio contra a tempestade, de torrentes de águas em lugares secos e de sombra de grande rocha em terra sedenta (32.2).
Todavia, para se fazer plena justiça a esse aspecto dos escritos do profeta, ter-se-ia que citar cada capítulo e quase todos os versos, uma vez que a beleza literária de seu trabalho invade a composição por inteiro, estando presente até mesmo nos capítulos históricos da Parte II, onde tais metáforas não seriam de se esperar. Cabe, também, observar que as representações dramáticas, em termos comparativos, não são tão freqüentes, embora, ainda assim, ocorram em quantidade suficiente para se tornarem numa característica, bem como para desempenharem um notável efeito na dinâmica da composição como um todo. O exemplo mais admirável dessa afirmativa está no diálogo que se encontra nos três primeiros versos do capítulo 63:
— Quem é este que vem de Edom, de Bozra, com vestes de vivas cores, que é glorioso em sua vestidura, que marcha na plenitude da sua força? Sou eu que falo em justiça, poderoso para salvar. Por que está vermelho o traje, e as tuas vestes, como as daquele que pisa uvas no lagar? O lagar, eu o pisei sozinho, e dos povos nenhum homem se achava comigo; pisei as uvas na minha ira; no meu furor, as esmaguei, e o seu sangue me salpicou as vestes e me manchou o traje todo.
Contudo, existem numerosas outras passagens onde, num ou noutro verso, a palavra é colocada na boca de uma personagem, e não na do profeta, causando um extraordinário efeito literário.
A primeira e mais evidente característica de Isaías, talvez, esteja na sua calma, suave e magistral, acompanhada de expressões de grandeza e de dignidade. Embora os sentimentos que o movem sejam fortes, bem assim as circunstâncias sob as quais ele escreve sejam excitantes, o profeta sempre mantém um perfeito autocontrole sobre sua linguagem para não permitir que ela se torne extravagante ou inapropriada. Enquanto a sua eloqüência aumenta ou diminui de acordo com o teor dos assuntos, a linguagem, algumas vezes, torna-se altamente poética, figurativa e fora do comum, dando a impressão de que uma calma espiritual dirige a composição, a qual apresenta controladas hipérboles e paixões com rédea curta que emprestam ao discurso um desenvolvimento majestoso e, em certo sentido, um ritmo uniforme. Observa-se em Isaías um fluxo e uma inteireza de pensamentos, os quais poderiam fazê-lo perder-se, dada a sua vastidão, mas, ao contrário, no tempo certo, ele os reúne com perfeito domínio e os tempera com exuberância, tirando deles tudo o que pode ser tirado, sem nunca exauri-los. Este sério autocontrole é o que de mais admirável se observa em Isaías, por menores que sejam suas expressões verbais, as quais, por meio de breves imagens, nos dão uma vaga sensação de algo infinito, embora elas estejam diante de nós completas em si mesmas e claramente delineadas.
Ao lado dessa calma suave e magistral, a energia e a vivacidade do estilo de Isaías exigem uma observação. Tal energia e vivacidade são produzidas, fundamentalmente, pelo uso intenso de impressionantes imagens e, secundariamente, por uma dramática representação. O profeta se utiliza, também, de muitas antíteses e, freqüentemente, joga com as palavras, pela força das expressões que emprega, pelas vívidas descrições e pela expansão das idéias contidas em pontos ocasionais.
A profusão de imagens chocantes é, deveras, evidente para todos os seus leitores, não apenas numa passagem ocasional ou num verso em particular, mas em toda a composição, a qual apresenta comparações e metáforas belíssimas. Tais figuras de linguagem dão às frases de Isaías um cunho poético e elevam o seu texto a um nível fora do comum. Neste sentido, é notável a força e a variedade de suas metáforas. A Assíria se transforma num enxame de abelhas, em águas tempestuosas, numa navalha, num leão, numa vara, num machado e assim por diante. Jehovah é um oleiro, um pastor de ovelhas, um homem de guerra, uma pedra de tropeço, uma rocha de ofensa, um laço e uma armadilha, um purificador de metais, uma coroa de glória e várias outras figuras da divindade, todas com notável força literária. Sião é uma choça na vinha e uma palhoça no pepinal, um monte do Senhor, um escravo sentado na areia, ou uma mulher em trabalho de parto. Israel é geralmente comparado a um corpo doente, um carvalho de folhas murchas, uma vinha improdutiva, ou a brecha de um muro que esta prestes a cair. O Messias é a raiz de Jessé, um renovo e um rebento, um servo, um homem de dores, um cordeiro levado ao matadouro e uma ovelha muda perante os seus tosquiadores. Os degenerados são descritos como prata que se tornou escória, ou vinho que se misturou com água. O ímpios persistentes são comparados àqueles que puxam para si a iniqüidade com cordas de injustiça e o pecado, como com tirantes de carro! O destruidor conceberá palha e dará à luz restolho. As nações estão sob a vigilância de Deus, consideradas por ele como um pingo que cai de um balde e como um grão de pó na balança.
Além disso, entre as mais belas metáforas de Isaías não se pode deixar de citar as seguintes: Então, ficou agitado o coração de Acaz e o coração do seu povo, como se agitam as árvores do bosque com o vento (7.2). O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz (9.2). A terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar (11.9). Vós, com alegria, tirareis água das fontes da salvação (12.3). Cada um servirá de esconderijo contra o vento, de refúgio contra a tempestade, de torrentes de águas em lugares secos e de sombra de grande rocha em terra sedenta (32.2).
Todavia, para se fazer plena justiça a esse aspecto dos escritos do profeta, ter-se-ia que citar cada capítulo e quase todos os versos, uma vez que a beleza literária de seu trabalho invade a composição por inteiro, estando presente até mesmo nos capítulos históricos da Parte II, onde tais metáforas não seriam de se esperar. Cabe, também, observar que as representações dramáticas, em termos comparativos, não são tão freqüentes, embora, ainda assim, ocorram em quantidade suficiente para se tornarem numa característica, bem como para desempenharem um notável efeito na dinâmica da composição como um todo. O exemplo mais admirável dessa afirmativa está no diálogo que se encontra nos três primeiros versos do capítulo 63:
— Quem é este que vem de Edom, de Bozra, com vestes de vivas cores, que é glorioso em sua vestidura, que marcha na plenitude da sua força? Sou eu que falo em justiça, poderoso para salvar. Por que está vermelho o traje, e as tuas vestes, como as daquele que pisa uvas no lagar? O lagar, eu o pisei sozinho, e dos povos nenhum homem se achava comigo; pisei as uvas na minha ira; no meu furor, as esmaguei, e o seu sangue me salpicou as vestes e me manchou o traje todo.
Contudo, existem numerosas outras passagens onde, num ou noutro verso, a palavra é colocada na boca de uma personagem, e não na do profeta, causando um extraordinário efeito literário.
15 de jun. de 2007
Considerações no Livro do Profeta Isaías
Parte 7
A Parte II, como referido anteriormente, consiste de duas seções a saber:
Seção I – formada pelos capítulos 36 e 37, contém o relato da ameaça de Rabsaqué, enviado da Assíria, bem como a carta de Senaqueribe a Ezequias e a miraculosa destruição do exército assírio. Esta seção corresponde, aproximadamente, a 2 Reis 18 e 19.
Seção II – composta pelos capítulos 38 e 39, contém o relato da doença que se abateu sobre Ezequias e a sua cura, bem como a embaixada de Melodaque-Baladã a Judá e as profecias a respeito da conquista do Reino do Sul por parte da Babilônia. Esta seção corresponde a 2 Reis 20.
A Parte III, à primeira vista, parece que está dividida em três seções de mesmo tamanho, cada uma composta de nove capítulos — (1) 40-48; (2) 49-58; (3) 58-66. O mesmo refrão — “Para os perversos, todavia, não há paz, diz o Senhor”. — conclui a seção I e II, e, quem quer que tenha feito a atual montagem em capítulos, teve o propósito de estabelecer essa divisão. Todavia, tal divisão dessa Parte III seria de acordo com a forma, e não de conformidade com os assuntos. Desta maneira, a Parte III, considerada pelos assuntos de que trata, é semelhante à Parte I, possuindo um grande número de seções, e não apenas três. Não há dúvida, entretanto, que muitos diferentes arranjos podem ser feitos, embora o que está apresentado neste trabalho, possivelmente, seja o que está mais livre de contestações. Assim, veja-se as seções da Parte III a seguir :
Seção I – corresponde ao capítulo 40, sendo uma mensagem de consolo dirigida ao povo de Deus, o qual está sofrendo uma profunda aflição — provavelmente a escravidão babilônica.
Seção II – estende-se do capítulo 41 ao 48, constituindo-se numa profecia a respeito do arrependimento do povo de Deus pelos seus pecados e concernente à escravidão na Babilônia.
Seção III – vai do capítulo 49 ao 53 e é um relato da missão de um Grande Libertador, o qual é chamado de “Servo de Jehovah”.
Seção IV – do capítulo 54 a 56:8, consistindo de promessas e exortações ao povo de Israel.
Seção V – inicia em 56:9 e vai até o final do capítulo 57. É uma advertência aos ímpios.
Seção VI – compreende aos capítulos 58 e 59, contendo instruções e advertências práticas, seguida de uma confissão e uma promessa.
Seção VII – constituída do capítulo 60, contendo a descrição das glórias da Jerusalém restaurada.
Seção VIII – contida nos capítulos 61 e 62, é um solilóquio do “Servo”, o qual promete paz e prosperidade para a Jerusalém restaurada.
Seção IX – contém apenas os seis primeiros versos do capítulo 63 e traça uma realística descrição do julgamento de Deus sobre os seus inimigos.
Seção X – vai de 63:7 até o final do capítulo 64. Trata-se de uma mensagem a Deus, da parte do povo hebreu na Babilônia, incluindo ação de graças, confissão de pecados e oração.
Seção XI – está contida no capítulo 65 e traz a resposta de Deus às orações de seu povo exilado na Babilônia.
Seção XII – é o capítulo 66 que contém solenes promessas e ameaças finais.
A maioria dos estudiosos reconhece que Isaías, como escritor, ultrapassa todos os demais profetas hebreus.
Em Isaías, podemos ver a autoria profética atingir seu ponto culminante. Parece que tudo contribui para elevá-lo a uma altura à qual nenhum outro profeta, nem antes nem depois, foi capaz de atingir como escritor. Entre eles, cada um é exaltado por alguma característica particular, ou por algum talento especial. Todavia, em Isaías, todos os talentos e todas as belezas do discurso profético são encontrados juntos, de tal maneira que essas qualidades se mesclam umas com as outras. Não é, portanto, uma única característica que o distingui, uma vez que a simetria e a perfeição permeiam o seu trabalho como um todo.
A Parte II, como referido anteriormente, consiste de duas seções a saber:
Seção I – formada pelos capítulos 36 e 37, contém o relato da ameaça de Rabsaqué, enviado da Assíria, bem como a carta de Senaqueribe a Ezequias e a miraculosa destruição do exército assírio. Esta seção corresponde, aproximadamente, a 2 Reis 18 e 19.
Seção II – composta pelos capítulos 38 e 39, contém o relato da doença que se abateu sobre Ezequias e a sua cura, bem como a embaixada de Melodaque-Baladã a Judá e as profecias a respeito da conquista do Reino do Sul por parte da Babilônia. Esta seção corresponde a 2 Reis 20.
A Parte III, à primeira vista, parece que está dividida em três seções de mesmo tamanho, cada uma composta de nove capítulos — (1) 40-48; (2) 49-58; (3) 58-66. O mesmo refrão — “Para os perversos, todavia, não há paz, diz o Senhor”. — conclui a seção I e II, e, quem quer que tenha feito a atual montagem em capítulos, teve o propósito de estabelecer essa divisão. Todavia, tal divisão dessa Parte III seria de acordo com a forma, e não de conformidade com os assuntos. Desta maneira, a Parte III, considerada pelos assuntos de que trata, é semelhante à Parte I, possuindo um grande número de seções, e não apenas três. Não há dúvida, entretanto, que muitos diferentes arranjos podem ser feitos, embora o que está apresentado neste trabalho, possivelmente, seja o que está mais livre de contestações. Assim, veja-se as seções da Parte III a seguir :
Seção I – corresponde ao capítulo 40, sendo uma mensagem de consolo dirigida ao povo de Deus, o qual está sofrendo uma profunda aflição — provavelmente a escravidão babilônica.
