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30 de out. de 2007

Está Consumado!


“Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.” — João 19:30.
Quão terrivelmente estas benditas palavras de Cristo têm sido mal-entendidas, mal-apropriadas e mal-aplicadas!? Quantas pessoas há que parecem pensar que, sobre a cruz, o Senhor realizou uma obra que torna desnecessário que os beneficiários dela vivam vidas santas sobre a terra Muitos têm sido enganados com o pensamento de que, em relação a se alcançar o céu, não importa como eles andem, desde que estejam “descansando sobre a obra consumada de Cristo”. Eles podem ser infrutíferos, desonestos, desobedientes, pois, desde que repudiem toda justiça própria e tenham fé em Cristo, eles imaginam que estão “eternamente seguros”.
Ao redor de todos nós há pessoas que são mundanas, amantes do dinheiro, buscadores-do-prazer, quebradores do Dia do Senhor, mas que pensam que tudo está bem com elas, pois “aceitaram a Cristo como seu Salvador pessoal”. Em sua aspiração, conversação e recreação, não há praticamente nada que os diferencie daqueles que não fazem nenhuma profissão de fé. Nem em sua vida familiar ou social há algo, exceto pretensões vazias, para distingui-los dos outros. O temor de Deus não está sobre eles, os mandamentos de Deus não têm autoridade sobre eles, a santidade de Deus não os atrai.
“Está consumado”. Como é solene perceber que estas palavras de Cristo devem ter sido usadas para tranqüilizar milhares com uma falsa paz. Entretanto, esse é o caso. Nós temos tido contato próximo com pessoas que não têm nenhuma vida de oração privada, que são egoístas, cobiçosas, desonestas, mas que supõem que um Deus misericordioso fará vista grossa para tais coisas, desde que eles tenham alguma vez colocado sua confiança no Senhor Jesus. Que horrível perversão da verdade! Que transformação da graça de Deus “em libertinagem”! (Judas 4).
Sim, aqueles que agora vivem as vidas mais egoístas e agradáveis à carne, falam sobre sua fé no sangue do Cordeiro e supõem que estão salvos. Como o diabo os tem enganado!
“Está consumado”. Será que estas benditas palavras significam que Cristo satisfez de tal forma o requerimento da santidade de Deus, que mais nenhuma santidade tem qualquer reivindicação real e premente sobre nós? Que Deus não permita pensarmos assim! Até mesmo para o redimido, Deus diz: “Sede santos, assim como Eu sou Santo” (1 Pedro 1:6). Será que Cristo “magnificou a lei e a fez honrosa” (Isaías 42:21), para que pudéssemos ficar sem lei? Será que Ele “cumpriu toda justiça” (Mateus 3:15) para comprar para nós uma isenção de amar a Deus com todo o nosso coração e servi-Lo com todas as nossas faculdades? Será que Cristo morreu para assegurar uma divina indulgência, para que pudéssemos viver para agradar a nós mesmos?
Infelizmente, muitas pessoas parecem pensar assim. Mas, quero lhes dizer, irmãos, que não é assim. O Senhor Jesus deixou ao Seu povo um exemplo para que nós pudéssemos “seguir (não ignorar) os Seus passos”.
“Está consumado”. O que está “consumado”? Será que está consumada a necessidade dos pecadores se arrependerem? Deveras não! Ou a necessidade de se voltar dos ídolos para Deus? Deveras não também. Ou ainda, a necessidade de mortificar os meus membros que estão sobre a terra? Deveras não! Ou quem sabe, a necessidade de ser santificado completamente, no espírito, alma e corpo? Deveras não!
Cristo não morreu para fazer minha tristeza, meu ódio e o meu empenho contra o pecado desnecessários. Cristo não morreu para me absolver de todas as minhas responsabilidades diante de Deus. Cristo não morreu para que eu pudesse continuar retendo a amizade e a comunhão com o mundo. Como é extremamente estranho que alguém possa pensar que Ele tenha feito isso. Todavia, as ações de muitos mostram que é assim que pensam.
“Está consumado”. O que está “consumado”? Os tipos sacrificiais foram consumados, as profecias de Seus sofrimentos foram cumpridas, a obra dada a Ele pelo Pai foi perfeitamente realizada, um fundamento certo foi posto, no qual um Deus justo pode perdoar o mais vil transgressor da lei que jogou as armas de sua guerra contra Ele. Cristo já realizou tudo o que era necessário para que o Espírito Santo viesse e operasse nos corações dos que são o Seu povo; convencendo-lhes de sua rebelião, destruindo sua inimizade contra Deus, e produzindo neles um coração amoroso e obediente.
Oh, querido irmão, não cometa engano neste ponto. A “obra consumada de Cristo” não lhe beneficia em nada, se o seu coração nunca foi quebrantado através de uma consciência agonizante de sua pecaminosidade. A “obra consumada de Cristo” não lhe beneficia em nada, a menos que você tenha sido salvo do poder e da poluição do pecado (Mateus 1:21). Ela não lhe beneficia em nada, se você ainda ama o mundo (1 João 2:15). Ela não lhe beneficia em nada, a menos que você seja uma “nova criatura” nEle (2 Coríntios 5:17). Se você valoriza sua alma, examine as Escrituras para ver por si mesmo. Não tome nenhuma palavra de homem no lugar disso.
Que o Senhor o abençoe!
Arthur W. Pink
28 de out. de 2007

O Perdão Contínuo de Deus


Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. (1João 1.8,9)
O Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou a orar em Mateus 6.12 assim: perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores. Ou: perdoa as nossas ofensas como também nós perdoamos as pessoas que nos ofenderam. Isto significa que nós, mesmo justificados, somos devedores, ofensores e pecadores. Ainda que os justificados nunca poderão cair do estado de justificação, pecam.
O nosso Deus Santo abomina o pecado, mas continua a perdoar os pecados daqueles que são justificados. E mais: ainda que um justificado não caia da sua justificação – porque nunca existiu um “desjustificado” na história -, ele poderá cair, com certeza, no desprazer do Pai. Como Deus é um Pai amoroso, naturalmente disciplina, corrige, instrui e consola.
— Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. — Esta passagem em Oséias 6:1 exemplifica bem como Deus trata o seu povo. Em outras palavras o povo de Israel estava dizendo: — Venham, voltemos todos para Deus, o SENHOR. Ele nos feriu, mas com certeza vai nos curar; ele nos castigou, mas certamente nos perdoará. Este é o amor paternal de Deus.
A Confissão de Westminster, capítulo XI, seção V, Da Justificação, expõe: — Deus continua a perdoar os pecados dos que são justificados. Embora eles nunca poderão decair do estado de justificação, poderão, contudo, incorrer no paternal desagrado de Deus e ficar privados da luz do seu rosto, até que se humilhem, confessem os seus pecados, peçam perdão e renovem a sua fé e o seu arrependimento. (Ref. Mat. 6:12; I João 1:7, 9, e 2:1-2; Lucas 22:32; João 10:28; Salmo 89:31-33; e 32:5).
Por mais que venhamos a agir – e muitas vezes agimos – como ímpios, Deus não nos trata como um juiz cheio de ira, mas como um Pai. Todo aquele que é justificado é tratado como filho; há um pacto eterno inquebrável. É uma nova relação. Porém, quando Deus chama seus filhos rebeldes para uma conversa de “Pai para filhos”, sai de baixo que vem castigo paternal. Não se trata aqui de uma disciplina de um Pai tirano e carrasco, mas de um Pai amoroso que quer corrigir os erros dos Seus e restabelecer Sua graça.
Como não há filho pecador que não retorne arrependido ao Pai (tendo fé em Cristo). O Pai bondoso que está nos Céus, com o Seu olhar perdoador, sempre inclina os Seus a voltar-se para Ele, continuamente, depois de cada deslize, para encontrar perdão. Embora Sua mão seja pesada, Ele nos diz: se violarem os meus preceitos e não guardarem os meus mandamentos, então, punirei com vara as suas transgressões e com açoites, a sua iniqüidade. Mas jamais retirarei dele a minha bondade, nem desmentirei a minha fidelidade (Sl 89.31-33).
Se você se encontra como filho à beira da disciplina paternal, humilhe-se, confesse o seu pecado, abandone o erro, peça perdão e levante-se para um novo dia de fé e arrependimento. Deus nos perdoa continuamente, por isso nós O tememos.
Raniere Menezes
24 de out. de 2007

