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30 de jun. de 2008

Santidade


Santidade
Deus é Luz
“Eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo...” Levítico 11.44
Quando a Escritura chama “santo” a Deus, ou a pessoas individuais da Divindade a palavra significa tudo a respeito de Deus que o coloca separado de nós e faz dele objeto de nossa reverência, adoração e temor. Ela cobre todos os aspectos de sua grandeza transcendente e perfeição moral, e, assim, é um atributo de todos os seus atributos, salientando a “Divindade” de Deus em cada ponto. Cada faceta da natureza de Deus e cada aspecto de seu caráter pode, apropriadamente, ser chamado santo, precisamente porque Ele o é. A essência do conceito, porém, é a pureza de Deus, que não pode tolerar qualquer forma de pecado (Hc 1.13) e, por isso, impõe aos pecadores a constante auto-contrição em sua presença (Is 6.5).
Justiça, que significa fazer em todas as circunstâncias coisas que são corretas, é uma expressão da santidade de Deus. Deus manifesta sua justiça como legislador e juiz, e também como guardador da promessa e perdoador do pecado. Sua lei moral, que requer conduta que se equipare à sua própria, é “santa, justa e boa” (Rm 7.12). Ele julga justamente, de acordo com o mérito real (Gn 18.25; Sl 7.11; 96.13; At 17.31). Sua “ira”, isto é, sua ativa hostilidade judicial ao pecado, totalmente justa em suas manifestações (Rm 2.5-16), e seus “julgamentos” específicos (castigos eqüitativos) são gloriosos e dignos de louvor (Ap 16.5,7; 19.1-4).
Toda vez que Deus cumpre a promessa de sua aliança, agindo para salvar seu povo, pratica um gesto de “eqüidade”, isto é, de justiça (Is 51.5,6; 56.1; 63.1; 1 Jo 1.9).
Quando justifica os pecadores pela fé em Cristo, Ele o faz com base na justiça aplicada, isto é, o castigo de nossos pecados na pessoa de Cristo, nosso substituto; portanto, a forma tomada por sua misericórdia justificadora mostra que Ele é absoluta e totalmente justo (Rm 3.25,26), e nossa própria justificação se revela judicialmente justificada.
Quando João diz que Deus é “luz”, não havendo nele treva alguma, a imagem está afirmando a santa pureza de Deus, o que torna impossível a comunhão entre Ele e o profano intencional, e requer a busca da santidade e retidão de vida como objetivo central do povo cristão. A convocação dos crentes, regenerados e perdoados que são, a praticarem uma santidade que se equipare a própria santidade de Deus, e desta forma agradando a Ele, é constante no Novo Testamento, como certamente o foi no Velho Testamento. Porque Deus é santo, o povo de Deus deve também ser santo.
J. I. Packer
25 de jun. de 2008

A Videira Verdadeira



“A relação entre Cristo e os cristãos”
Disse Jesus aos seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor” (João 15.1). O Mestre utilizava figuras relacionadas ao cotidiano para falar de fatos espirituais. Aquela alegoria faz parte do discurso de encerramento do ministério terreno de Cristo.
Grande parte da sua obra pessoal na terra já estava concluída. Era chegada a hora de passar mais responsabilidades aos discípulos. Dentro de poucos dias, Cristo subiria ao céu. Portanto, caberia aos seus seguidores a tarefa de frutificar, dando continuidade ao que ele mesmo vinha fazendo. A videira frutifica através de seus ramos. Hoje, Cristo age na terra por meio da sua igreja.
Cristo é “a” videira e não “uma” videira. Ele é a única opção para quem quiser vida espiritual. Quem não estiver em Cristo secará e será lançado ao fogo (João 15.6).
Fica evidente a unidade entre Cristo e seus discípulos.
Se alguém nos fere, ele também sente. A relação entre Cristo e os discípulos acompanha o modelo da relação existente entre Cristo e o Pai (15.9,10,15).
O discípulo é dependente de Cristo. Os ramos dependem da árvore para terem vida, sustento, crescimento, produção de folhas, flores e frutos. Tudo isso é possível por causa da seiva que percorre o interior da planta a partir das raízes.
Nenhum cristão pode se julgar independente de Jesus ou dos irmãos. Um ramo depende também do outro. A comunhão é fundamental. Desligamento e isolamento trazem a morte. Se todos os ramos forem cortados, o tronco sobrevive e lança renovos. Entretanto, nenhum ramo sobrevive sem a árvore. Não podemos abandonar o evangelho e nos afastar da igreja. Não podemos viver sem Cristo.
Os ramos têm a natureza na árvore. Se estamos ligados a Jesus, temos a sua natureza em nós (2Pedro1.4). Na medida em que a natureza de Adão vai sendo superada, passamos a nos parecer cada vez mais com Jesus.
No texto de João 15, Jesus enfatiza o estar e o permanecer. Não basta estar ligado a Cristo por algum tempo. Nosso compromisso não deve ser provisório ou ocasional, mas contínuo e irrevogável. A perseverança é imprescindível para que possamos produzir fruto, pois este depende de tempo, o período necessário para o crescimento e maturidade do ramo. Nenhuma árvore produz imediatamente. Queremos tanto de Deus. Desejamos tantos resultados da nossa fé e das nossas orações. Entretanto, é preciso permanecer ligado a Cristo para que tudo o que Deus tem para nós possa acontecer na ocasião oportuna.
Nessa relação entre o discípulo e Cristo, a Palavra de Deus tem papel fundamental. Observe o destaque dos termos “mandamento” e “palavra”. É através dela que o ramo é limpo. Quem despreza as Sagradas Escrituras acaba cultivando pragas pecaminosas em sua vida. Essa mesma Palavra deve permanecer no coração do discípulo, sendo sempre guardada (15.10), lembrada (15.20), obedecida (15.14) e anunciada (15.20, 27), para que o fruto seja produzido (15.3, 7). Se alguém quiser estar em Cristo sem a palavra, não frutificará, e será cortado e lançado ao fogo. O corte é uma possibilidade concreta que deve ser considerada com temor (João 15.2; Romanos 11.20-22).