Seção II – estende-se do capítulo 41 ao 48, constituindo-se numa profecia a respeito do arrependimento do povo de Deus pelos seus pecados e concernente à escravidão na Babilônia.
Seção III – vai do capítulo 49 ao 53 e é um relato da missão de um Grande Libertador, o qual é chamado de “Servo de Jehovah”.
Seção IV – do capítulo 54 a 56:8, consistindo de promessas e exortações ao povo de Israel.
Seção V – inicia em 56:9 e vai até o final do capítulo 57. É uma advertência aos ímpios.
Seção VI – compreende aos capítulos 58 e 59, contendo instruções e advertências práticas, seguida de uma confissão e uma promessa.
Seção VII – constituída do capítulo 60, contendo a descrição das glórias da Jerusalém restaurada.
Seção VIII – contida nos capítulos 61 e 62, é um solilóquio do “Servo”, o qual promete paz e prosperidade para a Jerusalém restaurada.
Seção IX – contém apenas os seis primeiros versos do capítulo 63 e traça uma realística descrição do julgamento de Deus sobre os seus inimigos.
Seção X – vai de 63:7 até o final do capítulo 64. Trata-se de uma mensagem a Deus, da parte do povo hebreu na Babilônia, incluindo ação de graças, confissão de pecados e oração.
Seção XI – está contida no capítulo 65 e traz a resposta de Deus às orações de seu povo exilado na Babilônia.
Seção XII – é o capítulo 66 que contém solenes promessas e ameaças finais.
A maioria dos estudiosos reconhece que Isaías, como escritor, ultrapassa todos os demais profetas hebreus.
Em Isaías, podemos ver a autoria profética atingir seu ponto culminante. Parece que tudo contribui para elevá-lo a uma altura à qual nenhum outro profeta, nem antes nem depois, foi capaz de atingir como escritor. Entre eles, cada um é exaltado por alguma característica particular, ou por algum talento especial. Todavia, em Isaías, todos os talentos e todas as belezas do discurso profético são encontrados juntos, de tal maneira que essas qualidades se mesclam umas com as outras. Não é, portanto, uma única característica que o distingui, uma vez que a simetria e a perfeição permeiam o seu trabalho como um todo.
14 de jun. de 2007
O Caminho da Oração - pastoral
A oração é caminho que nos leva a um encontro com Deus, cada vez mais íntimo, mais prazeroso e cheio de amor. É no exercício da oração que descobrimos, calmamente, que Deus não é um ser distante e inalcançável. Ao contrário, Ele é um Pai amoroso que quer estar perto dos seus filhos. Ele veio, através de Cristo, ao nosso encontro para nos salvar e para nos comunicar que Ele quer estar próximo de nós, como Ele mesmo nos diz em João 14:3 — ... voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.
Também, Ele nos deu o Seu Espírito para estar em nós. E, através da oração, nós buscamos a Sua presença. Pela oração, vamos ao encontro do Pai Celestial que em Jesus veio a nós. A oração não é, portanto, como muitas vezes pensamos, uma penosa atividade a ser cumprida, mas, sim, um caminho maravilhoso que nos conduz a um encontro com Deus. A oração é o caminho para uma vida mais intensa e consciente... A oração é o caminho para uma vida abundante: — ... Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância (Jo 10:10b).
Não podemos nos cansar de dizer à igreja: — Irmãos queridos, o caminho da perfeição está expresso em 1 Tessalonicenses 5:17 — Orai sem cessar. — pois o Espírito que habita em nós ora incessantemente dentro de nós.
Venham, queridos! Compareçam aos Cultos de Oração da igreja, para aprendermos juntos e para falarmos ao nosso Pai celestial todas as palavras ensinadas pelo Seu amor. Desta maneira, estaremos prontos para, com gratidão, adorar e louvar ao Senhor em espírito e em verdade, e assim recebermos as tão grandes bênçãos que Ele tem preparado para nós.
Também, Ele nos deu o Seu Espírito para estar em nós. E, através da oração, nós buscamos a Sua presença. Pela oração, vamos ao encontro do Pai Celestial que em Jesus veio a nós. A oração não é, portanto, como muitas vezes pensamos, uma penosa atividade a ser cumprida, mas, sim, um caminho maravilhoso que nos conduz a um encontro com Deus. A oração é o caminho para uma vida mais intensa e consciente... A oração é o caminho para uma vida abundante: — ... Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância (Jo 10:10b).
Não podemos nos cansar de dizer à igreja: — Irmãos queridos, o caminho da perfeição está expresso em 1 Tessalonicenses 5:17 — Orai sem cessar. — pois o Espírito que habita em nós ora incessantemente dentro de nós.
Venham, queridos! Compareçam aos Cultos de Oração da igreja, para aprendermos juntos e para falarmos ao nosso Pai celestial todas as palavras ensinadas pelo Seu amor. Desta maneira, estaremos prontos para, com gratidão, adorar e louvar ao Senhor em espírito e em verdade, e assim recebermos as tão grandes bênçãos que Ele tem preparado para nós.
13 de jun. de 2007
Considerações no Livro do Profeta Isaías
Parte 6
O Livro de Isaías, da forma como chegou até os dias de hoje, apresenta uma forma peculiar de composição. Tanto para o crítico como para o leigo, o livro apresenta-se como que dividido em três partes principais, cada uma delas guardando suas próprias características. Os primeiros trinta e cinco capítulos compõem-se de uma declaração profética aos israelitas a respeito da “Palavra de Deus”, ou de sua vontade soberana, em quase toda a sua totalidade. Isto é, tais capítulos são didáticos, admoestatórios e exortatórios, não contendo qualquer narrativa propriamente dita. Estes trinta e cinco capítulos proféticos são seguidos por quatro capítulos históricos (Parte II - Capítulos históricos: 36-39), os quais contêm uma completa e simples narrativa de todos os eventos ocorridos no reinado de Ezequias. O trabalho é concluído com uma terceira parte, a qual, de maneira semelhante à primeira, é também profética e se estende por vinte e sete capítulos (Parte III – Capítulos 40 -66).
Existe um notável contraste entre a Parte I e a Parte III, no que respeita ao assunto tratado, bem como no sentido de certas características de ambas as composições. Assim, o principal inimigo de Israel, na Parte I, é a Assíria, enquanto na Parte III, é a Babilônia. A Parte I trata da época de Ezequias e do próprio profeta Isaías, enquanto a Parte III trata dos tempos do exílio Babilônico. A Parte I contém vários tópicos e datas que a dividem, claramente, em seções. Já a Parte III não tem tais subdivisões, parecendo fluir de maneira mais contínua. Outro aspecto é que a Parte I é eminentemente denunciatória, enquanto a Parte II é, fundamentalmente, consolatória. A Parte I engloba todo o mundo conhecido da época, mas a Parte II somente se refere à Babilônia, à Pérsia e à Palestina. Não obstante, ambas estas partes são messiânicas, embora a Parte I apresente o Messias como um poderoso Rei e Governante, enquanto a Parte III o revela como uma vítima sofredora, um humilde e simples Redentor.
Além de todas essas diferenças, quando as Partes I e III são cuidadosamente examinadas, elas se parecem mais com compilações do que com relatos contínuos e coerentes entre si. A Parte I está dividida, claramente, em várias seções, cada uma delas completas em si mesmas, mas quase sem ligação de uma em relação à anterior ou à subseqüente. Já a Parte III tem menos aparência de algo descontínuo, embora contenha tantas transições bruscas, que é quase impossível considerá-la como um trabalho contínuo no seu todo.
O livro, na sua inteireza, apresenta, portanto, características que permitem especular a possibilidade dele ser composto por várias compilações que foram reunidas. Ou seja, a impressão que se tem é a de que o livro é uma reunião artificial de profecias anunciadas em ocasiões diferentes, cada uma completa em si mesma, sem a preocupação de formar um todo coerente.
A composição geral do livro, por quem quer que o tenha compilado, o que será considerado mais adiante, parece obedecer a uma certa cronologia. Todas as referências de tempo da Parte I estão numa própria, as quais por sua vez pertencem, provavelmente, a uma época anterior à composição da Parte III. Entretanto, não fica explícito se tal ordem cronológica foi observada no arranjo das seções das quais as Partes I e III são compostas. Certamente, as profecias foram, no princípio anunciadas oralmente e, depois, escritas, algumas vezes havendo um lapso de tempo considerável entre tais ações. Desta maneira, em suas formas escritas originais, as profecias se constituíam em vários documentos separados. Depois de um certo tempo, parece que elas foram reunidas em algum tipo de ordem que não era cronológica. Por exemplo, no “Livro das Pesadas Sentenças”, o qual se estende do capítulo 13 ao 23, a sentença de abertura contra a Babilônia, provavelmente, não foi composta tão cedo como as outras. Entretanto, a quinta sentença contra o Egito contém indicações de que foi escrita bem mais tarde. Parece que o compilador juntou as profecias que possuíam características semelhantes, sem levar em consideração as datas das composições.
Entrando um pouco mais em detalhes, pode-se dizer que a Parte I contém onze seções a saber:
Seção I – corresponde ao capítulo 1 do texto hebraico, constituindo-se numa instrução geral de admoestação e de ameaças.
Seção II – vai do capítulo 2 ao 5, sendo aberta com o anúncio do Reino de Deus, numa Israel espiritual e futura. Esta seção contém uma série de denúncias dos vários pecados do povo.
Seção III – compreende todo o capítulo 6 e registra uma visão que veio ao profeta, bem como a missão especial que lhe foi atribuída por Deus.
Seção IV – estende-se de 7:1 a 10:4, contendo uma série de profecias, em sua maioria messiânicas, anunciadas em conexão com a guerra sírio-israelita.
Seção V – começa em 10:5 e vai até o final do capítulo 23. Esta seção tem sido chamada por alguns estudiosos de o “Livro das Pesadas Sentenças” e consiste numa série de condenações públicas pelas misérias das nações, especialmente contra aquelas que são inimigas de Israel.
Seção VI – corresponde aos capítulos de 24 a 27 e contém condenações gerais contra o mundo, bem como anuncia promessas de salvação dos remanescentes de o povo de Israel.
Seção VII – vai do capítulo 28 ao 31, consistindo de renovadas condenações pelas misérias sofridas por Israel e Judá.
Seção VIII – esta seção está limitada aos oito primeiros versos do capítulo 32, contendo a profecia do Reinado do Messias de Israel.
Seção IX – composta do restante do capítulo 32, contém a renovação das condenações pelas misérias de Israel, relacionadas com promessas.
Seção X – consiste do capítulo 33 e contém uma profecia a respeito do julgamento da Assíria.
Seção XI – é composta pelos capítulos 34 e 35, declarando o julgamento divino sobre o mundo e a glória do Reino de Deus que se segue a tal julgamento.
O Livro de Isaías, da forma como chegou até os dias de hoje, apresenta uma forma peculiar de composição. Tanto para o crítico como para o leigo, o livro apresenta-se como que dividido em três partes principais, cada uma delas guardando suas próprias características. Os primeiros trinta e cinco capítulos compõem-se de uma declaração profética aos israelitas a respeito da “Palavra de Deus”, ou de sua vontade soberana, em quase toda a sua totalidade. Isto é, tais capítulos são didáticos, admoestatórios e exortatórios, não contendo qualquer narrativa propriamente dita. Estes trinta e cinco capítulos proféticos são seguidos por quatro capítulos históricos (Parte II - Capítulos históricos: 36-39), os quais contêm uma completa e simples narrativa de todos os eventos ocorridos no reinado de Ezequias. O trabalho é concluído com uma terceira parte, a qual, de maneira semelhante à primeira, é também profética e se estende por vinte e sete capítulos (Parte III – Capítulos 40 -66).