Além do Temporal


O historiador H.G. Wells escreveu sobre um homem que tinha sido sobrepujado pela pressão e pelo estresse da vida moderna. Seu médico lhe disse que sua única esperança era encontrar comunhão com Deus. O homem respondeu: “O que!? Ele lá em cima, tendo comunhão comigo? Seria mais fácil pensar em refrescar minha garganta com a Via Láctea, ou sacudir as estrelas com as minhas mãos”. O poeta Thomas Hardy disse que a oração é inútil, pois não há ninguém a quem orar, exceto “aquela coisa sonhadora, escura e muda que gira em torno deste show ocioso”. Voltaire descreveu a vida como uma piada ruim e acrescentou: “Desça a cortina; a farsa acabou”. Tal é a blasfêmia e o desespero de todos os que insistem que Deus não está envolvido nos assuntos humanos.
Os filósofos gregos e romanos dos dias de Jesus rejeitaram a paternidade de Deus, porque ela contradizia seus sistemas filosóficos. Os filósofos estóicos ensinavam que todos os deuses são apáticos e não experimentam emoções de forma alguma. Os filósofos epicuristas ensinavam que a suprema qualidade dos deuses era a completa calma ou perfeita paz. Para manter a serenidade deles, precisavam permanecer totalmente isolados da condição humana.
A Bíblia Sagrada refuta todas estas heresias declarando que Deus é um Pai íntimo e cuidadoso. O significado desta verdade é incrível. O Senhor Deus conquista os seus temores e o conforta em tempos de sofrimento. Ele perdoa os seus pecados e lhe dá a esperança eterna. Ele derrama sobre você recursos ilimitados e faz de você o recipiente de uma herança imperecível. Ele lhe concede sabedoria e lhe dá direção através de Seu Espírito Santo e por meio da Sua Santa Palavra. Deus nunca o deixará, ou esquecerá de você.
Quando você humildemente se aproxima do Senhor como seu Pai, você assume a função de um filho que está ávido para obedecer a vontade Dele e receber todos os benefícios de Sua graça. Que isso o leve para além das suas circunstâncias presentes e o motive a habitar no que é eterno.
• Agradeça a Deus pela alegria e pelo propósito que Ele lhe dá a cada dia.
• Comprometa-se a buscar Sua vontade hoje.
• Leia Êxodo 3:1-5 e Isaías 6:1-5. Depois, responda: Que atitude você deve ter quando ora a Deus?
• O que Hebreus 4:16 diz que você pode receber quando se aproxima de Deus em oração?

John MacArthur Jr.
22 de out. de 2007

Ele nos Escolheu em Cristo


“Ele nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dEle em amor” (Efésios 1:4).
Deus nos escolhe! Qual o critério? Haveria em nós alguma coisa que chamasse a atenção de Deus, uma qualidade a mais, uma dedicação a mais? Na verdade, nada. Ele nos escolhe em Cristo; esse mesmo Cristo que morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Aí, pois, se acha o critério: a graça de Deus que se concretiza em Cristo. E graça, para deixar bem claro, é o amor que o pecador recebe, mesmo sem merecer.
Entendido isso, vamos considerar que a eleição da graça, a predestinação e termos semelhantes que os teólogos criaram ao longo dos séculos não são conceitos para nos tirar a tranqüilidade (será que sou um eleito?; ou: como vou saber se sou um eleito?) nem para nos dar uma certeza vazia (já que sou eleito posso muito bem fazer o que bem entender, ou seja, toda espécie de mal). A eleição é fundamentalmente um consolo. Como os cristãos — desde aqueles da antiga Éfeso até os de hoje — vivem na angústia de uma profunda contradição entre o seu ideal de serem perfeitos e a realidade nem sempre tão perfeita — podendo sentir-se um tanto perdidos e duvidar mesmo da presença de Deus em suas vidas — precisam duma palavra segura a mostrar-lhes que sua comunhão com Deus os tornam livres desse vaivém cotidiano. Por cima dessas ondas de insegurança encontra-se um Deus estável, estável em tudo, mas estável sobretudo na sua graça, da qual Jesus Cristo e Sua cruz é a realização.
Desta forma, certificados e consolados, somos igualmente habilitados e convocados a ser santos e irrepreensíveis no amor. O desafio supera nossas forças, mas lembremo-nos: o mesmo Deus que nos escolheu pela graça, pela graça nos ampara nessa caminhada.
Oremos: — Senhor Deus e Pai, antes que houvesse mundo, Tu já nos escolheras e nos escolheras em Cristo, que haveria de morrer na cruz. Só podemos louvar-te sem parar. Ajuda-nos, Senhor, para que o nosso louvor rime com amor não só no som, mas principalmente no agir. Em nome de Jesus, amém.
Martinho Lutero Hoffmann
18 de out. de 2007

A Finalidade da Cruz


< Ao lado, o teólogo Dave Hunt, autor deste artigo, e o Rev. Pedro, num congresso em Campina Grande, PB

"Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim...” (Gálatas 2.19-20).

A ilusão do "símbolo" do cristianismo
Os elementos anticristãos do mundo secular dariam tudo para conseguir eliminar manifestações públicas da cruz. Ainda assim, ela é vista no topo das torres de dezenas de milhares de igrejas, nas procissões, sendo freqüentemente feita de ouro e até ornada com pedras preciosas. A cruz, entretanto, é exibida mais como uma peça de bijuteria ao redor do pescoço, ou pendurada numa orelha, do que qualquer outra coisa. É preciso perguntar através de que tipo estranho de alquimia a rude cruz, manchada do sangue de Cristo, sobre a qual Ele sofreu e morreu pelos nossos pecados, se tornou tão limpa, tão glamourizada.
Não importa como ela for exibida, seja até mesmo como joalheria, ou como pichação, a cruz é universalmente reconhecida como símbolo do cristianismo – e é aí que reside o grave problema. A própria cruz, em lugar do que nela aconteceu há quase dois milanos, se tornou o centro da atenção, resultando em vários erros graves. O próprio formato, embora concebido por pagãos cruéis para punir criminosos, tem se tornado sacro e misteriosamente imbuído de propriedades mágicas, alimentando a ilusão de que a própria exibição da cruz, de alguma forma, garante proteção divina.
Milhões de pessoas, por superstição, levam uma cruz pendurada ao pescoço, ou a têm em suas casas, ou fazem "o sinal da cruz" para repelir o mal e afugentar demônios. Os demônios temem a Cristo, não uma cruz. Assim, qualquer um, que não foi crucificado juntamente com Ele, exibe a cruz em vão.

A "palavra da cruz" é poder de Deus
Paulo afirmou que a “palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, é poder de Deus” (1 Coríntios 1.18). Assim, o poder da cruz não reside na sua exibição, mas sim na sua pregação. E essa mensagem nada tem a ver com o formato peculiar da cruz, e sim com a morte de Cristo sobre ela, como declara o evangelho. O evangelho é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1.16), e não para aqueles que usam, ou exibem, ou até fazem o sinal da cruz.

