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29 de abr. de 2008

Cristo, A Plenitude do Tempo


“No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Efésios 1.7)
Paulo consegue, com maestria, sintetizar a salvação em Cristo de forma objetiva e transparente. Em Ef 1.7 Deus nos fala, através de Paulo, sobre o que Cristo fez por nós “redenção... remissão dos pecados”; sobre o preço que pagou para que a salvação fosse possível ao homem “pelo seu sangue”; e, por fim, sobre a origem da redenção em Cristo “segundo a riqueza da sua graça”.
Lendo um texto como este, fico pensando como podem algumas pessoas não se comoverem e não refletirem sobre suas próprias existências. Poucos textos sintetizam a essência do cristianismo como este.
Cada palavra deste verso merece atenção, a começar pela primeira expressão “no qual”. Temos visto nos versos anteriores, que somos amados de Deus. Por isso, ele nos escolheu “antes da fundação do mundo” para sermos “santos e irrepreensíveis” no “Amado”, em Cristo Jesus. Ou seja, Deus nos escolheu para sermos amados no Amado. E, tudo isso “para louvor da glória de sua graça”. Portanto, “no qual” refere-se ao Amado de Deus, aquele que derramou o sangue pelos amados do Altíssimo, Cristo Jesus, o nosso Redentor.
Quando Deus criou o homem foi para se relacionar intimamente com ele. Por esse motivo o criou a sua imagem e semelhança. Porém, o pecado degenerou esse relacionamento, e se abriu um abismo entre o homem e o Altíssimo. Isaías diz assim: “Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não o possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus” (Is 59.1,2). Porém, aquilo que fazia separação entre nós e Deus foi eliminado quando Cristo se fez homem e se deu por nós na cruz do Calvário. A seguir vem a segunda palavra importante a ser considerada “redenção” .
Em Cristo temos redenção. Essa expressão significa libertação pelo pagamento de um resgate . No Brasil, é quase cotidiano notícias sobre seqüestros. Por isso, se torna mais fácil a compreensão desta expressão. Quando uma pessoa é seqüestrada, os seqüestradores exigem um resgate, geralmente, em dinheiro. Quando é pago o valor exigido, então, a pessoa seqüestrada é libertada e volta ao convívio familiar. É a mesma coisa com os cristãos. O pecado aprisionava o homem, não o deixando se relacionar com seu Criador e era exigido um resgate para sairmos dessa prisão. Cristo pagou o preço da nossa libertação e, por isso, em Cristo temos redenção, ou seja, a remissão dos nossos pecados.
Entendendo que a obra de Cristo na cruz resultou na nossa redenção, remissão dos pecados, também, entendemos que preço a nossa redenção custou. Neste ponto é importante salientar a terceira expressão “pelo seu sangue”.
Já dissemos que Deus criou o homem para se relacionar intimamente com ele e por isso o criou a sua imagem e semelhança. Na criação tudo era perfeito, ou seja, “muito bom”, era a perfeita harmonia. Nessa perfeição, Deus dá uma ordem ao homem para que não comesse do fruto do conhecimento do bem e do mal . Após essa ordem, Deus dá a primeira promessa: “porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). A primeira promessa de Deus ao homem foi a promessa de morte caso desobedecesse. Infelizmente, o homem desobedeceu. Após isso, Deus faz uma segunda promessa em Gn 3.16, de que o descendente da mulher (Jesus) pisaria na cabeça da serpente. A segunda promessa era de vida.
Jesus Cristo derramou o seu sangue dando a sua vida por causa dessas duas promessas. Em Cristo foi cumprida a primeira promessa, a de morte, e também a segunda, a de vida. Cristo tomou sobre si a nossa morte e nos deu sua vida. Essas duas promessas que são cumpridas em Cristo é o que percorrem toda a Escritura até chegar em Cristo. É o que diz Gl 4.4-7 referindo-se ao cumprimento dessas duas promessas de “plenitude dos tempos”: “Vindo, porém, a plenitude do tempo Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. O cumprimento dessas promessas em Cristo é o que podemos dizer de essência do cristianismo. Isso é maravilhoso e enche o nosso coração de regozijo!
Somente entendendo o que foi o sacrifício de Cristo na cruz do Calvário é que podemos entender a última expressão “a riqueza da sua graça”. Entender como Deus nos amou, mesmo sendo pecadores; de que forma maravilhosa toda Escritura converge para o sacrifício vicário de Cristo; como os planos de Deus são perfeitos; tudo isso deve fazer com que honremos ao Senhor de toda Glória. Sabendo que “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as cousas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Rm 11.36). Deus os abençoe.
Fábio Ito
25 de abr. de 2008