Existe um notável contraste entre a Parte I e a Parte III, no que respeita ao assunto tratado, bem como no sentido de certas características de ambas as composições. Assim, o principal inimigo de Israel, na Parte I, é a Assíria, enquanto na Parte III, é a Babilônia. A Parte I trata da época de Ezequias e do próprio profeta Isaías, enquanto a Parte III trata dos tempos do exílio Babilônico. A Parte I contém vários tópicos e datas que a dividem, claramente, em seções. Já a Parte III não tem tais subdivisões, parecendo fluir de maneira mais contínua. Outro aspecto é que a Parte I é eminentemente denunciatória, enquanto a Parte II é, fundamentalmente, consolatória. A Parte I engloba todo o mundo conhecido da época, mas a Parte II somente se refere à Babilônia, à Pérsia e à Palestina. Não obstante, ambas estas partes são messiânicas, embora a Parte I apresente o Messias como um poderoso Rei e Governante, enquanto a Parte III o revela como uma vítima sofredora, um humilde e simples Redentor.
Além de todas essas diferenças, quando as Partes I e III são cuidadosamente examinadas, elas se parecem mais com compilações do que com relatos contínuos e coerentes entre si. A Parte I está dividida, claramente, em várias seções, cada uma delas completas em si mesmas, mas quase sem ligação de uma em relação à anterior ou à subseqüente. Já a Parte III tem menos aparência de algo descontínuo, embora contenha tantas transições bruscas, que é quase impossível considerá-la como um trabalho contínuo no seu todo.
O livro, na sua inteireza, apresenta, portanto, características que permitem especular a possibilidade dele ser composto por várias compilações que foram reunidas. Ou seja, a impressão que se tem é a de que o livro é uma reunião artificial de profecias anunciadas em ocasiões diferentes, cada uma completa em si mesma, sem a preocupação de formar um todo coerente.
A composição geral do livro, por quem quer que o tenha compilado, o que será considerado mais adiante, parece obedecer a uma certa cronologia. Todas as referências de tempo da Parte I estão numa própria, as quais por sua vez pertencem, provavelmente, a uma época anterior à composição da Parte III. Entretanto, não fica explícito se tal ordem cronológica foi observada no arranjo das seções das quais as Partes I e III são compostas. Certamente, as profecias foram, no princípio anunciadas oralmente e, depois, escritas, algumas vezes havendo um lapso de tempo considerável entre tais ações. Desta maneira, em suas formas escritas originais, as profecias se constituíam em vários documentos separados. Depois de um certo tempo, parece que elas foram reunidas em algum tipo de ordem que não era cronológica. Por exemplo, no “Livro das Pesadas Sentenças”, o qual se estende do capítulo 13 ao 23, a sentença de abertura contra a Babilônia, provavelmente, não foi composta tão cedo como as outras. Entretanto, a quinta sentença contra o Egito contém indicações de que foi escrita bem mais tarde. Parece que o compilador juntou as profecias que possuíam características semelhantes, sem levar em consideração as datas das composições.
Entrando um pouco mais em detalhes, pode-se dizer que a Parte I contém onze seções a saber:
Seção I – corresponde ao capítulo 1 do texto hebraico, constituindo-se numa instrução geral de admoestação e de ameaças.
Seção II – vai do capítulo 2 ao 5, sendo aberta com o anúncio do Reino de Deus, numa Israel espiritual e futura. Esta seção contém uma série de denúncias dos vários pecados do povo.
Seção III – compreende todo o capítulo 6 e registra uma visão que veio ao profeta, bem como a missão especial que lhe foi atribuída por Deus.
Seção IV – estende-se de 7:1 a 10:4, contendo uma série de profecias, em sua maioria messiânicas, anunciadas em conexão com a guerra sírio-israelita.
Seção V – começa em 10:5 e vai até o final do capítulo 23. Esta seção tem sido chamada por alguns estudiosos de o “Livro das Pesadas Sentenças” e consiste numa série de condenações públicas pelas misérias das nações, especialmente contra aquelas que são inimigas de Israel.
Seção VI – corresponde aos capítulos de 24 a 27 e contém condenações gerais contra o mundo, bem como anuncia promessas de salvação dos remanescentes de o povo de Israel.
Seção VII – vai do capítulo 28 ao 31, consistindo de renovadas condenações pelas misérias sofridas por Israel e Judá.
Seção VIII – esta seção está limitada aos oito primeiros versos do capítulo 32, contendo a profecia do Reinado do Messias de Israel.
Seção IX – composta do restante do capítulo 32, contém a renovação das condenações pelas misérias de Israel, relacionadas com promessas.
Seção X – consiste do capítulo 33 e contém uma profecia a respeito do julgamento da Assíria.
Seção XI – é composta pelos capítulos 34 e 35, declarando o julgamento divino sobre o mundo e a glória do Reino de Deus que se segue a tal julgamento.
11 de jun. de 2007
SEPULTADO NO BATISMO
O que é o batismo? Quem deve ser batizado? Antes de Jesus subir aos céus, Ele deixou a grande comissão para seus discípulos : “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo: Ensinado-os a guardar todas as coisas, que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” Mateus 28:19-20.
Assim era desejo dele que seus servos fossem por todo o mundo com o evangelho, e batizasse aqueles que recebessem a mensagem.O batismo é uma ordenança instituída pelo próprio Senhor. Isso levanta duas questões. Primeira, como deve ser a ordenança do batismo? Segunda, qual o significado do batismo?
Para achar uma resposta para a primeira pergunta, devemos verificar Atos 8:26-39. Ali encontramos o servo da rainha etíope em sua carruagem lendo Isaías, capítulo 53, no velho testamento. Esse homem era sincero pesquisador da verdade, e Deus instruiu seu servo, Felipe, a ir e falar com ele. Felipe disse a ele como o Senhor Jesus havia morrido no calvário para que os pecadores pudessem ser salvos. O viajante creu no Senhor Jesus Cristo e então perguntou a Felipe se poderia ser batizado. Constatando que o homem havia de fato crido em Cristo, Felipe concordou em batizá-lo. A carruagem parou perto de uma fonte de água. Agora note bem os versos 38 e 39, “… ambos desceram à água, e Felipe batizou o eunuco. Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Felipe, não o vendo mais o eunuco; e este foi seguindo seu caminho cheio de júbilo.” Agora, qual o verdadeiro significado dessa cerimônia que foi realizada de forma tão simples numa estrada oriental há muitos anos e que continua a ser realizado ainda hoje?
Em primeiro lugar, é um ato de obediência para expressar a vontade do Senhor Jesus Cristo. Mateus 28:19.
Seu propósito não é lavar a sujeira da carne, mas sim dar ao cristão uma boa consciência com relação a Deus sabendo que ele foi obediente à vontade do Senhor. I Pedro 3:2. Somente aqueles que ouvirem e crerem devem ser batizados. Atos 18:8.
Em segundo lugar, Romanos 6:3-5 ensina que é um símbolo que representa uma verdade espiritual.
1. A água é uma representação do julgamento e da morte.
2. Quando Cristo morreu, Ele desceu abaixo das águas da morte e julgamento para tirar nossos pecados. Salmo 42:7.
3. Uma vez que Cristo morreu como um substituto para o cristão, é igualmente verdadeiro que o crente morreu com Cristo. Em outras palavras, quando Cristo morreu, eu morri. Quando foi sepultado, eu fui sepultado. Quando ressuscitou, eu ressuscitei.
4. O cristão morreu para o pecado, para o mundo e para si mesmo. Ele morreu para tudo que representava a velha natureza, e daqui pra frente Deus não o vê mais em seus pecados, mas o vê em Cristo, ressurreto dos mortos, e possuidor da vida de ressurreição em Cristo.
5. Gálatas 2:20. Assim, quando um cristão é batizado, está fazendo uma confissão pública que assumiu sua posição com Cristo na morte e sepultamento, e deve procurar demonstrar que tem uma nova vida em Cristo. Colossenses 2:12, 3:1-2.
A pessoa batizada não é aquela que foi apenas batizada em água literalmente, mas sua vida deve mostrar que a carne, ou velha natureza, morreu. O batismo tem que ser um assunto do coração, assim como uma confissão exterior.
Nos primeiros dias da igreja, quando um crente era batizado, muitas vezes era perseguido e morto em pouco tempo. Mesmo assim, outros eram salvos e corriam para preencher o lugar daqueles mártires através do batismo. I Coríntios 15:29. Mesmo hoje em terras pagãs, o batismo pode ser um sinal para o começo de uma terrível perseguição. Em muitos países um cristão será tolerado conquanto somente confesse a Cristo com os lábios. Mas quando publicamente o confessa através do batismo, os inimigos da cruz levantam armas contra ele.
Apesar do preço, quando alguém é batizado desfruta a mesma experiência que o eunuco etíope teve. Da sua experiência está escrito: “…jubiloso, continuou o seu caminho.” Atos 8:39.
*Artigo publicado pela Bible Broadcasting Network, Inc. (Rede de Radiodifusão Bíblica. Transcrito com autorização.
Assim era desejo dele que seus servos fossem por todo o mundo com o evangelho, e batizasse aqueles que recebessem a mensagem.O batismo é uma ordenança instituída pelo próprio Senhor. Isso levanta duas questões. Primeira, como deve ser a ordenança do batismo? Segunda, qual o significado do batismo?
Para achar uma resposta para a primeira pergunta, devemos verificar Atos 8:26-39. Ali encontramos o servo da rainha etíope em sua carruagem lendo Isaías, capítulo 53, no velho testamento. Esse homem era sincero pesquisador da verdade, e Deus instruiu seu servo, Felipe, a ir e falar com ele. Felipe disse a ele como o Senhor Jesus havia morrido no calvário para que os pecadores pudessem ser salvos. O viajante creu no Senhor Jesus Cristo e então perguntou a Felipe se poderia ser batizado. Constatando que o homem havia de fato crido em Cristo, Felipe concordou em batizá-lo. A carruagem parou perto de uma fonte de água. Agora note bem os versos 38 e 39, “… ambos desceram à água, e Felipe batizou o eunuco. Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Felipe, não o vendo mais o eunuco; e este foi seguindo seu caminho cheio de júbilo.” Agora, qual o verdadeiro significado dessa cerimônia que foi realizada de forma tão simples numa estrada oriental há muitos anos e que continua a ser realizado ainda hoje?
Em primeiro lugar, é um ato de obediência para expressar a vontade do Senhor Jesus Cristo. Mateus 28:19.
Seu propósito não é lavar a sujeira da carne, mas sim dar ao cristão uma boa consciência com relação a Deus sabendo que ele foi obediente à vontade do Senhor. I Pedro 3:2. Somente aqueles que ouvirem e crerem devem ser batizados. Atos 18:8.
Em segundo lugar, Romanos 6:3-5 ensina que é um símbolo que representa uma verdade espiritual.
1. A água é uma representação do julgamento e da morte.
2. Quando Cristo morreu, Ele desceu abaixo das águas da morte e julgamento para tirar nossos pecados. Salmo 42:7.
3. Uma vez que Cristo morreu como um substituto para o cristão, é igualmente verdadeiro que o crente morreu com Cristo. Em outras palavras, quando Cristo morreu, eu morri. Quando foi sepultado, eu fui sepultado. Quando ressuscitou, eu ressuscitei.
4. O cristão morreu para o pecado, para o mundo e para si mesmo. Ele morreu para tudo que representava a velha natureza, e daqui pra frente Deus não o vê mais em seus pecados, mas o vê em Cristo, ressurreto dos mortos, e possuidor da vida de ressurreição em Cristo.
5. Gálatas 2:20. Assim, quando um cristão é batizado, está fazendo uma confissão pública que assumiu sua posição com Cristo na morte e sepultamento, e deve procurar demonstrar que tem uma nova vida em Cristo. Colossenses 2:12, 3:1-2.
A pessoa batizada não é aquela que foi apenas batizada em água literalmente, mas sua vida deve mostrar que a carne, ou velha natureza, morreu. O batismo tem que ser um assunto do coração, assim como uma confissão exterior.
Nos primeiros dias da igreja, quando um crente era batizado, muitas vezes era perseguido e morto em pouco tempo. Mesmo assim, outros eram salvos e corriam para preencher o lugar daqueles mártires através do batismo. I Coríntios 15:29. Mesmo hoje em terras pagãs, o batismo pode ser um sinal para o começo de uma terrível perseguição. Em muitos países um cristão será tolerado conquanto somente confesse a Cristo com os lábios. Mas quando publicamente o confessa através do batismo, os inimigos da cruz levantam armas contra ele.
Apesar do preço, quando alguém é batizado desfruta a mesma experiência que o eunuco etíope teve. Da sua experiência está escrito: “…jubiloso, continuou o seu caminho.” Atos 8:39.