Jesus disse que o Pai limpa os ramos produtivos para que produzam mais. Nota-se a necessidade de limpeza na vida do cristão (15.2, 3), tratando com seus erros, imperfeições e pecados. A limpeza se dá por meio da poda, que consiste num processo de retirada de tudo aquilo que está desviando a seiva, a energia, a vitalidade da planta, sejam folhas secas, amareladas, murchas, frutos mirrados ou podres. A poda implica em perda, em renúncia, para que o fruto novo e sadio possa surgir sem impedimento. Algumas coisas, atividades ou compromissos, ainda que não sejam pecaminosos, podem gastar todo o nosso tempo e energia, de modo que não consigamos nos dedicar a Deus. Isto precisa ser podado.
Embora possua beleza, a videira não é planta ornamental. Além disso, sua madeira não serve para construir casas ou fabricar móveis. Portanto, sua utilidade está em produzir frutos. O cristão só será útil para Deus e para a humanidade se produzir fruto. Não estamos neste mundo como enfeite. Aquele que não produz ocupa inutilmente a terra (Lucas 13.7). Aquele que faz o mal, além de inútil, é prejudicial.
Qual é o significado do fruto citado por Jesus? O fruto do cristão não pode consistir apenas da renúncia ao pecado. Isto é o mínimo que o evangelho pode realizar em nós. Frutificar significa produzir algo positivo. Jesus marcou a história não apenas pelo fato de ter evitado o pecado, mas pela demonstração do amor do Pai pela humanidade através das suas obras.
A produção da videira é sempre plural. O ramo não produz uma uva, mas um cacho ou mais. Da mesma forma, o cristão não pode produzir apenas um traço do caráter de Cristo. Não seria suficiente. O fruto da videira representa tudo o que Jesus espera de nós. O que ele queria dos discípulos? De acordo com o texto, o Mestre esperava que eles guardassem os mandamento, fossem obedientes, se amassem, e permanecessem assim até o fim. Em outras palavras, Jesus queria que seus seguidores tivessem um tipo de vida semelhante a dele, pois este é o propósito do discipulado: que o discípulo seja semelhante ao Mestre, começando por virtudes morais e espirituais. Em segundo lugar, o fruto pode também incluir o resultado do trabalho ministerial. Observe-se a presença do “ide” relacionado ao fruto em João 15.16, bem como o testemunho dos discípulos em 15.27.
Na seqüência das palavras de Jesus, ele enfatiza o amor, que é o primeiro aspecto do fruto do Espírito, sendo a causa de todos os outros (Gálatas 5.22). Cristo deixou bem clara sua intenção e seu maior desejo em relação aos discípulos: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo.15.12). Se não houver amor entre os irmãos na igreja, como amaremos os que estão lá fora? O amor não deve ser considerado apenas um sentimento, mas uma atitude, resultado de uma decisão, com efeitos práticos. Jesus disse que o maior amor faz com que se dê a vida pelo amado (15.13). Ele mesmo daria a sua vida dentro de algumas horas. Os discípulos também precisavam ter tal disposição, pois quase todos eles dariam suas vidas pelo evangelho alguns anos mais tarde. Amar é dar a vida, ainda que não seja preciso morrer.
O fruto pode ser compreendido como a manifestação do caráter de Cristo em nós, vivendo como ele viveu. Essa relação de semelhança está contida no texto através das expressões: “meus discípulos” (15.8) e “do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor” (15.10) e “assim como eu vos amei” (15.12); “se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa” (15.20). Frutificar é agir como Jesus agiu, ainda que possamos sofrer por isso. Os frutos pertencem ao agricultor, que é Deus, e serão úteis para muitas pessoas. O fruto não é para o ramo. É para os outros. O propósito de Jesus é que produzamos algo para o benefício do próximo e não apenas para nós mesmos. Frutificar é dar, e não receber. O egoísmo não faz parte da natureza da videira verdadeira. O mais importante na vida de um homem não é o que ele fez por si mesmo, mas o que realizou pelos outros. É fácil contatar isso ao lembrarmos de personagens importantes da história geral. Aqueles que só fizeram por si mesmos foram totalmente esquecidos.
Deus espera uma produção abundante. Jesus fala em “fruto” (15.2), “mais fruto” (15.2) e “muito fruto” (15.5, 8). Não podemos ficar satisfeitos com o que já fizemos para Deus. Ele espera mais. Prova disso é o fato de ainda estarmos neste mundo. Temos o potencial de Cristo em nós para produzir mais. Não podemos parar. Deus quer quantidade e qualidade: “Muito fruto” (15.8) e “fruto que permanece” (15.16).
"Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor" (1Corínjtios 15.58). O agricultor é o dono da videira. Ele é o Senhor. Aqueles que trabalham na igreja nunca devem se esquecer de quem é o proprietário, pois a ele hão de prestar contas. O Pai cuida da sua vinha, protege, rega, supre as necessidades, elimina as pragas, limpa, poda. Seu investimento é grande, mas um dia ele virá procurar o resultado.
O agricultor espera o fruto da sua vinha (Tg.5.7). Deus tem expectativas a nosso respeito. Será que colocamos as nossas expectativas em primeiro lugar? Talvez tenhamos uma lista do que queremos do Senhor, mas já procuramos conhecer e cumprir a sua vontade para nós?
O texto mostra que a comunicação e o vínculo entre os discípulos e o Pai passam pelo Filho. Ele é o mediador. Jesus estava ali representando o Pai. Ele mostra que do Pai vem o amor (15.9), os mandamentos (15.10), o ensinamento (15.15), a resposta das orações (15.16) e o dom do Espírito Santo (15.26). Entretanto, atingindo aos discípulos e também a Cristo, chega ao Pai o ódio do mundo em forma de perseguição (15.18-24). Portanto, o capítulo 15 de João fala sobre as relações existentes entre o Pai, o Filho, os discípulos e o mundo. O amor flui de cima para baixo, mas o contrário nem sempre acontece. O pai ama o Filho (15.9), que ama os discípulos, que devem se amar (15.12, 17) e levar este amor a todas as pessoas do mundo. Entretanto, o mundo os odeia e persegue, pois odiou o Filho e também ao Pai (15.23). Jesus deixou bem claro que a vida dos discípulos não seria um paraíso na terra. A vida cristã provoca o ódio e a perseguição (João 16.1-3). Se vivermos como Cristo viveu, o mundo nos tratará como tratou a Cristo e como trataria o Pai se pudesse vê-lo.
Se os discípulos frutificassem, Jesus ficaria alegre com eles (15.11). E se ele estivesse alegre, eles também se alegrariam porque tudo o que acontece à videira alcança seus ramos. Os cristãos experimentam a alegria de Cristo, apesar das circunstâncias e das perseguições.
O maior propósito da videira, dos ramos e dos frutos é a glória de Deus (15.8). O evangelho e a vida cristã não devem ser usados para a glória humana. “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (João 15.8).
Anísio Renato de Andrade
23 de jun. de 2008

A Medida para Julgar


Mateus 7.1-2 — Não julgueis, para que não sejais julgados. 2 Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.