Todas as Coisas


Romanos 8.28 — Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
Sabemos – Essa não é uma questão de especulação, de debate teológico, ou de teoria filosófica. Nós que nascemos de Deus, que conhecemos a Deus, que somos ensinados por Deus, “sabemos”. Nós sabemos pela revelação da Escritura Sagrada, pelo ensino do Espírito Santo, pela experiência da graça e da fé dada por Deus.
“Sabemos que todas as coisas” – Alguém pode dizer: 'Certamente, Paulo não queria dizer todas as coisas sem exceção'. Oh, mas ele quis. Isso é exatamente o que ele quis dizer.
Todos os seres, criados e não-criados, estão trabalhando constantemente para o bem dos eleitos de Deus. Todas as três pessoas da Trindade Santa, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, todos os anjos de Deus (bons e maus, os anjos preservados em santidade e aqueles que caíram!), e todos os homens (justos e ímpios!), todos estão executando a vontade de Deus na providência para o bem dos seus eleitos.
Todas as coisas, no tempo e na eternidade, são soberana e constantemente manipuladas pelo nosso Deus e Pai celestial para o nosso bem. Nós não temos dificuldade em ver a mão de Deus em todas as coisas boas. Nós sabemos que todas as coisas boas vêm da mão de Deus. De fato, Tiago diz que nada senão o que é bom vem do nosso Deus (Tiago 1.17). Todavia, Paulo afirma claramente que todas as coisas (tanto más como boas) são soberanamente governadas e dominadas pelo nosso Deus em sua adorável, sábia e boa providência para o bem dos pecadores escolhidos e redimidos.
Assegure-se que você entenda o ensino da Escritura Sagrada a esse respeito. Nosso santo Deus não é o autor ou a causa do pecado; mas ele é o Administrador e Governador dele (Isaías 45:7; Amós 3:6; Salmo 76:10). O pecado não é algo que toma Deus de surpresa. O pecado não é algum rival de Deus, o qual está de alguma forma fora do seu controle, ou além da esfera do seu poder e domínio como Deus. Aquele que é Deus governa tanto quando ele impede Abimeleque de pecar contra ele, como também quando ele envia Simei para amaldiçoar Davi (Gênesis 20.:6; 2 Samuel 16.10).
O pecado e a queda do nosso pai Adão, o pecado original, foi governado para o bem. Da queda de Adão veio a necessidade de um Salvador. A queda do primeiro Adão foi o caminho para a vinda do último Adão.
O pecado que habita em nós constantemente nos lembra de nossa dependência absoluta de nosso Deus e de sua graça em Cristo (Paulo - 2 Coríntios 12.9). Deus poderia facilmente erradicar o pecado de nossa natureza aqui na terra, assim como ele o fará na glória; mas enquanto estamos aqui, ele considera melhor nos deixar em nossa natureza velha e adâmica, para que ele possa nos manter sempre olhando para Cristo, a fim encontrar graça e justiça. Nossas muitas quedas nos mostram a fidelidade imutável de nosso grande Deus e nos ajudam a controlar o nosso orgulho (Salmo 37.24; Malaquias 3.6; Marcos 16.7).
Certamente, se até mesmo nossos pecados são graciosamente governados por nosso Deus para nos fazer o bem, devemos ver que todas as coisas más experimentadas na vida, assim como as boas, são governadas por ele em sua gloriosa soberania para nos fazer o bem! Todas as nossas provas e aflições terrenas, todas as nossas doenças e dores, todas as nossas tristezas e privações. Até mesmo aquelas coisas pelas quais Satanás nos tenta destruir, são graciosa, sábia e soberanamente governadas por nosso Deus para o nosso bem. Nós podemos, portanto, falar do demônio do inferno como José falou dos seus irmãos. O que ele intentou para o mal, Deus intentou para o bem; e o bem será realizado (Gênesis 50:20).
Don Fortner
19 de abr. de 2008

Arrepender-se ou Perecer!


Estas foram as palavras do Filho de Deus. Elas nunca foram canceladas; e não serão, enquanto este mundo durar. O arrependimento é absoluto e necessário, se é para o pecador obter paz com Deus (Isaías 27.5), porque arrependimento é o lançar fora as armas da rebelião contra o Senhor. O arrependimento não salva, todavia nenhum pecador jamais foi ou será salvo sem ele. Nada senão Cristo salva, mas um coração impenitente não pode recebê-LO.
Um pecador não pode crer verdadeiramente até que se arrependa. Isso é claro a partir das palavras de Cristo a respeito do Seu precursor: — Pois João veio a vós no caminho da justiça, e não lhe deste crédito, mas os publicanos e as meretrizes lho deram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para crerdes nele (Mateus 21:32).
Isso é também evidente a partir de Sua chamada como trombeta em Marcos 1:15, "Arrependei-vos e crede no evangelho". Não faça confusão neste ponto. querido irmão. Deus "ordena agora que todos os homens em todo lugar se arrependam" (Atos 17:30).
Em requerer arrependimento de nós, Deus está pressionando Suas justas reivindicações sobre nós. Ele é infinitamente digno de supremo amor e honra, e de universal obediência. Isso nós temos, impiamente, Lhe negado. Tanto reconhecimento como correção é requerido de nós. Nossa desafeição por Ele e nossa rebelião contra Ele devem ser reconhecidas e exterminadas. Dessa forma, o arrependimento é uma compreensão profunda de quão terrivelmente tenho falhado, durante toda minha vida, em dar a Deus Seu justo lugar em meu coração e em meu andar diário.
A justiça da demanda de Deus por meu arrependimento é evidente, se considerarmos a natureza hedionda do pecado. Pecado é uma renúncia àquele que me fez. É recusar ao Criador Seu direito de me governar. É a determinação de agradar a mim mesmo. Assim, é uma rebelião contra o Altíssimo. O pecado é uma ilegalidade espiritual e uma indiferença absoluta à autoridade de Deus. O pecado diz em meu coração: — Eu não me importo com o que Deus requeira, eu vou seguir o meu próprio caminho; eu não me importo com o que Deus reivindique de mim, eu serei o senhor de mim mesmo.
Será que você não percebe que é assim que você tem vivido?
O arrependimento verdadeiro origina-se a partir de uma compreensão no coração, operado neste pelo Espírito Santo, da excessiva malignidade do pecado, do terror de ignorar as reivindicações dAquele que me fez, de desafiar Sua autoridade. Ele é, conseqüentemente, um santo ódio e horror ao pecado, uma profunda tristeza por ele, e o reconhecimento dele diante de Deus, e um completo abandono dele. Até que isto tinha sido feito, Deus não nos perdoará. "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Provérbios 28:13).
No verdadeiro arrependimento, o coração se volta para Deus e reconhece: —Meu coração tem sido posto sobre um mundo vão, que não pode satisfazer as necessidades de minha alma; eu Te abandonei, a fonte de águas vivas, e me voltei para cisternas rotas que nada retêm: eu agora reconheço e lamento minha tolice.
Ele ainda diz mais: — Eu tenho sido uma criatura desleal e rebelde, mas eu não mais serei assim. Eu agora desejo e determino com todo meu poder servir e obedecer a Ti como meu único Senhor. Eu me entrego a Ti, Senhor.
Irmão, seja você um Cristão professo ou não, é arrepender-se ou perecer. Para cada um de nós, membro de igreja ou não, é voltar ou queimar; voltar da direção da obstinação e auto-satisfação; voltar para Deus com um coração quebrantado, procurar Sua misericórdia em Cristo; voltar com total propósito de coração de O agradar e servir; ou ser atormentado dia e noite, para sempre e sempre, no Lago de Fogo. Oh, ajoelhe-se agora mesmo e implore a Deus que lhe dê o espírito de verdadeiro arrependimento.
"Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar; mas a tristeza do mundo opera a morte". (2 Coríntios 7:10).
Arthur W. Pink
16 de abr. de 2008

