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29 de set. de 2007

A Arte da Comunhão


Uma das reclamações mais frequentes em nossas igrejas é a falta de amizades sinceras, amor verdadeiro, relacionamentos profundos. Podemos ter uma boa estrutura eclesiástica, uma boa doutrina, uma boa música, bons programas, mas nada disso é suficiente para atender à necessidade humana de ser amado, aceito, acolhido, reconhecido e valorizado. Por um tempo, os programas ajudam a preencher este vazio. A música parece criar um clima saudável, o trabalho e a participação nos programas dão a sensação de que é disso que precisamos, porém, mais cedo do que imaginamos, nos vemos de novo frustrados com a superficialidade afetiva, a hipocrisia dos que nos cercam, a ausência de amizades sinceras e profundas.
A conversão é a transformação do "eu" solitário num "nós" comunitário. É o chamado para sermos amigos de Deus e dos nossos irmãos. As parábolas e imagens do reino glorioso de Cristo sempre envolvem mesas fartas, festas, multidão de todas as línguas, tribos, raças e nações. Paulo nos fala de uma nova família, um corpo. João nos fala de um rebanho e de uma cidade. Essas imagens revelam que o reino de Deus é o lugar onde as pessoas se encontram na comunhão festiva com Cristo.
Todavia, para muitos, a igreja não tem sido este lugar; pelo contrário, tem sido um lugar de desilusão, frustração e solidão. Um lugar de mágoas, ressentimentos e traições. Sei que existem aqueles que se sentem acolhidos e amados em suas comunidades, mas esta não é a regra geral. No entanto, mesmo os que se sentem bem, nem sempre experimentam uma verdadeira comunhão de amizade e de amor.
Grande parte do fracasso na comunhão deve-se aos falsos ideais e às fantasias que projetamos. Para Bonhoeffer, a comunhão falha porque o cristão traz em sua bagagem "uma idéia bem definida de como deve ser a vida cristã em comum, e se empenhará por realizar esta idéia... Qualquer ideal humano introduzido na comunhão cristã perturba a comunhão autêntica e há que ser eliminada, para que a comunhão autêntica possa sobreviver". Para ele, o ideal que cada um traz para a igreja acaba sendo maior que a própria comunhão e termina destruindo-a.
As imagens bíblicas de banquete, mesa farta cheia de amigos, nos ajudam a refletir melhor sobre o significado da comunhão e da amizade. Quem viu o filme, ou leu o livro “A Festa de Babette” percebe isto. Babette chega a um vilarejo na Dinamarca fugida da guerra civil em Paris e emprega-se na casa de duas filhas de um rígido pastor luterano. As irmãs seguem à risca os rigores da sua fé pietista, que as proíbe de qualquer prazer na vida, sobretudo o material. Um dia, Babette descobre que ganhou um prémio na loteria e, em vez de voltar para a França, onde havia sido uma exímia cozinheira em Paris, pede permissão para preparar um jantar em comemoração do centésimo aniversário do pastor.
Sob o olhar suspeito das irmãs, Babette prepara o banquete. Durante o jantar, o sabor de cada prato, o aroma do vinho, o prazer de cada mordida, foram lentamente quebrando a frieza, demolindo as antigas mágoas e transformando aquela mesa num encontro de corações libertos. Quando terminou, uma das filhas, Philippa, assustada pelo fato de que Babette teria usado toda a fortuna da loteria naquele jantar, disse: "Não deveria ter gasto tudo o que tinha por nossa causa". Depois de pensar um pouco, Babette respondeu: "Por sua causa?Não, foi por minha causa". Depois disse: "Sou uma grande artista". Após algum silêncio, Martine, a outra irmã, perguntou: "Então vai ser pobre o resto da vida, Babette?” Babette sorriu e disse: "Não, nunca vou ser pobre. Já lhes disse que sou uma grande artista. Uma grande artista nunca é pobre".
Comunhão e amizade é o trabalho de artistas. A riqueza de um artista nasce de sua capacidade de oferecer o melhor. Ao oferecer o melhor que podia, Babette abençoou a si e aqueles que provaram do seu dom. Na arte da construção da comunhão e da amizade, precisamos oferecer o que temos de melhor, seja uma boa refeição, ou uma boa música, uma boa conversa, ou um lindo sorriso. Não foi isto que Cristo fez?
Rev. Ricardo Barbosa de Sousa, pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto em Brasília.
28 de set. de 2007

Visita da Missionária Wytla à Primeirona


Esta é uma foto geral. A Missionária Wytla é da Congregação Presbiterial de Maravilha, AL. Aqui ela está pregando no culto de adoração, dia 23 de setembro passado. Veja a reportagem fotográfica na coluna ao lado.
27 de set. de 2007

Nunca vi nada tão sábio!


Um homem e uma mulher estavam casados por mais de sessenta anos. Eles tinham
compartilhado tudo um com o outro. Eles tinham conversado sobre tudo; não havia segredo entre eles, afora uma caixa de sapato que a mulher guardava em cima de um armário, e tinha avisado ao marido que nunca abrisse aquela caixa e nem perguntasse o que havia nela.
Assim, por todos aqueles anos, ele nunca nem pensou sobre o que estaria naquela caixa de sapato. Um dia a velhinha ficou muito doente, e o médico falou que ela não sobreviveria. Em vista disso , o velhinho tirou a caixa de cima do armário e a levou pra perto da cama da mulher. Ela concordou que era a hora dele saber o que havia naquela caixa. Quando ele abriu a tal caixa, viu duas bonecas de crochê e um pacote de dinheiro que totalizava 95 mil dólares. Ele perguntou a ela o que aquilo significava, e ela explicou: — Quando nós nos casamos, minha avó me disse que o segredo de um casamento feliz é nunca argumentar e não brigar por nada. E se alguma vez eu ficasse com raiva de você que eu ficasse quieta e fizesse uma boneca de crochê.
O velhinho ficou tão emocionado que teve que conter as lágrimas enquanto pensava: "somente duas bonecas preciosas estavam na caixa. Então, ela ficou com raiva de mim somente duas vezes por todos esses anos de vida e de amor."
— Querida — ele falou, — você me explicou sobre as bonecas, mas e esse dinheiro todo de onde veio? — Ah, — ela disse — esse é o dinheiro que eu ganhei com a venda das bonecas!!

ORAÇÂO
— Querido Senhor, eu oro para adquirir sabedoria para entender meu marido, amor para perdoá-lo e paciência para agüentar seu mau humor. Sim, Senhor Deus, porque, se eu orar pra ter forças, eu o mato de tanto bater, porque eu não sei fazer crochê.

"Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam."

Autor desconhecido – Enviado por Vera Neumman Monteiro
26 de set. de 2007

HOJE é o único dia


O dia do Deus da Verdade é, para o homem, o Dia Chamado HOJE.
O passado é uma lembrança. O futuro, uma fantasia.
É no Hoje que se pode verdadeiramente viver.
Além disso, o Hoje é a porta da eternidade no tempo.
Eternidade e Tempo se tocam no Momento-Hoje.
O passado é história de memórias feitas palavras e ou letras. E, portanto, pertence ao tempo que deixou de ser tempo e virou recordação.
O futuro é ficção, seja construído pela esperança, pela desesperança, pela indiferença, ou mesmo pela vontade de morrer — entretanto, para o homem, é apenas um sonho, uma fantasia boa ou má. A fantasia é o estelionato do que não sendo tenta passar pelo que é.
O Dia-Hoje é fé. Sim! Ele não é ficção porque É, existe. Ora, a fé é. É Certeza. É convicção. Desse modo, somente a fé serve ao Hoje, pois o Hoje é.
A verdade é. Deus é espírito. Deus é. Por isso, o encontro com Deus é Hoje, pois, o Hoje é o ponto no qual a verdade se manifesta como espírito. O espírito é. Hoje carrega espírito e verdade. Hoje, portanto, é para o homem o único dia passível de ser Dia de Deus.
Sendo Deus o Deus da Verdade, que outra relação poderia ter Ele com os homens senão no Hoje?
Afinal, por mais verdadeiro que o passado tenha sido, já não é. E por mais verdadeiro que um dia o futuro venha a ser exato em relação ao seu sonho no passado, ainda assim não é nada além de especulação, pois no dia em que se tem tal certeza, o futuro já não é futuro, mas presente, e, assim, já terá feito a si mesmo passado em relação a si mesmo, antes de virar presente. Portanto, passado e futuro não são. O passado por ter sido, e o futuro por ainda não ser. E, quando for, já não será, pois, terá se tornado passado.
O Hoje, portanto, é o único ponto no qual a verdade se manifesta.
Por isso, Jesus não aceitou o passado como avalista do Hoje, e nem acatou o futuro como significação do Presente.
Foi por esta razão que falou do passado com “porém” e avistou o futuro com “catástrofe”, e nem por isso deixou de verdadeiramente viver o Hoje sem saudades e sem ilusões.
Quem vive do passado não vive. Recordar não é viver; recordar é ter vivido.
Quem vive do futuro não vive. Projetar poder ser, mas ainda não é...; e, portanto, ainda não é vida, mas apenas uma projeção que pertence à fantasia.
A fé tem passado como esperança para hoje e tem futuro como certeza no agora. Assim, somente na fé — passado e futuro deixam de ser apenas memória e fantasia; pois, a fé atualiza tudo no Hoje, em verdade.
Por essa razão, em Jesus não há destino. Afinal, que destino há se a única realidade que é, o é no Hoje?
Na fé, o destino é Hoje; e, assim, se destina ao agora.
É por tal razão que, para Jesus, o significado de tudo está no Hoje.
Hoje é o dia. O único Dia. O resto não é.
É somente é Hoje.
NELE, nosso HOJE,
Caio Fábio d’Araújo Filho
25/09/07
Manaus, AM

A Morte


“Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor”. Romanos 14.8

Ao ler a Bíblia (NTLH), me deparei com este texto, em Eclesiastes 8.8 — Ninguém tem o poder de dominar o vento, nem segurá-lo. Assim também ninguém pode evitar a morte, nem deixá-la para outro dia. Nós temos que enfrentar esta batalha, e não há jeito de escapar.
O Pregador, autor do livro de Eclesiastes, fala aqui com muita clareza da inevitabilidade da morte. A existência humana é marcada com a espera do dia final de cada um de nós. Talvez você esteja se questionado se continuará a me ouvir, ou não.
Alguém já disse que a morte é o único assunto que não é mencionado nestes nossos tempos em que se fala de tudo. A tecnologia médica, o aumento da expectativa de vida dos cidadãos do mundo ocidental e o desejo ardente do ser humano pela imortalidade, tentam nos convencer que podemos vencer a morte. Porém, ignorar nossa mortalidade, não a afasta. As pessoas continuam morrendo, mesmo que tentem adiar o momento final.
Talvez não achemos difícil aceitar a morte como tal, visto que somos constantemente levados a encará-la em nosso meio ambiente. Mas, reconhecer que algum dia EU haverei de morrer, ou alguém bem próximo a mim, faz o assunto elevar-se da mera especulação acadêmica.
Fisicamente o ser humano morre como qualquer animal. Entretanto, é preciso lembrar que somente nós, humanos, temos consciência deste fato. Isto nos torna diferentes dos animais irracionais.
E a Bíblia? Como ela vê a morte? Precisamos conhecer a perspectiva bíblica sobre o assunto. Em primeiro lugar, a morte é vista como o juízo divino contra o pecado . Veja só em Romanos 6.23 — Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus , nosso Senhor (NVI).

