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28 de jan. de 2009

Caminho das Índias


Porque os caminhos do Senhor são retos, e os justos andarão neles (Oz 14:9)
Ainda me recordo quando estava no Brasil, me preparando para ir à Índia, da quantidade de livros e de artigos na internet que tive de estudar para não ser tão ignorante da vasta cultura que teria de enfrentar. Percebi que por onde ia, dificilmente encontrava alguém que pudesse me adicionar algum conhecimento prático do que realmente é a Índia. E, ainda hoje, para a maioria de nós brasileiros, este subcontinente é um mistério cercado de lendas e mitos. Quando cheguei a Índia, verifiquei que todo meu conhecimento vindo dos livros e horas na frente de um computador pouco me ajudaram. E hoje, depois de quase quatro anos neste país, continuo um aprendiz, e cada vez mais me convenço de que poderei viver aqui por décadas e não compreenderei toda esta diversidade que me cerca.
Nos últimos meses, tenho recebido e-mails e até mesmo ligações de pessoas de várias partes do Brasil, empolgadas, me contando da novela que a globo lançará com uma estória baseada na Índia, com o título "Caminho das Índias". Comecei investigar qual seria a trama da novela e quais seriam os pontos de exploração usados.
Não para minha surpresa, descobri que será uma novela totalmente voltada para a divulgação do hinduísmo no Brasil. Para quem não sabe, grande parte da população da Índia é hindu. O hinduísmo é uma religião politeísta com seus mais de 33 milhões de deuses, que são adorados das mais diversas maneiras.
Quando o telespectador brasileiro ligar sua televisão para ver essa novela, estará abrindo as portas de seu lar, sua mente e coração para receber toda a influência do culto e adoração dado a esses deuses e seus mantras, rituais, sacrifícios e oferendas.
Obviamente não posso escrever este artigo de uma maneira convincente a todos os telespectadores brasileiros, pois cada um acredita no que quer e vê e recebe o que bem entende.
Mas de uma forma bem específica posso alertar que nós, os cristãos comprometidos, podemos facilmente fazer com que essa novela seja um fracasso. O que não seria fazer passeatas, abaixo assinado, greve de fome, ou coisa parecida. Isso, sinceramente, não resolve nada.
A forma mais simples e eficaz seria, primeiramente e principalmente, sermos sinceros e sensatos e não assistirmos essa novela. Não conectarmos nossos televisores a este canal no momento em que estiver no ar este proselitismo explícito da religião hindu em nossos lares. Não podemos compactuar com esta maldição que está prestes a invadir nossas casas.
Não é hora de sermos hipócritas! Os evangélicos brasileiros são noveleiros SIM!!!
Fiz questão de não trazer estatísticas para provar o que estou falando.
No fundo, sabemos que o povo evangélico é um dos grandes responsáveis pelo sucesso que as novelas "globais" e não "globais" fazem no país. Porque nós somos um dos principais consumidores desse lixo que é vendido em nossos televisores seis vezes por semana.
Somos mais de 35 milhões de evangélicos no país. Se contarmos que somente 10% deste número seja noveleiro (o que acredito ser muito mais) e aderirmos ao boicote, serão mais de 3 milhões e 500 mil pessoas que não assistirão esta novela e farão que ela seja um fiasco de audiência.
Conclamo vocês, meus irmãos, a não compactuarem com isso. Não sejamos responsáveis por tamanho mal a nossa nação, não sejamos patrocinadores da obra de satanás.
Essa novela não pode trazer nenhum benefício para sua vida, pelo contrário, estará contaminando o ambiente familiar de sua casa com mensagens demoníacas e tampouco servirá como uma fonte de conhecimento de outra cultura.
Não veja essa novela, faça que ela seja um fracasso e saia do ar. Nós temos a força, só basta fazermos nossa parte.
Repasse esse artigo para todos os seus contatos cristãos. Unidos podemos.
Que o Senhor nos dê graça e sabedoria.
Fernando J. Brito
27 de jan. de 2009