Poucas frases de Jesus têm sido tão mal aplicadas como essa. O mundo torce este ensino do Mestre para dizer “não se meta na vida dos outros”. Essa idéia parte do relativismo moderno, segundo o qual não há nenhuma verdade absoluta, e cada pessoa deve decidir por si só o que é certo e o que é errado. No entanto, Jesus ensinou a seus discípulos que é necessário corrigir os irmãos em pecado (Mt 18.15-17). Paulo admirou- se que os Cristãos em Corinto tolerassem um membro vivendo abertamente em pecado (1 Cor 5:1-2). Estas e diversas outras passagens confirmam que é necessário julgar no sentido de estar atento para o pecado ou o erro em nossas vidas e nas vidas dos outros, e agir para que haja arrependimento quando for necessário. O problema principal não é o ato de julgar em si, mas um espírito crítico, que anda com uma lupa atrás de falhas nos outros, e, quando as vê, condena severamente. Vemos isso no uso da palavra “medida” (do grego “metron”) na segunda frase. Não é o ato de julgar em si, mas a medida que é usada. Ao vermos um erro ou pecado, se julgamos com misericórdia, confiando que a pessoa quer se arrepender e nos oferecendo para ajudar, teremos uma reação. Se criticamos com ironia e condenamos com severidade, teremos outra reação. Como é que você quer que Jesus olhe para seus erros?
Ore ao Senhor: — Pai misericordioso, dou graças a Ti por Jesus ser tão paciente e benigno. Louvo seu plano maravilhoso pelo qual enviastes seu Filho para viver entre nós. Ele sabe como somos tentados e tudo o que nós passamos. Peço a ajuda do Senhor para que meu julgamento seja o de Jesus. Que eu possa olhar para os outros com a mesma medida de graça que me foi dada por Jesus. Em nome dEle eu oro e agradeço. Amém.
Dennis Downing
20 de jun. de 2008

TERRA BOA


O agricultor aqui no Brasil, que gosta de plantar feijão e milho, está sorrindo à toa com as boas possibilidades da safra neste ano. O cuidado é com as muitas chuvas para não comprometer a colheita.
Jesus contou a parábola do semeador e deixou bem claro qual a responsabilidade que o trabalhador tem na sua seara; é o de fazer a semeadura, fazer o plantio. Ele mostra quais tipos de terreno existem e quais as dificuldades que o semeador vai encontrar na sua atividade.
Como é uma parábola, é evidente que ele está se referindo a pessoas. Há vários tipos; os que não entendem, os que ouvem e aceitam e logo desistem, os que ouvem e até gostam, mas deixam tudo sufocar a mensagem, e, finalmente existe a terra boa, são aquelas pessoas que ouvem, entendem e dão prosseguimento àquilo que ouviram, e vão produzindo frutos em razão da obediência à mensagem de vida eterna.
Como é gratificante anunciar o Evangelho para pessoas que estão com corações sensíveis à mensagem de salvação. Dentre muitas razões, uma delas é saber que mais uma vida foi salva das garras de satanás e trazida para o Reino da Luz, de Jesus. Mas, como saber qual é esse grupo de pessoas? Onde e qual é a terra boa mencionada por Jesus?
Há algumas décadas passadas, cinco missionários decidiram alcançar os índios Aucas no Equador. Uma tribo feroz que eliminava sem nenhuma complacência os seus inimigos. Eles não pensaram qual era o tipo de terreno que eles semeariam a Palavra de Deus. Foram fiéis e obedientes à voz do Mestre e chegaram à aldeia para semear.
Uma semana após a chegada deles, ficamos sabendo qual tipo de terreno havia ali. O Maligno havia tirado não somente a semente da Palavra de Deus, mas as vidas dos cinco missionários. Todos foram mortos por lanças certeiras que tiraram as preciosas vidas daqueles servos fiéis.
Terreno ruim? Inimigo feroz? Talvez. Desistir diante das impossibilidades? Jamais! As fiéis e dedicadas esposas tomaram para si a responsabilidade de continuar no processo da semeadura da Palavra de Deus para aquele povo. Loucura? Talvez.
Alguns anos depois de laboriosa semeadura, os frutos vieram. Toda a tribo chegou aos pés de Jesus, reconhecendo-o como único e suficiente salvador. O terreno inicialmente ruim, depois de adubado – com oração e investimentos em geral – tornou-se uma excelente terra – uma terra boa.
Porém, Jesus não apontou ou mesmo deu uma dica onde estaria o “bom terreno”, ele tão somente ORDENOU; “vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judéia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra.” (Atos 1.8). “Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo” (Mateus 28.19).
Não somos soberanos – só Deus o é – e não sabemos quais as pessoas que irão ouvir e entender a mensagem do Amor de Deus. Não nos compete julgar, criticar ou, até mesmo, argumentar onde está o terreno fértil, a terra boa, onde será produzida “uma grande colheita: umas , cem, sessenta; e ainda outras, trinta vezes mais do que foi semeado” (Mateus 13.23b). A descoberta do bom terreno será feita após o cumprimento da ordem de ir e pregar.
E Jesus terminou dizendo: — Se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam.
Pastor Jackson Santos
18 de jun. de 2008

Você Sabe com quem está falando?