Se a morte é conseqüência do pecado, então o poder da morte só poderá ser removido se o pecado for removido da vida humana. E o texto acima é claro em afirmar que recebemos a vida quando estamos em Cristo. Não existe outra alternativa. Sei que não cabe muito bem enfatizar a singularidade de Cristo nestes tempos relativistas. Diriam alguns que não é politicamente correto, ou no mínimo constrangedor, afirmar a mensagem da esperança humana somente em Cristo Jesus. Mas, nosso compromisso tem que ser com a verdade. E a verdade é essa: Só recebemos a vida eterna através do sacrifício de Cristo, na cruz do calvário.

Em segundo lugar, a cruz alterou a forma da morte. Para aqueles que confiam em Cristo, a morte não tem a palavra final. Temos uma esperança viva, que permanece mesmo quando o céu está nublado, quando nos encontramos desanimados e abatidos, quando o inevitável ocorre, somos renovados por esta ardente expectativa. A morte foi derrotada na morte de Cristo. Fora de Cristo a morte é o inimigo supremo, o símbolo da alienação de Deus. Porém, temos conosco a certeza das palavras de Jesus no Evangelho de João 5.24 — Eu lhes asseguro: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida.
A cruz de Cristo é a esperança da glória final. Jesus olhava além da sua morte, para a sua ressurreição, além dos seus sofrimentos, para a sua glória. A esperança da glorificação torna o sofrimento suportável. A perspectiva essencial a desenvolver é a do propósito eterno de Deus. — Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós (Romanos 8.18).

A cruz de Cristo é a prova do amor solidário de Deus, isto é, sua solidariedade pessoal e amorosa para conosco em nossa dor. Pois o verdadeiro aguilhão da morte não é o infortúnio em si, nem mesmo a sua dor ou a sua injustiça, mas, aparentemente, sermos abandonados por Deus. A dor pela perda é suportável, mas a aparente indiferença de Deus o não é. Às vezes, o vemos como alguém cansado de seus afazeres, tal como no filme “Deus é brasileiro”, tirando uma soneca numa cadeira de balanço celestial, enquanto milhões de pessoas morrem e outras tantas sofrem por isto. Pensamos em Deus, como um espectador, desfrutando seu isolamento das criaturas finitas.
É essa terrível caricatura de Deus que a cruz desfaz em pedaços. Não devemos vê-lo numa cadeira de balanço, mas numa cruz. O Deus que nos permite sofrer, ele próprio uma vez sofreu em Cristo, e continua a sofrer conosco e para nós hoje. Cristo carregou os nossos pecados e morreu a nossa morte por causa do seu amor e justiça.
E em último lugar, a morte é um ganho para os crentes, porque estarão mais perto de Cristo. Não falamos sobre isso como escapismo e rejeição à vida, mas como um anelo real de uma vida eterna com Deus, onde Ele enxugará toda lágrima e extirpará toda dor que arde em nosso coração.
Entre os crentes pode haver tristeza por causa da perda de um ente querido, mas essa tristeza é pela saudade que a pessoa deixa, e não o desespero pela incerteza do seu destino final. Em nosso coração existe a firme convicção de que nos encontraremos com Deus na glória.
No final dos anos 80, era moda entre alguns jovens evangélicos, o uso de um bottom com uma mensagem evangelística. Ele era bem grande e nele estava escrito: quem nasce uma vez, morre duas e quem nasce duas vezes, morre uma.
Isto significa dizer que aquele que nasce da carne, morre espiritualmente e fisicamente, porém, aquele que nasceu da carne e do Espírito, só morre fisicamente.
O céu parece não estar na agenda da igreja pós-moderna, que hereticamente o abandonou em troca das promessas anunciadas nas campanhas de fé, curas e prosperidade, carregadas do triunfalismo mundano, e não conforme o que a Escritura afirma.
Somos peregrinos e aguardamos a nossa pátria real. As ideologias humanas surgem e são suplantadas por outras. O homem sem Deus vive abatido e sem esperança. Nunca se viu um tempo como o nosso. A apatia do pós-modernismo permeia com pessimismo todo projeto humano. Os cristãos, por sua vez, são confiantes no futuro. Nossa esperança é um porto seguro onde podemos nos abrigar, em meio ao temporal do mundo.
Existe a firme certeza de que não seremos abandonados pelo caminho, que seremos preservados até o fim. Se nós crentes nos atrevemos a dizer, como na verdade o fazemos, que ao morrer vamos para o céu e que estamos seguros da salvação final, não é porque cremos que somos justos, nem porque somos fortes, nem auto-suficientes, mas, pelo contrário, porque confiamos no amor inalterável de Deus, no amor que jamais poderá nos desamparar.
Pr. Isaías Lobão Pereira Júnior
25 de set. de 2007

Eva, a Mãe de Todos


“Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão” (1 Timóteo 2:13,14)

Eva significa “mãe da vida”, ou seja, “mãe de todos os que têm vida”. Eva personifica todo o feminino na raça humana. Nela está escondido, como num grão, ou semente, toda a graça e independência de uma mulher, sua suscetibilidade a Satanás, mas, também, sua disposição para a fé. Adão personifica todo o masculino, e em geral o humano. O mundo, hoje, zomba da “costela de Adão”, contudo, graças a esse relato, aparentemente absurdo, o crente mais simples da igreja de Deus entende a relação entre os homens e as mulheres melhor do que o mais profundo filósofo que medita sobre a base de seus preconceitos pessoais.
Eva foi criada de Adão. Adão deve ser considerado como a origem e a essência do qual ela apareceu. Todavia, isso não significa que Adão a fez. Ainda que ela tenha procedido dele, foi Deus quem a criou. Por esta razão, ela também, antes de aparecer sobre a terra, existia no pensamento de Deus. Deus a viu, e porque a viu, a criou. Eva é o produto desta criação divina.
Eva nunca foi uma criança, uma filha, ou uma jovem. No instante da criação, ela estava diante de Adão no Paraíso, resplandecente e em plena maturidade feminina. Era uma mulher completa, cujas perfeições não eram devidas à cultura, ou à tradição, mas eram o produto da criação divina. A mulher não tem, pois, motivo para se queixar de não ser um homem, porque ela, como ele, é o resultado da atividade divina. O pensamento de Deus está expresso em seu ser feminino. É verdade que Adão existiu primeiro. Ele foi seu cabeça e a raiz da qual ela procedeu. Porém Adão não era viável sem ela. Estava em necessidade, e ela era a ajuda de que necessitava. Deus a criou como uma ajuda para ele. Na realidade, a ajuda e o sustento devem ser mútuos.
Satanás viu, imediatamente, que Adão podia ser seduzido mais facilmente através de Eva. Satanás reconheceu sua amabilidade e graça, porém também sua fragilidade natural. Ele se deu conta que ela poderia ser tentada. “Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”, diz o apóstolo Paulo. A mulher representa a graça humana em alto grau. O belo na natureza lhe entusiasma mais do que ao homem. Sua sensibilidade é mais viva e impressionável pelo concreto e pelo o atrativo. Não é, instintivamente, menos santa ou mais pecadora. Entretanto, era mais suscetível à tentação, porque estava, constitucionalmente, menos adaptada para oferecer resistência do que ele. Porém, não transgrediu sozinha, mas arrastou Adão com ela, ao pecado. Em vez de perdê-la nas mãos de Satanás, Adão se deixou atrair a ele por causa dela. A transgressão de Eva consiste no “pecado com o qual fez Adão pecar”.
Por acusa dele, a felicidade de Eva durou muito pouco. Tropeçou em seu primeiro passo. Adão não lhe estendeu a mão para resguardá-la, mas se deixou arrastar com ela. Agora, tinha que abandonar este magnífico Paraíso para entrar num mundo de espinhos e abrolhos. A angústia que precede o dar à luz aos filhos afetou seu ser gravemente. Perdeu a confiança em si mesma, confiança que Deus lhe havia dado. Agora, estaria sujeita ao domínio de outro.
Não sabemos quanto tempo Eva viveu, mas é provável que tenha vivido centenas de anos. Seus dias devem ter sido tediosos e cansativos, ocasionalmente cheios de dor. Havia sido gloriosa um tempo e tinha vivo, durante um curto período somente, na formosura do Paraíso. Ao ver-se lançada num mundo em que nada tinha sido provido para a mulher, deve ter sido um contraste terrível. Eva foi apartada de sua herança. Sua plenitude feminina foi completamente devastada.
Contudo, no profundo da alma desta mulher, Deus semeou a semente de uma fé gloriosa e, por meio dessa fé, permitiu que se levantasse novamente um céu diante dela. A semente desta mulher tentada haveria de esmagar a cabeça do tentador. Eva concentrou toda sua alma nessa promessa. De fato, quando Caim nasceu, supôs que este filho já era a semente prometida e exclamou: “Alcancei do SENHOR um varão”. Pobre Eva! A desilusão que se seguiu a essa esperança, quando depois dos anos a terra absorveu o sangue de Abel, deve ter sido muito amarga.
Não obstante, depois de séculos, os anjos de Deus reconheceram a semente dessa mulher no Filho de Maria. O Filho de Maria também era o filho de Eva. Nosso privilégio consiste em que podemos reconhecer este Menino de Belém em sua Manjedoura. Então, talvez relutantes, mas com uma clara esperança, podemos lembrar de Eva. Pensando nela, no Menino e em nós, podemos dizer: Eva, a “Mãe de todos”.
Abraham Kuyper
22 de set. de 2007