O que é esse evangelho que salva?
Paulo afirma explicitamente: “venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei... por ele também sois salvos... que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15.1-4). Para muitos, choca o fato do evangelho não incluir a menção de uma cruz. Por quê? Porque a cruz não era essencial à nossa salvação. Cristo tinha que ser crucificado para cumprir a profecia relacionada à forma de morte do Messias (Salmo 22), não porque a cruz em si tinha alguma ligação com nossa redenção. O imprescindível era o derramamento do sangue de Cristo em Sua morte como prenunciado nos sacrifícios do Antigo Testamento, pois "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hebreus 9.22); “é o sangue que fará expiação em virtude da vida” (Levítico 17.11).
Não dizemos isso para afirmar que a cruz em si é insignificante. Não! O fato de Cristo ter sido pregado numa cruz revela a horripilante intensidade da maldade inata ao coração de cada ser humano. Ser pregado despido numa cruz e ser exibido publicamente, morrer lentamente entre zombarias e escárnios, era a morte mais torturantemente dolorosa e humilhante que poderia ser imaginada. E foi exatamente isso que o insignificante ser humano fez ao seu Criador! Nós precisamos cair com o rosto em terra, tomados de horror, em profundo arrependimento, dominados pela vergonha, pois não foi somente a turba sedenta de sangue e os soldados zombeteiros que O pregaram à cruz, mas sim nós todos com os nossos pecados!

A cruz revela a malignidade do homem e o amor de Deus
Assim, a cruz revela, pela eternidade adentro, a terrível verdade de que, abaixo da bonita fachada de cultura e de educação, o coração humano é “enganoso... mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto” (Jeremias 17.9), capaz de executar o mal muito além de nossa compreensão, até mesmo contra o Deus que nos criou e amou, e que, pacientemente, nos supre. Será que alguém duvida da corrupção, da maldade de seu próprio coração? Que tal pessoa olhe para a cruz e recue dando uma reviravolta, a partir de seu ser mais interior! Não é à toa que o humanista orgulhoso odeia a cruz!
Ao mesmo tempo que a cruz revela a malignidade do coração humano, ela revela a bondade, a misericórdia e o amor de Deus, de uma maneira que ninguém mais seria capaz. Em contraste com esse mal indescritível, com esse ódio diabólico a Ele dirigido, o Senhor da glória, que poderia destruir a terra e tudo o que nela há com uma simples palavra, permitiu-se ser zombado, injuriado, açoitado e pregado àquela cruz! Cristo “a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Filipenses 2.8). Enquanto o homem fazia o pior, Deus respondia com amor, não apenas Se entregando a Seus carrascos, mas carregando nossos pecados e recebendo o castigo que nós justamente merecíamos.

A cruz prova que existe perdão para o pior dos pecados
Existe, ainda, um outro sério problema com o símbolo, e especialmente o crucifixo usado pela igreja romana, que exibe um Cristo perpetuamente pendurado na cruz. A ênfase está sobre o sofrimento físico de Cristo, como se isso tivesse pago os nossos pecados. Pelo contrário, isso foi o que o homem fez a Ele e só podia nos condenar a todos.
Nossa redenção aconteceu através do fato de que Ele foi ferido por Jeová e “sua alma [foi dada] como oferta pelo pecado” (Isaías 53.10); Deus fez “cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Isaías 53.6); e “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pedro 2.24).
A morte de Cristo é uma evidência irrefutável de que Deus precisa, em Sua justiça, punir o pecado, que a penalidade precisa ser paga, caso contrário não pode haver perdão. O fato de que o Filho de Deus teve que suportar a cruz, mesmo depois de ter clamado a Seu Pai ao contemplar em agonia o carregar de nossos pecados [“Se possível, passa de mim este cálice!” (Mt 26.39)], é prova de que não havia outra forma de o ser humano ser redimido. Quando Cristo, o varão perfeito, sem pecado e amado de Seu Pai, tomou nosso lugar, o juízo de Deus caiu sobre Ele em toda sua fúria. Qual deve ser, então, o juízo sobre os que rejeitam a Cristo e se recusam a receber o perdão oferecido por Ele?! Precisamos preveni-los!
Ao mesmo tempo e no mesmo fôlego que fazemos soar o alarme quanto ao julgamento que está por vir, precisamos também proclamar as boas novas de que a redenção já foi providenciada e que o perdão de Deus é oferecido ao mais vil dos pecadores. Nada mais perverso poderia ser concebido do que crucificar o próprio Deus! E ainda assim, foi estando na cruz que Cristo, em seu infinito amor e misericórdia, orou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23.34). Assim, a cruz também prova que existe perdão para o pior dos pecados e para o pior dos pecadores.

Cuidado: não anule a cruz de Cristo!
A grande maioria da humanidade, entretanto, tragicamente rejeita a Cristo. E é aqui que enfrentamos outro perigo: é que em nosso sincero desejo de vermos almas salvas, acabamos adaptando a mensagem da cruz para evitar ofender o mundo. Paulo nos alertou para tomarmos cuidado no sentido de não pregar a cruz “com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo” (1 Coríntios 1.17).
Muitos pensam: “É claro que o evangelho pode ser apresentado de uma forma nova, mais atraente do que o fizeram os pregadores de antigamente. Quem sabe, as técnicas modernas de embalagem e de vendas poderiam ser usadas para vestir a cruz numa música, ou num ritmo, ou numa apresentação atraente assim como o mundo comumente faz, de forma a dar ao evangelho uma nova relevância ou, pelo menos, um sentido de familiaridade? Quem sabe poder-se-ia lançar mão da psicologia, também, para que a abordagem fosse mais positiva? Não confrontemos pecadores com seus pecados e com o lado sombrio da condenação do juízo vindouro, mas expliquemos a eles que o comportamento deles não é, na verdade, culpa deles tanto quanto é resultante dos abusos dos quais eles têm sido vitimados. Não somos todos nós vítimas? E Cristo não teria vindo para nos resgatar desse ato de sermos vitimados e de nossa baixa perspectiva de nós mesmos e para restaurar nossa auto-estima e auto-confiança? Mescle a cruz com psicologia e o mundo abrirá um caminho para nossas igrejas, enchendo-as de membros! Assim é o neo-evangelicalismo de nossos dias.
Ao confrontar tal perversão, A. W. Tozer escreveu: — “Se enxergo corretamente, a cruz do evangelicalismo popular não é a mesma cruz que a do Novo Testamento. É, sim, um ornamento novo e chamativo a ser pendurado no colo de um cristianismo seguro de si e carnal... a velha cruz matou todos os homens; a nova cruz os entretêm. A velha cruz condenou; a nova cruz diverte. A velha cruz destruiu a confiança na carne; a nova cruz promove a confiança na carne... A carne, sorridente e confiante, prega e canta a respeito da cruz; perante a cruz ela se curva e para a cruz ela aponta através de um melodrama cuidadosamente encenado – mas sobre a cruz ela não haverá de morrer, e teimosamente se recusa a carregar a reprovação da cruz”.

