Domingo, 18 de Maio de 2008

A árvore mais verde


Viajando por terra, fiquei admirando a paisagem: um açude, rochas enormes, depois uma extensa plantação, ao longe uma cadeia de serras, e assim por diante, num verdadeiro filme que vai passando aos seus olhos.
De repente algo que me chamou a atenção: no meio de uma vegetação de porte médio, ali estava uma árvore extremamente verde, de tonalidade diferente das outras e com uma coloração fortíssima.Ela praticamente brilhava no meio das outras.
E pensei nas palavras do Senhor Jesus: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte, nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem ao vosso Pai que estás nos céus”. (Mt 5.14-16).
Ótimo. Nós, crentes, somos diferentes, fomos feitos luz. Mas, teremos alguma utilidade especial por isto? Sim. Como uma cidade situada no alto de um monte, também deveremos estar expostos. Não tem sentido acender-se uma lamparina e colocá-la debaixo de uma panela, mas num lugar elevado da casa.
Os crentes devem ter atuação visível, ficar expostos e devidamente entrosados no meio em que vivem. É como a nossa árvore: de que adiantaria ser tão bonita de estivesse dentro de uma gruta? Ninguém iria admirá-la!
Mas, pensando bem, para que brilhar a nossa luz diante dos homens? Para nos tornamos famosos e alvos de grande popularidade? Para sermos elogiados pelos outros? Não. É para que vejam as nossas boas obras e glorifiquem ao nosso Pai que está nos céus.
Interessante – e trágico – é que se alguém se diz crente e vive em descompasso com o Evangelho, chamará a atenção do mesmo jeito, só que de maneira oposta. É como se aquela árvore, ao invés de linda, fosse horrível, seca e disforme. Continuaria sendo um forte contraste entre as outras, porém, não para ser admirada, mas desprezada.
Que bom seria se cada vez que alguém nos visse em ação, tivesse o mesmo impacto que eu senti, quando vi aquela árvore brilhando por ser mais verde que as outras.
Mauro Clark