Um Sorvete pra Matar a Fome


Era uma tarde quente de domingo. Eu caminhava sozinho pela Avenida Rio Branco, naquele momento, deserta. Gosto de caminhar por ali e contemplar a bela arquitetura do centro do Rio de Janeiro. Aprecio as construções antigas, magníficas, sobranceiras. Muito da História do Rio de Janeiro e do Brasil passa por aquela e outras avenidas centrais da Cidade Maravilhosa. Como sou um apreciador das coisas da história, quando posso, dou-me o prazer de passar um bom tempo caminhando por ali.
Como estava muito quente resolvi tomar um sorvete (uma das minhas paixões proibidas por causa de minhas constantes faringites) num quiosque de uma famosa rede de Fast-food. De repente vi que não estava só. Aproximou-se um rapaz e foi logo me pedindo: “moço, me dá um sorvete... é que eu tô com fome”. Como eu estava com o dinheiro “contado” para voltar a Teresópolis, não pude atender o pedido daquele jovem, quase adulto.
Instantaneamente me pus a pensar: “peraí... a lanchonete está aberta...se ele realmente estivesse com fome teria me pedido algo para comer,e não uma “sobremesa”... sorvete não mata a fome...” e meu pensamento foi parar onde sempre pára nessas horas em que as coisas inusitadas me acontecem: na realidade da igreja. Na mesma hora senti que aquele era o quadro fiel de algumas igrejas que tenho conhecido. Estão querendo matar a “fome” com “sorvetes”.
Pensei em como a Palavra, verdadeiro alimento que realmente sacia a fome (nem só de pão viverá o homem, mas de toda Palavra...), tem sido trocada por meros “sorvetes” espirituais. Engraçado é que sorvetes geralmente são a sobremesa preferida das crianças. É difícil conhecer uma criança que não goste de se lambuzar de sorvete, e mais, elas são capazes de trocar pratos saborosos e nutritivos por uma pequena taça dessa guloseima doce e gelada.
Lembrei-me de Paulo dizendo aos Coríntios que gostaria de lhes dar alimento sólido, mas não podia e tinha que lhes dar leite, ainda eram meninos na fé, crianças espirituais. Lembrei-me do mesmo Paulo dizendo que o amor (que é superior a todos os dons) era coisa pra gente grande, pois quando era menino fazia as coisas de menino, corria atrás dos dons como se fossem fins em si mesmos, mas quando descobre que tudo aquilo não era nada sem amor, ele abandona as coisas de menino.
Alimentos sólidos... a Palavra... o Amor... coisas tão distantes da maioria de nossas igrejas e “bibocas eclesiásticas”. O interesse pelas coisas que realmente dão “sustância” à nossa vida parece desaparecer à medida em que as novidades aparecem e chamam nossa atenção, e desviam nosso olhar daquilo que realmente é essencial.
“A coisa principal é fazer da coisa principal a coisa principal.” Ouvi essa frase em um dos sermões do Russell Shedd em que ele citava um escritor inglês que agora não lembro o nome. Como isso é verdadeiro!! A igreja tem dado lugar às coisas de menor importância em detrimento daquelas que são essenciais. A “coisa principal” há tempos deixou de ser a coisa principal.
Veja nossos congressos, nossos seminários, nossas cruzadas (detesto essa palavra pois me remete à Idade Média e as atrocidades feitas em nome de Deus). As “estrelas” não são os pregadores da Palavra, na verdade em muitos desses eventos as pessoas nem perceberiam se não houvesse pregação da Palavra, desde que saíssem de lá sentindo o “mover”, o “fluir” e a “unção”. Se houver algo para me emocionar, me fazer chorar, pular, gritar, melhor ainda afinal de contas, segundo um desses “maravilhosos” e medíocres cânticos a que somos entregues todo o dia, “o meu corpo é pra pular diante do Senhor”, ou pior, “faça o melhor... pule... grite...” ... e tome sorvete pra criançada...
As palavras de Paulo são mais que atuais nesses nossos dias, são imprescindíveis. “Leite (sorvetes são feitos com leite) vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais.” Infelizmente essa ainda é a nossa realidade.
Que Deus nos ajude a amadurecermos, a prosseguirmos para o alvo, crescendo, até chegarmos à estatura de homem perfeito, deixando as coisas de criança e nos apegando àquelas que realmente nos edificam e nos alimentam, e que nunca mais sejamos crianças pedindo um sorvete pra matar a fome.
Que Deus mesmo nos faça crescer Nele.
José Barbosa Junior
12 de abr. de 2008