A cruz é o lugar onde nós morremos em Cristo
Eis o “x” da questão. O evangelho foi concebido para fazer com o EU aquilo que a cruz fazia com aqueles que nela eram postos: matar completamente. Essa é a boa notícia na qual Paulo exultava: “Estou crucificado com Cristo”. A cruz não é uma saída de incêndio pela qual escapamos do inferno para o céu, mas é um lugar onde nós morremos em Cristo. E só então que podemos experimentar “o poder da sua ressurreição” (Filipenses 3.10), pois apenas mortos podem ser ressuscitados. Que alegria isso traz para aqueles que há tempos anelam escapar do mal de seus próprios corações e vidas; e que fanatismo isso aparenta ser para aqueles que desejam se apegar ao EU e que, portanto, pregam o evangelho que Tozer chamou de “nova cruz”.
Paulo declarou que, em Cristo, o crente está crucificado para o mundo e o mundo para ele (Gálatas 6.14). É linguagem bem forte! Este mundo odiou e crucificou o Senhor a quem nós amamos – e, através desse ato, crucificou a nós também. Nós assumimos uma posição com Cristo. Que o mundo faça conosco o que fez com Ele, se assim quiser, mas o fato é que jamais nos associaremos ao mundo em suas concupiscências e ambições egoístas, em seus padrões perversos, em sua determinação orgulhosa de construir uma utopia sem Deus e em seu desprezo pela eternidade.
Crer em Cristo pressupõe admitir que a morte que Ele suportou em nosso lugar era exatamente o que merecíamos. Quando Cristo morreu, portanto, nós morremos nEle: “...julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Coríntios 5.14-15).
“Mas eu não estou morto”, é a reação veemente. “O EU ainda está bem vivo”. Paulo também reconheceu isso: “...não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Romanos 7.19). Então, o que é que “estou crucificado com Cristo” realmente significa na vida diária? Não significa que estamos automaticamente “mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus” ?

O poder sobre o pecado
Então, qual é o poder que o cristão tem sobre o pecado que o budista ou o bom moralista não possui? Primeiramente, temos paz com Deus “pelo sangue da sua cruz” (Colossenses 1.20). A penalidade foi paga por completo; assim, nós não tentamos mais viver uma vida reta por causa do medo de sermos condenados, mas sim por amor Àquele que nos salvou. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 João 4.19); e o amor leva quem ama a agradar o Amado, não importa o preço. “Se alguém me ama, guardará a minha palavra” (João 14.23), disse o nosso Senhor. Quanto mais contemplamos a cruz e meditamos acerca do preço que nosso Senhor pagou por nossa redenção, mais haveremos de amá-lO; e quanto mais O amarmos, mais desejaremos agradá-lO.
Em segundo lugar, ao invés de “dar duro” para vencer o pecado, aceitamos pela fé que morremos em Cristo. Homens mortos não podem ser tentados. Nossa fé não está colocada em nossa capacidade de agir como pessoas crucificadas, mas sim no fato de que Cristo foi crucificado de uma vez por todas, em pagamento completo dos nossos pecados.
Em terceiro lugar, depois de declarar que estava “crucificado com Cristo”, Paulo acrescentou: “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gálatas 2.20). O justo “viverá por fé” (Romanos 1.17)) em Cristo; mas o não-crente só pode colocar sua fé em si mesmo ou em algum programa de auto-ajuda, ou ainda num guru desses bem esquisitos.

A missa romana é a negação da suficiência da obra de Cristo na cruz
Tristemente, a fé romana não está posta na redenção realizada por Cristo de uma vez para sempre na cruz, mas na missa, que, alegadamente, é o mesmo sacrifício que foi feito na cruz, e confere perdão e nova vida cada vez que é repetida. Reivindica-se que o sacerdote transforma a hóstia e o vinho no corpo literal e no sangue literal de Cristo, fazendo com que o sacrifício de Cristo esteja perpetuamente presente. Mas não há como trazer um evento passado ao presente. Além do mais, se o evento passado cumpriu seu propósito, não há motivo para querer perpetuá-lo no presente, mesmo que pudesse ser feito. Se um benfeitor, por exemplo, paga ao credor uma dívida que alguém tem, a dívida sumiu para sempre. Seria sem sentido falar-se em reapresentá-la, ou reordená-la, ou perpetuar seu pagamento no presente. Poder-se-ia lembrar com gratidão que o pagamento já foi feito, mas a reapresentação da dívida não teria valor ou sentido, uma vez que já não existe dívida a ser paga.
Quando Cristo morreu, Ele exclamou em triunfo: “Está consumado” (João 19.30), usando uma expressão que, no grego, significa que a dívida havia sido quitada totalmente. Entretanto, o novo Catecismo da Igreja Católica diz: “Como sacrifício, a Eucaristia é oferecida como reparação pelos pecados dos vivos e dos mortos, e para obter benefícios espirituais e temporais de Deus” (parágrafo 1414, p. 356). Isso equivale a continuar a pagar prestações de uma dívida que já foi plenamente quitada. A missa é uma negação da suficiência do pagamento que Cristo fez pelo pecado sobre a cruz! O católico romano vive na incerteza de quantas missas ainda serão necessárias para fazê-lo chegar ao céu.

Segurança para o presente e para toda a eternidade
Muitos protestantes vivem em incerteza semelhante, com medo de que tudo será perdido se eles falharem em viver uma vida suficientemente boa, ou se perderem sua fé, ou se voltarem as costas a Cristo. Existe uma finalidade abençoada da cruz que nos livra dessa insegurança. Cristo jamais precisará ser novamente crucificado; nem os que “foram crucificados com Cristo” ser “descrucificados” e aí “recrucificados”! Paulo declarou: “porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus” (Colossenses 3.3). Que segurança para o presente e para toda a eternidade! Amém!
Dave Hunt
16 de out. de 2007

Propriedade de Cristo


Nas Escrituras, as diversas congregações que Paulo plantou, em diferentes lugares, são chamadas de “Igreja de Cristo”. – 1Coríntios 1.2 diz — “à igreja de Deus que está em Corinto”. Em Romanos 16.16 lemos — “Todas as igrejas de Cristo vos saúdam”.
Chamam-se assim porque foram compradas pelo sangue de Cristo para serem de sua exclusiva propriedade, do mesmo modo que Israel era o povo exclusivo de Deus em meio a todos os povos.
Assim como um escravo é comprado por um senhor e passa a ser propriedade de seu dono, da mesma maneira acontece com as igrejas de Cristo e todos os seus membros.
E a Bíblia nos fala dessa compra, dizendo que Cristo comprou os Seus pelo altíssimo preço do Seu sangue – 1Coríntios 6.20: — “Porque fostes comprados por preço”. Em outra carta, aos romanos, Paulo admoesta os membros da igreja no capítulo 14 para que tivessem mais tolerância para com quem é fraco na fé, porque nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo. Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e, se morremos, também é para o Senhor que morremos. Assim, tanto se vivemos como se morremos, somos do Senhor. Todos nós temos um só Senhor e Mestre, Cristo, o Rei dos reis, e somos de Sua propriedade exclusiva.
Assim como um bom senhor de escravos trata bem aos servos, dando-lhe comida, bebida e roupa, tornando-se até mesmo um refúgio em relação aos senhores cruéis, da mesma forma Cristo é para nós, porque Ele nos livra do poder de Satanás. Cristo é o protetor e o guardião do Seu povo. Ele sabe do que necessitamos. Seus cuidados se estendem até às coisas mais insignificantes, até aos nossos fios de cabelo!
Quando nossos inimigos nos querem fazer o mal, Cristo pode transformar isso em bem. Aqueles que O temem, mesmo que passem dificuldades e aflições, herdarão a vida eterna. – “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”. (João 10.28,29).
Nada pode arrancar as ovelhas de Sua poderosa mão. Ele também enviou o Seu Espírito Santo para garantir fé e gerar forças naqueles que desejam servi-Lo com alegria.
Não existe consolo maior aqui na terra do que este: ser propriedade do amor tão bondoso de JESUS CRISTO. Este é o nosso melhor conforto nesta vida e também no momento em que formos chamados à glória dos céus.
J. C. Janse
13 de out. de 2007