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

O Ser de Deus


Não temos a intenção de fazer laboriosos e elaborados argumentos para a existência de Deus. Começamos onde a Bíblia começa. A Bíblia toma por certo a existência de Deus, e supomos que o leitor fará o mesmo. Existem tantas provas de Sua existência que a Bíblia não tenta prová-la. Existe o testemunho exterior da natureza: "Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos" (Salmos 19:1).
Ouve-se a voz destas testemunhas em todas as línguas e em todos os lugares. É verdade que em tempos passados, Deus deixou que as nações andassem com suas próprias maneiras (Atos 14:16). Sua graça não operou na salvação delas, mas ao mesmo tempo, Ele não deixou sem testemunha, fazendo o bem, dando-lhes a chuva e as estações produtivas (Atos 14:17). Seu eterno poder e divindade são claramente vistos nas coisas visíveis que Ele criou (Romanos 1:20).
Existe também o testemunho interno da consciência: "Porque, quando os gentios, que não têm a lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmo são lei; os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os". (Romanos 2:14-15). A natureza e a consciência proclamam em voz alta a existência do verdadeiro Deus vivo. Portanto, por motivos práticos não há necessidade de se provar a existência de Deus.
Um homem certa vez tentou zombar da idéia de Deus. Ele perguntou a seu vizinho crente se ele já havia visto Deus. O crente admitiu que não. Em seguida perguntou se ele havia ouvido a voz de Deus, ou sentido o gosto de Deus, ou mesmo o cheiro de Deus. O crente admitiu que ele nunca tinha percebido Deus através dos sentidos físicos. Em seguida o crente fechou a boca do ateu, perguntando se ele já havia contado uma mentira. Quando admitiu que sim, o crente perguntou que sensação tal ato havia deixado. O ateu admitiu que fora uma sensação de culpa e desconforto. Esta sensação era o testemunho da consciência, dizendo-lhe que Deus existia, o Doador da lei moral, a quem ele teria que prestar contas. O motivo de um homem pagar ou prestar serviço a um outro a quem ele ofendeu é aplacar a um Deus ofendido. Todo homem sente Deus a não ser que sua consciência tenha sido cauterizada. O ateu é o louco educado. Não há ateus teóricos entre os pagãos. Não existe ateu entre os demônios; eles crêem e estremecem. (Tiago 2:19).
As Escrituras não raciocinam com os ateus, porém os reprovam: "O néscio diz em seu coração, não há Deus" (Salmos 14:1). O erro não jaz tanto no entendimento quanto no coração. O ateu teórico (o homem que nega a existência de Deus) faz com que sua mente concorde com o coração. É um caso onde o desejo guia o pensamento. Enquanto no mundo existem poucos ateus teóricos, todo homem no seu estado natural e decaído é um ateu na prática: ele não quer um Deus verdadeiro. O néscio no Salmo 14:1-3 é o néscio típico; ele representa todo homem que não é convertido. No texto o plural é usado: "Eles são corruptos, eles praticam obras más, não há quem faça o bem." O pecado originou-se nas afeições ou desejos, e a obscuridade do entendimento é produto da punição divina. "E como eles não se importaram em ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem as coisas que não convêm"(Romanos 1:28).
O verdadeiro Deus, quando conhecido, não é o Deus que os homens queriam. Quando os homens conheceram a Deus, "eles não O glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes, em seus discursos, se desvaneceram e o seu coração insensato se obscureceu" (Romanos 1:21).
A verdadeira evolução, moralmente, leva em conta o pecado, e é o desenvolvimento da natureza humana que despreza a Deus. Por isso chamamos de devolução moral. A progressão do pecado nos é mostrada em Romanos 1:18-32. Primeiramente, os homens suprimiram ou abafaram a verdade a respeito de Deus. Eles tinham a verdade concernente a Deus no livro da própria natureza. Seu poder eterno e Sua divindade foram claramente revelados nas coisas que fizera, mas os homens não gostaram desta verdade. Eles viraram as costas às revelações e se tornaram a seus próprios entendimentos. Em segundo lugar, eles mudaram a verdade a respeito de Deus em mentira, e fizeram imagens e representações de Deus na forma do homem, de pássaros e de bestas feras. Temos o Apolo dos gregos, a águia dos romanos, o boi dos egípcios e a serpente dos assírios. Os homens conheceram a Deus, mas recusaram-se adorá-lO, e a idolatria seguiu por necessidade psicológica.
E em terceiro lugar, a idolatria foi seguida pela sensualidade. Deus os entregou às suas impurezas e vis afeições. Ele negou Sua graça remidora e deixou a natureza humana seguir seu curso de imoralidade. Os últimos versículos do primeiro capítulo de Romanos descrevem as coisas que homens e mulheres farão quando entregues às suas próprias concupiscências. Eles não somente fazem estas coisas, mas desejam que outros as façam também (versículo 32). O ponto mais baixo da depravação do homem é quando ele se alegra em ver os outros pecarem.
As testemunhas de Deus na natureza não fazem parte da luz do Evangelho. Estas testemunhas são suficientes para deixarem o homem sem desculpa, mas não são eficazes como meio de salvação. Elas são suficientes para o homem reconhecer que é pecador, mas não dizem nada do Salvador. Uma maior revelação é necessária antes que o homem possa conhecê-lO no perdão do pecado. E esta revelação maior é a Palavra Escrita como testemunha ao Verbo encarnado, Jesus Cristo, pelo conhecimento de Quem muitos serão justificados (Isaías 53:11).
O homem é por natureza um ser religioso. Por treinamentos, fora da Bíblia e à parte do novo nascimento, ele se tornará um ateu, ou um idólatra. Isso é o melhor que a educação, a parte da graça de Deus, fará. Uma mera religião cultural desafia a humanidade, nega a queda do homem e fala somente da tendência de elevação. É esta a religião do evolucionista. O deus do sensual são seus próprios desejos. Sua única regra de conduta são os desejos de uma natureza depravada (Filipenses 3:19). Esta é a religião dos homens de negócios que não conhecem a Deus e dos ébrios e libertinos.
Inventar um deus na imaginação é tão ruim quanto criar um deus com as mãos. A velha forma de religião fazia seus deuses com as mãos, a nova forma com os pensamentos, guardando-os na mente idólatra. O Deus desconhecido continua sendo o verdadeiro Deus. Os atenienses do tempo de Paulo tinham altares a seus deuses e em seu zelo tinham um para o Deus desconhecido. O Deus desconhecido é o Deus sobre Quem Paulo lhes falou. O verdadeiro Deus lhes era desconhecido.
O nosso propósito é apresentar o Deus da Bíblia em Sua natureza e perfeições pessoais. O leitor é convidado a meditar sobre o que é revelado nas Sagradas Escrituras. E que o Espírito da verdade nos guie à verdade!