*Artigo publicado pela Bible Broadcasting Network, Inc. (Rede de Radiodifusão Bíblica. Transcrito com autorização.
10 de jun. de 2007
Considerações no Livro do Profeta Isaías - Parte 5
Parte 5
Não se sabe ao certo quando o Rei da Assíria começou a ameaçar Ezequias. O fato é que Sargão fez várias expedições à Síria e à Filícia, bem como, numa oportunidade, se autodenominou de “o Conquistador de Judá”. Todavia, não existe evidência suficiente de que ele tenha feito alguma tentativa de subjugar Judá. Isso somente veio a acontecer depois que Senaqueribe assumiu o trono da Assíria em 705 a.C.
Entretanto, o perigo começou a ganhar corpo durante o reinado de Ezequias e, quando se tornou mais iminente, os conselhos daqueles que não criam em Deus prevaleceram. Embaixadores foram enviados ao Egito (30.2-4), e uma aliança foi costurada, através da qual o Faraó Shabako e o suserano etíope Tiraka tomaram sobre si a responsabilidade de preparar um exército para defender Judá, caso ela fosse atacada pelos assírios.
No quinto ano de Senaqueribe, em 701 a.C., foi desencadeado o ataque. O Rei assírio conduziu pessoalmente o seu exército à Palestina e distribuiu as tropas pelo país, tomando todas as menores cidades fortificadas de Judá, quarenta e seis ao todo, segundo o seu próprio relato (John Bright. História de Israel. São Paulo, Paulus, 1978). Depois disso, concentrou suas forças sobre Jerusalém, sitiando a cidade (22.1-14). Ezequias resistiu ao cerco até quanto pode, todavia, desesperou-se, no final, por saber que não poderia sobreviver por muito tempo sem receber ajuda do Egito, sendo, então, forçado a negociar com seu adversário. Para não sucumbir, pagou uma grande soma em ouro e prata, a maior parte retirada dos tesouros do templo (2 Rs 17:14-16).
Só assim, Senaqueribe se retirou, não antes de submeter Judá à antiga posição de tributário da Assíria.
Não obstante, esta situação não satisfez a nenhuma das duas partes. Senaqueribe não confiava em Ezequias, enquanto este, tão logo viu os assírios se retirarem, reiniciou as negociações com o Egito. Assim, depois de alguns meses, a guerra novamente irrompeu. O rei assírio ocupou Shefelah e a Filícia com suas principais forças, mantendo o Egito sob observação. Enquanto isso, enviou um destacamento, sob o comando de um de seus generais, para ameaçar e sitiar Jerusalém novamente, tão logo houvesse oportunidade. Isaías relata com detalhes as manobras realizadas por tal destacamento (36:2-22; 37:8). O próprio profeta estava presente em Jerusalém e encorajou Ezequias a desafiar os inimigos (37:1-7). E, dessa vez, Ezequias agiu de acordo com os conselhos de Isaías, obrigando Senaqueribe a enviar uma carta a Judá contendo ameaças mais violentas ainda, caso a cidade não se rendesse. A receber tal carta, Ezequias foi ao templo e a colocou diante do Senhor (37:14) e, então, o Deus de Israel expediu um decreto determinando a destruição das forças da Assíria. Não se sabe qual foi o local da matança, porém, não há duvida de que o exército assírio sofreu uma tremenda derrota, a qual produziu um terrível pânico e uma desabalada retirada das forças inimigas. Além disso, as conseqüências da derrota assíria não foram temporárias. Da mesma forma que Xerxes na Grécia, Senaqueribe nunca mais se recuperou do choque provocado pela derrota que lhe fora imposta por Judá. Desta forma, ele não mais fez qualquer incursão ao Sul da Palestina ou ao Egito. Judá passou, então, um longo período livre de ameaças de ataque ou de invasão, de tal maneira que os anos finais de Ezequias foram de paz e de prosperidade (2 Cr 32:23, 27-29). O sucessor de Ezequias, Manasses, no início de seu reinado, também não teve problemas com seus inimigos, mesmo porque era ainda muito jovem para introduzir mudanças nas práticas religiosas de Judá.
Se os anos de Isaías não estivessem chegando ao ocaso, seguramente, ele teria desfrutado desse período de paz e descansaria entre o final da retirada assíria e o começo das perseguições de Manassés. Provavelmente, nesse intervalo, foi composto o “livro da consolação”.
Não se sabe ao certo quando o Rei da Assíria começou a ameaçar Ezequias. O fato é que Sargão fez várias expedições à Síria e à Filícia, bem como, numa oportunidade, se autodenominou de “o Conquistador de Judá”. Todavia, não existe evidência suficiente de que ele tenha feito alguma tentativa de subjugar Judá. Isso somente veio a acontecer depois que Senaqueribe assumiu o trono da Assíria em 705 a.C.
Entretanto, o perigo começou a ganhar corpo durante o reinado de Ezequias e, quando se tornou mais iminente, os conselhos daqueles que não criam em Deus prevaleceram. Embaixadores foram enviados ao Egito (30.2-4), e uma aliança foi costurada, através da qual o Faraó Shabako e o suserano etíope Tiraka tomaram sobre si a responsabilidade de preparar um exército para defender Judá, caso ela fosse atacada pelos assírios.
No quinto ano de Senaqueribe, em 701 a.C., foi desencadeado o ataque. O Rei assírio conduziu pessoalmente o seu exército à Palestina e distribuiu as tropas pelo país, tomando todas as menores cidades fortificadas de Judá, quarenta e seis ao todo, segundo o seu próprio relato (John Bright. História de Israel. São Paulo, Paulus, 1978). Depois disso, concentrou suas forças sobre Jerusalém, sitiando a cidade (22.1-14). Ezequias resistiu ao cerco até quanto pode, todavia, desesperou-se, no final, por saber que não poderia sobreviver por muito tempo sem receber ajuda do Egito, sendo, então, forçado a negociar com seu adversário. Para não sucumbir, pagou uma grande soma em ouro e prata, a maior parte retirada dos tesouros do templo (2 Rs 17:14-16).
Só assim, Senaqueribe se retirou, não antes de submeter Judá à antiga posição de tributário da Assíria.
Não obstante, esta situação não satisfez a nenhuma das duas partes. Senaqueribe não confiava em Ezequias, enquanto este, tão logo viu os assírios se retirarem, reiniciou as negociações com o Egito. Assim, depois de alguns meses, a guerra novamente irrompeu. O rei assírio ocupou Shefelah e a Filícia com suas principais forças, mantendo o Egito sob observação. Enquanto isso, enviou um destacamento, sob o comando de um de seus generais, para ameaçar e sitiar Jerusalém novamente, tão logo houvesse oportunidade. Isaías relata com detalhes as manobras realizadas por tal destacamento (36:2-22; 37:8). O próprio profeta estava presente em Jerusalém e encorajou Ezequias a desafiar os inimigos (37:1-7). E, dessa vez, Ezequias agiu de acordo com os conselhos de Isaías, obrigando Senaqueribe a enviar uma carta a Judá contendo ameaças mais violentas ainda, caso a cidade não se rendesse. A receber tal carta, Ezequias foi ao templo e a colocou diante do Senhor (37:14) e, então, o Deus de Israel expediu um decreto determinando a destruição das forças da Assíria. Não se sabe qual foi o local da matança, porém, não há duvida de que o exército assírio sofreu uma tremenda derrota, a qual produziu um terrível pânico e uma desabalada retirada das forças inimigas. Além disso, as conseqüências da derrota assíria não foram temporárias. Da mesma forma que Xerxes na Grécia, Senaqueribe nunca mais se recuperou do choque provocado pela derrota que lhe fora imposta por Judá. Desta forma, ele não mais fez qualquer incursão ao Sul da Palestina ou ao Egito. Judá passou, então, um longo período livre de ameaças de ataque ou de invasão, de tal maneira que os anos finais de Ezequias foram de paz e de prosperidade (2 Cr 32:23, 27-29). O sucessor de Ezequias, Manasses, no início de seu reinado, também não teve problemas com seus inimigos, mesmo porque era ainda muito jovem para introduzir mudanças nas práticas religiosas de Judá.
Se os anos de Isaías não estivessem chegando ao ocaso, seguramente, ele teria desfrutado desse período de paz e descansaria entre o final da retirada assíria e o começo das perseguições de Manassés. Provavelmente, nesse intervalo, foi composto o “livro da consolação”.
8 de jun. de 2007
Transferência de Riquezas - Pastoral
Falar sobre assuntos financeiros nem sempre é fácil, mas a realidade é que a Bíblia tem muito a nos ensinar a esse respeito. Vejamos algumas verdades e princípios sobre as riquezas.
Êxodo 12.35-36 nos diz que — Os israelitas obedeceram à ordem de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata e de ouro, bem como roupas. O Senhor concedeu ao povo uma disposição favorável da parte dos egípcios, de modo que lhes davam o que pediam; assim eles despojaram os egípcios.
Essa foi a experiência de Israel na saída do Egito, depois de um cativeiro de mais de 400 anos e uma séria crise de convivência com Faraó. Humanamente falando, seria impossível sair com qualquer coisa, pois o somente sair já era grande lucro! Contudo, Deus interveio, e o povo saiu repleto de recursos!
Semelhantemente, a igreja precisa de recursos para fazer face às suas inúmeras despesas, para se desenvolver e fazer crescer o Reino de Deus. A quem pertencem as riquezas?
Em Ageu 2.8 lemos — Tanto a prata quanto o ouro me pertencem — declara o Senhor dos Exércitos. O Salmo 24.1 também é enfático ao afirmar: — Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem. Não é necessário, portanto, mais que isso para provar que a Deus pertence tudo. Efésios 1.3 nos diz que fomos abençoados com todas as bênçãos, e estas incluem a parte financeira. Em Deuteronômio 28.2-14, aprendemos que todas as riquezas pertencem a Deus, e Ele as entrega ao Seu povo para serem administradas com sabedoria em prol do Reino. Entretanto, quando se fala em bênção, só pensamos em coisas espirituais: Salvação, paz, vida eterna... Mas, meus queridos, Deus deseja ver Seus filhos com saúde, bem empregados, alimentando-se corretamente, estudando em boas escolas, enfim vivendo uma vida digna.
Sempre que a Bíblia fala das bênçãos de Deus, ela fala de boas colheitas, de chuvas para a terra, fala de ovelhas, plantações, esposa abençoada, filhos abençoados. Este é, assim, o plano de Deus para os Seus filhos. Todavia, irmãos, para sermos abençoados, é preciso que sejamos fieis ao nosso Deus nos dízimos e nas ofertas.
As bênçãos referidas em Deuteronômio 28, virão, segundo nos afirma o nosso Deus, como resultado da nossa obediência à Sua Palavra. Alguns filhos de Deus vivem em miséria, escravos de dívidas e problemas financeiros. São pessoas que estão debaixo de maldição e muitas vezes nem sabem o por quê. Qual será o motivo de muitos filhos de Deus serem mantidos em cativeiro? A resposta é simples e bíblica: Não ser dizimista e nem ofertante liberal. Em outras palavras: Não semear a prosperidade, conforme nos ensina Lucas 6.38 — Dêem, e lhes será dado; uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois, a medida que usarem também será usada para medir vocês.
Êxodo 12.35-36 nos diz que — Os israelitas obedeceram à ordem de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata e de ouro, bem como roupas. O Senhor concedeu ao povo uma disposição favorável da parte dos egípcios, de modo que lhes davam o que pediam; assim eles despojaram os egípcios.
Essa foi a experiência de Israel na saída do Egito, depois de um cativeiro de mais de 400 anos e uma séria crise de convivência com Faraó. Humanamente falando, seria impossível sair com qualquer coisa, pois o somente sair já era grande lucro! Contudo, Deus interveio, e o povo saiu repleto de recursos!
Semelhantemente, a igreja precisa de recursos para fazer face às suas inúmeras despesas, para se desenvolver e fazer crescer o Reino de Deus. A quem pertencem as riquezas?