A Trindade Santa


Deus é uma trindade de pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Pai não é a mesma pessoa que o Filho; o Filho não é a mesma pessoa que o Espírito Santo e o Espírito Santo não é a mesma pessoa que o Pai. Eles são pessoas distintas; ainda assim, são todos o mesmo único Deus. Eles estão em perfeita harmonia consistindo de uma única substância. Eles são co-eternos, co-iguais e co-poderosos. Se qualquer deles fosse retirado, então não haveria Deus. Existe, aparentemente, uma separação de algumas funções entre os membros da divindade. Por exemplo: o Pai escolhe quem será salvo (Ef 1:4); o Filho os redime (Ef 1:7); e o Espírito Santo os sela (Ef 1:13).
Um ponto que é necessário esclarecer é que Deus não é uma pessoa, o Pai, com Jesus sendo uma criação e o Espírito Santo uma força de Deus, como ensina a seita das Testemunhas de Jeová. Nem tampouco Deus é uma pessoa que adquiriu três formas consecutivas, isto é, o Pai tornou-se o Filho que, depois, tornou-se o Espírito Santo, como querem algumas correntes pentecostais. Nem ainda é a Trindade uma associação de três deuses separados, como prega a terrível seita dos Mórmons.
Vejamos a seguir algumas passagens bíblicas que ajudarão você a ver como a doutrina da Trindade originou-se das Escrituras. Os exemplos não são exaustivos, somente ilustrativos. O primeiro passo é estabelecer quantos deuses existem: UM! Isaías 43:10 diz — Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.
E se você quiser pode ainda consultar Is 44:6; Is 45:14,18,21,22; Is 46:5,9 onde comprovadamente verificamos a existência de UM só Deus. — "Eu sou o SENHOR e fora de mim não há Deus" (Is 45:5).
O segundo passo consiste em comparar passagens da Escritura. Por exemplo, em Isaías 64.8 percebemos o Deus Pai Criador — Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos.
No mesmo sentido, João 1.3 nos mostra Deus Filho como Criador — Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.
E em Jó 33.4 vemos o Espírito Santo também no trabalho de criação — O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida.
Um outro exemplo nos mostra que as três pessoas da Trindade Santa habitam em nós. Em 2 Coríntios 6.16 Paulo nos diz — ... Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
Enquanto Colossenses 1.26-27 afirma o Filho fazendo morada em nós — agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória.
E em João 14.17 descobrimos o Espírito Santo habitando em nós — o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.
Penso que estes dois exemplos são suficientes para você estabelecer no seu coração a convicção da existência da Trindade Santa, embora a palavra trindade não apareça na Bíblia.
No amor de Cristo,
Rev. Pedro Corrêa Cabral
11 de abr. de 2008

A Palavra de Deus


Deus é tão grande que não podemos conhecê-lo na sua totalidade, mas apenas aquilo que ele revela a nós, seja pela sua Palavra, seja na sua criação. O Senhor é tão grande que não podemos vê-lo ou tocá-lo, conforme lemos em 1Tomóteo 6.16. Assim, ele se revela a nós como nosso Salvador e Pai por sua Palavra. Não devemos nos surpreender com isso, posto que o discurso é o principal meio de comunicação mesmo entre nós, que fomos criados à sua imagem e semelhança.
Entretanto, que Deus fala aos homens é um milagre. É um milagre, em primeiro lugar, porque o infinito e o eterno Deus falou de si mesmo e da sua glória em nosso linguajar limitado e imperfeito, mas mesmo assim tornou algo de si verdadeiramente conhecido para nós. Desta forma, Ele é um Deus que conhecemos e com quem temos comunhão por meio de sua Escritura.
Em segundo lugar, o falar de Deus aos homens é um milagre porque, assim como acontece com a linguagem humana, esse falar de Deus a nós é mais do que apenas um meio de comunicação. É o meio pelo qual temos comunhão com o Senhor, o conhecemos e o amamos. Como um homem conhece e ama a voz de sua amada esposa, acima de todas as outras, assim realmente conhecemos e amamos a Deus ouvindo a sua voz (Cantares de Salomão 2.14).
Em terceiro lugar, a revelação de Deus de si mesmo por meio da Escritura é um milagre porque a Palavra não é mero som no ar, nem marcas sobre uma folha de papel, mas é uma Palavra viva e eterna (1Pedro 1.23). É uma palavra que não somente ouvimos e lemos, mas que toma uma forma visível e se torna uma revelação tangível do Deus vivo e invisível (1 João 1:1), de maneira que embora Deus seja para sempre impossível de se ver, vemo-lo na pessoa de seu Filho, o Verbo feito carne.
E finalmente, a Palavra é um milagre porque é um ato de condescendência e misericórdia que Deus tenha falado conosco. Uma vez que caímos no pecado, não seria mais apropriado que ele se afastasse e se ocultasse de nós? Todavia, ele fala, e fala de paz, de amor e de graça.
Que Deus fala em misericórdia como nosso Pai e Salvador é possível somente por causa da relação inseparável entre a Palavra feita carne e a Palavra escrita, lida e pregada. Não pode existir uma sem a outra. Somente através da Palavra escrita conhecemos a Palavra viva. Não há outra possibilidade, não importa o que aqueles que falam de revelações diretas possam alegar. Tampouco, é a Palavra escrita entendida e recebida, a menos que alguém também conheça e a receba por meio daquela Palavra viva feita carne.
Existem erros que precisam ser evitados dos dois lados. Por um lado, devemos evitar falar de conhecer e crer em Cristo à parte das Escrituras, como se, agora que a Bíblia está completa, pudéssemos ter comunhão com ele, ouvi-lo e vê-lo à parte daquelas Escrituras. Por outro lado, nunca podemos esquecer que ler as Escrituras e não encontrar Cristo nelas (]oão 5:39, 40) é lê-las sem entendimento e em vão.
Assim, nunca podemos duvidar, ou esquecer, dessas Escrituras, pois que elas nos foram dadas em forma escrita e preservadas nessa forma por Deus, desde os tempos antigos. É por essas Escrituras somente que a Deus agrada se fazer conhecido em e através do nosso Senhor Jesus Cristo. "São elas", Jesus diz, "que de mim testificam" (João 5.39). Prestemos, portanto, a mais séria atenção às Escrituras (Hebreus 2.1)
Ronald Hanko
9 de abr. de 2008

Qual é o seu valor?