O futuro de Israel


O desígnio eterno de Deus
Comentário em Romanos 11:28-32
A conclusão de Romanos 11 (28-32), à parte da doxologia (33-36), contém duas declarações distintas. Ambas são finamente esculpidas e buriladas. Ambas enfocam o ainda incrédulo Israel ("eles"), se bem que em relação aos crentes gentios (vocês). Além de descreverem a realidade presente (inclusive a persistência da incredulidade dos judeus), ambas ressaltam também em que se baseia o apóstolo para confiar que Deus não rejeitou o seu povo (1-2), nem permitiu que os seus escolhidos "tropeçassem para que ficassem caídos" (11). Qual é o fundamento de tal convicção? Trata-se da eleição de Deus (28-29) e da misericórdia de Deus (30-32).
Primeiro, Paulo diz que a eleição de Deus é irrevogável. Quanto ao evangelho, eles são inimigos por causa de vocês; mas quanto à eleição, são amados por causa dos patriarcas (28), pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis (29).
Eis aqui duas maneiras contrastantes de avaliar o povo judeu. A essência da antítese encontra-se nas expressões "eles são inimigos" e "eles são amados". Se "amados" é passivo, logo "inimigos" também deve ser passivo. Isto é, denota a hostilidade de Deus para com eles, no sentido de que se encontram debaixo do seu juízo. Na verdade, o versículo 28 insiste em que eles são, ao mesmo tempo, objetos do amor e objetos da ira de Deus. O mesmo versículo inclui dois contrastes explanatórios posteriores, os quais desenvolvem a antítese entre "eles" (os judeus incrédulos) e "vocês" (os crentes gentios). Em se tratando do evangelho, "eles" são inimigos por causa de "vocês"; quanto à eleição, "eles" são amados por causa dos patriarcas. É preciso elaborar melhor esta idéia. Por um lado, os judeus, além de rejeitarem o evangelho, estão se contrapondo ativamente a ele e fazendo tudo para impedir que "vocês", os gentios, o ouçam. Assim, pois, em relação ao evangelho, e "por causa de vocês" (porque Deus quer que vocês o ouçam e creiam), "ele" (Deus) se mostra hostil para com eles. Por outro lado, os judeus são o povo escolhido, seu povo particular, os descendentes dos nobres patriarcas com os quais foi feita a aliança, e "por causa dos patriarcas" (porque Deus é fiel à sua aliança e às suas promessas), Ele os ama e está decidido a conduzi-los à salvação. Pois o fato é que Deus nunca dá para trás, no que se refere a Suas dádivas ou Seu chamado (29). Ambos são irrevogáveis. Suas dádivas são os privilégios que Ele concedeu a Israel e que vimos relacionados em 9.4-5. Quando ao seu chamado, "Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo Ele prometido, não o fará? Ou tendo falado, não cumprirá?". É em virtude da imutável fidelidade de Deus que nós podemos confiar que haverá restauração para Israel.
O segundo fundamento da nossa confiança de que Deus tem um futuro para o Seu povo é Sua misericórdia. Deus revela a Sua misericórdia ao desobediente. Assim como vocês, que antes eram desobedientes a Deus mas agora receberam misericórdia, graças à desobediência deles (30), assim também agora eles se tornaram desobedientes, a fim de que também recebam agora misericórdia, graças à misericórdia de Deus para com eles (31).
Estes versículos, cuidadosamente elaborados, contêm muito mais um paralelo do que um contraste. A desobediência humana e a misericórdia divina se revelam tanto na experiência dos gentios como na dos judeus; a diferença óbvia é que, enquanto Deus já se mostrou misericordioso para com os gentios desobedientes porém arrependidos, Sua misericórdia para com o desobediente povo de Israel reside, em grande parte, no futuro. Mas existe uma diferença entre as razões para a misericórdia de Deus apresentadas aqui, as quais se expressam, na sentença do original grego, no uso de dativos simples. Assim é que vocês receberam misericórdia "graças à desobediência deles" (30), enquanto que eles receberão misericórdia "graças à misericórdia de Deus para com vocês" (31). Ou melhor: é por causa do Israel desobediente que os desobedientes gentios receberam misericórdia, e é em razão dessa misericórdia para com os gentios desobedientes que os desobedientes judeus também receberão misericórdia. Mesmo assim, ainda se percebe a "corrente de bênçãos", na medida em que a desobediência de Israel conduz à misericórdia para com os gentios, que, por sua vez, há de resultar em misericórdia para com Israel.