Em Ageu 2.8 lemos — Tanto a prata quanto o ouro me pertencem — declara o Senhor dos Exércitos. O Salmo 24.1 também é enfático ao afirmar: — Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem. Não é necessário, portanto, mais que isso para provar que a Deus pertence tudo. Efésios 1.3 nos diz que fomos abençoados com todas as bênçãos, e estas incluem a parte financeira. Em Deuteronômio 28.2-14, aprendemos que todas as riquezas pertencem a Deus, e Ele as entrega ao Seu povo para serem administradas com sabedoria em prol do Reino. Entretanto, quando se fala em bênção, só pensamos em coisas espirituais: Salvação, paz, vida eterna... Mas, meus queridos, Deus deseja ver Seus filhos com saúde, bem empregados, alimentando-se corretamente, estudando em boas escolas, enfim vivendo uma vida digna.
Sempre que a Bíblia fala das bênçãos de Deus, ela fala de boas colheitas, de chuvas para a terra, fala de ovelhas, plantações, esposa abençoada, filhos abençoados. Este é, assim, o plano de Deus para os Seus filhos. Todavia, irmãos, para sermos abençoados, é preciso que sejamos fieis ao nosso Deus nos dízimos e nas ofertas.
As bênçãos referidas em Deuteronômio 28, virão, segundo nos afirma o nosso Deus, como resultado da nossa obediência à Sua Palavra. Alguns filhos de Deus vivem em miséria, escravos de dívidas e problemas financeiros. São pessoas que estão debaixo de maldição e muitas vezes nem sabem o por quê. Qual será o motivo de muitos filhos de Deus serem mantidos em cativeiro? A resposta é simples e bíblica: Não ser dizimista e nem ofertante liberal. Em outras palavras: Não semear a prosperidade, conforme nos ensina Lucas 6.38 — Dêem, e lhes será dado; uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois, a medida que usarem também será usada para medir vocês.
7 de jun. de 2007
Considerações sobre o Livro do Profeta Isaías
Parte 4
Quando Isaías estava com cerca de dez ou doze anos, um monarca assírio, ao qual os hebreus chamavam de Pul, “veio contra a terra, e tiveram que ser subornados com mil talentos de prata (2 Rs 15.19). Cerca de vinte anos depois, em 745 a.C., um monarca mais poderoso, Tiglate-Pileser II, subiu ao trono da Assíria, quando Isaías estava com mais ou menos trinta ou trinta e cinco anos. Tal monarca iniciou imediatamente um reinado de conquistas, o que provocou alarme entre todas as demais nações vizinhas. Em Damasco, percebeu-se que o novo inimigo somente poderia ser combatido por uma confederação de pequenas nações, as quais dividiam entre si a região Siro-palestina. Desta forma, um esforço foi feito para unir os reis dessas nações, sob a presidência de Resim de Damasco. Entretanto, o rei de Judá, Acaz, se recusou a fazer aliança com os demais monarcas. Em função de uma visão política estreita que o impedia de ver com clareza a gravidade da situação, Acaz pensou que os seus próprios interesses seriam desrespeitados pela Síria e por Israel, nações que eram, geralmente, hostis a Judá. Assim, imediatamente, Judá fechou suas fronteiras e, como conseqüência de sua recusa em fazer parte da aliança, houve uma tentativa de depô-lo, colocando em seu lugar um príncipe que adotaria apolítica Síria. Rezim de Damasco e Peca de Samaria atacaram Judá em diferentes frentes e infligiram severas derrotas ao Reino do Sul (2 Cr 28.5-6). Eles, então, marcharam para Jerusalém e sitiaram a cidade (2 Rs 16.5). Diante de tais circunstâncias, Acaz colocou-se sob proteção do rei dos assírios, declarando-se seu servo e, humildemente, implorou por sua ajuda. Piglate-Pileser atendeu prontamente à solicitação de Acaz e, marchou com um grande exército contra a Síria, conquistou Damasco, passou Rezim ao fio da espada, venceu Peca e levou uma grande porção dos israelitas para o cativeiro (2 Rs 15.29). Acaz apresentou-se, então, pessoalmente, a Tiglate-Pileser, em Damasco, e prestou-lhe honras, passando Judá, daí em diante, a ser um estado vassalo, pagando tributos à Assíria.
A tremenda derrota, imposta ao Reino de Israel por Tiglate-Pileser, foi logo a seguir acompanhada de uma maior e mais severa calamidade. Em 724 a.C., quando Isaías estava com, aproximadamente, cinqüenta e cinco anos, Salmanasar V, filho e sucessor de Tiglate-Pileser, determinou a aniquilação dos últimos vestígios do Reino do Norte, marchando contra Samaria e sitiando a cidade. Embora Samaria fosse uma cidade bem fortificada, tendo resistido a três anos de assalto, finalmente, em 722 a.C., capitulou, caindo definitivamente nas mãos do inimigo, justamente no ano em que Sargão II se apoderou do trono assírio, depois da morte de Salmanasar. Embora Sargão se vanglorie de ter tomado Samaria, as Escrituras atribuem a Salmanasar a tomada daquela cidade. Entretanto, o fato que permanece como certo é que, após a queda de Samaria, milhares de cidadãos israelitas — 27.290 de acordo com Sargão — foram deportados para a Alta e para a Média Mesopotâmia, e, finalmente, desapareceram do cenário da história.
Judá estava, agora, isolada e sem vizinhos, tornando-se, evidentemente, a próxima nação sobre a qual o peso do exército assírio iria cair. A submissão e subserviência de Acaz à Assíria, durante todo o seu reinado (2 Rs 16:10-18), haviam, é verdade, ajudado a defender Judá nos dias difíceis. Além disso, a Assíria estivera muito ocupada com as revoltas que explodiam nos países conquistados, bem como com as sua próprias disputas internas. Contudo, em 727 a.C., morreu Acaz, e assumiu o poder o Rei Ezequias, o qual tinha uma linha política mais arrojada. Assim, Ezequias “rebelou-se contra o Rei da Assíria e não o serviu” (2 Rs 18:7).
Nessa rebelião, certamente, Ezequias teve o encorajamento e o apoio de Isaías, o qual sempre exortava seus compatriotas a não temerem os assírios (10:24 e 37:6). O conselho do profeta era que nenhuma aliança com estrangeiros deveria ser feita, posto que Judá devia, isto sim, colocar-se na inteira dependência de Jehovah, o qual protegeria o seu povo e derrotaria os assírios, caso eles tentassem um ataque. Ezequias, entretanto, tinha outros conselheiros, homens com diferentes pensamentos políticos tais como Sebna, o secretário real, e Eliakim, o primeiro-ministro, para os quais a fé do profeta não passava de tolice e fanatismo ( 22:15-25. Isaías declara que Sebna, que era primeiro-ministro na época, seria destituído do cargo, ignominiosamente, e substituído por Eliakim. Entre o tempo em que essa declaração foi feita e os acontecimentos de 2 Rs 18:17 e 19:37, aparentemente houve uma reorganização do Conselho de ministros, na qual Sebna fora removido e exilado, como havia profetizado Isaías.). As regras de sabedoria comumente aceitas diziam-lhes que era melhor uma aliança com alguma outra nação poderosa, através da qual Judá asseguraria a assistência de um forte corpo de auxiliares, caso sua independência fosse ameaçada. Desta forma, dentro do horizonte político da época, a única potência que podia se rivalizar com a Assíria era o Egito, o qual era também uma monarquia organizada, com uma grande população e um exército bem treinado. Neste sentido, o exército egípcio era especialmente forte, justamente, no fundamento em que Judá era mais fraco, ou seja, na quantidade de cavalos e carros de combate. Além disso, havia a Etiópia, a qual, veladamente, nos bastidores, era aliada do Egito, exercendo uma espécie de suserania em relação ao país dos faraós. Assim, a Etiópia possuía recursos, os quais, em caso de necessidade, podiam ser utilizados pelo Egito.
Quando Isaías estava com cerca de dez ou doze anos, um monarca assírio, ao qual os hebreus chamavam de Pul, “veio contra a terra, e tiveram que ser subornados com mil talentos de prata (2 Rs 15.19). Cerca de vinte anos depois, em 745 a.C., um monarca mais poderoso, Tiglate-Pileser II, subiu ao trono da Assíria, quando Isaías estava com mais ou menos trinta ou trinta e cinco anos. Tal monarca iniciou imediatamente um reinado de conquistas, o que provocou alarme entre todas as demais nações vizinhas. Em Damasco, percebeu-se que o novo inimigo somente poderia ser combatido por uma confederação de pequenas nações, as quais dividiam entre si a região Siro-palestina. Desta forma, um esforço foi feito para unir os reis dessas nações, sob a presidência de Resim de Damasco. Entretanto, o rei de Judá, Acaz, se recusou a fazer aliança com os demais monarcas. Em função de uma visão política estreita que o impedia de ver com clareza a gravidade da situação, Acaz pensou que os seus próprios interesses seriam desrespeitados pela Síria e por Israel, nações que eram, geralmente, hostis a Judá. Assim, imediatamente, Judá fechou suas fronteiras e, como conseqüência de sua recusa em fazer parte da aliança, houve uma tentativa de depô-lo, colocando em seu lugar um príncipe que adotaria apolítica Síria. Rezim de Damasco e Peca de Samaria atacaram Judá em diferentes frentes e infligiram severas derrotas ao Reino do Sul (2 Cr 28.5-6). Eles, então, marcharam para Jerusalém e sitiaram a cidade (2 Rs 16.5). Diante de tais circunstâncias, Acaz colocou-se sob proteção do rei dos assírios, declarando-se seu servo e, humildemente, implorou por sua ajuda. Piglate-Pileser atendeu prontamente à solicitação de Acaz e, marchou com um grande exército contra a Síria, conquistou Damasco, passou Rezim ao fio da espada, venceu Peca e levou uma grande porção dos israelitas para o cativeiro (2 Rs 15.29). Acaz apresentou-se, então, pessoalmente, a Tiglate-Pileser, em Damasco, e prestou-lhe honras, passando Judá, daí em diante, a ser um estado vassalo, pagando tributos à Assíria.
A tremenda derrota, imposta ao Reino de Israel por Tiglate-Pileser, foi logo a seguir acompanhada de uma maior e mais severa calamidade. Em 724 a.C., quando Isaías estava com, aproximadamente, cinqüenta e cinco anos, Salmanasar V, filho e sucessor de Tiglate-Pileser, determinou a aniquilação dos últimos vestígios do Reino do Norte, marchando contra Samaria e sitiando a cidade. Embora Samaria fosse uma cidade bem fortificada, tendo resistido a três anos de assalto, finalmente, em 722 a.C., capitulou, caindo definitivamente nas mãos do inimigo, justamente no ano em que Sargão II se apoderou do trono assírio, depois da morte de Salmanasar. Embora Sargão se vanglorie de ter tomado Samaria, as Escrituras atribuem a Salmanasar a tomada daquela cidade. Entretanto, o fato que permanece como certo é que, após a queda de Samaria, milhares de cidadãos israelitas — 27.290 de acordo com Sargão — foram deportados para a Alta e para a Média Mesopotâmia, e, finalmente, desapareceram do cenário da história.
Judá estava, agora, isolada e sem vizinhos, tornando-se, evidentemente, a próxima nação sobre a qual o peso do exército assírio iria cair. A submissão e subserviência de Acaz à Assíria, durante todo o seu reinado (2 Rs 16:10-18), haviam, é verdade, ajudado a defender Judá nos dias difíceis. Além disso, a Assíria estivera muito ocupada com as revoltas que explodiam nos países conquistados, bem como com as sua próprias disputas internas. Contudo, em 727 a.C., morreu Acaz, e assumiu o poder o Rei Ezequias, o qual tinha uma linha política mais arrojada. Assim, Ezequias “rebelou-se contra o Rei da Assíria e não o serviu” (2 Rs 18:7).