Há muito tempo, numa cidade do interior, um jovem que vivia desanimado dirigiu-se ao seu professor:
— Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa que não tenho forças para fazer nada. As pessoas me dizem que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?
O professor, sem olhá-lo, disse-lhe:
— Sinto muito, meu jovem, mas não posso ajudar. Devo primeiro resolver meu próprio problema. Talvez depois. — E fazendo uma pausa, falou:
— Se você me ajudasse, eu poderia resolver este problema com mais rapidez e depois talvez possa lhe ajudar.
— Claro, professor - gaguejou o jovem, logo se sentindo outra vez desvalorizado e hesitou em ajudar seu professor. O professor tirou um anel que usava no dedo mínimo deu ao garoto, dizendo:
— Pegue o cavalo e vá até o mercado. Devo vender esse anel porque tenho de pagar uma dívida. É preciso que você obtenha pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vai e volta com a moeda o mais rápido possível.
O jovem pegou o anel e partiu. Mal chegou ao mercado, começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel. Quando o jovem mencionava a moeda de ouro, alguns riam, outros saiam, sem ao menos olhar para ele. Só um velhinho foi amável, a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel.
Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas. Depois de oferecer a jóia a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso, montou no cavalo e voltou. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, assim livrando a preocupação de seu professor e, assim, receber ajuda e conselhos. Já na escola, diante de seu mestre, disse:
— Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir duas ou três moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.
— É importante o que você disse, meu jovem... — falou o professor, sorridente — Devemos saber primeiro o valor do anel. Pegue novamente o cavalo e vá até o joalheiro. Quem poderia ser melhor para saber o valor exato do anel? Diga-lhe que quer vender o anel e pergunte quanto ele lhe dá. Mas não importa o quanto ele lhe ofereça, não o venda... Volte aqui com meu anel.
O jovem foi até o joalheiro e deu o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o anel e disse:
— Diga ao seu professor, se ele quer vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel.
— 58 MOEDAS DE OURO!!! - exclamou o jovem.
— Sim, replicou o joalheiro, eu sei que, com tempo, eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente...
O jovem correu emocionado à escola para contar o que ocorreu. Depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou, o professor disse:
— Você é como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por um "expert". Será que você pensava que qualquer um podia descobrir seu verdadeiro valor?
E, dizendo isso, voltou a colocar o anel no dedo.
— Todos somos como esta jóia. Valiosos e únicos, andamos por todos os mercados da vida, pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.
Porém ninguém, além do Grande Joalheiro, o Deus eterno e poderoso, sabe o nosso valor!

Autor desconhecido
6 de abr. de 2008

Os Santos Também Sujam os Pés no Caminho


Um dos mais fascinantes momentos bíblicos, ao meu ver, é o momento em que Cristo, durante a última ceia, lava os pés dos discípulos. Toda vez que tento imaginar essa cena, meus olhos marejam... é simplesmente linda!!! E quanta coisa nos ensina...
Ali estavam eles, os discípulos... haviam andado com o Mestre por alguns anos, contemplando face a face o verbo, Deus encarnado, sentindo o cheiro de Deus, vendo o “jeitão” de Deus, ouvindo sua voz...
Mas estava chegando a hora final, a cruz que era desde a eternidade se fazia urgente, palpável, vinha dos tempos eternos para rasgar a história e ver cravada nela o cordeiro imolado desde antes da fundação do mundo. O que era fora do tempo, estava prestes a invadir a cronologia humana e executar o plano, o único plano de Deus para a salvação... a CRUZ.
Jesus então cinge-se com uma toalha, tira a vestimenta de cima, enche uma bacia com água e passa a lavar os pés dos discípulos. Vergonha!! Humilhação!! Quem lavava os pés geralmente era um servo, alguém a mando de seu senhor, dono da festa, dono da casa. Inversão de valores, servos sendo servidos, o Senhor era quem os servia, o dono da festa é quem “paga o mico”... e Ele se humilhou...
Pedro, em seu impetuoso temperamento, seu jeitão tosco, dono do mar, pescador destemido, na arrogância infantil que lhe era peculiar, nega essa possibilidade: “nunca me lavarás os pés”. Gesto aparentemente humilde, pois trazia em seu bojo o reconhecimento da autoridade do Mestre, foi duramente reprovado por aquele que trazia a bacia e a toalha nas mãos: “Se eu não te lavar os pés, não tens parte comigo (...) quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais está todo limpo...”
Os santos também sujam seus pés no caminho! Mesmo aqueles que tem seus pés firmes na Rocha, que caminham naquele que é o Caminho, podem por muitas vezes sujar os pés.
O que mais me fascina em Jesus é sua total compreensão da humanidade e sua não-religiosidade. Jesus hoje seria, com certeza, confundido com o Anti-Cristo por alguns líderes da “religião cristã”, pois seu modo de agir, suas palavras e sua maneira de encarar as coisas difere muito da chamada “moral evangélica”.
Jesus não seria “evangélico”. Cada vez mais me convenço disso. Seu modo de lidar com os erros, com as dificuldades daqueles que sujam os pés no caminho é totalmente diferente da forma como vejo a “igreja”. Ele cuida, ele trata, ele lava os pés, mas não deixa de dizer que o corpo já está limpo... são só os pés... empoeirados, sujos, machucados... quão diferente daqueles que jogam fora a criança junto com a água da bacia... tão típico dos grandes coronéis-apóstolos-super-pastores de nossos “arraiais”.
Essa santidade que anda por aí, que não abre espaço aos pés sujos no caminho, essa eu não quero! Essa santidade do “não toque”, “não prove”, “não mexa” ... é a santidade dos fariseus. Paulo já dizia que essa santidade, na verdade, é falsa humildade, culto de si mesmo! (Cl 2.20-23). Essa santidade daqueles que querem ser mais santos do que Deus, daqueles que dizem que é pecado aquilo que Deus nunca chamou de tal, essa eu rejeito! A santidade dos “levitas”, dos “apóstolos”, dos “semi-deuses”, dessa eu quero distância.
Quero deixar claro que não estou fazendo uma apologia ao pecado! O mesmo Paulo que escreve o texto acima também diz que não devemos fazer uso dessa liberdade para dar ocasião à carne (Gl 5.13). Para a liberdade foi que Cristo nos chamou, principalmente porque nos libertou do império das trevas, da tirania da carne, para o reino do Filho do seu amor. Liberdade que nos faz responsáveis e que nos enche de gratidão pela graça (ah! a graça) que nos enche os pulmões e a alma do vento que sopra onde quer.
O que estou querendo dizer é que é possível, mesmo no Caminho, sujar os pés... e encontrar consolo naquele que lava os pés, corações, mentes, olhos, simplesmente por ser a água viva.
Que Ele nos guarde de todo o mal no caminho que, às vezes, nos suja os pés.
Com carinho,
José Barbosa Junior