É comum esse tipo de pergunta, geralmente pronunciada de modo desafiador durante uma discussão por um sujeitinho empertigado, achando-se “grande coisa”. E pode até ser que seja alguma autoridade mesmo, dentro dos padrões humanos.
Falando nisso... é bom lembrar que Jesus chamava uma atenção toda especial pela autoridade com que falava. Não uma autoridade com base em cargo ou função.
Apesar de dono de tudo, Ele não tinha qualquer autoridade funcional, não tinha cargos ou funções importantes. Era um carpinteiro, filho de carpinteiro, pobre, homem do povo.
A autoridade dEle era totalmente pessoal, baseada no que era e como se comportava.
Mas quanto a esse ponto, reconheçamos que Ele não está só. Muita gente respeitada tem autoridade moral e quando fala é ouvida com atenção. Seria esse o tipo de autoridade que Jesus tinha? Sim, mas esta ainda não é a chave para a autoridade moral dEle.
Essa autoridade era EXCLUSIVA, ÚNICA, por uma característica igualmente única que Ele tinha como ser humano: sem pecado! Aqui é o ponto.
Nenhum de nós faz idéia do que é ouvir o ensino de um homem sem pecado. Ser repreendido por um homem sem pecado. Sentir-se cheio de esperança por promessas feitas por um homem sem pecado. Olhar para os olhos de um homem sem pecado!
Que privilegiadas foram aquelas pessoas que se maravilharam com as palavras de Jesus!
Mas... e o que podemos aprender com isso, mesmo 2000 anos depois?
Tentar adquirir uma autoridade moral, por um comportamento santo, reto, justo. Se não idêntico ao de Cristo, mas que pelo menos O imite. Esta é a maneira do crente não precisar sair por aí se arrogando importância (mesmo que de fato tenha alguma, aqui na terra). Basta andar como Cristo andou. Todos notarão ... e ficarão admirados.
Mauro Clark
17 de jun. de 2008

A Mão Vazia da Fé

“Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça... Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência”. — Romanos 4.4-5, 16
“E ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé”. — Filipenses 3.9
“E a fé é escolhida por Deus para ser o receptor da salvação porque ela não pretende criar a salvação, nem há nela ajuda, mas está satisfeita em recebê-la humildemente. Fé é a língua que pede perdão, a mão que a recebe e olhos os quais a vê; porém, não é o preço que a compra. Fé nunca, por si mesma, faz sua própria demanda. Repousa seus argumentos no sangue de Cristo. Torna-se um bom servo para trazer as riquezas do Senhor Jesus para a alma, porque sabe de onde as retira e admite que a graça, sozinha, confia-lhe as riquezas”. — Charles Spurgeon


A verdade mais surpreendente do Evangelho de Cristo é essa: tudo é pela graça. É a obra de Deus, não do homem. É a história de um Salvador poderoso que redime o seu povo, e ele assim o faz completamente. É sobre um Deus soberano, um Salvador perfeito, e uma redenção consumada.
Nas passagens da Escritura citadas acima, ouvimos a mensagem da própria vida. Ouvimos primeiro sobre nossa incapacidade: se pensarmos que podemos “trabalhar” para ganhar algo de Deus, não entendemos quão verdadeiramente perdidos nós somos. Aquele que trabalha recebe somente o seu salário, não a justiça. Mas aquele que não se chega a Deus com alguma idéia de mérito ou lucro, mas ao invés disso confia no Deus que justifica o ímpio, esse tipo de fé é lhe atribuída como justiça. Ela é uma fé que vem com uma mão vazia, não reivindicando nada para si ou de si, mas buscando seu tudo em Cristo. Essa fé de mão vazia é o tipo de fé que resulta numa posição justa diante de Deus.
Ouvimos depois sobre a capacidade de Deus: visto que a fé vem com mão vazia, ela encontra na graça de Deus tudo o que ela poderia alguma vez necessitar ou desejar. A graça de Deus é poderosa e traz plena salvação à alma da pessoa que não tem esperança. Essa é a imerecida graça. A graça não pode ser segurada pela mão que carrega consigo idéias de mérito, ou boas obras, ou qualquer outro tipo de adição humana. “E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Romanos 11.6). A graça maravilhosa de Deus não pode ser misturada com o mérito humano. A mão que agarra sua própria suposta bondade, ou que tenta achar um mérito aqui, uma boa obra ali, não encontrará a mão aberta da graça de Deus. Somente a pessoa que encontra em Cristo seu tudo-em-todos será feita, em assim achando, justa diante de Deus. Esse é o porquê das Escrituras dizerem que é pela fé, para que possa ser de acordo com a graça: na sabedoria de Deus, ele exclui o orgulho do homem, fazendo com que a salvação seja toda pela graça.
Finalmente, vemos a certeza da salvação: porque Deus salva seu povo por sua misericórdia e graça onipotente e imerecida. A promessa de salvação é “garantida” ou feita firme e inamovível para todos aqueles que estendem a mão vazia, porém crente, à sua graça onipotente e soberana. Se a salvação dependesse sequer uma minúscula parte do pecador, a promessa nunca poderia ser considerada como firme e inamovível. Mas, visto que a fé não traz nenhuma idéia de mérito próprio com ela, e visto que a graça é por definição livre e imerecida, então a salvação em si é totalmente a obra de Deus (1 Coríntios 1.30-31) e, por conseguinte, ela é certa, firme e pode ser “garantida”. Somente a salvação, a obra de Deus em sua totalidade, pode satisfazer essa descrição.
Meu amigo, você tem o tipo de justiça sobre a qual Paulo fala em Filipenses 3.9, citado acima? Ou você tem uma posição diante de Deus que é baseada no que você faz, antes do que sobre o que Cristo fez em seu lugar? Você pode entender porque um cristão verdadeiro não pode fazer nada, senão se maravilhar nestas palavras: “Bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado” (Romanos 4.8)? Seus pecados foram imputados a Cristo, e a justiça dele foi lhe imputada pela fé. Você sabe o que significa ter Cristo não meramente como Salvador de nome, mas de fato, de forma que sua inteira confiança está nele e em nada do que você pode alguma vez fazer? Você pode honestamente dizer que você confia nele para o seu destino eterno, e crê plenamente que ele levou os seus pecados na cruz, e lhe deu a sua justiça, de forma que você pode permanecer diante do santo Deus? É minha oração que, se você não pode reivindicar Cristo dessa forma, que você considere essas verdades, e que Deus seja misericordioso para com você, concedendo-lhe a verdadeira fé para abraçar o seu evangelho. Possa Deus abençoá-lo ricamente à medida que você busque a verdade de Cristo.
“Lembre-se disto, ou poderá cair no erro de fixar tanto suas idéias na fé, que é o canal da salvação, que esquecerá a graça, que é a fonte e origem da própria fé. A fé é a obra da graça de Deus em nós: “Ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor senão pelo Espírito Santo” (1 Coríntios 12.3).“Ninguém pode vir a mim” - disse Jesus - “se o Pai que me enviou não o trouxer” (João 6.44). Assim, esta fé, que é entrada para Cristo, é o resultado do plano divino. A graça é o primeiro e o último movimento causador da salvação. Fé, essencial como é, é somente uma parte importante do maquinismo do qual a graça se serve. Nós somos salvos “por meio da fé”, porém a salvação é “pela graça”. Ressoam estas palavras como a trombeta do arcanjo: “Pela graça sois salvos” (Efésios 2:8). Que agradáveis novas para os indignos!” — Charles Spurgeon
James White
14 de jun. de 2008