O versículo 32 sintetiza o argumento de forma a revelar o supremo propósito e plano de Deus: Pois Deus colocou todos sob a desobediência, para exercer misericórdia para com todos. A desobediência é comparada a um calabouço no qual Deus teria encarcerado todos os seres humanos, a fim de que "eles não tenham possibilidade alguma de escape, a não ser que a misericórdia de Deus os liberte". É este o argumento desta carta: nos três primeiros capítulos, Paulo demonstrou que todos os seres humanos são pecadores, culpados e indesculpáveis; em seguida, a partir de 3.21, ele apresentou o caminho da salvação por meio da graça pela fé em Cristo. Em Gálatas, ele escreve algo similar: "Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, a fim de que a promessa, que é pela fé em Jesus Cristo, fosse dada aos que crêem. Antes que viesse esta fé, estávamos sob a custódia da lei, nela encerrados, até que a fé que haveria de vir fosse revelada. Assim, a lei foi o nosso tutor até Cristo...". Como vemos, a desobediência humana é a prisão da qual somos libertados pela misericórdia divina.
Mas quem são os "todos" que Deus colocou sob a desobediência e os "todos" que serão alvos da misericórdia de Deus (32)? Sobre este versículo muitos têm construído seus sonhos de universalismo. E, isolado do seu contexto aqui, ele poderia mesmo ser entendido como uma promessa de salvação universal no final dos tempos. A Epístola aos Romanos, no entanto, não dá lugar para tal interpretação, pois nela Paulo declara que haverá um "dia da ira de Deus" (2.5), no qual alguns irão receber "ira e indignação", "tribulação e angústia" (2.8 ss). Mas, então, qual é a alternativa? Convém notar que, no texto original, nas duas partes do versículo 32 - a primeira concernente àqueles que Deus aprisionou sob a desobediência e a segunda àqueles com os quais Ele exercerá misericórdia - Paulo não se refere a "todos os homens" ou simplesmente a "todos" (indefinido), mas usa a expressão tous pantas, que significa "os todos" (com artigo definido). E esta expressão, neste contexto, refere-se aos dois grupos específicos que são contrastados no decorrer do capítulo e especialmente nos versículos 28 e 31, isto é, "eles" e "vocês", os judeus e os gentios.
Paulo vem fazendo um tremendo esforço para provar que não há distinção entre judeus e gentios, quer no que concerne ao pecado (3.9,22) ou à salvação (10.12). Agora ele diz que, assim como eles participam da mesma prisão, em virtude da sua desobediência, também assim estarão juntos ao desfrutarem a liberdade da misericórdia de Deus. Além disso, ele já predisse a "plenitude" futura, tanto para Israel (12) como para os gentios (25). Somente quando estas duas "plenitudes" se fundirem em uma só é que se realizará a nova humanidade, constituída de um número incontável de redimidos, a grande multidão multinacional que ninguém jamais poderá contar, os "muitos" que antes estavam em Adão, mas que agora estão em Cristo, vivenciando a Sua graça superabundante, e reinando com Ele em vida (5.12 ss). O fim dos caminhos de Deus será "Misericórdia, misericórdia irrestrita", misericórdia manifestada na plenitude de judeus assim como de gentios, misericórdia "para com todos", isto é, "sobre todos sem distinção, e não para com todos sem exceção".
John Stott
26 de jan. de 2009