Nessa rebelião, certamente, Ezequias teve o encorajamento e o apoio de Isaías, o qual sempre exortava seus compatriotas a não temerem os assírios (10:24 e 37:6). O conselho do profeta era que nenhuma aliança com estrangeiros deveria ser feita, posto que Judá devia, isto sim, colocar-se na inteira dependência de Jehovah, o qual protegeria o seu povo e derrotaria os assírios, caso eles tentassem um ataque. Ezequias, entretanto, tinha outros conselheiros, homens com diferentes pensamentos políticos tais como Sebna, o secretário real, e Eliakim, o primeiro-ministro, para os quais a fé do profeta não passava de tolice e fanatismo ( 22:15-25. Isaías declara que Sebna, que era primeiro-ministro na época, seria destituído do cargo, ignominiosamente, e substituído por Eliakim. Entre o tempo em que essa declaração foi feita e os acontecimentos de 2 Rs 18:17 e 19:37, aparentemente houve uma reorganização do Conselho de ministros, na qual Sebna fora removido e exilado, como havia profetizado Isaías.). As regras de sabedoria comumente aceitas diziam-lhes que era melhor uma aliança com alguma outra nação poderosa, através da qual Judá asseguraria a assistência de um forte corpo de auxiliares, caso sua independência fosse ameaçada. Desta forma, dentro do horizonte político da época, a única potência que podia se rivalizar com a Assíria era o Egito, o qual era também uma monarquia organizada, com uma grande população e um exército bem treinado. Neste sentido, o exército egípcio era especialmente forte, justamente, no fundamento em que Judá era mais fraco, ou seja, na quantidade de cavalos e carros de combate. Além disso, havia a Etiópia, a qual, veladamente, nos bastidores, era aliada do Egito, exercendo uma espécie de suserania em relação ao país dos faraós. Assim, a Etiópia possuía recursos, os quais, em caso de necessidade, podiam ser utilizados pelo Egito.
6 de jun. de 2007
Para Meditar
Colocando Deus em Primeiro Lugar
Santificado seja o teu nome (Mateus 6:9).
A Oração dos Discípulos ilustra a prioridade que Deus deve ter em nossas orações. Jesus começou exaltando o Pai: “Santificado seja o teu nome” (v.9), então, pediu para que o reino do Pai viesse e que Sua vontade fosse feita (v.10). Ele concluiu com um cântico de louvor: “Porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (v.13). Sua oração literalmente começa e termina com Deus.
“Santificado seja o teu nome” exalta o nome do Senhor e coloca um tom de adoração e submissão que é sustentado através da oração. Quando o nome de Deus é santificado, Ele será amado e reverenciado, Seu reino avidamente antecipado e Sua vontade obedecida.
“Teu nome” fala mais do que sobre um título, tal como “Deus”, “Senhor” ou “Jeová”. Fala do próprio Deus e é composto de todos os Seus atributos. Os hebreus consideravam o nome de Deus tão sagrado que eles nem sequer o pronunciavam, mas eles não entenderam o ponto. Enquanto meticulosamente guardavam as letras de Seu nome, eles ultrajavam Seu caráter e desobedeciam a Sua Palavra. Por causa deles o nome de Deus era blasfemado entre os gentios (Romanos 2:24).
Salmos 102:15 diz: “Todas as nações temerão o nome do SENHOR, e todos os reis da terra, a Sua glória”. Não são as letras do nome de Deus que as nações temerão; e sim a personificação de tudo o que Ele é. Como Jesus orou: “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo” (João 17:6). Ele fez isto revelando quem Deus era. João 1:14 diz: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”. Jesus disse a Filipe: “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14:9). Jesus é a manifestação de tudo o que Deus é.
Manifestar a prioridade de Deus em suas orações envolve reconhecer quem Ele é, e se aproximar dEle com um espírito reverente e humilde, que está rendido à Sua vontade. À medida que você fizer isto, o nome dEle será santificado através de você.
Sugestões para orar : Louve a Deus pela Sua santidade. Peça a Deus para usar você hoje para demonstrar Sua santidade às outras pessoas. (John MacArthur Jr.) (transcrito)
Santificado seja o teu nome (Mateus 6:9).
A Oração dos Discípulos ilustra a prioridade que Deus deve ter em nossas orações. Jesus começou exaltando o Pai: “Santificado seja o teu nome” (v.9), então, pediu para que o reino do Pai viesse e que Sua vontade fosse feita (v.10). Ele concluiu com um cântico de louvor: “Porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (v.13). Sua oração literalmente começa e termina com Deus.
“Santificado seja o teu nome” exalta o nome do Senhor e coloca um tom de adoração e submissão que é sustentado através da oração. Quando o nome de Deus é santificado, Ele será amado e reverenciado, Seu reino avidamente antecipado e Sua vontade obedecida.
“Teu nome” fala mais do que sobre um título, tal como “Deus”, “Senhor” ou “Jeová”. Fala do próprio Deus e é composto de todos os Seus atributos. Os hebreus consideravam o nome de Deus tão sagrado que eles nem sequer o pronunciavam, mas eles não entenderam o ponto. Enquanto meticulosamente guardavam as letras de Seu nome, eles ultrajavam Seu caráter e desobedeciam a Sua Palavra. Por causa deles o nome de Deus era blasfemado entre os gentios (Romanos 2:24).
Salmos 102:15 diz: “Todas as nações temerão o nome do SENHOR, e todos os reis da terra, a Sua glória”. Não são as letras do nome de Deus que as nações temerão; e sim a personificação de tudo o que Ele é. Como Jesus orou: “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo” (João 17:6). Ele fez isto revelando quem Deus era. João 1:14 diz: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”. Jesus disse a Filipe: “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14:9). Jesus é a manifestação de tudo o que Deus é.
Manifestar a prioridade de Deus em suas orações envolve reconhecer quem Ele é, e se aproximar dEle com um espírito reverente e humilde, que está rendido à Sua vontade. À medida que você fizer isto, o nome dEle será santificado através de você.
Sugestões para orar : Louve a Deus pela Sua santidade. Peça a Deus para usar você hoje para demonstrar Sua santidade às outras pessoas. (John MacArthur Jr.) (transcrito)
Considerações sobre o Livro do Profeta Isaías
Parte 3
Novamente, contra os inimigos de Deus ele dispara, não apenas uma chuva de indignação e de raiva, mas também as afiadas flechas do seu sarcasmo e da sua ironia. Uma delicada veia satírica está presente na descrição da luxúria feminina (3.16-24). Um amargo sarcasmo pontua a descrição de Rezim e do filho de Remalias — dois tocos de tições fumegantes (7.4). Contra os idólatras uma retórica até certo ponto vulgar e grosseira é empregada: — (44:12-17) O ferreiro faz o machado, trabalha nas brasas, forma um ídolo a martelo e forja-o com a força do seu braço; ele tem fome, e a sua força falta, não bebe água e desfalece. O artífice em madeira estende o cordel e, com o lápis, esboça uma imagem; alisa-a com plaina, marca com o compasso e faz à semelhança e beleza de um homem, que possa morar em uma casa. Um homem corta para si cedros, toma um cipreste ou um carvalho, fazendo escolha entre as árvores do bosque; planta um pinheiro, e a chuva o faz crescer. Tais árvores servem ao homem para queimar; com parte de sua madeira se aquenta e coze o pão; e também faz um deus e se prostra diante dele, esculpi uma imagem e se ajoelha diante dela. Metade queima no fogo e com ela coze a carne para comer; assa-a e farta-se; também se aquenta e diz: Ah! Já me aquento, contemplo a luz. Então, do resto faz um deus, uma imagem de escultura; ajoelha-se diante dela, prostra-se e lhe dirige a sua oração, dizendo: Livra-me, porque tu és o meu deus”.
Mas, enquanto o profeta reserva seu sarcasmo para certas ocasiões raras, ele, ao mesmo tempo, se mostra um mestre nisso, colocando uma torrente de escárnio sobre quem o provoca, desarmando seus desafetos de suas pretensões.
Duas outras qualidades devem ser observadas em Isaías, sua espiritualidade e seu tom de profunda reverencia a Deus. A formalidade, a superficialidade e as manifestações religiosas, não têm valor para ele em nenhuma circunstância, pois nada é mais importante para o profeta do que o homem interior, a espiritualidade e o coração humano. Os templos não tem valor para ele (66.1), como também os sacrifícios (1.11-13), a observância de determinados dias (1.14) e a convocação às congregações (1.13). E, assim, para Isaías, diante do Deus Altíssimo somente tem valor a verdadeira pureza de vida e de um coração obediente (1.19), bem como a retidão de um espírito humilde e contrito (66.2).
Neste sentido, as imagens que o profeta emprega, segundo as circunstâncias, para descrever as condições espirituais, são retiradas de coisas materiais e das situações apresentadas pelo meio-ambiente em que vive o ser humano. Todavia, não são imagens tendenciosas, embora algumas vezes tais imagens não sejam congruentes umas com as outras (66.24). Contudo, a reverência de Isaías em relação a Deus é profunda. Ele se utiliza, freqüentemente, de títulos como “O Santo de Israel”, para se referir ao Senhor. Noutras vezes, ainda mais enfaticamente, ele usa a expressão “o Santo”, ou “o Alto, o Sublime que habita a eternidade” (57.15). Deus é para o profeta, primariamente, um ser que lhe provoca, ao mesmo tempo, reverente temor e espanto. “Santificai-vos ao Senhor dos Exércitos”, ele exclama, “e seja Ele o vosso temor e o vosso espanto” (8.13), e novamente ele diz: — “Vai, entra nas rochas e esconde-te no pó, ante o temor do Senhor e a glória da sua majestade” (2.10). É como se a lembrança da sua visão de Deus jamais o abandonasse, como se o profeta continuasse a falar do trono onde ele vira Deus (6.1-5).
Isaías chegou à maturidade vivendo na Judéia, durante o período da existência dos dois reinos, o Reino de Israel, Reino do Norte, e o Reino de Judá, ou Reino do Sul. Israel, o reino estabelecido por Jereboão após a morte de Salomão, estava chegando próximo do seu aniquilamento. Depois de ter existido por quase dois séculos, sob o governo de dezoito monarcas de oito diferentes famílias, bem como com dificuldades para manter sua independência contra os ataques dos vizinhos do Norte, os sírios de Damasco, os israelenses estavam a ponto de sucumbir ao poderio do Império Assírio.
Novamente, contra os inimigos de Deus ele dispara, não apenas uma chuva de indignação e de raiva, mas também as afiadas flechas do seu sarcasmo e da sua ironia. Uma delicada veia satírica está presente na descrição da luxúria feminina (3.16-24). Um amargo sarcasmo pontua a descrição de Rezim e do filho de Remalias — dois tocos de tições fumegantes (7.4). Contra os idólatras uma retórica até certo ponto vulgar e grosseira é empregada: — (44:12-17) O ferreiro faz o machado, trabalha nas brasas, forma um ídolo a martelo e forja-o com a força do seu braço; ele tem fome, e a sua força falta, não bebe água e desfalece. O artífice em madeira estende o cordel e, com o lápis, esboça uma imagem; alisa-a com plaina, marca com o compasso e faz à semelhança e beleza de um homem, que possa morar em uma casa. Um homem corta para si cedros, toma um cipreste ou um carvalho, fazendo escolha entre as árvores do bosque; planta um pinheiro, e a chuva o faz crescer. Tais árvores servem ao homem para queimar; com parte de sua madeira se aquenta e coze o pão; e também faz um deus e se prostra diante dele, esculpi uma imagem e se ajoelha diante dela. Metade queima no fogo e com ela coze a carne para comer; assa-a e farta-se; também se aquenta e diz: Ah! Já me aquento, contemplo a luz. Então, do resto faz um deus, uma imagem de escultura; ajoelha-se diante dela, prostra-se e lhe dirige a sua oração, dizendo: Livra-me, porque tu és o meu deus”.
Mas, enquanto o profeta reserva seu sarcasmo para certas ocasiões raras, ele, ao mesmo tempo, se mostra um mestre nisso, colocando uma torrente de escárnio sobre quem o provoca, desarmando seus desafetos de suas pretensões.
Duas outras qualidades devem ser observadas em Isaías, sua espiritualidade e seu tom de profunda reverencia a Deus. A formalidade, a superficialidade e as manifestações religiosas, não têm valor para ele em nenhuma circunstância, pois nada é mais importante para o profeta do que o homem interior, a espiritualidade e o coração humano. Os templos não tem valor para ele (66.1), como também os sacrifícios (1.11-13), a observância de determinados dias (1.14) e a convocação às congregações (1.13). E, assim, para Isaías, diante do Deus Altíssimo somente tem valor a verdadeira pureza de vida e de um coração obediente (1.19), bem como a retidão de um espírito humilde e contrito (66.2).