UMA MODERNA VERSÃO DO FILHO PRÓDIGO


Volte Para Casa
A prática de usar coisas terrenas para esclarecer verdades celestiais não é uma tarefa fácil. Todavia, ocasionalmente, encontramos uma história, uma lenda, ou uma fábula que transmite uma mensagem tão exatamente como centenas de sermões e com uma criatividade dez vezes maior. Esse é o caso da leitura abaixo. Eu a ouvi contada pela primeira vez por um pregador brasileiro em São Paulo. Embora a tivesse repetido inúmeras vezes, sua mensagem me aquece e me dá nova segurança sempre que faço uma recapitulação da história.
A casinha era simples, mas adequada. Ela consistia de um quarto amplo numa rua empoeirada. Seu telhado de telhas vermelhas era um dentre os muitos naquele bairro pobre na periferia da cidade. Era uma casa confortável. Maria e sua filha, Cristina, haviam feito o possível para acrescentar cor às paredes cinzentas e calor ao chão de terra batida: um velho calendário, uma fotografia desbotada de um parente, um crucifixo de madeira. A mobília era modesta: um catre em cada lado do quarto, uma pia e um fogão a lenha.
O marido de Maria morrera quando Cristina era criança. A jovem mãe, recusando teimosamente casar-se de novo, arranjou um emprego e criou a filha do melhor modo que pôde. Agora, quinze anos mais tarde, os piores anos tinham passado. Embora o salário de doméstica recebido por Maria não lhes permitisse muitos luxos, ele era certo e fornecia às duas alimento e roupas. Cristina tinha também chegado a uma idade em que poderia arranjar um emprego e ajudar a mãe.
Alguns diziam que Cristina puxara à mãe em sua independência. Ela repelia a idéia de casar-se cedo e criar uma família, embora pudesse escolher entre vários pretendentes. Sua pele morena e olhos castanhos atraíam uma série de candidatos à sua porta. Ela tinha um jeito especial de jogar a cabeça para trás e encher o ambiente de riso. Tinha também aquela magia rara que algumas mulheres têm de fazer com que o homem se sinta um rei só por estar a seu lado. Mas a sua maneira irônica de tratar as pessoas mantinha todos os homens a uma certa distância.
Cristina falava muito de ir para a cidade. Ela sonhava em trocar seu bairro poeirento por avenidas suntuosas e a vida citadina. Essa idéia horrorizava a mãe. Maria imediatamente lembrava Cristina dos males das cidades grandes. "As pessoas não conhecem você. Os empregos são difíceis de achar e a vida é cruel. Além disso, se fosse para lá, como iria viver?"
Maria sabia exatamente o que Cristina faria, ou teria de fazer para sustentar-se. Foi por isso que seu coração partiu-se ao acordar certa manhã e ver vazio o leito da filha. Maria soube na mesma hora para onde ela havia ido e sabia também o que deveria fazer para encontrá-la bem depressa. Jogou algumas roupas na mala, reuniu todo o dinheiro que tinha e saiu correndo de casa.
A caminho do ponto de ônibus entrou numa lojinha para a última compra. Fotos. Ela sentou-se na cabine de fotografia, fechou a cortina e tirou fotos suas, gastando quanto pôde. Com a bolsa cheia de fotografias preto-e-branco de si mesma, ela tomou o primeiro ônibus que saía para o Rio de Janeiro.
Maria tinha certeza que Cristina não conseguiria ganhar dinheiro com facilidade. Sabia, entretanto, que ela era teimosa demais para desistir. Quando o orgulho se encontra com a fome, o ser humano faz coisas que jamais pensava fazer antes. Tendo conhecimento disto, Maria começou suas busca. Bares, hotéis, boates, qualquer lugar onde pudesse haver uma meretriz ou prostituta. Foi a todos. E em cada lugar deixou sua foto — colada no espelho do banheiro, pregada num quadro de avisos de hotel, presa numa cabine telefônica. E no verso de cada uma escreveu uma nota.
Não demorou muito para que o dinheiro e as fotografias acabassem e Maria teve de voltar para casa. A mãe cansada chorou enquanto o ônibus iniciava sua longa jornada de volta para sua cidadezinha.
Algumas semanas depois, a jovem Cristina desceu as escadas do hotel. Seu rosto mostrava-se pálido. Seus olhos castanhos não dançavam mais, alegres e buliçosos, mas falavam de sofrimento e medo. Seu riso se fora. Os sonhos que tivera se transformaram em pesadelo. Mil vezes quisera trocar aqueles inúmeros leitos por seu catre seguro. Todavia, a cidadezinha em que vivera se tornara de muitas formas distante demais.
Ao chegar ao pé da escada, seus olhos notaram um rosto familiar. Ela olhou de novo e ali no espelho do saguão estava uma fotografia da mãe. Os olhos de Cristina queimaram e sua garganta contraiu-se, enquanto atravessava o salão e removia a pequena foto. Escrita no verso da mesma, achava-se este convite atraente: "O que quer que você tenha feito, o que quer que se tenha tornado, não importa. Por favor, volte para casa."
Foi o que ela fez.
Max Lucado
11 de jun. de 2008

A PEDRA


A pedra
O distraído nela tropeçou;
O bruto a usou como um projétil;
O empreendedor, usando-a, construiu;
O camponês, cansado da lida, dela fez assento;
Para as crianças foi brinquedo;
Drummond a poetizou;
Com ela Davi matou Golias;
O artista fez dela a mais bela escultura...
Em todos os casos, a diferença não era a pedra, mas sim o HOMEM!
O importante não é o que surge no decorrer de sua caminhada,
Mas o que você faz com as oportunidades que aparecem em sua vida.
Portanto, use as pedras de seu caminho com sabedoria!!!

Autor desconhecido
9 de jun. de 2008

Eis que as trevas cobrem a terra


Apesar das palavras deste artigo terem sido proferidas há mais de 50 anos, elas parecem descrever com precisão a situação espiritual dos nossos dias!