Investimento


Certa noite, após ter concluído meu último culto, às dez horas, um pobre homem veio pedir-me que fosse orar por sua esposa, dizendo que ela estava moribunda. Concordei de imediato, e a caminho da casa dele perguntei-lhe por que não chamara o padre, posto que seu sotaque me indicava que ele era um irlandês. Segundo explicou, assim o fizera, mas o padre se recusara a vir sem o pagamento adiantado de dezoito pence, que o homem não possuía, porquanto a família estava passando fome.
Imediatamente ocorreu-me que todo o dinheiro que eu tinha neste mundo era uma solitária moeda de meia coroa; além disso, ainda que me esperasse em casa a tigela na qual eu usualmente ia buscar o meu jantar, e mesmo que havia o suficiente para meu desjejum na manhã seguinte, nada me restava para almoçar no outro dia.
O homem me levou por um miserável lance de escada até um destroçado quarto; e que visão se apresentou perante os nossos olhos! “Ah!”, pensei eu, “se eu tivesse dois xelins e seis pence, em lugar de meia coroa, quão alegremente eu lhes daria um xelim e seis pence!” Todavia, uma desgraçada incredulidade impediu-me de obedecer ao impulso de aliviar a aflição deles ao custo de tudo quanto eu possuía.
“Você pediu-me que viesse e orasse por sua esposa”, disse eu ao homem. “Ajoelhemo-nos e oremos”. E nos ajoelhamos. Mas, nem bem eu abrira meus lábios dizendo “Nosso Pai, que estás no céu”, a consciência me acusou dentro em mim: “Ousas zombar de Deus? Tens a coragem de te ajoelhares e de chamares a Deus de Pai, tendo meia coroa no bolso?” Tal foi o conflito que me assaltou, que nunca antes nem depois experimentei igual. Como consegui terminar aquela forma de oração, não sei; nem sei dizer se as palavras tinham nexo ou não; contudo, levantei-me dali com profunda angústia na mente. O pobre pai voltou-se para mim e disse: “O senhor está vendo a triste condição em que nos achamos; se pode ajudar-nos, ajude-nos pelo amor de Deus!” Foi nesse momento que brilharam em minha mente as palavras: “Dá-lhe o que te pede”. Enfiei a mão no bolso e retirei lentamente dali a moeda de meia coroa. Entreguei-a ao homem, dizendo-lhe que aquilo que eu vinha procurando dizer-lhe era realmente verdade – que Deus é mesmo um Pai, e que se pode confiar nEle. A alegria voltou completa ao meu coração. Dali por diante pude declarar toda a verdade com autêntico sentimento, e o empecilho para a bênção desaparecera – desaparecera para sempre, conforme confio.
Lembro-me bem de como naquela noite, quando me dirigia para casa, meu coração sentia-se tão leve quanto o meu bolso. Quando tomei minha tigela de mingau, antes de retirar-me para meu quarto, não a trocaria nem pelo banquete de um príncipe. Ao ajoelhar-me ao lado de meu leito, lembrei o Senhor, pela sua própria Palavra, que aquele que dá ao pobre empresta ao Senhor: roguei-Lhe que o meu empréstimo não fosse por muito tempo, pois doutro modo eu não teria o que almoçar no dia seguinte; então, sentindo paz interior e gozando de tranqüilidade, passei uma feliz noite de descanso.
Na manhã seguinte, minha tigela de mingau não faltou. Antes de terminá-la, ouviu-se o carteiro que batia à porta, e pouco depois a proprietária da pensão veio entregar-me um envelope, com a mão molhada coberta pelo avental. Pus-me a olhar para o envelope, mas não pude atinar de quem era a letra. Era a caligrafia de um estranho, ou uma caligrafia disfarçada, e o carimbo do correio estava borrado. De onde viera, eu não sabia dizer. Ao abrir o envelope, nada encontrei escrito; porém, dentro da folha de papel em branco havia um par de luvas. E, ao abri-las, para minha surpresa caiu meio soberano. “Louvado seja o Senhor!” exclamei. “Quatrocentos por cento por um empréstimo de doze horas, é um ótimo lucro. Quão satisfeitos ficariam os negociantes de Hull, se pudessem emprestar seu dinheiro a uma taxa tão alta!” E naquele exato instante tomei a resolução de que um banco que não pode falir, de agora em diante, é que receberia as minhas economias ou proventos, conforme fosse o caso – uma determinação da qual até hoje não me arrependi.
Hudson Taylor (1832-1905)
10 de out. de 2007

Mundo Virtual


Entrei apressado e com muita fome no restaurante.
Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias,que há tempos não sei o que são.
Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga,uma salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime é regime, né?
Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
- Tio, dá um trocado?
- Não tenho, menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, compro um para você.
Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails.
Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.
- Tio, pede para colocar margarina e queijo também?
Percebo que o menino tinha ficado ali.
- OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?
Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir embora.
Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem.

- Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente para ele.
Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:
- Tio, o que está fazendo?
- Estou lendo uns e-mails.
- O que são e-mails?
- São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet.
Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:

- É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Tio, você tem Internet?
- Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet, tio?

- É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual, tio?
Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Legal isso. Gostei!
- Mocinho, você entendeu o que é virtual?
- Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual.
- Você tem computador?
- Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?
Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um 'Brigado tio, você é legal!'. Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!
(Recebi por e-mail, não sei quem é o autor, mas pode ser eu ou você quem vivenciou essa experiência. Chorei!)
Pr. Pedro Corrêa Cabral
9 de out. de 2007

As Obras Agradáveis a Deus


Cristo disse aos Seus discípulos, advertindo-lhes contra os fariseus, que toda árvore boa dá bons frutos, mas toda árvore má dá frutos maus (Mateus 7:17). Os fariseus faziam boas obras; mas não eram frutos bons, que procedessem do Espírito Santo para glorificar a Deus, senão que as faziam por vanglória e honra de si mesmos, para aparecer como homens piedosos diante dos outros homens, seguindo suas próprias leis e mandamentos.
Contudo, Deus testificou de Davi que este guardava Seus mandamentos de todo coração (1 Reis 14:8; 15:5). Pensemos na forma humilde como procedeu quando teve a oportunidade de tirar a vida de seu inimigo Saul, e com quanto zelo desejou construir o templo. Deus mesmo disse a Davi que ele havia feito o que era reto diante de Seus olhos, exceto no episódio de Beteseba, no qual ele não foi justo, ainda que depois obtivesse perdão.
Quando um israelita levava os dízimos ao templo, devia dizer que havia dado ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, como estava ordenado na lei de Deus (Deuteronômio 26:12-15).
Os filhos de Deus não são perfeitos; contudo, andam em Seus caminhos, e fazem a Sua vontade no que podem. Por isso Paulo escreve: “Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais; porque isto é agradável ao Senhor” (Colossenses 3:20). Agrada a Deus ver os Seus mandamentos serem cumpridos.
Porém, tratando-se de um povo que oferece sem fazê-lo de coração, que honra a Deus com seus lábios, mas não com o coração, disse Deus: “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras” (Amós 5:23).
O que os israelitas praticavam, muitas vezes, era uma religiosidade arbitrária, não agradável aos olhos de Deus. Por mais bela que seja a música, por mais ordenado que seja o culto, se não é feito de coração, é desagradável a Deus. Sobre isso a igreja de Roma deveria pensar um pouco. Também lemos na Escritura que Cristo elogia a igreja de Filadélfia porque guardava a Sua palavra, porém repreende às outras por fazerem o mal.
J. C. Janse