A carne barata das crianças palestinas


Certo! Pode-se afirmar que os militantes do Hamás só usam cadáveres de crianças como bandeiras porque, afinal, há cadáveres de crianças. Sem dúvida, em qualquer guerra, elas são as vítimas que mais chocam e constrangem. Mas o que os terroristas fizeram para poupá-las? Nada! Ao contrário! A carne das crianças palestinas, ou das crianças libanesas do Sul do Líbano, são as mais baratas do Oriente Médio. Os militantes do Hamás e do Hezbolhah, respectivamente, escondem-se em meio à população civil. A cada criança morta, um triunfo. A imprensa dos países islâmicos faz o uso esperado dos cadáveres. E a dos países ocidentais não fica atrás. A primeira investe no vitimismo; a segunda, na perversão humanista.
A foto de uma criança palestina com lágrimas nos olhos vale por milhares de editoriais censurando Israel. O que sai do olhar treinado e estudado do fotógrafo assume as características de um flagrante. O que é uma escolha confunde-se com um registro objetivo da guerra. Imagens com essas características valem por perguntas: "Mas onde estão as criancinhas israelenses? Cadê os cadáveres dos infantes judeus?". Também induzem algumas respostas: "Sem elas, só se pode concluir uma coisa: trata-se de uma luta desigual! De uma reação desproporcional! Precisamos de mais cadáveres de judeus para que possamos, então, ser compreensivos com Israel".
E o ato essencialmente imoral do terrorismo islâmico — mais um — perde relevo para a comoção. Mais eficientes do que os foguetes do Hamás, são os cadáveres das crianças palestinas. São bombas de efeito moral que explodem no território israelense e demonizam um país que só não foi extinto em razão da sua tenacidade — também a militar. "Ora, então Israel que evite a reação". É? E como agir, então, para conter o agressor? Reação proporcional?
Reação proporcional? Deve-se levar isso a sério? Terão os israelenses de fabricar seus foguetes quase domésticos para jogar em Gaza ou no Sul do Líbano? Seria legítimo treinar homens-bomba, que morreriam, então, em nome de Iahweh? Devem os israelenses ser "proporcionais" também no nível de exposição de seu próprio povo à fúria do inimigo, de sorte que também possam exibir, com vitimismo triunfante, seus cadáveres pelas ruas, passando-os de mão em mão, numa espécie de catarse da morte?
De fato, Israel não tem saída. A não ser lutar. A guerra de propaganda contra os adoradores de cadáveres, o país já perdeu. Resta-lhe fazer todos os esforços para não ser derrotado no terreno propriamente militar. É a sua contribuição do momento ao triunfo da civilização.
Reinaldo Azevedo
14 de jan. de 2009

“Direção” Bíblica


Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14.6)
Recentemente sentei numa reunião onde a maioria das pessoas, fria e deliberadamente, violou um contrato verbal, roubando, assim, valores que somavam, no total, meio milhão de dólares. Todos elas professavam ser cristãs! Dois de nós protestamos, veementemente, mas em vão.
Cada vez que a questão moral é levantada, alguém afirma que está buscando “direção bíblica” à medida que procede em seu percurso pecaminoso.
Essa expressão sozinha já é uma bandeira vermelha pra mim e pode, com freqüência, ser uma advertência à hipocrisia e ao engano. O Senhor nos dá direção divina em sua Palavra. Sua lei moral é clara e francamente declarada nas Escrituras. Contornar os mandamentos de Deus em nome de alguma direção “superior” significa justificar um curso de ação obviamente condenado pela Bíblia.
Aqueles que querem realmente a direção divina recebem-na de sua Palavra, claramente escrita para que todos leiam. Aqueles que querem contornar a Palavra de Deus, com freqüência, recorrem a uma direção “divina” conhecida apenas por eles.
Um cristão leigo admirável me disse que, quando ouve tal conversa sobre direção “divina” à parte da Escritura, ele espera que a voz a seguir venha do diabo. Eu também creio assim!
Lembro-me de uma jovem senhora que tentou justificar deixar seu marido por um homem casado, que tinha abandonado sua família, dizendo que ela havia buscado a direção “divina” antes de tomar a decisão. Eu lhe disse que os Dez Mandamentos deveriam ser consultados para buscar direção divina sobre esse assunto.
A Bíblia fala a respeito de tudo o que é necessário para a nossa vida. O Senhor deixa claro por toda a Escritura o que ele requer de nós. Somos clara e ricamente guiados. A questão é esta: Obedecemos? Deixamo-nos verdadeiramente ser guiados?
Pecar é algo suficientemente perverso, mas contornar a Palavra de Deus e chamar os nossos desejos pecaminosos de direção divina pode apenas multiplicar o pecado.
Da próxima vez que alguém afirmar ter recebido “direção divina”, pergunte onde ele a conseguiu na Bíblia. Se não tiver autoridade bíblica, sua direção não é de Deus.
Rev. Rousas John Rushdoony