Preservação e Providência


Um dos aspecto da providência de Deus é chamado de "preservação". Tal aspecto nos diz que é Deus quem dá vida e existência a todas as suas criaturas e, além disso, é Ele quem "preserva" as suas vidas. Ele não faz isso somente em relação à criação bruta — bestas e pássaros, planetas e estrelas, pastos e árvores — mas também em relação aos homens, aos anjos e mesmo aos demônios. Leiam o Salmo 104.10-24 e Lucas 8.26-33. Assim, em Deus todas as criaturas vivem, se movem e têm sua existência como lemos em Atos 17.28 — pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.
Essa é uma grande verdade. Significa que nada existe sem que Deus esteja, constantemente, presente com e em tal coisa por seu poder onipotente, bem como esteja sempre a sustentando. As coisas não existem por si mesmas, mas por causa de Deus. Essa afirmação é verdade para cadeira sobre a qual estou sentado enquanto escrevo isto, bem como sobre o sol e a lua em seus respectivos cursos.
Isso também significa que a ordem e a harmonia na criação não são o resultado das assim chamadas leis naturais, mas o resultado da onipresença de Deus (o seu estar em todos os lugares), e seu poder onipotente. Primavera, verão, outono e inverno não vêm todo ano na mesma ordem por causa das "leis naturais", mas porque Deus fielmente as envia. Os planetas não obedecem às leis naturais, permanecendo em seus cursos, mas obedecem a Deus, que os guia e dirige.
Essa obra de Deus na criação é um dos meios pelos quais ele dá testemunho de si mesmo a todas as pessoas. Sobre isso, leiam Atos 17.24-28 e Romanos. 1.18-20. Não existe ninguém que será capaz de dizer a Deus, no dia do juízo final: — Eu não te conheci. — Por isso, eles serão inescusáveis, embora este testemunho de Deus na criação não seja uma revelação salvadora aos homens.
Vivendo no meio de tal testemunho do poder e da fidelidade de Deus, é vergonhoso que os homens não o louvem, como acusa Romanos 1.21 dizendo — porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato.
Isso é especialmente verdadeiro, porque Deus também os preserva e é providente para com eles. Em vez de glorificá-lo e serem gratos, eles se voltam para a idolatria e a imundícia, como Paulo aponta em Romanos 1.
A idolatria, portanto, não é uma busca a Deus, mas um afastar-se dele, e é uma evidência de que mesmo os pagãos conhecem algo do Deus verdadeiro. Ao afastarem-se dele, são entregues aos pecados mais grosseiros, especialmente ao pecado da homossexualidade, como está em Romanos 1.26-27 — Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.
Mas mesmo isso é evidência de que eles o conhecem. Esses pecados vis são a justa punição para a ingratidão de tais homens. Agindo como bestas, que não conhecem a Deus, eles se tornam piores do que elas, quando Deus os entrega aos pecados que até mesmo as bestas não cometem.
A presença de Deus e o seu poder preservador na criação são um testemunho maravilhoso para crente do Deus que ele conhece e ama em Cristo Jesus. Alguém que sabe que em Deus a pessoa vive, se move e têm sua existência, nunca temerá coisa alguma, e será eternamente grata, não somente porque Deus preserva e protege sua vida espiritual, mas também porque Deus lhe dá, dia a dia, vida e fôlego, como está em Atos 17.24-25 que afirma que o Senhor — não habita em santuários feitos por mãos humanas, nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais.
A pessoa que tem consciência dessa verdade morrerá em paz, na confiança que aquele que dá e preserva a vida também a tira, e que Deus é o Pai fiel do seu povo, mesmo na morte.
Rev. Ronald Hanko
21 de set. de 2007

No ritmo de Zoroastro


Certa ocasião, dei carona a uma pessoa. Eu estava ouvindo uma música de um cantor não-evangélico. De imediato, o carona se surpreendeu por eu estar ouvindo “música mundana”. E agora? Fui pego em flagrante delito espiritual? Creio que não. Tive de pacientemente explicar a diferença entre música mundana e música evangélica. Ele não se dava conta de que na verdade estava seguindo o ritmo de Zoroastro.
Zoroastro, também chamado Zaratustra, foi o sábio persa que sistematizou um dualismo complexo, de abrangência metafísica (a crença em dois princípios co-eternos, incompatíveis e antagônicos: o reino do bem e o reino trevas), cosmológica (criação – anticriação), ética (bem – mal) e antropológica (corpo – espírito). Esse dualismo radical influenciou o pensamento grego, além de influenciar duas correntes de pensamento que rivalizam com o cristianismo pós-apostólico: o gnosticismo e o maniqueísmo. Sua proposta era ambiciosa: libertar a alma (a centelha divina) que havia sido aprisionada no corpo físico, pertencente ao reino do mal.
Ao longo da história, a igreja precisou se defender do dualismo, reafirmando que Deus é criador tanto da matéria quanto do mundo espiritual; que o ser humano não é uma alma aprisionada no corpo, mas um ser tanto físico quanto espiritual. Não somos somente “alma”, somos um composto de corpo e alma. Na ressurreição, alma e corpo voltam a se encontrar. O ser humano integral voltar a viver em sua plena natureza.
Há, porém, um ponto em que o dualismo também era nocivo: na luta entre o Bem e o Mal, a individualidade do ser humano era praticamente ignorada, ou desprezada. O indivíduo era tão-somente um agente passivo, influenciado quer pelo Bem quer pelo Mal, um joguete nas mãos dos deuses, como cantado pelo Abba em “The winner takes all” [O vencedor leva tudo].
Não é difícil perceber que no meio evangélico muitos se deixaram influenciar por esse dualismo. Muitos vivem uma ética nos moldes do zoroastrismo. Isso fica evidente na sua concepção de mundanismo. O termo é empregado para indicar especialmente tudo o que não é evangélico. Assim, música mundana é música que não louva a Deus, ou não é gravada por evangélicos. Se não for de Deus, é automaticamente do Diabo.
É preciso nos libertar desse dualismo. As Escrituras fornecem um caminho para por fim a isso. Veja, por exemplo, o uso da palavra “doutrina”. Três tipos de doutrina são apresentados:
1. de Deus – provém diretamente dos céus; é o bom conteúdo da fé (Mt 22.33; At 13.12);
2. de demônios – esse tipo deve ser evitado a todo custo, são ensinamentos que contradizem a verdadeira fé e conduzem a toda tipo de prática contrária à vontade de Deus (1 Tm 4.1);
3. de homens – é concebido por homens em prol de interesses próprios; reflete-se também em usos e costumes (Mt 15.9; 16.12; Cl 2.22); não é nem divino nem diabólico; é humano, demasiadamente humano.
Seguindo esse raciocínio, podemos afirmar que há três modalidades de música:
1. divina – canta as coisas de Deus, reflete os padrões do reino dos céus, inspira o louvor e a adoração do Altíssimo;
2. demoníaca – é mundana, pois trabalha contra Deus e seus valores; que incita as obras da carne e todo tipo de prática antibíblica;
3. humana – não tem necessariamente nenhuma relação com as outras duas; aqui, a individualidade e o talento humanos são preservados, evitando dissolvê-los numa eterna luta entre o Bem e Mal; aqui, o ser humano fala de si mesmo, de suas inquietações, frustrações, desejo etc.
Para saber se uma música é realmente mundana, é preciso definir o que é mundanismo. Essa palavra vem de “mundo”. Nas Escrituras, a palavra “mundo” (do grego kósmos) tem diversas acepções, entre as quais destacamos:
1. o universo físico ordenado (Jo 17.5; Rm 1.20);
2. a humanidade (Jo 3.16);
3. sistema anti-Deus, com suas atitudes corrompedoras, como aquelas alistadas por Paulo aos gálatas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, rixas, ciúmes, ira, discussões, discórdia, divisões, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas (Gl 5.19-21).
É na terceira acepção que encontramos o que vem a ser o “mundanismo” do qual os cristãos devem se afastar. Trata-se do kósmos que é caracterizado por atitudes que desonram a Deus, ao próximo e ao próprio indivíduo. O mundanismo é uma aversão a Deus e aos seus preceitos. Esse era o “mundo” ao qual Tiago se referiu: “Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, quem quiser ser amigo do mundo coloca-se na posição de inimigo de Deus” (Tg 4.4). Ele então enumera as seguintes atitudes mundanas: guerras (v. 1), lutas (v. 1), cobiçais (v. 2), soberba (v. 6), fofoca ou maledicência (v. 11). Esses mesmos elementos foram alistados pelo apóstolo João (1Jo 2.15-17). É desse mundo, desse sistema anti-Deus, que a Igreja deve se proteger. O mundanismo está mais presente em nosso meio do que julga nosso inútil autoconceito triunfalista e separatista.
Então, o que é música mundana? É toda e qualquer música que reflete o mundanismo. Sendo assim, nem toda música composta, ou cantada, por não-cristãos é mundana, mas somente as que transmitem mensagens que contrariam a vontade de Deus. Não dá para colocar no mesmo bojo o mestre Gonzaguinha com a sua belíssima música “O que é o que é” (Eu fico com a pureza da resposta das crianças/ É a vida, é bonita e é bonita/ Viver, e não ter a vergonha de ser feliz/ Cantar e cantar e cantar/ A beleza de ser um eterno aprendiz/ Ah, meu Deus, eu sei, eu sei/ Que a vida devia ser bem melhor e será/ Mas isso não impede que eu repita/ É bonita, é bonita e é bonita) com a intragável “Na boquinha da garrafa”, da Cia. do Pagode. Fala sério!
O dualismo é um empecilho para que se reconheça que o homem e mulher foram feitos à imagem e à semelhança de Deus (Gn 1.26, 27). Isso significa que o ser humano é dotado de certas habilidades e talentos inerentes à sua condição de ser racional. Além de racional, também somos seres estéticos. Apreciar o belo nas produções artísticas é algo que nos foi concedido por Deus. A racionalidade confere ao ser humano autonomia para desenvolver dons e talentos naturais. Para alguém ser um bom músico, portanto, não precisa ser cristão, nem falar de coisas que digam respeito à fé cristã. A música de um não-cristão não deve ser tomada automaticamente por “mundana” ou “demoníaca”. É simplesmente um produto do talento humano. Esse talento pode ser canalizado para a adoração a Deus (música sacra), aos interesses do reino das trevas (músicas que incitem à devassidão, que promovam a idolatria ou à religião falsa) ou mesmo para falar de coisas próprias ao gênero humano, como a vida, o amor e outras coisas belas. Por meio da música, pode-se expressar alegria, tristeza, gratidão, anseios e expectativas. É o coração se derramando nos acordes musicais. Isso não é mundanismo. É humano, demasiado humano. E, por que não dizer, divino?
Aldo Menezes
20 de set. de 2007

Fé: uma crença ilógica no que não se pode provar?