PEDIDOS DE ORAÇÃO


Givanildo (família e emprego); Gil (emprego); Neuza (família e emprego para o filho); Internos do Desafio Jovem de Alagoas; Joelma (família); Louise Honorato (filha do Rev. Honorato – saúde); Graça (vida espiritual); Render Victor de Oliveira (vida espiritual- libertação de drogas); Pâmela e Fábio (de Campinas - iluminação do Espírito Santo); Mac Dowell (libertação);Fernando e Elisama (vida espiritual)

CALENDÁRIO DO MÊS


outubro = mês da Criança
07 - Consagração da Mocidade – 08:00 hs
11 – Dia da SAF
12 – Dia das Crianças
14 - Consagração da Mocidade – 07:30 hs
15 – Dia do Professor
21 - Consagração da Mocidade – 07:30 hs
Cantina da SAF – após o culto
23 - Dia do Aviador
28 – Dia do Funcionário Público
Consagração da Mocidade – 07:30 hs
Culto de Santa Ceia – 19:00 hs
31 – Dia da Reforma Protestante
6 de out. de 2007

A Santidade da Igreja


No Credo Apostólico, o cristão confessa: "Creio na santa igreja católica"(católica no sentido de universal). A santidade da igreja é, igualmente, ensinada em Efésios 5:25-27que diz — Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.
A santidade da igreja não se refere à sua liturgia ou cerimónias imponentes, nem à sua arquitetura impressionante. Nem a igreja é santa por causa de sua história venerável, ou de sua ligação corn personagens santos do passado.
As pessoas são a igreja: pessoas escolhidas em Cristo "antes da fundação do mundo", conforme afirma Paulo em Efésios 1.4; pessoas redimidas pelo sangue da cruz (Efésios 5.25) e chamadas para ser "santos" (Efésios 1.1). Assim, a igreja não é santa porque tem uns poucos membros santos, tais como ministros, presbíteros, ou diáconos, mas por causa da santidade de todos os seus membros crentes: oficiais, crianças, trabalhadores, viúvas e idosos piedosos.
A santidade de um crente é sua separação espiritual do mundo ímpio e sua consagração ao Deus Triúno somente. Da mesma forma, a santidade da igreja, a comunidade dos crentes, é sua pureza real e espiritual; sua devoção a Cristo, seu cabeça e esposo (Efésios 5:24), em amor. Assim, a santidade é a essência da igreja: sem santidade, não há igreja, nenhuma igreja.
A santidade da igreja é atacada. Ela está sob pressão para se conformar ao mundo em seu pensamento e em seu estilo de vida, conforme nos ensina Romanos 12.1-2. O ecumenismo anti-bíblico é proibido para a igreja verdadeira: "Devias tu ajudar ao ímpio e amar aqueles que odeiam ao SENHOR?" (2 Crónicas 19.2). A falsa doutrina é inimiga da santidade da igreja, pois a pregação de "outro evangelho", de "outro Jesus", por "outro espírito", corrompe a igreja (2Coríntios 11.3-4).
Deus ordenou que a santidade da igreja fosse preservada, em parte através da disciplina daqueles cuja doutrina é contrária aos credos da igreja, ou cujo estilo de vida é perverso. Onde o caminho de Deus, mediante a disciplina eclesiástica, é rejeitado, a igreja inteira se corrompe, pois "um pouco de fermento faz levedar toda a massa" (1Coríntios 5.6).
A santidade da igreja é principalmente trabalhada e mantida através da pregação pura do evangelho de Cristo, simbolizado e selado nos dois sacramentos, o batismo e a Ceia do Senhor. Efésios 5 apresenta a igreja como a noiva de Cristo, o pecado como sujeira, e ensina que Cristo santifica e purifica sua igreja "com a lavagem da água, pela palavra" (v.26). Mediante a pregação pura, Cristo não somente ensina o que a verdadeira santidade é, e nos chama a ser santos, mas dessa forma opera também santidade em seus membros pelo Espírito Santo.
Cristo chama sua igreja a ser "sujeita" a ele "em tudo" (v.24). A congregação instituída deve obedecer a Cristo na pregação fiel, na administração dos sacramentos, na disciplina, na adoração e no governo. Sem isso, a confissão da igreja de que Cristo é o Senhor torna-se hipocrisia. Similarmente, os membros da igreja em suas vidas no mundo — seus pensamentos, palavras e ações — devem estar sujeitos a Cristo "em tudo".
Deus escolheu a igreja "para que fôssemos santos" (Efésios 1.4), e Cristo "a si mesmo se entregou" pela igreja, "para a santificar" (Efésios 5.25-26). Dessa forma, a santidade da igreja (progressivamente nesse mundo e perfeitamente no céu) é o objetivo da eleição e da redenção. A santidade da igreja — incluindo a remoção da sujeira [v.26], das máculas e das rugas do pecado [v.27] — é sua beleza extasiante como a noiva de Cristo, uma beleza muito maior que a beleza de toda a criação. A santidade da igreja é também a sua glória (v.27), uma glória que reflete e serve à glória do Deus Triúno, o Senhor da Sua Santa Igreja.
Rev. Angus Stewart
4 de out. de 2007

Não seja uma blasfêmia familiar


Se alguém não cuida dos seus, especialmente dos de sua própria casa, tem negado a fé, e é pior do que o incrédulo (1 Timóteo 5.8).
Honra teu pai e tua mãe é um mandamento da Graça, pois é mandamento com Promessa.
Cuidar de pai e mãe e de todos os nossos, mesmo que o cuidar tenha que ser feito de cuidados pedagógicos, além de afetivamente meigos e materialmente atentos e generosos, é mandamento que carrega a promessa de que tal atitude chama tudo de bom para quem o pratica.
“Corbã” era o nome do “jeitinho” que os sacerdotes do Templo de Jerusalém deram ao casuísmo que ensinava que se alguém que fosse ajudar pai, mãe ou irmão, e por alguma razão não o desejasse fazer, tal pessoa poderia ir ao Templo e dizer: “O que seria deles, dou a Deus” — dando de fato aos sacerdotes.
Ora, Jesus chamou isto de abominação [Marcos 7]. E diz que os que assim procedem, tanto os que ensinam, como os que obedecem, perversamente, tal mandamento de homens, são como árvores que o Pai não plantou. Ou seja, são joio em seu proceder e, por isso, serão devidamente arrancadas...
Se digo que conheço a Deus, a Deus que é amor, e não saio de tal experiência e convívio em fé cheio de amor então, de fato, — segundo Jesus, João e todo o ensino do Novo Testamento — eu nunca conheci a Deus, pois, Deus é amor.
Afinal, se Deus é amor, quem quer que o conheça ama com todas as formas genuínas de amor ao próximo, posto que a prova do amor a Deus, no mundo, é minha disposição de amar e acolher meu próximo em Graça.
Assim, não cuidar dos meus, dos de minha casa, não importando qual seja a causa por mim alegada para que, podendo, não os ajude, é a própria negação da fé no Deus que é amor.
Ora, é assim em relação a qualquer homem na terra, mas, em se tratando dos que são “nossos”, se nem mesmo por eles eu me importar, tal atitude é um atestado de total desamor, o que é incompatível com a confissão da fé em Jesus.
Assim, filhos que não cuidam de seus pais, mesmo que confessando Jesus com os lábios, são ainda piores que os pagãos mais cínicos e incrédulos; posto que estes não dizem crer no Deus que é amor.
Do mesmo modo, pais que deixam seus filhos e os esquecem, nesta vida, são piores do que bruxos perversos.
Assim também ex-maridos que não se preocupam com o futuro da antiga companheira, são também seres que nunca conheceram o Evangelho.
Portanto, divórcios litigiosos de cristãos significam vergonha total e completa negação da fé; especialmente para o propositor da demanda, ou para aquele que, pela usura, cria o ambiente da demanda.
Não levante as mãos em adoração se antes você não as tiver estendido na direção do próximo, e, entre tais, àqueles que são sua carne e seu sangue; ou que são os que compartilharam a vida com você.
Hoje o que se vê são as “igrejas” inventando que o que se tinha para por em casa, antes se deve dar ao sacerdote dessa “aliança com a mentira” chamada de “Prosperidade”.
Eu, porém, digo a você: — se o dinheiro que você tem para dar à “igreja” é o único que você teria para ajudar a sua mãe, não pense duas vezes; pois, fazer tal coisa por amor e gratidão é infinitamente mais agradável a Deus do que qualquer dizimo e oferta que se “desvie” do compromisso imediato para com os “nossos, os de nossa própria casa”, para qualquer que seja a causa.
O que Jesus diria em tal caso, com todo equilíbrio, seria o que Ele disse em situação parecida: — Devíeis dar o dizimo do endro, do cominho e das hortaliças, sem deixarem de também demonstrar os que são os mais importantes valores da Lei da Vida: a fé, a misericórdia e o amor. Sim! Deveis fazer estas coisas sem omitir aqueles outras (Mateus 23.23).
Assim, como o dogma de Jesus é o amor, só se manifesta fé que agrade a Deus, se tal fé se veicular pelo amor.
Não é difícil de entender, é?
NELE, em Quem não há jeitinhos,