12 de jan. de 2009

O Semeador Semeia



Os seres humanos são influenciados por tudo. Influenciados pelo que carregam geneticamente, pela herança cultural familiar e regional, pela força dos significados de sua própria geração, pelas tendências do mundo — de que tamanho seja o mundo da pessoa —; pelos afetos, pelos amigos, pelo companheiro [a], pelo trabalho, pelas suas fontes de informação, e, também, pelo mundo invisível.
Diversas vezes nos Evangelhos Jesus adverte sobre essas fontes de influencia. Por exemplo:
“Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes.” (Mc 8.15)
“Salvai-vos desta geração perversa!” (At 2.40)
Na Parábola do Semeador Jesus diz que os agentes que podem matar a Palavra no coração são principalmente os seguintes:
1. O mundo espiritual: “Vem o diabo e arrebata a Palavra do coração...”;
2. O mundo interior: “...a terra era pouca, e o solo era pedregoso...”;
3. O mundo exterior: “... mas havia espinho, os quais sufocaram a semente”...;
Ora, em todos os casos, não importando o agente do desanimo na alma, Jesus manda vigiar sem que se considere um perigo maior do que o outro.
Assim, tanto faz quem faz o quê em nós! Sim! O diabo, o mundo interior e o mundo exterior, todos, são igualmente agentes da mesma desgraça em nós: roubar, matar ou sufocar a Palavra.
O diabo pode roubar a Palavra. O mundo interior pode ser impermeável à Palavra, quando ela tenta descer sua profundidade em nossa vida. O mundo exterior sufoca a Palavra, não deixando que ela fique só em nós, tamanha é a concorrência dos espinhos exteriores do mundo.
Jesus, no entanto, não trabalha com álibis. Desse modo, tanto faz, pois o que interessa a Jesus é o resultado de vida ou morte, e não o agente da vida ou da morte.
Assim, não há em Jesus o que não há na vida! Portanto, se faz mal, se tira a pessoa do caminho da Vida e da vereda da Palavra, para Jesus basta. Não há hierarquia de perigos ou de agentes de perigo. Se o resultado é que a Palavra não se instalou na pessoa, tanto faz se foi o diabo quem roubou a Palavra, ou se foi a indisposição interior que a pedrou no ser, ou se foi o mundo, com seus espinhos, o poder que sufocou a Palavra no coração.
Desse modo, se em Jesus não há acusações, também, Nele, não há desculpas. Sim! Pois lá no fundo, tanto faz mesmo; e um dia ficaremos sabendo. E o que ficaremos sabendo?
Ora, saberemos que o homem podia decidir muito mais do que ele quis decidir, e que, por isso, se de um lado ele pode ser vítima do diabo, das tendências interiores e do mundo; de outro lado, ele não terá desculpas a dar; pois, pelo que Jesus insinua, o dia rouba a semente, mas o homem tem que consentir; o mundo interior e seus caprichos influenciam as decisões do homem, mas ele tem que deixar que tal determinação se estabeleça nele; e o mundo exterior pode impor seu fluxo, mas o homem tem que se entregar a ele.
Jesus trata tudo assim, pois, é assim que as coisas são. Portanto, não vemos Jesus fazendo psicologia de consolações vazias e que mantêm a pessoa no estado de acomodação.
O diabo existe; o interior humano tem seu poder de manifestação à revelia; o mundo-sistema-exterior também carrega seu poder monstruoso — mas nenhum deles é legitimado por Jesus como sendo um poder invencível.
O tempo presente é estranho... Hoje o que se vê é que, se a semente não fica no coração, a culpa é do diabo; se o mundo interior se fechou para a Palavra, a culpa é dos humores e dos traumas psicológicos, do pai, da mãe, e da cultura do “coitado empedernido”; se os poderes da sedução do mundo chegam com seus encantos de morte e de alienação, então, a culpa é do sistema perverso.
O homem, porém, é apenas um nada. Sim! É cada vez mais visto como uma vitima de tudo.
Jesus, no entanto, jamais enganaria o homem com justificativas para que ele se mate e mate à sua volta. Não! Para Jesus o diabo existe, mas a culpa de não reter a Palavra é do homem. O coração é enganoso, mas a culpa de não acolher a Palavra é do homem. O mundo é mau, mas o mundo é produção do homem em associação com o diabo, sendo, portanto, responsabilidade de todo homem lidar com o mundo sem achar nele álibis para a morte.
É com essa objetividade que Jesus trata as coisas mais decisivas desta existência. O homem sábio crê, vigia e pratica o que Jesus ensinou; e não busca molezas e nem desculpas, pois o caminho de um homem não é como o caminho dos meninos adulados.
Afinal, que direi se não guardo a Palavra? Que foi o diabo quem a roubou de meu coração? Que a culpa é da minha constituição refratária ao amor? Que a responsabilidade de meu desvio da boa vereda é do mundo que me seduziu?
Não! Eu sei que a responsabilidade é minha! Espero que você saiba que é sua também!
Caio Fábio
9 de janeiro de 2009
1 de jan. de 2009