Eu gostaria de saber se há outra virtude cristã mais mal compreendida do que a fé. Comecemos com dois aspectos negativos.
Primeiro, fé não é credulidade. O americano H.L. Menvhekn, crítico do cristianismo, certa vez afirmou que “a fé pode ser definida concisamente como sendo uma crença ilógica na ocorrência do improvável”. Mas Menvhekn errou: Fé não é credulidade. Ser crédulo é ser ingênuo, completamente desprovido de qualquer crítica, sem discernimento, até mesmo irracional, no que crê. Contudo, é um grande erro supor que a fé e a razão são incompatíveis. A fé e a visão são postas em oposição, uma à outra, nas Escrituras, mas nunca a fé e a razão. Pelo contrário, a fé verdadeira é essencialmente racional, porque se baseia no caráter e nas promessas de Deus. O crente em Cristo é alguém cuja mente medita e se firma nessas certezas.
Em segundo lugar, fé não é otimismo. Nisso é que parece que Normam Vicent Peale se confundiu. Muito do que ele escreveu é certo. Sua convicção básica refere-se ao poder da mente humana. Ele cita William James, que disse que “a maior descoberta desta geração é saber que os homens podem mudar suas vidas alterando suas atitudes mentais”, e Ralph Waldo Emerson, “o homem é o que pensa durante todo o dia”. Assim, o Dr. Peale desenvolve sua tese sobre o pensamento positivo, o qual ele acaba por igualar (erradamente) com a fé. O que é precisamente essa “fé pela qual advoga?” Seu primeiro capítulo do livro O Poder do Pensamento Positivo tem o significativo título de “Tenha Confiança em Si Mesmo”. No capítulo 7 (“Espere sempre o Melhor e Consiga-o”) ele faz uma sugestão que garante que dará certo. Leia o Novo Testamento, diz ele, destaque “uma dúzia de conceitos sobre a fé, os que mais gostar”, e procure memorizá-los. Que esses conceitos de fé permeiem sua mente consciente. “Repita-os muitas vezes. Eles se impregnarão em seu subconsciente e esse processo o transformará num crente”. Até que isto parece ser algo promissor. Mas, espere um pouco. Quando a Bíblia se refere ao “escudo da fé”, prossegue ele, ela está ensinando uma “técnica de força espiritual”, a saber, “fé, crença, pensamento positivo, fé na vida. Esta é a essência da técnica que ela ensina”. O Dr. Peale prossegue citando alguns versículos maravilhosos, tais como “se podes! Tudo é possível ao que crê”; “se tiverdes fé...nada vos será impossível”, e “faça-se-vos conforme a vossa fé”. Mas, então ele estraga tudo, ao explicar este último texto da seguinte maneira: “de acordo com a fé que você tiver em si mesmo, em seu emprego, em Deus, é o que terá e não mais do que isso”.
Estas citações bastam para mostrar que o Dr. Peale aparentemente não faz nenhuma distinção entre a fé em Deus e a fé em si mesmo. De fato, o que ele demonstra é não se preocupar absolutamente com o objeto da fé. Ele recomenda, como parte de seu sistema de acabar com as preocupações, que a primeira coisa a fazer todas as manhãs, ao acordarmos e antes de nos levantarmos, é dizer em voz alta “eu creio!” três vezes; mas ele não nos diz em que devemos estar afirmando que cremos com tanta confiança e insistência. As últimas palavras de seu livro são simplesmente “tenha, pois, fé, e viverá feliz”. Mas fé em que? Crer em quem? Para o Dr. Peale a fé não passa de mais uma palavra para exprimir autoconfiança, ou um exagerado e não fundamentado otimismo. Ouvi dizer que o Dr. Peale mudou seu ponto-de- vista depois de ter escrito este livro, mas o livro acha-se ainda em circulação, e sendo lido. E nesse livro parece estar bem claro que o seu pensamento positivo é, no fim das contas, meramente um sinônimo para “fé naquilo que a gente quer que seja verdade”.
O mesmo se pode dizer com relação ao Sr. W. Clement Stone, o filantropista e fundador de “Atitudes Mentais Positivas”. “De simples homens comuns fazemos super-homens”, diz ele, pois desenvolveu “a técnica de vendas para acabar com todas as técnicas de vendas”. Porque "você pode até mesmo vender-se a si próprio, recitando da mesma maneira como fazem os vendedores da AMP todas as manhãs: “estou contente, tenho saúde, sou o máximo!”
Mas a fé cristã é bem diferente do “pensamento positivo” de Peale e das “atitudes mentais positivas” de Stone. Fé não é otimismo.
Fé é uma confiança racional, uma confiança que, em profunda reflexão e certeza, conta o fato de que Deus é digno de todo crédito. Por exemplo, quando Davi e seus homens voltaram a Zicagle, antes dos filisteus terem matado Saul na batalha, um terrível espetáculo os aguardava. Na sua ausência os amalequitas tinham saqueado a sua aldeia, incendiando as suas casas e levado cativas as suas mulheres e crianças. Davi e seus homens choraram “até não terem mais forças para chorar” e então, na sua amargura, o povo cogitou de apedrejar a Davi. Era uma crise séria, e Davi facilmente poderia ter-se deixado cair no desespero. Mas, em vez disso, lemos que “Davi se reanimou no Senhor seu Deus”. Esta era uma fé verdadeira. Ele não fechou seus olhos aos fatos. Nem tentou criar sua própria autoconfiança, ou dizer a si mesmo que se sentia realmente muito bem. Não. Ele se lembrou do Senhor seu Deus, o Deus da criação, o Deus da aliança, o Deus que prometeu ser o seu Deus e colocá-lo no trono de Israel. E, à medida que Davi se recordava das promessas e da fidelidade de Deus, sua fé crescia e se fortificava. Ele “se reanimou no Senhor seu Deus”.
Assim, pois, a fé e o pensamento caminham juntos, e é impossível crer sem pensar. CRER É TAMBÉM PENSAR!
O Dr. Lloyd-Jones deu-nos um excelente exemplo neo testamentário desta verdade no comentário que fez de Mateus 6:30 em seus Studies in the Sermon on the Mount (Estudos sobre o Sermão da Montanha): “Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé”?
A fé, de acordo com o ensinamento do nosso Senhor, neste parágrafo, é basicamente o ato de pensar, e todo o problema de quem tem uma fé pequena é não pensar. A pessoa permite que as circunstâncias o oprimam... temos de dedicar mais tempo ao estudo das lições de nosso Senhor sobre a observação e dedução. A Bíblia está repleta de lógica, e não é algo meramente místico. Nós não nos sentamos simplesmente numa poltrona, permanecendo à espera de que coisas maravilhosas nos aconteçam. Isso não é fé cristã. A fé cristã é, em sua essência, o ato de pensar. Olhem para os pássaros, pensem neles, e façam suas deduções. Vejam os campos, vejam os lírios silvestres, considerem essas coisas... A fé , se quiserem, pode ser definida assim: — É insistir em pensar quando tudo parece estar determinado a nos oprimir e a nos pôr por terra, intelectualmente falando. O problema com as pessoas de pequena fé é que elas, em vez de controlarem seus próprios pensamentos, os seus pensamentos é que são controlados por alguma circunstância e, como se diz, elas passam a rodar em círculos,( “tocando de roda” como diz o mineiro). Isso é a essência da preocupação... Isso não é pensamento; isso é ausência completa de pensamento, é não pensar.
Antes de deixar este assunto, que trata do que compete à mente na fé cristã, gostaria tão somente de abordar as duas ordenanças do Evangelho: o batismo e a ceia do Senhor. Porque ambas são símbolos cheios de significado, destinados a trazer bênçãos aos cristãos, despertando-lhes a fé nas verdades que simbolizam. Consideremos a ceia do Senhor, por exemplo. Em seu aspecto mais simples, é uma visível dramatização da morte do Salvador pelos pecadores. É uma recordação racional daquele evento. Nossas mentes têm que trabalhar em torno do seu significado e apropriar-se da certeza que nos oferece. O próprio Cristo fala-nos através do pão e do vinho. “Morri por vós”, diz ele, e ao recebermos sua palavra, ela deve trazer paz a nossos corações culpados.
Desta forma, Thomas Cranmer escreveu que a ceia do Senhor “foi ordenada com este propósito, que toda pessoa dela participando, no comer e no beber, se lembre de que Cristo morreu a seu favor, e exercite sua fé, confortando-se na lembrança dos benefícios que Cristo lhe propiciou”.
A segurança cristã é a “plena certeza da fé”. E se a certeza decorre da fé, a fé decorre do conhecimento, do seguro conhecimento de Cristo e do Evangelho. Como o expressou o bispo J.C. Ryle: “Uma grande parte de nossas dúvidas e de nossos temores provém de sombrias percepções do que seja a real natureza do Evangelho de Cristo... a raiz de uma religião feliz é um claro, preciso e bem definido conhecimento de Jesus Cristo”.
John Stott
19 de set. de 2007

Cristãos Amam a Luz


1 João 1:6 - Se dissermos que mantemos comunhão com Ele, e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.
“Luz” e “trevas” são termos freqüentemente empregados na Bíblia para enfatizar o extremo contraste entre Deus e Satanás, e entre aquelas coisas que Deus ama e aquelas coisas que Satanás ama. Deus ama a verdade, da qual Ele mesmo é o único autor. Satanás é o “pai das mentiras”, o autor de toda inverdade. Deus ama a santidade e a justiça, da qual Ele é a fonte. Satanás é o originador do pecado em rebelião contra Deus. Simplesmente, não pode haver um erro maior do que atribuir trevas a Deus e ou luz a Satanás. Dizer, por exemplo, que Deus é “a favor” do direito de uma mulher escolher assassinar seu filho ainda não nascido, ou que Satanás está atrás das tentativas de eliminar o aborto da proteção legal, é representar Deus erroneamente e em termos grosseiros. É blasfêmia! É chamar Deus de “Satanás” e Satanás de “Deus”.
O mesmo tipo de coisa ocorre quando é sugerido que Deus “olha o outro lado”, quando maridos defraudam suas esposas, pois Ele entende que “os homens serão sempre homens”. Bobagem! Deus é extremamente claro: Ele julgará os fornicadores e os adúlteros (Hebreus 13:4). Há quase inumeráveis outras formas nas quais a luz e as trevas são regularmente confundidas e mal-representadas em nossa cultura. Precisamos desesperadamente de um senso mais acurado de quão grande coisa é mal-representar a Deus!
Neste sentido, precisamos também de um entendimento mais acurado dos caracteres transformados de todos aqueles seres humanos que receberam a graça especial de Deus em Cristo. Esta transformação é asseverada em Efésios 5:8 – “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor”. Por natureza, estas pessoas amavam muito as trevas. Eles preferiam viver no reino da inverdade e na indulgência carnal. Elas gostavam de dizer que se algo parecesse natural, desse prazer e não “machucasse” ninguém, Deus aprovaria. Elas ignoravam, deliberadamente, o fato de que a lei de Deus proibia o que elas estavam fazendo. Mas, quando a graça de Deus veio e fez Cristo precioso aos seus corações, tudo isto mudou.
A luz de Deus, agora, expôs seus pensamentos e práticas, e eles se arrependeram deles. Na luz de Cristo (a luz da Palavra), eles reconheceram a beleza de Deus, a excelência e desejabilidade de tudo o que Deus ordenou, e a danosidade de tudo o que Ele proíbe. Não perfeitamente, mas com resolução, eles começam a buscar a luz. Nas palavras do texto do início deste artigo: eles começam a andar na luz onde Deus está.
Nossos dias são dias de acomodação, mesmo dentro da igreja. Simplesmente, não é politicamente aceitável fazer declarações discriminatórias com respeito ao caráter e comportamento humano. Contudo, Deus faz tais declarações em Sua Palavra, e nós faremos bem em atendê-las. 1 João 1:6 é um exemplo claro. Se professarmos conhecer e amar a Deus, enquanto nossas vidas são marcadas pelo amor e pela prática das trevas, mentimos para nós mesmos e para os outros. Deus faz com que Seus filhos O amem, e por causa disso, amem a luz e odeiam as trevas.
Você precisa que Cristo produza esta transformação em você? Chame por Ele, então! Ninguém pode fazê-lo, exceto Cristo! E Ele está disposto a isso!
Pastor Gary W. Hendrix
18 de set. de 2007

Uma Corrente Dourada de Cinco Elos


“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Romanos 8.29-30).