ANIVERSARIANTES DE ABRIL



Dia - Aniversariante
12 - Mauriceia
13 - Yanara Lins
23 - Maia José (Zeza)
23 - Camila Lira
24 - Pb. Cícero Antônio
29 - Maria Célia ferreira

PEDIDOS DE ORAÇÃO


Pb Cícero Antônio e Gil (vida espiritual); Internos do Desafio Jovem de Alagoas; Graça (vida espiritual); Irmã Neuza (de Botucatu, SP – vida espiritual da família); Missionários da APMT; Irmã Nivânia e Irmão Luis Felipe Calundo (Inglaterra – saúde e que Deus conceda um filho ao casal); Missionária Maria Noêmia (Oriente Médio – saúde); Missionária Diná Freitas (Índia); Missionário Rev. Marco Mota (Senegal); Juvenal Quaresma (IPF – saúde); Márdem (primo da Lysia – saúde); Dilmar e Kelly (vida espiritual).

CALENDÁRIO DO MÊS



abril de 2008
05 – Palestra Harmonia Conjugal proferida pelo Pr. Pedro e irmã Lysia, no ECC da Igreja Batista da Comunhão.
06 - Consagração da Mocidade – 07:30 hs
Culto de Adoração 19:00 hs
13 – Consagração da Mocidade – 07:30 hs
Encontro de pastores com o Presidente do Supremo Concílio, às 15:00 hs, na IP de Maceió.
Centenário do presbiterianismo em Alagoas
Culto de Adoração 19:00 hs
19 – Dia do Índio

20 – Consagração da Mocidade – 07:30 hs
Culto de Adoração 19:00 hs
21 – Dia de Tiradentes (feriado nacional)
26 – Reunião do Conselho da igreja
27 – Consagração da Mocidade – 07:30 hs
Culto de Adoração e Santa Ceia 19:00 hs
28 – Dia da Sogra
2 de abr. de 2008

SOBRE O VINHO E OUTRAS COISAS


Publicamos a seguir, primeiramente, uma carta de um irmão, Marcelo, ao Rev. Caio Fábio. Logo depois, vem a resposta do Caio. Irmãos, vale a pena ler esses textos. Com amor, Pr. Pedro Corrêa Cabral.
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Querido Pastor Caio Fábio,
Graça e Paz nAquele que nos satisfaz em tudo!
Nasci em um lar evangélico, aprendi que nosso testemunho de cristão deve servir de luz para o mundo, que como crentes em Cristo Jesus não somos diferentes, mas devemos fazer a diferença...
Mas a cada dia que passa entro mais em contradição, não com minha fé em Cristo Jesus, mas com as doutrinas impostas pelas "igrejas". Sou de uma igreja bem formal. Sempre aprendi, e cresci com isso, que o crente deveria ser diferente, pois tem a luz de Cristo, e porque crente é o sal da terra.
Não gostaria de julgar as pessoas, as atitudes delas; mas cada dia que passa, vejo que a Igreja de Cristo tem se confundido com as coisas do mundo.Existem coisas que não consigo aceitar, nem entender, como: "Boate evangélica; crente bebendo cerveja santa; festa junina santa; baile santo"... Hoje em dia tudo é permitido... Qual a diferença do povo de Deus?
Sou um jovem de 28 anos e não me enquadro no estereótipo "quadrado", mas será que a "igreja" e a "doutrina", conseguiram me fazer ser "quadrado"?
Será que eu deveria evoluir juntamente com as inovações propostas pelo mundo?
Abraços,
Marcelo