Caio Fábio d’Araújo Filho

05/10/07
Lago Norte
Brasília
3 de out. de 2007

PASTORAL DE OUTUBRO


PAI E MÃE
Obedecer aos pais não é uma opção dos filhos, é um imperativo de Deus para eles. A obediência é o caminho da liberdade verdadeira, é a porta da felicidade e o segredo de uma consciência sem culpa. A obediência dos filhos aos pais traz a bênção de Deus para eles. Honrar pai e mãe prolonga os dias de vida na terra, melhora a qualidade de vida da família, sustenta os alicerces da sociedade, lança os fundamentos de um futuro casamento feliz e uma descendência bem aventurada.
Os filhos que obedecem aos pais, poupam-se de muitas dores, fogem de muitos caminhos perigosos e evitam muitas lágrimas. Os filhos que honram aos pais são mais felizes, mais estáveis emocionalmente, mais bem sucedidos nos estudos, mais bem-aventurados no trabalho e, certamente, são os que alcançam maior sucesso no casamento e na vida. O caminho da desobediência, porém, é um caminho tortuoso, escuro, escorregadio e ladeado de abismos perigosos. A desobediência atrai maldição, deságua em traumas profundos, provoca feridas e gera a morte. A rebeldia dos filhos contra os pais é um pecado grave. A rebelião é como o pecado da feitiçaria. Resistir a autoridade dos pais é resistir a autoridade de Deus. A autoridade dos pais sobre os filhos é uma autoridade delegada pelos céus, e não uma lei imposta pela convenção, ou conveniência, da cultura humana.
Exortamos, portanto, aos filhos da Primeirona, no próximo dia 12, chamado Dia das Crianças, a refletirem sobre esta questão com seriedade. Deus espera que o coração dos filhos seja convertido ao coração dos pais. Deus espera que a família seja um lugar de vida abundante, de amor profundo, de diálogo respeitoso, de comunicação transparente, de companheirismo sincero e encorajamento recíproco. O lar deve ser um lugar de ensino, adoração, comunhão, disciplina, amor, perdão e restauração. Os filhos precisam ser amigos dos pais. Os pais precisam ter canais abertos de comunicação com os filhos. Os filhos precisam ter abertura e confiança para segredar aos pais seus conflitos, suas fraquezas e suas necessidades mais íntimas. Os pais precisam ter sabedoria, para ver as coisas como os filhos as vêem, ajudando-os a superar suas dificuldades na dependência do poder de Deus. Que o Senhor nos dê a graça de vermos uma geração de filhos que ousem obedecer e honrar a seus pais, para que vejamos tempos mais venturosos na família, na igreja e na sociedade.
Em amor, Rev. Pedro Corrêa Cabral
1 de out. de 2007