Para muitos cristãos, o verso 28 anterior à passagem acima é uma das afirmações mais confortantes em toda a Palavra de Deus. A razão é óbvia. Ele nos diz que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Isto é, Deus tem um grande e bom propósito para todos os cristãos e Ele está trabalhando em todas as muitas circunstâncias das nossas vidas a fim de alcançar tal propósito.
Maravilhoso como este verso é, os versos que seguem são ainda mais maravilhosos, por dizerem como Deus cumprirá o seu propósito e nos lembra que é o próprio Deus quem o cumpre. O último lembrete é a base para o que comumente é conhecido como “segurança eterna” ou “a perseverança dos santos”.
Algum tempo atrás, eu soube de uma história divertida, e aparentemente real. Em 1966, o santo e místico hindu Rao anunciou que ele caminharia sobre a água. Isto atraiu bastante atenção, e no dia marcado para o evento, uma imensa multidão se reuniu ao redor de um grande tanque em Bombaim, Índia, onde tudo iria ocorrer. O iluminado, cheio de devoção, preparou-se para o milagre e então caminhou em direção à beira do tanque. Um silêncio solene desceu sobre os observadores reunidos. Rao olhou rapidamente para o céu, andou em direção à água, e então imediatamente afundou dentro do tanque. Resmungando, completamente molhado, e furioso, ele emergiu da piscina e voltou-se raivosamente para a multidão embaraçada. “Um de vocês”, ele disse, “é um incrédulo”.
Felizmente, nossa salvação não é algo assim, porque se fosse, nunca aconteceria. Em assuntos espirituais, somos todos incrédulos. Nós somos fracos na fé. Mas nós somos ensinados nestes versículos de Romanos que a salvação não depende de nossa fé, embora ela seja necessária, mas dos propósitos de Deus.
E é da mesma forma a respeito do amor. O apóstolo já disse que em todas as coisas Deus trabalha para o bem daqueles que O amam. Mas temendo que, de alguma forma, imaginemos que a força do nosso amor é o fator determinante na salvação, Paulo nos lembra que nosso lugar neste ótimo fluxo de eventos não é baseado em nosso amor por Deus, mas no fato de que Ele tem fixado Seu amor sobre nós.
De que formas Deus nos amou?
Deixe-me mostrar os modos.
Estes versos nos introduzem a cinco grandes doutrinas: (1) Conhecimento de antemão, (2) predestinação, (3) Chamado eficaz, (4) Justificação, e (5) Glorificação. Estas cinco doutrinas são tão fortemente conectadas que têm sido chamadas correta e acuradamente como “um corrente dourada de cinco elos”. Cada elo é forjado no céu. Isto é, cada um descreve algo que Deus faz e não abre mão de o fazer. É por isto que John R. W. Stott as chama de “cinco irrefutáveis afirmações”. As duas primeiras têm relação com o eterno conselho de Deus, ou determinações passadas. As duas últimas estão concentradas naquilo que Deus fez, está fazendo, ou fará conosco. O termo do meio (chamados) conecta o primeiro e o último par.
Estas doutrinas seguirão de eternidade para eternidade. Como resultado, não existe maior expressão da maravilhosa atividade salvadora de Deus em toda a Bíblia.

Pré-Conhecimento Divino
O mais importante destes cinco termos é o primeiro, mas surpreendentemente (ou não tão surpreendente, uma vez que nossos caminhos não são os caminhos de Deus, nem Seus pensamentos nossos pensamentos), é o mais mal-entendido. É composto de duas palavras separadas: “pré”, que significa “de antemão”, e “conhecimento”. Isto tem tomado o significado de que, já que Deus conhece todas as coisas, Deus conhece de antemão aqueles que crerão nEle e aqueles que não crerão, e como resultado disso, Ele predestinou para a salvação aqueles a quem Ele previu que crerão nEle. Em outras palavras, o que Deus conhece de antemão, ou prevê, é a fé das pessoas
Presciência é uma idéia tão importante que precisamos examinar, cuidadosamente, o sentido em que ela é usada na Bíblia. Em primeiro lugar, o versículo não diz que Deus conheceu de antemão especificamente o que suas criaturas fariam. Não está falando, portanto, sobre ações humanas. Pelo contrário, está falando inteiramente de Deus e do que Deus faz. Cada um destes cinco termos seguem esta forma: Deus conheceu de antemão, Deus predestinou, Deus chamou, Deus justificou, Deus glorificou. Mais ainda, o assunto da presciência divina não são as ações de certas pessoas, mas as próprias pessoas. Neste sentido, pode apenas significar que Deus fixou uma atenção especial sobre estes, ou os amou de forma salvífica.
Este é o modo em que o termo freqüentemente é usado no Antigo Testamento. Amós 3.2, por exemplo. A Versão King James traduz literalmente as palavras de Deus aqui, usando o verbo “conhecer” (Hebreu yada) – “De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido; portanto eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades”. Mas a idéia da eleição neste contexto é tão óbvia que a NVI realça o sentido do texto ao traduzir “Escolhi apenas vocês de todas as nações da Terra...”
E há outro problema. Se o palavreado significa que Deus conheceu de antemão o que as pessoas farão em resposta a Ele, ou à pregação do Evangelho, e então determina seus destinos baseado nisto, o que, digam-me, Deus poderia ver ou pré-conhecer a não ser uma determinada oposição, da parte de todos os homens? Se os corações dos homens e mulheres são tão depravados quanto Paulo ensinou que eles são – se é verdade que “ ’Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus’” (Romanos 3.10-11) – como haveria alguma chance de Deus prever em algum coração humano algo a não ser descrença?
John Murray apresenta isto de uma forma complementar, mas levemente diferente: “Mesmo se fosse garantido que ‘conhecer de antemão’ significa a presciência da fé, a doutrina bíblica da eleição não é necessariamente eliminada ou refutada. Pois é certamente verdade que Deus prevê a fé; Ele prevê tudo que virá a acontecer. A questão, então, simplesmente seria: em que ponto origina-se esta fé que Deus prevê? E a única resposta bíblica é que a fé que Deus prevê é a fé que Ele mesmo cria (cf. João 3.3-8; 6.44,45,65; Efésios 2.8; Filipenses 1.29; 2 Pedro 1.2). Assim, Sua eterna presciência da fé é pré-condicionada por Seu decreto de gerar esta fé naqueles a quem Ele previu como crentes”.
Pré-conhecimento significa que a salvação tem sua origem na mente, ou eternos conselhos de Deus, não no homem. Isto coloca nossa atenção no amor seletivo de Deus, de forma que algumas pessoas são eleitas para ser conformes à imagem de Jesus Cristo, que é aquilo que Paulo já havia dito.

Presciência e Predestinação
A objeção principal a este entendimento de presciência é que, se está correto, então presciência e predestinação (o termo que segue) significam a mesma coisa e Paulo, portanto, seria redundante. Mas os termos não são sinônimos. Predestinação nos leva a um passo adiante.
Como presciência, predestinação é composta de duas palavras separadas: “pré”, significando de antemão, e “destino” ou “destinação”. Isto significa determinar o destino de uma pessoa de antemão, e este é o sentido em que se difere da presciência. Como já vimos, conhecer de antemão significa fixar o amor sobre alguém ou o eleger. Isso não nos informa qual o destino para onde os escolhidos serão levados. Isso é o que a predestinação supre. Ela nos conta que, tendo firmado seu amor seletivo sobre nós, a seguir Deus nos designa para sermos “conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. Ele faz isso, como os próximos termos apresentam, ao chamar, justificar e glorificar estes que escolheu.
D. Martyn Lloyd Jones nos mostra que a palavra grega que é traduzida como “predestinou” tem em seu radical a palavra para “horizonte” (grego, proorizo). O horizonte é uma linha divisória, demarcando e separando o que nós podemos ver daquilo que não podemos ver. Tudo além do horizonte está em uma categoria; tudo antes do horizonte está em outra. Lloyd Jones sugere, portanto, que o significado da palavra é que Deus, tendo conhecido de antemão certas pessoas, as tira da categoria alienada e as coloca dentro do círculo de Seus propósitos salvíficos. “Em outras palavras”, ele diz, “Ele marcou um destino particular para eles”.
Este destino é se tornar como Jesus Cristo.