A luta hoje parece se tornar mais pesada a cada dia, como se o único alvo dos ataques de Satanás fosse nós, os crentes. Por isso, na era atual, o problema que existe é se você e eu podemos perseverar até a última meia hora. "[Satanás] Magoará os santos do Altíssimo" (Dn 7.25). Magoar tem aí o sentido de "desgastar", consumir devagar. É muito mais difícil reconhecer Satanás como aquele que desgasta os santos do que um Satanás que ruge como um leão. E a sua obra de consumir lentamente os santos já começou.
Sempre que vou à Montanha Kuling, caminho ao longo da correnteza que há ali. Freqüentemente vejo rochas enormes, mas que são côncavas no meio como bacias de tomar banho. Isto acontece por causa das muitas pedrinhas que diariamente as desgastam. Do mesmo modo, Satanás trata os filhos de Deus. Em lugar de matá-los de um só golpe, tenta desgastar os santos, dia a dia, de modo que sem que percebam acabam gravemente feridos depois de algum tempo.
Os olhos do Senhor estão sobre nós, portanto, não temamos o sofrimento. Se acontecer de nós nos desviarmos com medo do sofrimento, todos os nossos sofrimentos do passado terão sido em vão. Uma pessoa profundamente espiritual escreveu certa vez:
“Quando lemos 2 Tessalonicenses 2.3 e 2 Timóteo 3.1-13, ficamos sabendo que antes do dia da volta do Senhor haverá apostasia e dias perigosos quando a maldade e a mentira aumentarão grandemente. Tal apostasia não se refere à educação, gigantescas reuniões, pastores capazes, catedrais maravilhosas e progresso mental e físico. Relaciona-se com a fé e o reconhecimento do poder de Deus. Aponta para igrejas renomadas que se inclinam para a chamada Alta Crítica (na verdade não passa de incredulidade), e negam as obras sobrenaturais de Deus, tais como a regeneração, a santidade, orações atendidas e a revelação do Espírito Santo”.
Antes da vinda do Senhor, haverá muita fraude e muito erro; e, se fosse possível, até os escolhidos seriam enganados. A "forma da piedade" será aumentada. A fé será diminuída por causa de credos falsos, engendrados por Satanás, e também o amor pelo mundo e a negação da palavra de Deus. Um irmão disse bem: “tais obras satânicas produzirão um efeito intangível que nos envolverão como o ar”. Haverá uma forma de piedade exterior, mas por dentro estará cheia de maus espíritos e da melancolia do inferno. Esses espíritos malignos farão o máximo para desviar e oprimir os filhos de Deus. Atacarão nosso corpo, diminuirão nossa vontade e embrutecerão nossa mente. Toda espécie de sensações e provações estranhas nos sobrevirão, fazendo-nos perder o desejo de buscar a Deus e a força de fazê-lo, cansando nosso espírito, embotando nossa mente e tornando-a entorpecida e, ao mesmo tempo, fazendo-nos estranhamente amar os prazeres e costumes do mundo como também cobiçar as coisas proibidas por Deus. Perderemos a liberdade e o poder de pregar; não poderemos nos concentrar para ouvir as mensagens; e seremos incapazes de nos ajoelhar para orar dedicadamente por algum período mais longo. Tais trevas e tal atmosfera deverão ser enfrentadas com resolução. Sem dúvida Satanás procura obscurecer nossa mente e vontade com uma espécie de poder inconcebível para que se torne extremamente difícil andar com Deus e muito fácil viver de acordo com a carne. Acharemos que é difícil servir a Deus fielmente e orar com perseverança, como se tudo dentro de nós se levantasse para impedir-nos de seguir o Senhor Jesus até o fim e fazer-nos concordar com o mundo.
A atmosfera à nossa volta nos obrigará a trair a Deus e a desistir de nossas sinceras orações. Embotará nossa sensibilidade espiritual para que não vejamos as realidades celestiais ou a gloriosa presença do Senhor. Assim, facilmente, negligenciaremos a comunhão com Deus e descobriremos que é difícil manter comunhão com ele.
Já estamos sentindo o começo destas influências. A concupiscência do mundo tece sua rede extensa de muitas maneiras à volta dos crentes. Torna-se cada vez mais apertada e mais forte com o passar do tempo. Muitas coisas que nas gerações passadas eram inimagináveis agora estão sendo praticadas sem restrição. Muitos lugares de adoração não só resistem à entrada de coisas espirituais, bloqueando reavivamentos, mas também introduzem toda espécie de festejos e coisas duvidosas.
Falando de um modo geral, em todo o mundo, a diminuição da fé e o desenvolvimento da apostasia são evidentes. Naturalmente, reconhecemos que ainda há muitos lugares abençoados por Deus. Mas examinando a situação da igreja no mundo inteiro como um todo, não deixa de apresentar um quadro digno de dó.
Tendo visto estas coisas, não podemos deixar de gritar à igreja de Deus que se levante, que desperte, que retorne à comunhão com Deus e que agrade ao Senhor no tempo que ainda resta. Estejamos preparados para comparecer diante do tribunal de Cristo e apresentar o nosso caso.
Watchman Nee
Revista Impacto - edição setembro/outubro - 2000
6 de jun. de 2008