A Cruz de Cristo


O que você pensa sobre a cruz de Cristo? Talvez você considere esta questão como algo de pouca importância. Não obstante, dela depende inteiramente o bem-estar eterno de sua alma.
Há quase dois mil anos, houve um homem que disse gloriar-se na cruz de Cristo. Foi alguém que revirou o mundo de cabeça para baixo pelas doutrinas que pregava. De todos os homens que já viveram neste mundo, foi ele quem mais contribuiu para o estabelecimento do Cristianismo. E, mesmo assim, foi este homem quem disse aos Gálatas:
“Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”, Epístola de Paulo Aos Gálatas 6.14
Irmãos, a “cruz de Cristo” deve ser um assunto verdadeiramente importante para que um apóstolo inspirado fale de tal forma sobre ela. Deixe-me tentar demonstrar o verdadeiro significado desta expressão. Uma vez reconhecendo o que significa a cruz de Cristo, com a ajuda de Deus você se tornará capaz de perceber a importância dela para a sua alma.
A palavra cruz, na Bíblia, algumas vezes faz referência à cruz de madeira na qual o Senhor Jesus foi cravado e posto para morrer, no Calvário. Isto é precisamente o que Paulo tinha em sua mente quando falou aos Filipenses que Cristo “foi obediente até a morte, e morte de cruz” (Filipenses 2.8). Contudo, esta não era a cruz na qual Paulo se gloriava. Ele se esquivaria com horror da idéia de se gloriar em um mero pedaço de madeira. Eu não tenho quaisquer dúvidas de que ele denunciaria a adoração católica romana do crucifixo como profana, blasfema e idolátrica.
A cruz, em alguns momentos da história, é atinente às aflições e provações que os crentes atravessaram pela causa da religião que adotaram, quando se dispuseram a seguir a Cristo fielmente. Este é o sentido no qual nosso Senhor usa a palavra, quando diz: “Aquele que não toma a sua cruz, e segue-me, não é digno de mim” (Mateus 10.38). Este também é o sentido no qual Paulo usa a palavra quando escreve aos Gálatas. Ele conhecia bem esta cruz. Deveras, ele a carregava pacientemente. No entanto, também não é sobre isto que ele está falando aqui.
A palavra CRUZ também se refere, em alguns outros lugares da Escritura, à doutrina de que Cristo morreu pelos pecadores sobre a cruz, — a expiação que Ele fez pelos pecadores, por Seus sofrimentos em favor deles sobre a cruz — o completo e perfeito sacrifício pelo pecado que Jesus ofereceu quando deu Seu próprio corpo para ser crucificado. Em suma, este termo, “a cruz”, aponta para Cristo crucificado, o único Salvador. Este é o significado no qual Paulo usa a expressão, quando fala aos coríntios: “A pregação da cruz é loucura para os que perecem” (1 Coríntios 1.18). E este também é o significado do que ele escreveu aos Gálatas: “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. Ele está dizendo simplesmente, em outras palavras: — Eu não me glorio em nada mais, exceto em Cristo crucificado, como a salvação de minha alma.
Irmãos, Jesus Cristo crucificado era a alegria e o deleite, o conforto e a paz, a esperança e a confiança, a fundação e o lugar de descanso, a arca e o refúgio, o alimento e o remédio da alma do apóstolo Paulo. Ele não considerava que teria de executar algo por si mesmo, ou padecer por si mesmo. Ele não era mediado por sua própria bondade, nem por sua própria retidão. Ele amava pensar naquilo que Cristo havia feito, e naquilo que Cristo havia sofrido — a morte de Cristo, a justiça de Cristo, a expiação de Cristo, o sangue de Cristo, a obra finalizada de Cristo. Nisto, sim, ele se gloriava. Este era o sol de sua alma.
Este era o assunto sobre o qual ele amava pregar. O apóstolo Paulo foi um homem que percorreu a terra proclamando aos pecadores que o Filho de Deus havia derramado o sangue de Seu próprio coração para nos salvar. Ele caminhou por diversos lugares neste mundo, falando às pessoas que Jesus Cristo as amava, a ponto de morrer pelos seus pecados sobre a cruz. Observe como ele diz aos coríntios: “Eu vos entreguei o que primeiro recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados” (1 Co 15.3); “eu me determinei a não saber de qualquer coisa entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co 2.2). Ele – um blasfemo, fariseu perseguidor – havia sido lavado no sangue de Cristo; de tal modo a não poder deixar de sustentar sua paz sobre este sangue. Por isso ele nunca se cansava de falar da história da cruz.
Este foi o tema sobre o qual ele amava alongar-se quando escrevia aos crentes. É maravilhoso observar como suas epístolas geralmente são repletas dos sofrimentos e da morte de Cristo - como elas discorrem sobre "pensamentos que inspiram e palavras que ardem" sobre o amor e o poder das agonias de Cristo. Seu coração parece cheio deste assunto: ele discorre sobre isso constantemente e retoma o tema continuamente. É o fio de ouro que perpassa todo seu ensino doutrinário, e todas as exortações práticas. Ele parece pensar que, mesmo para o cristão mais maduro, nunca é demais ouvir sobre a cruz.
Foi sobre isto que ele viveu toda sua vida, desde o tempo de sua conversão. Ele diz aos gálatas: “A vida que agora eu vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, o qual me amou, e a si mesmo se deu por mim” (Gl 2.20). O que o faz tão forte para o labor? O que o faz tão disposto para a obra? O que o faz tão incansável em esforçar-se para salvar alguns? O que o faz tão perseverante e paciente? Eu vou dizer lhe qual o segredo disto tudo. Ele sempre se alimentava pela fé no corpo e no sangue de Cristo. Jesus Cristo foi a comida e a bebida de sua alma.
E irmão, você pode ter certeza de que Paulo estava correto. Confiar na cruz de Cristo é a verdade central de toda a Bíblia. Esta é a verdade que encontramos logo ao abrirmos o livro do Gênesis. A semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente — isso não é outra coisa senão uma profecia de Cristo crucificado. Deveras, esta é a verdade que brilha, por trás do véu, em toda a lei de Moisés e na história dos judeus. Os sacrifícios diários, o cordeiro pascal, o contínuo derramamento de sangue no tabernáculo e no templo - tudo isso são sombras do Cristo crucificado. E esta é a verdade que também vemos ser honrada na visão do céu, antes do fechamento do livro das Revelações: “Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto”(Apocalipse 5.6).
De fato, mesmo em meio à glória celestial, encontramos a visão de Cristo crucificado. Tire a cruz de Cristo, e a Bíblia será um livro obscuro. Ela seria como os hieróglifos egípcios, sem a chave que interpreta o seu significado – curiosa e maravilhosa, mas sem qualquer serventia real.
Irmão, observe bem o que eu lhe digo. Você pode conhecer uma boa porção da Bíblia. Pode conhecer os contornos das histórias nela contidas, e até a data dos eventos que a Bíblia descreve, assim como alguém pode conhecer a história da Inglaterra. Você pode conhecer os nomes dos homens e das mulheres nela mencionados, assim como um homem conhece César, Alexandre o Grande, ou Napoleão. Você pode conhecer vários preceitos da Bíblia, e os admirar, assim como um homem admira Platão, Aristóteles, ou Sêneca. Mas se você ainda não descobriu que Cristo crucificado é o fundamento de cada livro, você tem lido a Bíblia até agora de modo muito pouco proveitoso. Sua religião é um céu sem um sol, um arco sem um fecho, um compasso sem uma agulha, um relógio sem molas ou valores, um candeeiro sem óleo. Ela não o confortará. Ela não livrará a sua alma do inferno.
Irmão, observe mais uma vez o que eu lhe digo. Você pode conhecer bastante a respeito de Cristo, tendo alguma espécie de conhecimento intelectual. Você pode conhecer bem quem Ele foi, e onde Ele nasceu, e o que Ele fez. Você pode conhecer Seus milagres, Suas falas, Suas profecias, e Suas ordenanças. Você pode saber como Ele viveu, como Ele sofreu, e como Ele morreu. Contudo, somente podemos conhecer o poder da cruz de Cristo experimentando-o. A menos que você saiba e reconheça que aquele sangue derramado sobre a cruz lavou seus próprios pecados particulares, e a menos que você esteja disposto a confessar que sua salvação depende inteiramente da obra que Cristo realizou sobre a cruz, Cristo não lhe será em nada proveitoso. Sim, irmão, o mero conhecimento do nome de Cristo jamais o salvará. Você deve conhecer a Sua cruz e o Seu sangue, ou então acabará morrendo em seus próprios pecados.
Irmão, enquanto você viver, tome cuidado com uma religião na qual não se ouve muito da cruz. Você vive em tempos nos quais a cautela, lamentavelmente, é necessária. Cuidado, eu repito, com uma religião sem a cruz.
Há centenas de lugares de adoração nestes dias, nos quais se encontram quase todas as coisas, exceto a cruz. Há carvalhos gravados, e pedras esculpidas; há vidros coloridos, e pinturas esplêndidas; há serviços solenes, e uma constante série de ordenanças; mas a cruz real de Cristo, muitas vezes, não está lá. Jesus crucificado não é proclamado no púlpito. O Cordeiro de Deus não é exaltado, e a salvação mediante a fé n’Ele não é livremente proclamada. E, por consequência, todos estes lugares estão em erro. Irmão, acautele-se de tais lugares de adoração. Eles não são apostólicos. Eles não haveriam de satisfazer a Paulo.
Há milhares de livros religiosos publicados hoje em dia, nos quais se acham quase todas as coisas, exceto a cruz. Eles são plenos de orientações sobre os sacramentos, sobre os louvores da Igreja; eles abundam em exortações para uma vida santa, e em regras para a consecução da perfeição; eles apresentam fartura de fontes e cruzes, tanto interna quanto externamente; mas a cruz real de Cristo é deixada de fora. O Salvador e Seu amor agonizante tampouco são mencionados, ou o são de um modo anti-escriturístico. E, por conseqüência, todos esses livros são piores do que imprestáveis.
Irmão, Paulo não se gloriava em nada mais, a não ser na cruz. Esforce-se para também ser assim. Coloque Jesus crucificado sempre diante dos olhos de sua alma. Não ouça qualquer ensino que interponha algo entre você e Ele. Não caia no antigo erro dos gálatas. Não pense que alguém nestes dias seja melhor guia do que os apóstolos. Não se envergonhe das antigas veredas, nas quais percorreram homens que foram inspirados pelo Espírito Santo. Não deixe que a conversa vazia de homens que proferem grandes palavras sobre a catolicidade, e a igreja, e o ministério, perturbem a sua paz, e o façam desprender-se da cruz. As igrejas, os ministros e os sacramentos são todos importantes a seu próprio modo, mas eles não são Cristo crucificado. Não dê a glória de Cristo a nenhum outro. “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor”.
Irmão, coloquei tais pensamentos diante de sua mente. O que você pensa agora sobre a cruz de Cristo? Eu não posso dizer, mas não posso desejar a você algo melhor do que isso — que você possa ser capaz de dizer com o apóstolo Paulo, antes de você morrer, ou apresentar-se ao Senhor: — “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. Amém.
J.C. Ryle