Dois tipos de Chamado
O próximo passo nesta corrente de cinco elos é o que os teólogos chamam de chamado eficaz. É importante usar o adjetivo eficaz neste ponto, porque há dois tipos de chamados referidos na Bíblia, e é fácil se confundir quanto a eles.
Um tipo de chamado é externo, geral e universal. É um convite aberto a todas as pessoas a se arrependerem de seus pecados, voltarem-se ao Senhor Jesus Cristo, e serem salvas. É isto que Jesus disse quando falou “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28). Ou também, quando ele diz “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba” (João 7.37). O problema com este tipo de chamado é que, por sua própria conta, nenhum homem ou mulher jamais responderá positivamente. Eles ouvem o chamado, mas dão as costas, preferindo seus próprios caminhos, em vez do caminho de Deus. É por isto que Jesus também diz que “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (João 6.44).
O outro tipo de chamado é interno, específico e efetivo. Isto é, não somente faz o convite, como também providencia a habilidade ou desejo de responder positivamente. É a atração de Deus para Si mesmo, ou o trazer à vida espiritual aquele que sem este chamado continuaria morto e distante dEle.
Não há maior ilustração disso que o chamado de Jesus para Lázaro, irmão de Maria e Marta, que havia morrido quatro dias antes. Lázaro em seu túmulo é um retrato de todo ser humano em seu estado natural – morto de corpo e alma, amarrado com faixas, deitado em uma tumba, selada por uma grande pedra. Vamos chamá-lo de volta: “Lázaro, Lázaro. Vem para fora, Lázaro. Nós queremos você de volta. Nós sentimos sua falta. Se você apenas se levantasse pra fora dessa tumba e voltasse para nós, você verá que nós estamos todos ansiosos por ter você de volta. Ninguém aqui irá pôr qualquer empecilho no seu caminho”.
O quê? Lázaro não virá? Ele não quer estar conosco?
O problema é que Lázaro não tem a capacidade de voltar. O chamado é dado, mas ele não pode vir.
Ah, mas deixe Jesus tomar lugar diante do túmulo. Deixe Jesus dizer “Lázaro, vem para fora”, e a história é bastante diferente. As palavras são as mesmas, mas agora o chamado não é um mero convite. É um chamado eficaz. O mesmo Deus que originalmente chamou a criação do nada está agora chamando a vida da morte, e Seu chamado é ouvido. Lázaro, mesmo que estivesse morto há quatro dias, ouve Jesus e obedece à voz do Mestre.
É assim que Deus chama aqueles que ele conheceu de antemão e predestinou à salvação.

Chamado e Justificação
O próximo passo na grande corrente divina de atos salvíficos é a justificação. Resumidamente, é um ato judicial pelo qual Deus declara pessoas pecadoras como justas diante dEle, não baseado em seus próprios méritos, por eles terem feito algo, mas com base naquilo que Cristo fez por eles, por morrer em seus lugares na cruz. Jesus carregou seus castigos, tomando sobre si a punição pelos pecados dessas pessoas. Tendo sido punidos estes pecados, Deus então imputa a perfeita justiça de Jesus Cristo na conta deles.
O que precisa ser discutido aqui é a relação do chamado eficaz com a justificação. Ou, colocando na forma de uma questão: Por que Paulo coloca o chamado neste lugar da corrente? Por que chamado vem entre conhecimento e predestinação de um lado, e justificação e glorificação no outro?
Existem duas razões.
Primeiro, o chamado é o ponto em que as coisas determinadas de antemão na mente e no conselho de Deus entram no tempo. Nós falamos de “pré” conhecimento e “pré” destinação. Mas estas duas referências ao tempo só têm significado para nós. Estritamente falando, isso não é um instante de tempo em Deus. Porque o fim é o começo, e o começo é o fim, “antemão” e “pré” nada significam para Ele. Deus simplesmente “conhece” e “determina”, e isso eternamente. Mas o que Ele já decretou na eternidade torna-se real no tempo, e o chamado é o ponto em que Seu conhecimento eterno de alguns e Sua predestinação daqueles à salvação encontram o que chamaríamos de manifestação concreta. Somos criaturas no tempo. Então é pelo chamado específico de Deus à fé, no tempo, que nós somos salvos.
Segundo, justificação, que vem logo após o chamado na lista de ações divinas, está sempre conectada com fé ou crença, e é por meio do chamado divino ao indivíduo que a fé é imputada na pessoa. O chamado de Deus cria ou estimula a fé. Ou, como nós poderíamos, portanto, dizer mais acuradamente, é o chamado de Deus que traz para fora a vida espiritual, da qual a fé é a primeira evidência real ou prova.
Romanos 8.29-30 não contém uma lista completa dos passos na experiência de salvação de alguém, mas somente cinco dos mais importantes passos tomados por Deus em benefício dos cristãos. Se o texto incluísse todos os passos, o que os teólogos chamam de ordo salutis, teria de listar estes: pré-conhecimento, predestinação, chamado, regeneração, fé, arrependimento, justificação, adoção, santificação, perseverança e glorificação. A lista completa apresenta o assunto. Depois da predestinação, o passo imediato é nosso chamado, de onde vem a fé que leva à justificação.
A Bíblia nunca diz que nós somos salvos por causa da nossa fé. Isto faria da fé algo bom em nós que, de alguma forma, contribuiria com o processo. Mas é dito que nós somos salvos por meio ou através da fé, significando que Deus deve criá-la em nós antes que nós possamos ser justificados.

Glorificou (Tempo Passado)
Glorificação significa ser feito como Jesus Cristo, que é o que Paulo disse antes. Mas aqui há algo que devemos notar. Quando Paulo menciona glorificação, ele se refere a isso no passado (“glorificou”) ao invés do futuro (“glorificará”) ou num futuro passivo (“serão glorificados”), algo que talvez esperássemos que ele deveria fazer.
Por que isto? A única possível e também óbvia razão é que ele está pensando no passo final de nossa salvação como sendo tão certa que é possível referir-se a ela como se já houvesse acontecido. E, é claro, ele faz isto deliberadamente para nos assegurar que é exatamente o que acontecerá. Lembram o que ele diz em sua carta aos cristãos em Filipos? Ele escreve “Fazendo sempre com alegria oração por vós... tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1.4,6). Este é um atalho para o que estamos descobrindo em Romanos. Deus começou a “boa obra” por conhecer de antemão, predestinar, chamar e justificar. E porque Ele nunca volta atrás naquilo que Ele disse, ou muda Sua mente, nós podemos saber que Ele aperfeiçoará a boa obra até o dia em que nós seremos como Jesus Cristo, sendo glorificados.

Tudo de Deus
Tenho uma conclusão simples, lembrar a você novamente que todas estas coisas foram feitas por Deus. São os pontos importantes, os pontos que realmente importam. Sem eles, nenhum de nós seria salvo. Ou se fôssemos “salvos” nenhum de nós continuaria nesta salvação.
Nós temos de acreditar. É claro, nós temos. Paulo já falou da natureza e necessidade da fé nos capítulos 3 e 4 de Romanos. Mas mesmo nossa fé é de Deus ou, como nós provavelmente diríamos melhor, é resultado de Seu trabalho em nós. Em Efésios, Paulo diz “porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8-9). Quando somos salvos, primeiramente pensamos naturalmente que temos uma grande participação nisto, talvez por causa de ensinamentos errôneos ou superficiais, mas muito comumente apenas porque sabemos mais sobre nossos próprios pensamentos e sentimentos do que conhecemos de Deus. Mas, quanto mais tempo alguém é cristão, mais se distancia de qualquer sentimento de que somos responsáveis por nossa salvação, ou mesmo alguma parte dela, e mais próximos chegamos à conclusão de que é tudo de Deus.
E é bom que seja de Deus, também! Porque se fosse cumprido por nós, nós poderíamos simplesmente descumpri-la e não há dúvida de que o faríamos. Se Deus é o autor, a salvação é algo que é feita sabiamente, bem e eternamente.
Robert Haldane, um dos grandes comentarista de Romanos, provê este resumo.
Ao rever esta passagem, devemos observar que em tudo que é dito, o homem não atua em nenhuma parte, mas é passivo, e tudo é feito por Deus. O homem é eleito, predestinado, chamado, justificado e glorificado por Deus. O Apóstolo estava aqui concluindo tudo o que ele havia dito antes ao enumerar tópicos de consolação aos crentes, e está agora pronto para apresentar que Deus é “por nós”, ou em favor de Seu povo. Poderia alguma coisa, então, ser mais consoladora àqueles que amam a Deus, do que por esta maneira serem assegurados de que a grande preocupação quanto a sua salvação não é deixada aos seus cuidados? Deus cuida até mesmo da promessa deles. Deus, tomando tudo sobre Ele mesmo. Ele se fez responsável por eles. Não há lugar, então, para risco ou mudança. Ele fará perfeito aquilo que concernia a eles.
Anos atrás, Harry A. Ironside, um grande mestre da Bíblia, contou uma história sobre um velho cristão a quem pediram que desse seu testemunho. Ele contou como Deus o procurou e o encontrou, como Deus o amou, chamou, salvou, libertou, purificou e curou – um grande testemunho da graça, poder e glória de Deus. Mas depois do encontro, um irmão provavelmente legalista o chamou num canto e criticou seu testemunho, como certamente alguns de nós faríamos. Ele disse “eu apreciei tudo o que você contou sobre o que Deus fez por você. Mas você não mencionou a sua parte nisso. Salvação é na verdade participação nossa e participação de Deus. Você deveria ter mencionado algo sobre a sua parte”.
“Ah, claro”, o velho cristão respondeu. “Peço desculpas por isso. Perdoe-me. Eu realmente deveria ter dito alguma coisa sobre a minha parte. Minha participação foi fugir e a participação de Deus foi correr atrás de mim até que pudesse me pegar”.
Todos nós fugimos. Mas Deus colocou Seu amor em nós, nos predestinou a tornar-nos como Jesus Cristo, nos chamou à fé e ao arrependimento, nos justificou e, sim, até mesmo nos glorificou, tão certo de que Seu plano será completo. Que apenas Ele seja louvado!
James Montgomery Boice
16 de set. de 2007

A Falsidade da Teoria do "Livre-Arbítrio"


O adepto da teoria do “livre-arbítrio” crê que o homem NÃO é totalmente depravado e que ele possui plena capacidade para ir a Cristo ao usar seu livre-arbítrio, e que Deus aceitará essa pessoa por causa do exercício dessas habilidades. Note: Dizer que o homem NÃO é totalmente depravado significa afirmar que ele possui certa justiça própria digna de merecer algo da parte de Deus.

O adepto da teoria do “livre-arbítrio” crê que Deus o escolhe baseado na observação futura do uso do livre-arbítrio — caso o homem escolha crer —, portanto , Deus elege um homem para a salvação sob a condição de que o livre-arbítrio previsto dessa pessoa escolha a Deus. Note: Dizer que a eleição é condicionada de alguma forma pelo homem é promover a salvação pelas obras, que é uma coisa má e auto-justificadora.

O adepto da teoria do “livre-arbítrio” crê que Cristo morreu universalmente por toda humanidade, sem exceção, e que depende do livre-arbítrio do homem tornar a morte de Cristo eficaz. Note: Dizer que a morte de Cristo NÃO é o diferencial entre céu e inferno é competir com o estabelecimento e a obra da justiça que Cristo obteve mediante sua vida e morte .

O adepto da teoria do “livre-arbítrio” crê que o homem pode resistir à vontade de Deus a qualquer hora mediante vontade própria. Note: Dizer que o pecador pode resistir ao chamado eficaz, interno e atrativo do Espírito Santo de Deus — o mesmo poder que levantou Cristo dos mortos — é dizer que o homem possui mais poder que o próprio Deus .