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Amigo e irmão Marcelo: Graça, Paz e Bem!
Leia Romanos 14 e você entenderá qual é a postura de um cristão frente coisas desse tipo. A leitura é tão simples que não farei comentário algum, pois sei que você entenderá. Há, todavia, algumas coisas que gostaria de tratar com você, pois tenho algumas opiniões a lhe dar.
1º. Boate de crente, cerveja de crente, e tudo mais de crente e para crente, além de ser, em si, algo careta e feio, é sintoma e manifestação de que os crentes não são o sal da terra, mas sim o sal dentro do saleiro. Ora, isto é reflexo daquilo que foi ensinado aos crentes: que o diabo mora na boate, que os demônios vivem no álcool e que o mundo é um lugar, não um espírito. Assim, quanto mais pensam que o mundo é feito de lugares, mais eles se tornam mundanos, visto que não vão aos lugares do mundo, mas criam seus "corbãs" (Mc 7:9-13) a fim de jeitosamente darem seus "jeitos" em relação àquilo que se diz ser mundano, mas que eles não vêem mal algum em fazer, tendo que fazê-lo dentro do aquário cristão, visto que para eles o mundo é um lugar, não um espírito. Assim, eles tornam mau, pela sua própria alienação e
preconceito, algo que em si nem é bom e nem é mau, dependendo apenas de como cada um lida com a coisa em si.
2º. O mundo é um espírito, de acordo com Paulo. Ele chama de "curso deste mundo", cuja tradução modernizada seria "o fluxo da corrente deste mundo". Ora, esse espírito do mundo foi jeitosamente vinculado pelos evangélicos às coisas do lazer, do prazer, da diversão, dos relacionamentos, das festas, das boates, dos cigarros, das bebidas, das roupas e dos cosméticos. Assim, mesmo que uma pessoa que seja bondosa, sóbria, piedosa, misericordiosa, madura, limpa de olhos, sem inveja, não interessada em fofocas, nem em disputas de espaço religioso, e plena de amor a Deus — ainda assim a tal pessoa será considerada mundana se tomar cerveja ou outra bebida alcoólica, se gostar de dançar, se fumar cigarro, de vestir-se bem e conforme gostos modernos e se não falar conforme a língua do gueto cristão. E isso é assim porque para os "evangélicos" o que contamina o homem é o que entra pela boca e não o que sai do coração. Ou seja: a maioria dos "evangélicos" são discípulos dos fariseus, enquanto pensam que são discípulos de Jesus.
3º. No ensino da Palavra há "um mundo" ao qual se deve odiar e há "um mundo" ao qual se deve amar. O mundo que se deve odiar é feito de espíritos de maldade, inveja, corrupção, malícia, manipulação, ódio, raivas, perseguições, antipatias, não-afetividade, e objetivação do próximo. Esse é o mundo que se deve odiar, e que existe tanto na "igreja", em seus concílios e em suas convenções, quanto em qualquer disputa política no Congresso Nacional. Já o mundo que se deve amar é feito de gente, de todo tipo de gente, e tem a ver com a celebração da vida, da alegria, da comunhão humana, da sociabilidade que aproxima os diferentes; visto que tal "mundo" é objeto do amor de Deus: a humanidade.
4º. Assim, em Jesus, o mundo existia muito mais no Sinédrio de Jerusalém do que na casa dos publicanos. Era em Jerusalém, a Jerusalém dos cultos ininterruptos, onde Jesus via o mundo; e é de lá que vêm os poderes acerca dos quais Jesus diz: "Vamo-nos daqui; pois aí vem o príncipe deste mundo" (João 14.30) — embora quem chegue sejam as autoridades religiosas a fim de prendê-LO.
5º. Se o mundo, segundo Jesus, fosse festa, bebida, dança, e outras coisas, então, se deveria dizer que Jesus era um mundano, visto que Ele comia de tudo (a ponto de Lhe chamarem "glutão"), bebia de tudo (a ponto de ser designado como "bebedor de vinho"), andava com todos (a ponto se ser chamado "amigo de pecadores"), e não criava eventos para os pecadores, de um lado, e para os discípulos, de outro. Ao contrário, Ele levava os discípulos para a boate dos publicanos, para a festa dos pecadores, para os banquetes dos mundanos, do ponto de vista da religião.
6º. Jesus também não bebia cerveja, ou vinho sem álcool. O vinho que Ele criou em Caná era vinho mesmo, como convinha ser em qualquer festa. Além disso, nos dias dEle, Joaquim Jeremias nos diz que a bebida mais comum era a "cevita", uma cerveja muito apreciada pelo mundo romano e por todas as pessoas da Palestina. Isso sem falar que o vinho da Ceia, segundo Paulo (I Co 11), tinha o poder de fazer embriagar ("...ao passo que há quem se embriague..."). Portanto, os cristãos originais não tinham essa neurose acerca de bebida alcoólica, até porque não dá para ser discípulo de Jesus e praticar essa forma de ascetismo — ou qualquer outra forma de ascetismo — visto que Jesus era tudo, menos ascético. E o ensino de Paulo aos Colessenses é
flagrantemente contrário ao ascetismo do tipo "... não bebas isto, não proves aquilo, não toques aquilo outro...", coisas essas que Paulo diz que têm "aparência de sabedoria e humildade, mas que não têm valor algum contra a sensualidade".
7º. O mundo que mais me apavora é esse mundo maligno que se disfarça de religião de Deus. É aí que as mais estranhas e malignas manifestações do mundo se manifestam, embora ninguém dance, beba ou fume. Sim, eles não fazem nada disso. Porém, devoram-se uns aos outros, conspiram contra os irmãos, torcem pela queda de alguns, alegram-se com suas vitórias, filhas da malícia e vivem para garantir o cosmético de sua falsa humildade, as quais são os disfarces dos lobos que se vestem de ovelhas.
8º. Eu sou contra qualquer coisa "para crente", pois apenas aumenta o engano do ascetismo e exacerba a doença religiosa, a qual advoga que crente vota em crente, dança com crente, bebe bebida de crente, e vive num mundo paralelo. Ora, Jesus apenas pediu que estivéssemos no mundo, porém livres do mal. Para Jesus, fugir da vida era se tornar sal que perde o sabor, e que para nada mais presta, nem para o monturo.
9º. Eu vou a boate quando dá — infelizmente, hoje em dia, muito raramente. Mas quando vou, vou a uma boate de gente, onde eu possa dançar com minha mulher, e dançar músicas normais, conforme a poesia da vida. Quase não bebo, pois, depois de duas hepatites, meu fígado não gosta do impacto da bebida em meu organismo. Todavia, meu paladar gosta de um bom vinho, de uma cerveja geladinha num dia quente, de um "Porto" após as refeições, de uma caipirosca na praia, e de champanhe nas celebrações solenes.
10º. O que vejo é que pessoas para as quais esses mandamentos da etiqueta evangélica herdada dos missionários americanos — filhos do puritanismo anglo-saxão — são um problema. Esses mesmos são os que mais se complicam na vida, posto que não sabem por que são obrigados a desgostar do que naturalmente gostam e porque têm que chamar de maligno aquilo que para eles não é nada. Assim, um dia essas pessoas explodem, e os resultados são desastrosos, posto que Paulo disse que o ascetismo não tem nenhum valor contra a sensualidade ou contra a embriaguez.