C. D. Cole

Sábado, 10 de Maio de 2008

A JUSTIFICAÇÃO


A justificação é um ato de Deus instantâneo, eterno, gracioso, livre e judicial, pelo qual, devido ao mérito do sangue e da justiça de Cristo, um pecador arrependido e crente é livrado da penalidade da Lei, restaurado ao favor de Deus e considerado como possuindo a justiça imputada de Jesus Cristo. Em virtude disso, o crente recebe a adoção como filho de Deus.
Deus é o autor da justificação. O homem nada tem que ver com a sua justificação, salvo para recebê-la através da fé que o Espírito Santo o habilita a exercer. A Escritura declara: É Deus quem justifica. (Rm 8.33). E outra vez lemos: Sendo justificados livremente pela Sua (de Deus) graça por meio da redenção que está em Cristo Jesus (Rm 3.24). Podemos dizer que Cristo nos justifica no sentido de que Ele pagou o preço da nossa redenção.
A justificação é um ato e não um processo. Ocorre e está completa no momento em que o indivíduo crê. A justificação não admite graus ou fases. Por exemplo, a respeito do publicano lemos que ele desceu para sua casa justificado. Ele foi justificado completamente no momento em que colocou sua fé na obra propiciatória de Cristo. A justificação do crente está posta, sempre, em tempo passado. Em toda a Bíblia não há a mais leve alusão a um processo contínuo na Justificação.
Quando alguém se justifica, justificado está por toda a eternidade. A justificação não pode jamais ser revogada ou revertida. É uma vez por todo o tempo e eternidade. Por essa razão, Deus pergunta: Quem lançará qualquer acusação contra os eleitos de Deus? (Rm 8.33). Cristo pagou inteiro resgate e fez completa satisfação por todos os crentes. De outra maneira, Cristo teria de morrer outra vez, ou então o crente cairia em condenação pelos seus pecados futuros. Mas lemos que a oferenda de Cristo se fez uma vez por todas (Hb 10.10), e que o crente não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida (Jo 5.24).
O crente já passou o juízo. Foi julgado e absolvido completamente e eternamente. Paulo ensinou uma justificação eterna e imutável que se mostra no fato dele se sentir chamado a defender sua doutrina contra os ataques dos que defendiam a licença ao pecado. Essa é a acusação que se faz hoje contra a doutrina da justificação.
Lemos também em Hb 10.14 — Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados. — É verdade que são os santificados que estão sob consideração neste texto, mas ele é aplicável aos justificados também. Porque, santificados e justificados são um. Se os santificados são aperfeiçoados para sempre, assim são os justificados. A perfeição aqui é a de estar diante de Deus.
O pecador não merece nada das mãos de Deus, exceto condenação. Logo, a justificação é inteiramente de graça. Está assim estabelecido em toda a Escritura, exceto por Tiago que empregou o significado secundário do termo. No sentido primário do termo, entretanto, a justificação nunca está representada como sendo através das obras, ou da obediências do homem. (Vejam Rm 3.20; 4.2-6; Tito 3.5).
Enquanto a justificação é na base da obra meritória e expiatória de Cristo, contudo, da parte de Deus, ela é livre e espontânea, posto que Deus-Pai não estava sob nenhuma obrigação de aceitar a Cristo como nosso substituto.