O adepto da teoria do “livre-arbítrio” crê ser capaz, mediante seu livre-arbítrio, voltar as costas para Deus e, como resultado disso, perder a salvação. Note: O problema com o adepto da teoria do “livre-arbítrio” é que, antes de tudo, ele não entende como a pessoa é salva, muito menos o tópico da preservação ou perseverança. Ele imagina ser alvo da salvação condicional, orientada por obras do princípio ao fim.

Esses cinco pontos — aos quais o adepto da teoria do “livre-arbítrio” da falsa religião se apega — são mentiras de Satanás, opostas à verdade divina. Deus diz que somos justificados pelo sangue e pela justiça imputada de Jesus Cristo, o Senhor. O falso evangelho parece existir em excesso no mundo hoje. Paulo disse em Gálatas 1:9: “Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema”. Se Deus é absolutamente soberano e o autor da salvação eterna, então o livre-arbítrio é um mito. A Palavra de Deus declara dessa forma.
Se o adepto da teoria do “livre-arbítrio” está tão impressionado com seu livre-arbítrio, por que ele não o usa para parar de pecar? Ele não pode fazê-lo, pois não o possui! “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece” (Romanos 9:16). Toda a glória irá para Deus na salvação de uma pessoa, ou não haverá salvação. Deus é zeloso de sua glória e não a partilhará com nenhum adepto da teoria do “livre-arbítrio”. JAMAIS!
Scott Price
14 de set. de 2007

MARCA DE DEUS




Você notou como a marca em um produto é importante? Não é suficiente ter qualidade, é preciso ter uma marca. A marca é associada à qualidade, à idoneidade. Roupa, cosméticos e tantos outros objetos se distinguem pela marca. A marca torna o objeto mais caro, mais precioso porque é garantida pelo fabricante.

No último livro da Bíblia, O Apocalipse, lemos que o mundo marca as pessoas que lhe pertencem com um número. As pessoas terão esta marca na testa ou nas mãos. O mundo é esse sistema em franca rebelião contra Deus e Seu filho Cristo Jesus. Para o mundo, a quantidade é a base de referência. O mundo instituiu uma outra ordem para a criação divina.

Todavia, Deus marca as pessoas de modo diferente. Deus lhes dá um nome. Por isso lemos na Bíblia assim: "Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe". (Apocalipse 2:17)

"O que vencer será assim vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; antes confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos". (Apocalipse 3:5)

Você entendeu? Além do nome, Deus marca os que são dEle com seu próprio Espírito derramado em seus corações. É por este espírito que podemos chamá-lo de Pai. Percebe agora a diferença entre a marca de Deus e a marca do mundo? Vamos, então firme um compromisso com Deus, você que ainda não recebeu a Jesus como seu Salvador.
9 de set. de 2007

Medite!


Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? (Tiago 2.15-16)
Fonte: Mensageiro da Paz - agosto 2007

VITÓRIA


Vitória completa é deixar JESUS triunfar sobre nosso eu, Vitória verdadeira é procurar ser corno JESUS, pelo poder do Espírito Santo: "Considerai pois atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma" ( Hebreus 12.3).

• Quando você é esquecido ou negligenciado, quando é deixado de lado mas seu coração consegue agradecer ao Senhor pelas humilhações, ISSO é vitória.

• Quando o bem que você faz, ou se propõe a fazer, é desprezado, quando seus planos são frustados , quando as pessoas agem de forma que você não gosta, quando desprezam seus conselhos, quando ridicularizam suas ideias, e você continua agindo com amor e paciência, ISSO é vitória.

Quando você é grato por qualquer tipo de comida, quando se satisfaz com qualquer roupa, está feliz em qualquer clima e em qualquer companhia, quando não se irrita com alguma opinião diferente da sua e não reclama do isolamento a que o Senhor conduz, ISSO é vitória.

Quando você consegue suportar o mau humor dos outros, suas queixas, sua falta de pontualidade e seus descuidos sem reclamar e sem ficar irado, ISSO é vitória.

• Quando você é confrontado com excentricidades, tolices ou insensibilidades espirituais, quando é contrariado por pecadores, quando aceita e suporta tudo isso como JESUS suportou. ISSO é vitória.

• Quando você decide não ser o centro das atenções, quando não busca o reconhecimento humano, quando não se importa em ser um desconhecido. ISSO é vitória.

Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo" (lCoríntios l5.57).

Rodrigo, você é uma vitorioso em Cristo
7 de set. de 2007

LIBERDADE E ESCRAVIDÃO DA VONTADE


Bandeira do Brasil ao vivo - Homenagem ao Dia da Pátria

Jeremias 17.9 — Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?
A compreensão apropriada da liberdade da vontade, na condição humana decaída, é auxiliada pela distinção entre livre ação e livre arbítrio.
Livre ação é uma característica da humanidade como tal. Todos os seres humanos são agentes livres no sentido de que eles podem tomar suas próprias decisões a respeito daquilo que querem fazer, escolhendo como lhes agrada, à luz de sua própria consciência, inclinações e pensamentos. Os homens são, assim, responsáveis, perante Deus e perante o resto da humanidade, pelas escolhas que fazem. Adão era um agente livre antes da queda e depois também, pois continuou a ter desejos e pensamentos que punha em ação por meio de sua vontade. Do mesmo modo, agora, também somos agentes livres. Continuaremos a ser assim depois da ressurreição. Os santos glorificados, isto é, os separados por Deus, exercem sua vontade, porém são confirmados na graça, a fim de que não pequem. As escolhas deles são produto de sua livre ação, escolhas feitas de acordo com a sua natureza, todavia, agora, tais escolhas são boas e certas. A transformação do coração deles está completa, e eles desejam praticar só o que é reto.
Livre arbítrio foi definido por mestres cristãos do século II e de séculos posteriores como a capacidade de não poder escolher nenhuma das opções morais oferecidas em dada situação. Agostinho ensinou que a capacidade de escolha livre se perdeu na queda. O homem tem vontade, mas a sua vontade não é livre. Essa perda da liberdade de escolha é parte do peso do pecado original. Depois da queda, nosso coração natural não está mais inclinado para Deus; ele está escravizado sob o jugo do pecado e não pode livrar-se dessa escravidão, a não ser pela graça da regeneração.
Esse modo de entender a escravidão da vontade é ensinado por Paulo em Romanos 6.16-23 — Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça? Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza e da maldade para a maldade, assim oferecei, agora, os vossos membros para servirem à justiça para a santificação. Porque, quando éreis escravos do pecado, estáveis isentos em relação à justiça. Naquele tempo, que resultados colhestes? Somente as coisas de que, agora, vos envergonhais; porque o fim delas é morte. Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna; porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor...
Somente a vontade que foi libertada é, portanto, capaz de escolher a justiça livremente e de coração. O amor permanente para com a justiça, isto é, a inclinação do coração para o modo de viver que agrada a Deus é um aspecto da liberdade que Cristo nos assegura (João 8.34-36; Gálatas 5.1,13).
Pedro Corrêa Cabral - Baseado em comentário da Bíblia de Estudo de Genebra
4 de set. de 2007

Quem é Jesus?