Neste sentido, as imagens que o profeta emprega, segundo as circunstâncias, para descrever as condições espirituais, são retiradas de coisas materiais e das situações apresentadas pelo meio-ambiente em que vive o ser humano. Todavia, não são imagens tendenciosas, embora algumas vezes tais imagens não sejam congruentes umas com as outras (66.24). Contudo, a reverência de Isaías em relação a Deus é profunda. Ele se utiliza, freqüentemente, de títulos como “O Santo de Israel”, para se referir ao Senhor. Noutras vezes, ainda mais enfaticamente, ele usa a expressão “o Santo”, ou “o Alto, o Sublime que habita a eternidade” (57.15). Deus é para o profeta, primariamente, um ser que lhe provoca, ao mesmo tempo, reverente temor e espanto. “Santificai-vos ao Senhor dos Exércitos”, ele exclama, “e seja Ele o vosso temor e o vosso espanto” (8.13), e novamente ele diz: — “Vai, entra nas rochas e esconde-te no pó, ante o temor do Senhor e a glória da sua majestade” (2.10). É como se a lembrança da sua visão de Deus jamais o abandonasse, como se o profeta continuasse a falar do trono onde ele vira Deus (6.1-5).
Isaías chegou à maturidade vivendo na Judéia, durante o período da existência dos dois reinos, o Reino de Israel, Reino do Norte, e o Reino de Judá, ou Reino do Sul. Israel, o reino estabelecido por Jereboão após a morte de Salomão, estava chegando próximo do seu aniquilamento. Depois de ter existido por quase dois séculos, sob o governo de dezoito monarcas de oito diferentes famílias, bem como com dificuldades para manter sua independência contra os ataques dos vizinhos do Norte, os sírios de Damasco, os israelenses estavam a ponto de sucumbir ao poderio do Império Assírio.
5 de jun. de 2007
Considerações no Livro do Profeta Isaías
Parte 2
A carreira profética de Isaías tem início, como ele mesmo diz, no reinado de Uzias, ou Azarias. Neste sentido, é razoável a suposição de que ele iniciou seu ministério cerca de um ou dois anos antes do término do referido reinado. Por essa época, Uzias estava leproso e habitava numa casa separada, enquanto Jotão, seu filho, governava e dirigia os negócios do reino. As primeiras profecias de Isaías, isto é, os capítulos I a V, foram escritas, provavelmente, nesse período. No ano da morte de Uzias, possivelmente antes do acontecimento, embora isso não seja comprovado, Isaias teve a visão que está registrada no capítulo VI, recebendo a renovação do seu chamado de maneira solene. É interessante observar, no entanto, que não se pode atribuir nenhum de seus escritos ainda existentes, exceto o capítulo VI, ao período seguinte de dezesseis anos. Parece claro que, durante o reinado de Jotão, Isaías se manteve em silêncio. Contudo, com a subida ao trono de Acaz, filho de Jotão e pai de Ezequias, em 743 a.C., tem início o período principal de atividade profética de Isaías.
As profecias de 7:1 a 10:4 têm conexão estrutural entre si e guardam uma unidade de propósitos, formando um corpo único, bem como, claramente, percebe-se que pertencem ao período do reinado de Acaz, no qual o reino de Judá esteve envolvido em guerra contra os assírios. Uma profecia em 14:28-32 é atribuída pelo próprio Isaías ao último ano do referido rei. Nesse ponto, a energia profética de Isaías, aparentemente, entra numa fase um tanto ou quanto irregular. Não obstante, daí em diante elas recomeçam a fluir mais livremente, numa seqüência contínua. Existe razão suficiente para se atribuir ao reinado de Ezequias a série de profecias que se seguem a 10:5, com exceção somente da curta profecia contra os filisteus, no último ano de Acaz.
O conteúdo dessas profecias se distribuem nos diferentes períodos do reinado de Ezequias e demonstra a contínua atividade do profeta durante o referido reinado. Contudo, é duvidosa a afirmação de que a carreira profética de Isaías tenha durado até os primeiros anos do reinado de Manassés. Não obstante, uma parte de suas profecias é atribuída, por alguns estudiosos, ao tempo do filho de Ezequias, visto que a tradição judaica diz que o profeta faleceu no reinado desse monarca.
A estimativa anunciada linhas acima de que Isaías viveu no período de 780 a 690 a.C. faz dele, de fato, um contemporâneo de Manasses pelo espaço de nove anos. Para corroborar tal assertiva, a tradição rabínica afirma, justamente, que o profeta faleceu no reinado desse monarca, bem como declara que sua morte foi precedida de um horrível e doloroso martírio. Por ter se contraposto a algumas ordens e a alguns atos de idolatria de Manasses, Isaías foi preso por determinação do rei, foi pregado entre duas traves de madeira e foi serrado ao meio. A referência a esse tipo de tortura, na carta aos Hebreus, é considerada por muitos teólogos como uma alusão ao martírio de Isaías (Hb 11.37).
A personalidade do profeta Isaías merece ser ressaltada por sua seriedade, retidão e coragem ao denunciar as misérias do povo hebreu. Como se pode deduzir, ele viveu sob o reinado de cinco diferentes reis dos quais apenas um homem religioso e temente a Deus. Todavia, ele se manteve, em relação a todos esses monarcas, numa atitude de firmeza, sem jamais comprometer-se com as corrupções da corte e, sobretudo, sendo fiel a Deus. Ele dizia tudo o que era para ser dito, sem omitir nada, não se importando em obter favores da corte. A um rei ele disse: —Ouvi, agora, ó casa de Davi: acaso, não vos basta fatigardes os homens, mas ainda fatigais também ao meu Deus? (7.13) — E a outro ele não se intimidou em dizer — Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás (38.1).
Ele era mais corajoso ainda ao enfrentar os nobres e a influente classe dos oficiais da corte, a qual tinha a incumbência de administrar os negócios do reino, sendo inescrupulosos no trato com seus adversários. Isaías denunciava as injustiças cometidas por essas pessoas em termos bastante severos, não lhes poupando acusações de opressão, de indignidade, de sexualidade, de orgulho e de rebeldia para com Deus. De igual modo, o profeta não busca os favores do povo. Ele denuncia a cidade de Jerusalém que antes fora fiel a Deus, mas agora se tornara uma prostituta (1.21). A nação é classificada por Isaías como uma nação pecaminosa, sendo o seu povo carregado de iniqüidades, raça de malignos e filhos corrompidos que abandonaram o Senhor e blasfemaram contra o Santo de Israel (1.4). O profeta denuncia que o povo se aproxima de Deus por interesse e o honra da boca para fora, enquanto o seu coração está longe do Senhor e o seu temor se resume a mandamentos de homens aprendidos maquinalmente (29.13). Ele também acusa o povo de ser rebelde, filhos mentirosos que não querem ouvir a Lei de Deus (30.9).
Contudo, essa severidade e essa coragem na defesa das coisas de Deus, não se importando em agradar a homens, é contrabalançada por seu notável carinho e compaixão pelas pessoas que caíram e provocaram a ira de Deus. O profeta não apenas chora amargamente. Ele se recusa a ser confortado em função da ruína da filha do seu povo (22.4), bem como clama pelas nações estrangeiras, como por exemplo, por Moabe, as quais também despertam a sua compaixão e, igualmente, fazem o profeta pranteá-las com tristeza (15.5).
Isaías detesta o pecado, mas ele se condói muitíssimo diante do destino dos pecadores. Pela própria Babilônia, ele diz que está cheio de angústia, que dores se apoderaram dele como se fosse uma mulher em trabalho de parto, fazendo-o contorcer-se de dores, sem poder ouvir, desfalecendo sem poder enxergar. Seu coração cambaleia e o horror o amedronta e, à noite, quando deseja dormir, o profeta é tomado de tremores (21.3-4). E, na medida que ele se compadece com as calamidades e com os sofrimentos das nações, assim também ele abre seu coração e a sua compreensão para se alegrar com a prosperidade e a exaltação dessas nações, orando para que elas sejam admitidas no reino do Messias de Israel.
Isaías não demonstra qualquer tipo de preconceito, nem exalta o seu povo como raça privilegiada, nem mesmo como alvo das promessas de Deus. No entanto, ele não é tão cosmopolita assim, a ponto de ser destituído de patriotismo, ou de ver sem preocupação as coisas que afetam a prosperidade, a alegria e o bem-estar do seu país, da sua cidade e de seus compatriotas. Seja a Assíria e Efraim que planejam contra Judá, ou seja Senaqueribe que tenta invadir seu país, ele se mantém igualmente indignado e cheio do sentimento de que seu povo foi desrespeitado (7.5).
Contra a Babilônia, a devastadora que condenou à destruição a cidade de Jerusalém e assolou a Terra Santa, ele alimentou uma profunda hostilidade, a qual aparece em quase todos os capítulos do livro.
A carreira profética de Isaías tem início, como ele mesmo diz, no reinado de Uzias, ou Azarias. Neste sentido, é razoável a suposição de que ele iniciou seu ministério cerca de um ou dois anos antes do término do referido reinado. Por essa época, Uzias estava leproso e habitava numa casa separada, enquanto Jotão, seu filho, governava e dirigia os negócios do reino. As primeiras profecias de Isaías, isto é, os capítulos I a V, foram escritas, provavelmente, nesse período. No ano da morte de Uzias, possivelmente antes do acontecimento, embora isso não seja comprovado, Isaias teve a visão que está registrada no capítulo VI, recebendo a renovação do seu chamado de maneira solene. É interessante observar, no entanto, que não se pode atribuir nenhum de seus escritos ainda existentes, exceto o capítulo VI, ao período seguinte de dezesseis anos. Parece claro que, durante o reinado de Jotão, Isaías se manteve em silêncio. Contudo, com a subida ao trono de Acaz, filho de Jotão e pai de Ezequias, em 743 a.C., tem início o período principal de atividade profética de Isaías.
As profecias de 7:1 a 10:4 têm conexão estrutural entre si e guardam uma unidade de propósitos, formando um corpo único, bem como, claramente, percebe-se que pertencem ao período do reinado de Acaz, no qual o reino de Judá esteve envolvido em guerra contra os assírios. Uma profecia em 14:28-32 é atribuída pelo próprio Isaías ao último ano do referido rei. Nesse ponto, a energia profética de Isaías, aparentemente, entra numa fase um tanto ou quanto irregular. Não obstante, daí em diante elas recomeçam a fluir mais livremente, numa seqüência contínua. Existe razão suficiente para se atribuir ao reinado de Ezequias a série de profecias que se seguem a 10:5, com exceção somente da curta profecia contra os filisteus, no último ano de Acaz.
O conteúdo dessas profecias se distribuem nos diferentes períodos do reinado de Ezequias e demonstra a contínua atividade do profeta durante o referido reinado. Contudo, é duvidosa a afirmação de que a carreira profética de Isaías tenha durado até os primeiros anos do reinado de Manassés. Não obstante, uma parte de suas profecias é atribuída, por alguns estudiosos, ao tempo do filho de Ezequias, visto que a tradição judaica diz que o profeta faleceu no reinado desse monarca.
A estimativa anunciada linhas acima de que Isaías viveu no período de 780 a 690 a.C. faz dele, de fato, um contemporâneo de Manasses pelo espaço de nove anos. Para corroborar tal assertiva, a tradição rabínica afirma, justamente, que o profeta faleceu no reinado desse monarca, bem como declara que sua morte foi precedida de um horrível e doloroso martírio. Por ter se contraposto a algumas ordens e a alguns atos de idolatria de Manasses, Isaías foi preso por determinação do rei, foi pregado entre duas traves de madeira e foi serrado ao meio. A referência a esse tipo de tortura, na carta aos Hebreus, é considerada por muitos teólogos como uma alusão ao martírio de Isaías (Hb 11.37).
A personalidade do profeta Isaías merece ser ressaltada por sua seriedade, retidão e coragem ao denunciar as misérias do povo hebreu. Como se pode deduzir, ele viveu sob o reinado de cinco diferentes reis dos quais apenas um homem religioso e temente a Deus. Todavia, ele se manteve, em relação a todos esses monarcas, numa atitude de firmeza, sem jamais comprometer-se com as corrupções da corte e, sobretudo, sendo fiel a Deus. Ele dizia tudo o que era para ser dito, sem omitir nada, não se importando em obter favores da corte. A um rei ele disse: —Ouvi, agora, ó casa de Davi: acaso, não vos basta fatigardes os homens, mas ainda fatigais também ao meu Deus? (7.13) — E a outro ele não se intimidou em dizer — Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás (38.1).