Ora, isto dito, quero afirmar mais o seguinte:

1º. Careta você é. Sim, um caretão evangélico. Explico: Você só me escreveu isso porque não gosta de ver boate de crente (nem eu), mas não consegue negar seu conflito e sua vontade de ser normal e poder gostar de tudo o que você gosta sem culpa. Só que você não pode, em razão das proibições dos fariseus que o discipularam.
2º. Você está se esforçando para ver "o mundo" nessas bobagens que foram criadas pelo próprio ascetismo evangélico e pela hipocrisia da religião, sempre tentando manter os crentes sob a tutela da "igreja", e isso até na hora de dançar. E você faz isso da maneira mais "evangélica" possível, isto é, coando os mosquitos (as bobagens de crente que querem ser normais, mas não têm permissão para isso; daí criarem esses "híbridos"), enquanto engole os camelos (o sistema de controle "evangélico", com suas proibições, as quais condenariam como mundano o próprio Jesus).
O que se tem que saber é que uma pessoa que aparecesse fazendo o que
Jesus fazia (curas, milagres e libertações) e dizendo o que Jesus dizia, se, todavia, vivesse com a liberdade que Ele tinha de comer e beber nas festas dos "mundanos" (publicanos e pecadores), tal pessoa seria vista pelos "evangélicos" do mesmo modo que os fariseus e religiosos viram Jesus em Seus dias. Ou seja, o olhar dos "evangélicos" não vê a vida com os olhos de Jesus.
Ora, quem quer que não veja a vida com os olhos de Jesus, mesmo que seja cristão ascético, esse é mais mundano do que os "mundanos" que tal pessoa condena.

Minha sugestão a você é que esqueças as doutrinas de homens que lhe ensinaram, e que abra os evangelhos e as cartas de Paulo, e os leia com a mente mais virgem que você tiver; e, assim, depois me escreva, e me diga se sua mente não mudou completamente.
Eu teria muito mais a lhe dizer, especialmente quanto ao risco de você estar com raiva de não ter nem a cabeça boba dos que criam "boate para crentes", nem ter a liberdade para viver a vida conforme a sua consciência, visto que sei que você já não é quem um dia foi, porém ainda não teve a coragem de assumir sua própria consciência diante de Deus, pois teme transgredir os mandamentos dos anciãos.
Receba meu carinho e meu abraço! Um beijão para você!
NEle, que comia e bebia com pecadores, e ia onde era convidado com boas intenções,
Caio Fábio
1 de abr. de 2008

PASTORAL DE ABRIL


A VERDADEIRA LIBERDADE
Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão (Gálatas 5:1).
Em 1822, portanto, há menos de duzentos anos, o Brasil proclamou a sua independência, libertando-se do julgo de Portugal e obtendo, assim, a sua liberdade política.
Igualmente, há quase dois mil anos, o Senhor Jesus clamou na cruz do Calvário: "Está consumado", proclamando a "declaração de independência" do crente. Toda a humanidade estava debaixo da tirania do pecado e da morte, mas Cristo, o Único sem pecado, tomou o nosso lugar no Calvário e morreu pelas nossas iniqüidades. Assim, depois de ter satisfeito as justas exigências de Deus-Pai, agora, o Senhor Jesus, o Deus-Filho, liberta para a eternidade todos os que crêem n'Ele.
Paulo, em Gálatas 3:13, nos diz que "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós". E, em Romanos 8:1-2, o apóstolo nos assegura que "... agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus... Porque a lei do Espírito de Vida, nos livrou da lei do pecado e da morte".
Desta maneira, Gálatas 5:1, anunciado acima, nos motiva a todos que fomos resgatados a estar "firmes na liberdade com que Cristo nos libertou". E, portanto, cada um de nós deve agradecer, diariamente, a Deus pela liberdade que desfrutamos como brasileiros que somos, vivendo num país onde existe e se pratica a democracia. Mas, acima de tudo, nós, os crentes em todos os cantos do mundo, devemos louvar a Deus pela liberdade que encontramos em Cristo Jesus, porque a nossa maior liberdade é sermos livres do pecado.
Em amor, Rev. Pedro Corrêa Cabral