O Tapeceiro, o Oleiro e o Sonhador


Todos temos nossas brigas com Deus! Quem nunca as teve?
Talvez os mais fundamentalistas e “donos da verdade” nunca tenham passado por isso, e só eles! Nem os ateus, creio eu, deixam de passar por isso, pois vivem lutando para negá-lo.
Ora, se eu creio que algo não existe, pra que lutar contra? Nunca saí caçando sacis e mulas-sem-cabeça, e nem preciso escrever livros tais como “Sacis, um delírio”, mas não é esse o tema desta “conversa”.
Quero falar sobre sonhos, o tapeceiro e o oleiro.Não consigo entender um futuro milimetricamente escrito por Deus, como querem alguns. Isso me faria crer que até meus erros foram planejados por Deus, e tudo aquilo que me causou (ou ainda me causa) tanta dor seja uma proposta sádica de um Deus que quer que eu aprenda, na marra, alguma coisa.
Não estou, acreditem, discutindo predestinação e livre-arbítrio quanto à salvação, pois ambas as linhas têm suas razões e dificuldades quanto ao tema.
Quero falar do dia-a-dia... de escolhas que fazemos (e muitas vezes por causa do próprio Deus)... e que depois nos trazem tanta dor e angústia.
Por que, Deus, eu estou pagando tão caro, por ter dito a verdade?
Por que, Deus, eu perdi tanto, exatamente por fazer o que o Senhor tinha pedido?
Por que, Deus, o Senhor não me livrou daquela tentação?
Por que, Deus, aquele outro, pilantra, safado, cresce no ministério enquanto eu, que procuro estar te servindo com amor e graça, só experimento sofrimentos?
Será mesmo, Deus, que eu precisava quebrar a cabeça nas besteiras que fiz, para aprender?
Quem nunca fez essas perguntas a Deus? Quem nunca lutou com Deus dessa forma?
Quando penso na figura bíblica do oleiro, ou na figura musicada por Stênio Marcius, do tapeceiro, me vêm à mente todas essas questões... como assim? Isso tudo é proposital? Faz parte do “pacote”?
Na verdade, entendo essas duas figuras não como deterministas, fatalistas, do tipo “tem que ser assim porque tem que ser assim!”, mas como figuras do cuidado de Deus e do seu imenso amor por cada um de nós.
Tanto o tapeceiro quanto o oleiro têm em mente uma obra de arte, um quadro bonito ou um vaso que será admirado. E eles sabem o que fazem... mesmo!
O problema não está no tapeceiro, nem no oleiro, mas em nós, os sonhadores. A crise aqui ocorre porque tanto a linha do tapeceiro quanto o barro do oleiro têm vontades... o que chamamos de livre-arbítrio. Muitas vezes, o artista está moldando ou cosendo algo, e nós, por livre e espontânea vontade, nos lançamos fora da forma ou do molde que as mãos estão nos dando.
O vaso de barro, narrado em Jeremias, se estragou “nas mãos do oleiro”, ou seja, podemos mesmo quando estamos nas mãos do oleiro, por nossa própria iniciativa, tomar uma forma indesejada ao artífice. Deus é oleiro, e não fôrma! Deus nos trata com carinho, em suas próprias mãos e não nos coloca pressionados sob um molde, e que se dane o material, no mais puro estilo “tem que ser assim...”
Sendo dessa maneira, não resta outro jeito, a não ser quebrar o vaso... para fazer um novo. Uma das coisas que mais me fascina em Deus é sua graça e misericórdia, sua persistência, sua paciência... ele não remenda o vaso... ele faz novo!!! Deus não está interessado em ter um monte de gente remendada, mas gente nova! É abundância de vida... e vida em novidade de vida.
Por isso, muitas vezes, ele muda os nossos planos, ele muda tudo! Nada de remendos... o que Ele quer é a alegria total do vaso, ou a beleza total do quadro, como um tapeceiro que volta a fazer novamente sua obra, mesmo quando estragada pela própria linha, e ainda que naquele emaranhado de fios que fica do lado do avesso, que pode parecer uma confusão total... ele está fazendo uma obra nova... um quadro novo... “obra de arte... pra honra e glória... do tapeceiro!”
Mas, porque falo dos sonhadores?Porque Deus, oleiro e tapeceiro, conhece nossos sonhos.
Não... Deus não sonha! Mas eu sonho... e Ele conhece os meus sonhos... e os conhece por inteiro, mais até do que eu...
Pode ser que lá na frente, assim como a maravilha de se olhar um vaso novo, ou uma obra de arte de um tapeceiro, pelo lado certo, entendamos as voltas da vida... que na maioria das vezes fomos nós mesmos que nos impusemos... mas que, em nenhum momento, fez o artista desistir de seu intento final.
Ele sabe o que faz!
Mesmo quando pega os nossos restos espalhados pela vida, que muitas vezes, nós mesmos deixamos como rastros de infelicidade no caminho.
Portanto, sonhemos sim... e deixemos que o artista, oleiro e tapeceiro, trace seus desenhos e formas... do jeito que Ele mesmo achar melhor...
Ele sabe o que faz!
Que Deus, o Grande Artista, nos abençoe!
José Barbosa Junior
Belo Horizonte – MG – 22/01/2008
3 de jun. de 2008

Beber Suco de Laranja para a Glória de Deus


Quando se pergunta “A Doutrina da Depravação Total é Bíblica?”, minha resposta é: Sim. O que quero dizer é que todas as nossas ações (fora da graça salvadora) são moralmente ruins. Em outras palavras, tudo o que um incrédulo faz é pecaminoso e, dessa forma, inaceitável a Deus.
Digo que uma das razões para crer nisso vem de 1 Coríntios 10.31— Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus ”.
Eu pergunto: “É pecado desobedecer esse mandamento bíblico?”. Sim!
Desta maneira, traço esta conclusão sombria: é pecado comer, ou beber, ou fazer qualquer coisa que NÃO seja para a glória de Deus.
Em outras palavras, pecado não é apenas uma lista de coisas nocivas (assassinato, roubo, e outras coisas más). Pecado é deixar Deus de lado nos assuntos ordinários de sua vida. Pecado é tudo o que você faz que não seja para a glória de Deus.
Mas, o que os incrédulos fazem para a glória de Deus? Nada. Portanto, tudo o que eles fazem é pecado. O que eu quero dizer com isso é que, fora da graça salvadora, tudo o que fazemos é moralmente ruim.
Alguns de vocês, então, fazem a pergunta prática: Ora, como você “come e bebe” para a glória de Deus? Por exemplo, o suco de laranja no café da manhã?
Uma resposta é encontrada em 1 Timóteo 4.3-5 — [Alguns] que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo o que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável...
Suco de laranja foi “criado para ser recebido com gratidão por aqueles que crêem na verdade”. Portanto, os incrédulos não podem usar suco de laranja para o propósito intencionado por Deus, a saber, como uma ocasião para sinceras ações de graças ao Senhor, a partir de um coração verdadeiramente cheio de fé.
Mas os crentes podem, e é assim que eles glorificam a Deus. O ato deles beberem suco de laranja é “santificado por meio da palavra de Deus e da oração”. A palavra de Deus nos ensina que o suco, e até mesmo nossa força para beber, é um dom gratuito de Deus (1 Coríntios 4.7; 1 Pedro 4.11). A oração é nossa humilde resposta de gratidão. Crer nessa verdade da Palavra, e oferecer ações de graças em oração, é uma forma de bebermos suco de laranja para a glória de Deus.
A outra forma é bebermos com amor. Por exemplo, não insista na maior porção. Isso é ensinado no contexto de 1 Coríntios 10.33 — assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos.
E o apóstolo exorta — Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo. (1 Coríntios 11.1) Tudo o que fazemos, até mesmo beber suco de laranja, pode ser feito com a intenção e esperança de que será para o proveito de muitos, para que eles possam ser salvos.
Louvemos a Deus por termos escapado, por Sua graça, da ruína total de todos os nossos feitos. E façamos tudo, quer comamos ou bebamos, para a glória do nosso grande Deus! Procurando saturar tudo da vida com Deus,
John Piper
2 de jun. de 2008