Pastoral de janeiro de 2009


ALEGRE-SE, VOCÊ FOI DESTINADO PARA A GLÓRIA
O povo de Deus não tem apenas expectativa da glória, tem a garantia dela. A glória não é uma conquista das obras, mas uma oferta da graça. O apóstolo Pedro trata deste momentoso assunto em sua Primeira Carta e nos ensina quatro grandiosas lições.
1. O crente é nascido para a glória (1Pe 1.3,4) – Nós fomos regenerados para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. Nascemos para uma herança incorruptível, sem mácula, e imarcescível, que está reservada nos céus para nós. Nascemos de novo, de cima, do alto, de Deus, para buscarmos as coisas lá do alto, onde Cristo vive. Não nascemos para o fracasso. Nascemos para a glória!
2. O crente é guardado para a glória (1Pe 1.5) – Neste mundo, cruzamos vales profundos, atravessamos pontes estreitas, palmilhamos desertos tórridos, enfrentamos inimigos cruéis. Essa caminhada rumo à glória não é amena. A vida cristã não se assemelha a um parque de diversões. Ao contrário, é luta sem pausa contra as trevas; é luta titânica contra o mal. O apóstolo Pedro escreve: “vós sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1Pe 1.5).
3. O crente está sendo preparado para a glória (1Pe 1.6,7) – O crente exulta com a certeza da glória, mesmo sabendo que no caminho para ela é contristado por várias provações (1Pe 1.6). Nossa fé é um dom gratuito de Deus a nós, mas não é uma fé barata. Ela é mais preciosa do que ouro depurado pelo fogo (1Pe 1.7). Deus não apenas nos destinou para a glória, mas também está nos transformando à imagem do Rei da glória (Rm 8.29).
O Reino de Deus que está dentro de nós é alegria no Espírito Santo. Que Deus inunde nossa alma dessa bendita alegria. Que as glórias inefáveis da Glória por vir já sejam desfrutadas por nós, aqui e agora, enquanto marchamos rumo à posse definitiva dessa linda herança.
No amor de Cristo, Rev. Pedro Corrêa Cabral
Texto adaptado de uma pastoral do Rev. Hernandes Dias Lopes