Ele era mais corajoso ainda ao enfrentar os nobres e a influente classe dos oficiais da corte, a qual tinha a incumbência de administrar os negócios do reino, sendo inescrupulosos no trato com seus adversários. Isaías denunciava as injustiças cometidas por essas pessoas em termos bastante severos, não lhes poupando acusações de opressão, de indignidade, de sexualidade, de orgulho e de rebeldia para com Deus. De igual modo, o profeta não busca os favores do povo. Ele denuncia a cidade de Jerusalém que antes fora fiel a Deus, mas agora se tornara uma prostituta (1.21). A nação é classificada por Isaías como uma nação pecaminosa, sendo o seu povo carregado de iniqüidades, raça de malignos e filhos corrompidos que abandonaram o Senhor e blasfemaram contra o Santo de Israel (1.4). O profeta denuncia que o povo se aproxima de Deus por interesse e o honra da boca para fora, enquanto o seu coração está longe do Senhor e o seu temor se resume a mandamentos de homens aprendidos maquinalmente (29.13). Ele também acusa o povo de ser rebelde, filhos mentirosos que não querem ouvir a Lei de Deus (30.9).
Contudo, essa severidade e essa coragem na defesa das coisas de Deus, não se importando em agradar a homens, é contrabalançada por seu notável carinho e compaixão pelas pessoas que caíram e provocaram a ira de Deus. O profeta não apenas chora amargamente. Ele se recusa a ser confortado em função da ruína da filha do seu povo (22.4), bem como clama pelas nações estrangeiras, como por exemplo, por Moabe, as quais também despertam a sua compaixão e, igualmente, fazem o profeta pranteá-las com tristeza (15.5).
Isaías detesta o pecado, mas ele se condói muitíssimo diante do destino dos pecadores. Pela própria Babilônia, ele diz que está cheio de angústia, que dores se apoderaram dele como se fosse uma mulher em trabalho de parto, fazendo-o contorcer-se de dores, sem poder ouvir, desfalecendo sem poder enxergar. Seu coração cambaleia e o horror o amedronta e, à noite, quando deseja dormir, o profeta é tomado de tremores (21.3-4). E, na medida que ele se compadece com as calamidades e com os sofrimentos das nações, assim também ele abre seu coração e a sua compreensão para se alegrar com a prosperidade e a exaltação dessas nações, orando para que elas sejam admitidas no reino do Messias de Israel.
Isaías não demonstra qualquer tipo de preconceito, nem exalta o seu povo como raça privilegiada, nem mesmo como alvo das promessas de Deus. No entanto, ele não é tão cosmopolita assim, a ponto de ser destituído de patriotismo, ou de ver sem preocupação as coisas que afetam a prosperidade, a alegria e o bem-estar do seu país, da sua cidade e de seus compatriotas. Seja a Assíria e Efraim que planejam contra Judá, ou seja Senaqueribe que tenta invadir seu país, ele se mantém igualmente indignado e cheio do sentimento de que seu povo foi desrespeitado (7.5).
Contra a Babilônia, a devastadora que condenou à destruição a cidade de Jerusalém e assolou a Terra Santa, ele alimentou uma profunda hostilidade, a qual aparece em quase todos os capítulos do livro.
Considerações no Livro do Profeta Isaías
Parte 1
O nome de nascimento do grande profeta Isaías era Yesha’yãhü, o que significa “a Salvação de Jehovah”. Todavia, esse não era um nome incomum, sendo encontrado entre os levitas, ao tempo de Davi. A sua constituição encontra paralelo com outros nomes bíblicos daquele período. Por exemplo, Ezequias tinha como nome de nascimento Khizki’yãhü, o que significa “a Força de Jehovah”. Não obstante, o nome do grande profeta é, singularmente, apropriado, uma vez que “a Salvação de Jehovah” foi o objetivo para o qual Isaías foi especialmente vocacionado por Deus para proclamar.
Isaías era filho de Amoz, como ele mesmo afirma várias vezes em diversas passagens tais como 1:1, 2:1, 13:1. Entretanto, o nome do pai de Isaías não deve ser confundido com o do profeta Amós, os quais diferem tanto na letra inicial como na letra final em hebraico. Amoz, o pai de Isaías, era um dos irmãos do Rei Amazias, segundo a tradição judaica, embora tal tradição dificilmente pode ser comprovada, mesmo porque, se verdadeira, isso tornaria o profeta muito velho. Esse Amoz, provavelmente, não era, portanto, um homem que tenha tido alguma distinção na sociedade daquela época.
O profeta Isaías era casado, e sua esposa é conhecida como “a profetisa”. Contudo esse fato não necessariamente implica que a esposa do profeta tenha sido agraciada com o dom da profecia. Possivelmente, foi o mesmo que aconteceu com Débora e com Hulda, ou ela foi chamada de profetisa, simplesmente, por ser a esposa do profeta.
Isaías relata que tem dois filhos, Shear-jashub (Um-Resto-Volverá), o mais velho, e Maher-shalal-hash-baz (Rápido-Despojo-Presa-Segura), cujos nomes têm conexão com o seu ministério profético. O profeta diz também que teve uma visão “a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá”. Conseqüentemente, mesmo que Isaías tenha começado seu ministério profético na juventude, ele teria que ter nascido cerca de vinte anos antes da morte de Uzias, ou seja, em 779 a.C. Ele, seguramente, viveu até o décimo quarto ano de Ezequias, ou seja, até 714 a.C., e, provavelmente, viveu além desse rei o qual morreu em 699-8 a.C. Há também a possibilidade de Isaías ter vivido alguns anos do tempo de Manasses, filho de Ezequias. Assim, pode-se conjeturar que ele viveu no período de 780 a 690 a.C., o que lhe dá um tempo de vida de noventa anos.
Está também comprovado que Isaías era um judeu de boa posição social, viveu em Jerusalém e teve um relacionamento íntimo com os reis Acaz e Ezequias. Todavia, não há comprovação segura de que ele tenha freqüentado a Escola de Profetas, embora tivesse recebido o chamado divino para o ministério profético em tenra idade, possivelmente quando estava com cerca de vinte anos, conforme referido acima.
Isaías foi, ainda, historiador na corte, durante o reinado de Jotão e, também, no de Ezequias. Em função da sua habilidade como escritor, ele escreveu uma passagem sobre o reinado de Uzias, bem como uma outra, sobre Ezequias, para o Livro de Reis. Provavelmente, ele escreveu alguns relatos sobre o reinado de Jotão e de Acaz, embora isso não esteja explícito.
A principal atividade de Isaías era, no entanto, a de profeta e de pregador, tanto para os reis a quem serviu, como também para o povo de maneira geral. A composição das suas numerosas profecias, muitas se constituindo em verdadeiros poemas, devem ter mantido o profeta em contínua e grande ocupação durante a sua vida. Provavelmente, nem todas as suas profecias chegaram aos nossos dias, posto que o seu Livro tem características de um relato secionado, aparentando ser, talvez, uma compilação dos seus escritos originais.
No capítulo VI, Isaías registra o solene chamado que recebeu de Deus, justamente no ano em que morreu o Rei Uzias. Alguns estudiosos afirmam que essa foi a chamada original para o seu ministério profético. Todavia, a maioria não pensa assim, fundamentada no fato de que a chamada original de um profeta ocupa, naturalmente, o primeiro lugar dos seus escritos, não havendo razão alguma para Isaías ter relatado tal chamado no capítulo VI, quando deveria ter feito isso anteriormente. Conseqüentemente, considerando-se acertada a opinião da maioria, o chamado de Isaías não está, portanto, registrado no seu livro, o que não é de todo estranhável, uma vez que muitos outros profetas também deixaram de relatar os seus próprios chamados. Esse é o caso, por exemplo, dos profetas Joel, Daniel, Habacuque, Zacarias e Malaquias.
O nome de nascimento do grande profeta Isaías era Yesha’yãhü, o que significa “a Salvação de Jehovah”. Todavia, esse não era um nome incomum, sendo encontrado entre os levitas, ao tempo de Davi. A sua constituição encontra paralelo com outros nomes bíblicos daquele período. Por exemplo, Ezequias tinha como nome de nascimento Khizki’yãhü, o que significa “a Força de Jehovah”. Não obstante, o nome do grande profeta é, singularmente, apropriado, uma vez que “a Salvação de Jehovah” foi o objetivo para o qual Isaías foi especialmente vocacionado por Deus para proclamar.
Isaías era filho de Amoz, como ele mesmo afirma várias vezes em diversas passagens tais como 1:1, 2:1, 13:1. Entretanto, o nome do pai de Isaías não deve ser confundido com o do profeta Amós, os quais diferem tanto na letra inicial como na letra final em hebraico. Amoz, o pai de Isaías, era um dos irmãos do Rei Amazias, segundo a tradição judaica, embora tal tradição dificilmente pode ser comprovada, mesmo porque, se verdadeira, isso tornaria o profeta muito velho. Esse Amoz, provavelmente, não era, portanto, um homem que tenha tido alguma distinção na sociedade daquela época.
O profeta Isaías era casado, e sua esposa é conhecida como “a profetisa”. Contudo esse fato não necessariamente implica que a esposa do profeta tenha sido agraciada com o dom da profecia. Possivelmente, foi o mesmo que aconteceu com Débora e com Hulda, ou ela foi chamada de profetisa, simplesmente, por ser a esposa do profeta.
Isaías relata que tem dois filhos, Shear-jashub (Um-Resto-Volverá), o mais velho, e Maher-shalal-hash-baz (Rápido-Despojo-Presa-Segura), cujos nomes têm conexão com o seu ministério profético. O profeta diz também que teve uma visão “a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá”. Conseqüentemente, mesmo que Isaías tenha começado seu ministério profético na juventude, ele teria que ter nascido cerca de vinte anos antes da morte de Uzias, ou seja, em 779 a.C. Ele, seguramente, viveu até o décimo quarto ano de Ezequias, ou seja, até 714 a.C., e, provavelmente, viveu além desse rei o qual morreu em 699-8 a.C. Há também a possibilidade de Isaías ter vivido alguns anos do tempo de Manasses, filho de Ezequias. Assim, pode-se conjeturar que ele viveu no período de 780 a 690 a.C., o que lhe dá um tempo de vida de noventa anos.
Está também comprovado que Isaías era um judeu de boa posição social, viveu em Jerusalém e teve um relacionamento íntimo com os reis Acaz e Ezequias. Todavia, não há comprovação segura de que ele tenha freqüentado a Escola de Profetas, embora tivesse recebido o chamado divino para o ministério profético em tenra idade, possivelmente quando estava com cerca de vinte anos, conforme referido acima.
Isaías foi, ainda, historiador na corte, durante o reinado de Jotão e, também, no de Ezequias. Em função da sua habilidade como escritor, ele escreveu uma passagem sobre o reinado de Uzias, bem como uma outra, sobre Ezequias, para o Livro de Reis. Provavelmente, ele escreveu alguns relatos sobre o reinado de Jotão e de Acaz, embora isso não esteja explícito.
A principal atividade de Isaías era, no entanto, a de profeta e de pregador, tanto para os reis a quem serviu, como também para o povo de maneira geral. A composição das suas numerosas profecias, muitas se constituindo em verdadeiros poemas, devem ter mantido o profeta em contínua e grande ocupação durante a sua vida. Provavelmente, nem todas as suas profecias chegaram aos nossos dias, posto que o seu Livro tem características de um relato secionado, aparentando ser, talvez, uma compilação dos seus escritos originais.
No capítulo VI, Isaías registra o solene chamado que recebeu de Deus, justamente no ano em que morreu o Rei Uzias. Alguns estudiosos afirmam que essa foi a chamada original para o seu ministério profético. Todavia, a maioria não pensa assim, fundamentada no fato de que a chamada original de um profeta ocupa, naturalmente, o primeiro lugar dos seus escritos, não havendo razão alguma para Isaías ter relatado tal chamado no capítulo VI, quando deveria ter feito isso anteriormente. Conseqüentemente, considerando-se acertada a opinião da maioria, o chamado de Isaías não está, portanto, registrado no seu livro, o que não é de todo estranhável, uma vez que muitos outros profetas também deixaram de relatar os seus próprios chamados. Esse é o caso, por exemplo, dos profetas Joel, Daniel, Habacuque, Zacarias e Malaquias.