A Justificação Somente pela Fé e o Pentecostalismo


A verdade da justificação somente pela fé julga e condena o movimento pentecostal-carismático. Ninguém pode crer na justificação somente pela fé e ao mesmo tempo, consistentemente, subscrever os princípios básicos do Pentecostalismo.
Nós não negamos que possa haver cristãos verdadeiros que subscrevam à tese Pentecostal. As mentes de algumas pessoas são admiravelmente confusas. Porém, há quatro pontos que devem ser levantados sobre o Pentecostalismo à luz da justificação:
1. Quando Deus justifica o pecador por causa de Cristo somente, Ele faz isso atribuindo ao crente tudo o que Cristo fez em Sua santa obediência em nosso favor. Tudo que Cristo é, toda a Sua justiça com todos os seus méritos e heranças, pertence ao pecador necessitado que o Espírito Santo une a Cristo em fé salvadora. Este é o dom que compreende e abrange tudo mais.
Agora, se os nossos amigos pentecostais confessam conosco a magnitude deste dom da justificação, por que eles falam sobre a experiência de ser batizado no Espírito, como se isso fosse algo mais alto e melhor do que o que todo crente em Jesus já possui?
O dom presente do Espírito Santo é somente o “penhor” (Efésios 1.13,14) do que herdamos através de Jesus Cristo. A graça da justificação é como a água do oceano inteiro. A experiência interior é como uma concha pequena segurando um pouco dessa água. Um dom que pode ser reduzido à dimensão da experiência de um pecador mortal não é um grande dom de forma alguma.
2. Quando o Pentecostalismo ensina uma experiência religiosa após a justificação e conversão, isso implica que o dom gratuito da justiça de Cristo ao crente não é suficiente para trazer o enchimento, ou batismo, do Espírito Santo.
Mas justificação significa que, visto que a justiça de Cristo é imputada ao crente, Deus deve não somente considerá-lo, mas tratá-lo como justo. Eu não sou um homem justo justificado com Deus? Deus não se deleita e não ama abraçar um homem justo? O apóstolo Paulo diz que o Espírito vem com a bênção da justificação (Romanos 4.1-4; 8:1-10; Gálatas 3.1-14; Efésios 1.24). Uma justificação diante de Deus que não traz o Espírito Santo abundantemente (Tito 3:5-8) não é uma justificação de forma alguma, e não mereceria que se falasse sobre ela — o qual é geralmente o caso entre os entusiastas carismáticos.
3. Se a recepção da justiça imputada somente pela fé não traz com ela o abundante dom do Espírito, outros passos ou técnicas devem ser utilizados para se obter “o melhor do céu”. Aqui a porta está aberta para um novo tipo de legalismo. As pessoas tornam-se obcecadas por receber o Espírito por seus próprios atos de “entrega absoluta”, “dedicação total”, “erradicação de si mesmo” ou “colocar Jesus sobre o trono de sua vida”. A atenção é tirada da mensagem do Evangelho de que Cristo realmente obteve o Espírito para o crente por Seus próprios atos de entrega absoluta, dedicação total, e pela aniquilação do pecado que aconteceu no Calvário (Atos 2.33; Gálatas 3.13,14; João 7.38,39).
Paulo lembra aos gálatas insensatos que o Espírito veio (Gálatas 3.2) e continua a ser dado abundantemente (Gálatas 3.5) pelou ouvir da fé. A pregação do evangelho é a proclamação de como o Espírito vem ao homem pelos atos conquistadores de Jesus em favor do homem. O “galatianismo” proclama como os homens podem ganhar o Espírito.
4. A preocupação esmagadora do Pentecostalismo é a vida interna do crente. Seu testemunho predominante é à experiência interna do Espírito, antes da ação histórica de Deus em Jesus Cristo. Por esta razão, a espiritualidade Pentecostal está em harmonia fundamental com a espiritualidade Católica Romana. O Pentecostalismo tem sido capaz de construir uma ponte entre o abismo que existe entre o Romanismo e o Protestantismo apóstata, mas o trânsito ao longo desta ponte é principalmente num sentido. Toda experiência religiosa que é uma negação da justificação somente pela fé encontra sua morada em Roma.
John W. Robbins
1 de jun. de 2008

PASTORAL DE JUNHO


LIMITE DE CARGA
“Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1Coríntios 10.13).
Todos nós já vimos avisos de limite de carga em caminhões, em pontes e em elevadores. Sabemos, portanto, que o peso em excesso pode causar danos graves, ou mesmo provocar uma ruptura completa na estrutura física dessas obras da engenharia humana. Por essa razão, os engenheiros determinam a medida exata de tensão que os vários materiais podem suportar com segurança. Assim, os avisos de advertência dizem-nos que não devemos ultrapassar a carga máxima.
Os seres humanos, da mesma forma, têm os seus limites de carga que variam de pessoa para pessoa. Assim, algumas pessoas podem suportar as provações e as tentações melhor do que as outras. Entretanto, todos nós temos um ponto de ruptura, de tal maneira que só podemos agüentar até um certo limite.
Todavia, algumas vezes, as circunstâncias da vida, ou as pessoas à nossa volta, parecem que estão nos empurrando para além desse limite. Porém, meu querido irmão, saiba que o Senhor conhece as nossas limitações e nunca permitirá que alguma dificuldade, que exceda as nossas forças e a nossa capacidade para suportar, atinja as nossas vidas. Essa afirmativa é especialmente verdadeira quando somos seduzidos pelo pecado. De acordo com o texto bíblico acima, Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das nossas forças.
Desta forma, quando as provações e as tentações estiverem pressionando a sua vida, encha-se de coragem, querido irmão. Lembre-se sempre que o nosso Pai Celeste conhece os limites da nossa capacidade, de tal maneira que você será capaz de se manter firme quaisquer que sejam as pressões da vida. Descanse, pois, na força do Senhor Jesus, pois nenhuma provação, ou tentação, é maior que o poder do Deus da nossa Salvação. Se nós nos rendermos ao Senhor, não cederemos ao pecado.
No amor de Cristo,
Rev. Pedro Corrêa Cabral