Se alguém lhe perguntasse: Você sabe quem é Jesus? Você certamente responderia que sim. Que Jesus foi um homem que se dizia Filho de Deus e por isso foi condenado e morreu crucificado. Você sabe que ele nasceu numa manjedoura, que era filho de Maria e José, foi muito pobre, era carpinteiro, e ressuscitou após três dias da sua morte.
Mas, que diferença faz na sua vida o fato dele ter vindo ao mundo, morrido crucificado e ter ressuscitado?
As palavras de Jesus, as coisas que ele ensinou, enquanto exerceu o seu ministério de apenas três anos (dos 30 aos 33 anos de idade) são tidas pela humanidade como preciosidades da literatura, da filosofia, e de muitas outras coisas que, no final das contas, em nada alteram a forma de viver do homem.
Mas, será que a sua vida mudou porque você um dia soube dessa história bonita e comovente da vida e da morte de Cristo? Será que, se ele não tivesse existido, mudaria alguma coisa no fato de você estar sentado neste momento em frente ao computador, navegando pela internet? Aquilo que você é, que você sabe, que você pensa, que você deseja, e até mesmo que você sente, seria diferente se ele não existisse?
Se a existência dele não faz diferença no seu dia-a-dia, você nunca o conheceu.
Por mais que ouçamos falar de alguém, por mais que nos descrevam como é esse alguém fisicamente, que nos relatem suas atitudes, seus valores, não podemos dizer que conhecemos alguém de quem só ouvimos falar. O convite que lhe fizemos na introdução desta página é para que você conheça Deus. Jesus, apesar de ser o caminho mais "badalado" para que se conheça Deus, talvez seja o menos experimentado. Queremos apenas lhe ajudar a experimentar como, através dele, pode ser mais fácil do que tudo que você tem tentado até hoje. Antes disso, é preciso que você conheça um pouco da vida de Jesus.
O sofrimento de Jesus não se iniciou momentos antes da crucificação, como nós muitas vezes pensamos. Numa visão profética de Jesus, Isaías, que viveu uns seiscentos anos antes de Cristo, conheceu as constante aflições pelas quais ele passaria, tendo assim profetizado:
"Ele foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca. Não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos para que o desejássemos. Era desprezado, e o mais indigno entre os homens, homem de dores, e experimentado no sofrimento. Como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; contudo, nós o consideramos como aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a sua boca; como cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca. Pela opressão e pelo juízo foi tirado. E quem pode falar da sua linhagem? Pois foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo foi ele atingido." (Isaías 53:2-8)
Durante toda a sua vida, Jesus sofreu dores, enfermidades, tentações, desprezo, enfim, todo tipo de sofrimento que o ser humano pode enfrentar.
Mas por que será que isso aconteceu? Jesus não era filho de Deus? Por que teve que passar por tudo isso?
Tamanho sofrimento não foi simplesmente para ser reconhecido como um grande filósofo, um grande líder religioso, um grande profeta, ou qualquer outro dos muitos títulos que sempre lhe conferiram. Não foi apenas para que tivéssemos uma história bonita para contar aos nossos filhos, para ensiná-los a serem bonzinhos, ou para que tivéssemos um grande exemplo de amor.
Durante a História, vemos muitos mártires e heróis que morreram pelas causas que defendiam ou por amor a alguém. Muitos já disseram muitas coisas tão bonitas quanto profundas. A justiça, o caráter, a dignidade, a verdade, a humildade e a necessidade de cultivarmos tais sensos em nossas vidas, já eram conhecidos antes de Jesus. Ele não veio ser mais um filósofo, mais um exemplo de vida, mais um ensinador de boas doutrinas. Ele veio trazer algo maior que o homem ainda não havia conseguido com seus próprios esforços. Ele veio trazer SALVAÇÃO!
Como entender isso? De que nós precisamos ser salvos, afinal? Para se chegar a uma resposta é preciso entender quem é Jesus.
Ao contrário do que se costuma pensar, Jesus não passou a existir com o seu nascimento em Belém. Parece estranho, não é? Como alguém pode existir antes de nascer? É que Jesus apenas veio ao mundo, ele não era deste mundo, como ele mesmo disse. Jesus é Deus-Filho e estava com o Pai desde antes da criação do mundo. Isso mesmo. Ele estava presente na criação do mundo. João entendeu isso e escreveu:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez." (João 1:1-3)
"...e o Verbo se fez carne, e habitou entre nós. Vimos sua glória, a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e verdade." (João 1:14)
Repare que "princípio" é a primeira palavra da Bíblia. Foi quando Deus fez a sua obra criadora ("No princípio criou Deus os céus e a terra." Gênesis 1:1). E Jesus estava no princípio com Deus. Mais do que isso, ele era o próprio Deus, na qualidade de seu Filho. Ele é o criador de tudo o que se fez. Mas ele veio à Terra, parte de sua criação, e veio na forma de criatura.
Dizíamos que Jesus não veio à Terra ser mais um herói ou mais um mártir da humanidade. O que diferencia Jesus de todos os outros é que ele não apenas morreu por nós. Ele também ressuscitou, provando que a morte não prevalece sobre ele. Provando que ele realmente é Deus-Filho. Ao ressuscitar, deu a garantia a todos quantos queiram conhecê-lo e por ele viver, que ele pode salvar da morte.
Então Jesus veio salvar da morte. Que morte? Não estamos vivos? É certo que não sabemos o que vai acontecer conosco no minuto seguinte ao que vivemos, mas que salvação é essa que ninguém alcançou? Ninguém venceu a morte até hoje, mesmo depois da vinda de Jesus e da sua ressurreição, a não ser ele mesmo. Será que Ele ainda não salvou ninguém?
É preciso que você se lembre que estamos falando de coisas espirituais, e a morte física não está inserida nesse contexto espiritual. Da morte física, não podemos escapar. Toda a criação tem um fim, e nós também. Mas o mais importante é que além de termos um corpo, temos um espírito. E embora não pensemos nisso, existe também a morte espiritual. É dessa morte que Jesus quer nos salvar.
Começamos a entender que salvação é essa, quando não encaramos mais Jesus como um pobre coitado que nós crucificamos, mas como Deus na forma de homem, que veio passar pelo que passou porque ele quis nos salvar. Ele quis. Jesus poderia não ter vindo. Poderia não ter morrido. Ele não morreu na cruz porque os judeus o condenaram, ou porque Herodes quis, mas porque ele próprio queria. Ele sempre soube o que lhe aconteceria. Quando Ele deixou a glória que tinha junto a Deus Pai e se dispôs a vir ao mundo, ele sabia exatamente o que lhe aconteceria, e aceitou a missão. Ele se fez homem, e habitou entre nós. Em nenhuma oportunidade fez uso de seu imenso poder em seu próprio favor, sempre o fez para mostrar ao incrédulo homem quem Ele era e o que deveria ser feito para que tivéssemos vida.
Estamos acostumados a dizer: "A vida é minha. Quem manda em mim sou eu."
Na verdade, quem manda em você é você mesmo. Mas a sua vida não lhe pertence. O dom da vida pertence a Deus. É só ele quem pode dar vida a uma célula para que ela se multiplique, ou à menor partícula existente no Universo, da qual o homem sequer tenha conhecimento. Ele também pode tirar a sua vida quando quiser. Você não tem poder sobre a sua própria vida. Que coisa chata, não é? Como já dissemos, talvez seja mais fácil ignorar a existência de Deus do que admitir uma verdade tão dura para nós.
Quando nascemos, temos uma constante comunhão com Deus. Não conhecemos ainda os caminhos do mundo, as maldades das quais somos capazes, os sentimentos perversos que podemos sentir pelo próximo, enfim, ainda não conhecemos o que é o ser humano. Ainda não fazemos escolhas. Não escolhemos o que vamos comer, o que vamos vestir, a que horas será a mamadeira e o banho. Ainda não tomamos decisões. À medida em que vamos crescendo, vamos conhecendo o mundo, vamos aprendendo a mentir, a fingir, e na necessidade de tomarmos decisões, mesmo as mais simples, já podemos escolher. Escolher passa a ser o que fazemos para o resto das nossas vidas. Todos os dias escolhemos como vamos proceder, que caráter (ou falta dele) teremos diante das mais diversas situações e, sem que percebamos, nos distanciamos muito de Deus, porque acabamos por acreditar que não precisamos dele, que somos auto suficientes, que temos muitas coisas para resolver e não temos tempo para ele.
Admitir que estamos longe de Deus é difícil. Daí vem aquela idéia que Deus é uma força, ou mesmo a própria natureza, porque assim temos a desculpa de que ele está sempre perto, que nunca nos distanciamos dele. Mas se já chegamos à conclusão de que Deus é um ser, que nos criou e quer nos dar salvação, e para isso até já se fez na forma da criatura para vencer a morte, temos que concluir que para estar perto dele não basta existirmos, como acontece com a natureza ou qualquer força natural. Na verdade, Deus está mesmo sempre muito perto de nós. Nós é que não estamos perto dele. Estamos sempre voltados aos nossos compromissos, aos nossos problemas, ou mesmo ao nosso descanso, ao nosso lazer, à nossa vaidade, e o que no máximo fazemos é dar um "pulinho" a alguma igreja para "cumprir a nossa obrigação", às vezes, nem isso.
Será que é isso que Deus quer? Ou será que ele nos deseja ver enclausurados em igrejas e retiros, murmurando, gemendo e chorando porque Jesus morreu?
Não! Por um simples motivo: Jesus não está morto. Ele vive e é o único caminho para se chegar a Deus.
O que Deus quer é que voltemos a ser como quando dependíamos dele para tudo. Quando não nos achávamos capazes de resolver todos os nossos problemas sozinhos.
Que tal experimentar falar com Deus? Ouvir Dele a resposta para as suas perguntas? Uma grande parte de todas as perguntas que dizem respeito à vida, têm resposta nas páginas da Bíblia.
Experimente. Tente começar pelo Novo Testamento. Tente por de lado tudo o que você já aprendeu sobre Deus, Jesus, Bíblia, e tudo o mais. Leia com o coração aberto e ouça o que Deus tem para lhe falar. Tente descobrir, através da sua leitura, qual é o caminho para se falar com Deus. Está tudo lá.
Uma dica: É de graça.
Fonte: Jesussite
2 de set. de 2007

Programação do Mês


setembro
01 – O Pr. Pedro e sua esposa estarão fazendo uma palestra sobre Harmonia Conjugal, no ECC da 4ª IP de Caruaru, PE
06 – Meia Vigília pelo Brasil – 19:30 às 24:00 hs
07 – Dia da Independência do Brasil
08 - Dia dos Seminaristas
Culto da Mocidade – 19:30 hs
15 – 09:00 hs Reunião Extraordinária do PRAL
na IP Farol
16 – Dia da Escola Dominical
23 – Estará pregando na Primeirona a Missionária
Wytla da Congregação de Maravilha.
Cantina da SAF – após o culto
30 – Consagração da Mocidade – 08:00 hs
Culto de Santa Ceia – 19:00 hs

Aniversariantes de setembro


Dia Aniversariante
11 Matheus Carlos Silva
14 Taciane Rodrigues
17 Bruna Letícia Lira

20 Neuza Pereira
21 Jardel Raimundo
27 Diva

Pedidos de Oração


Givanildo (família e emprego); Gil (emprego); Gilza (emprego); Nelci (emprego e saúde da esposa Stela); Neuza (família e emprego para o filho); Internos do Desafio Jovem de Alagoas; Joelma (família); Louise Honorato (filha do Rev. Honorato – saúde); Graça (vida espiritual); Render Victor de Oliveira (vida espiritual- libertação de drogas; Pâmela e Fábio (de Campinas - iluminação do Espírito Santo); MAC DOWELL (libertação)
1 de set. de 2007

PASTORAL DE SETEMBRO


O PRINCÍPIO DO AMOR
"Mulher, onde estão eles? Não ficou ninguém para te condenar? Nem Eu tampouco te condeno. Vai e não peques mais” (João 8:10-11)
Com estas palavras Jesus despediu uma mulher que havia sido trazida à sua presença por fariseus e mestres da lei. Esse encontro, registrado no Evangelho de João, é fonte de lições preciosas sobre uma espiritualidade fundamentada no Princípio do Amor, o qual se manifesta através da compreensão e da misericórdia.
Quando a mulher chegou à presença de Jesus, já estava condenada e, praticamente, executada. Os homens que a levaram àquela situação queriam apenas usá-la para incriminar Jesus por suas próprias palavras. E como Jesus age? Primeiro, ele ignora a chegada dos religiosos. É necessário que insistam muito para que Jesus lhes dirija a palavra. É como se ele estivesse dizendo que esses tipos de pessoas não o atraíam. Jesus parecia estar mais interessado num desenho na areia. Quando ele resolveu quebrar o silêncio, dirige-se aos religiosos e diz: "Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher" (v.7) - e voltou a escrever na areia. Estas palavras invertem as posições. De acusadores, os religiosos passam a réus de suas próprias consciências, e começando pelos mais velhos até os mais novos, todos, emudecidos, deixam o local.
Irmãos, a espiritualidade do amor é essa que nos faz soltar as pedras, que nos desarma, que nos faz voltar para dentro de nós mesmos tomados pela consciência de que também precisamos de perdão e de restauração. Num segundo momento lindo desse texto, Jesus pergunta à mulher onde estavam os seus acusadores, e se alguém a havia condenado. Vemos nestas questões um ato terapêutico profundo. Jesus se dirige a uma mulher que era pecadora e lhe pergunta onde estavam os puros que a condenavam e a julgavam. Onde estavam os perfeitos que, diferentemente dela, não cometiam pecados? A mulher responde que eles haviam ido embora sem condená-la. A resposta da pecadora era necessária. Era necessário que ela dissesse com os seus próprios lábios: "Não, ninguém me condenou", para ouvir, em seguida, de Jesus: "Nem eu tampouco te condeno. Vai e não peques mais".
É isso o que o amor faz, meus irmãos. Dá novas oportunidades, não atira pedras preconceituosas, mas, ao contrário, estende a mão para curar a alma, procura sarar as feridas, revela a semelhança de todos nós, porque todos somos pecadores e carecemos da misericórdia do Pai...
Em amor, Rev. Pedro Corrêa Cabral