A justificação, no sentido primário, é um termo forense ou legal. É um ato do tribunal do céu. Não faz o crente internamente justo ou santo. Torna o crente justo apenas aos olhos de Deus. Muitos confundem a justificação com a santificação, mas elas não são a mesma coisa. Justificação é apresentada como o oposto de condenação, ao passo que santificação como o oposto de uma natureza pecaminosa. (Rm 5.18).
Os fundamentos da justificação são o sangue e a justiça de Jesus Cristo. A fé é um meio de justificação, mas não é o fundamento dela. Nada no homem é fundamento da justificação. Deus requer perfeição. O homem, por causa da depravação da carne, não pode render obediência perfeita, mesmo depois da regeneração. Por essa razão, a justificação deve achar seu fundamento fora do homem.
A justificação toma tanto o sangue como a justiça de Cristo para constituir o seu fundamento. O Seu sangue nos justifica negativamente, Sua justiça, positivamente. Em outras palavras, o sangue paga a penalidade pelos nossos pecados, e a justiça dá posição positiva perante Deus.
Não há contradição entre Tiago e Paulo quanto ao fundamento da justificação. Paulo simplesmente usou a palavra grega dikaioo no seu sentido primário, para significar fazer alguém legalmente justo, ao passo que Tiago a usou no seu sentido secundário, para significar como alguém se mostra e prova estar justo. O mesmo uso que Tiago faz do termo pode-se achar também em Mt 11.9 e 1 Tm 3.16. Paulo ensina que nos é dada uma posição justa diante de Deus pela fé. Tiago ensina que provamos nossa justificação pelas nossas obras.
Há tanta necessidade de reconciliar Tiago consigo mesmo, como de reconciliar Tiago com Paulo, porque Tiago afirma que Abraão creu em Deus e que isso lhe foi reconhecido como justiça. (Tiago 2.23).
A fé em Cristo é o meio de justificação. Isto é, pela fé é que a justificação é aplicada. Ninguém se justifica, senão os que crêem. A fé é logicamente anterior à justificação, ainda que não cronologicamente anterior. A justificação é através da fé, porque a justificação é só uma de uma série de atos pelos quais Deus nos ajusta para Seu reino, aqui e além. Sem fé a justificação nada e não ajudaria a realizar o propósito de Deus em nós.
A fé não tem mérito em si mesma. Ela não é aceita em lugar da nossa obediência. Nem ela produz um rebaixamento do padrão de Deus, de modo que possamos ganhar favor com Deus pelas nossas obras.
Em Rm 10.4 lemos — Cristo é o fim da Lei para justiça de todo àquele que crê. E Gl 3.13 diz — Cristo nos remiu da maldição da Lei fazendo-se maldição por nós.
Isso quer dizer que, para o crente, a Lei não é mais um instrumento de condenação. Os demônios se reuniram em tremenda fúria e atiraram seus dardos de condenação contra Cristo sobre o madeiro. Ele recebeu esses dardos no Seu próprio corpo na cruz, consumiu sua força e robou-lhes o poder de condenarem o crente. Por essa razão, o crente nunca entrará em condenação (Jo 5.24; Rm 8.1). Cristo morreu como substituto do crente, razão pela qual o crente é para a Lei como um morto.
Assim, a justificação não só alforria o homem da penalidade da Lei, mas o faz diante de Deus como alguém que nunca quebrou a Lei. A justificação torna o crente tão inocente perante Deus em relação à sua posição como Adão o foi antes de cair.
Ou seja, o crente não só é inocente perante Deus, mas é considerado como possuindo a perfeita justiça de Cristo. Logo, tanto quanto se considera a posição e o destino do crente, ele é reconhecido como sendo tão justo como Cristo. Glória a Deus por isso!
No amor de Cristo,
Pr. Pedro Corrêa Cabral

Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Tente Outra Vez...


Em tempos de crise, até que o governo brasileiro “mandou bem”. Entre tantos desacertos e até mesmo diante de uma hilária “proposta” para que se criasse o Ministério do ‘vai dar M...’ , os comerciais da nova campanha de motivação do governo federal caíram no gosto do povo. O slogan “Sou Brasileiro! Eu não desisto nunca!” entrou como uma luva num povo sofrido, que tem como força última exatamente o fato de não desistir... mas às vezes desiste.
Muitos desistiram de ser honestos... aliás esse grupo é o que mais aumenta. Outros desistiram de procurar um trabalho digno e se enveredaram pelo mundo do crime. Há ainda aqueles que nunca desistiram simplesmente porque nunca tentaram nada na vida... esses com certeza são os piores... nunca desistiram porque nunca tentaram. Outros ainda desistiram daquilo que lhes era primordial: a própria vida... é impressionante o número de suicídios que são cometidos no Brasil.
Pensando comigo mesmo, cheguei a uma conclusão: só há UM que nunca desiste de verdade... aquele que criou todas as coisas e apesar de sua própria criação querer ter se afastado dEle em momento algum deixou de ser fiel a si mesmo: Deus.
“Se somos infiéis, Ele permanece fiel... pois de maneira alguma pode negar-se a si mesmo.” É o que diz a Palavra. A fidelidade de Deus independe de nossa “perfeição”. Quantas vezes quando nós mesmos já desistimos de nós... Ele nos toma em graça e nos levanta novamente ? Quem faria isso a não ser alguém que não desistisse nunca ?
Seria interessante que aqueles que dizem ser o corpo de Cristo realmente manifestassem o que a cabeça pensa... se a cabeça não desiste nunca, por que o corpo deixa padecer um membro e desiste dele ? Isso é só pra pensar um pouco...
Voltando à propaganda, interessante também é ouvir uma música do “maluco beleza”, Raul Seixas incentivando o povo a ter fé em Deus, a ter fé na vida... a tentar outra vez... só me resta aqui acreditar tanto naquilo que os teólogos chamam de “graça comum”, ou seja, que por mais longe que se esteja do criador, há sempre no ser humano traços daquele que o criou, como também ficar com as palavras de Jesus: “se eles se calarem.. as próprias pedras clamarão”.
Não duvido disso... hoje em dia quando as igrejas ensinam a ter fé na fé... fé no pastor... fé no apóstolo... quando as igrejas punem categoricamente aqueles que “erraram” para serem execrados por uma turma de santos-fariseus-sepulcros-caiados... eis que surge ele, Raul Seixas... cantando... “tente outra vez... tenha fé em Deus...” e eu me pego a rir das “ironias de Deus”... pedras clamando...
Isso mesmo... só tenta outra vez de verdade aquele que conhece Aquele que, de verdade, não desiste nunca. Porque Ele não desiste nunca eu posso tentar... porque Ele não desiste nunca eu posso acreditar que minha queda não foi o fim... porque Ele não desiste nunca eu posso descansar nEle todas as minhas desistências, e prosseguir... porque Ele não desiste nunca eu posso desistir de controlar a minha vida, e deixar que Ele a controle...
Eu já desisti muitas vezes... e em todas elas ouvi, às vezes com a dureza de um Pai quando corrige seu filho, mas sempre com carinho e doçura aquela voz inconfundível, doce como o som da brisa que sopra de manhã, intensa como o som de muitas águas, firme como as montanhas que hoje tento escalar... a voz do Mestre... falando claramente em meu coração: “Tente outra vez.... Eu sou Deus!! Eu não desisto nunca!!”
Glórias, pois, a Ele...
Com amor e perseverança,
José Barbosa Junior

Domingo, 4 de Maio de 2008

Murmuração


Você crê que é capaz de concluir o dia de hoje sem reclamar para você mesmo, ou para outra pessoa, através de murmuração e uma verbalizada chateação? Você pode imaginar como seria um dia totalmente livre de toda e qualquer lamúria?

Imagine se você viesse a substituir toda reclamação por uma positiva sugestão! Pense na positiva e produtiva influência que isso traria para o seu trabalho e nos seus relacionamentos! Pense como isso poderia reduzir o seu nível de estresse! Imagine, ainda, se você substituísse toda reclamação por uma ação positiva? Imagine a energia que seria redirecionada para uma ação criativa ao descartar todo e qualquer pensamento negativista de crítica e exaustiva busca de se achar um culpado para aquela situação! Pense nas oportunidades que poderiam surgir, e num novo universo que iria despontar à sua frente, em função de uma nova atitude para com a vida!

Claro que você não vai querer que as pessoas pisem e passem por cima de você. Em vez disso, espere pelo melhor e recuse-se a gastar o seu tempo e energia em inúteis e inconseqüentes lamúrias. Todas as vezes que você sentir uma forte inclinação para a lamúria, faça um desafio a si mesmo de buscar uma positiva alternativa e colha os maravilhosos benefícios de olhar para frente ao invés de olhar para trás.
Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo. (Filipenses 2:14-15)

Marcello Britho

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Pastoral de maio


O DEUS DOS CRISTÃOS
A qualidade de vida cristã está diretamente relacionada àquilo que cremos a respeito de Deus. Todas as nossas atitudes, relações, comportamentos e valores, bem como toda a nossa compreensão do mundo e das pessoas, dependem do que Deus significa para nós. Neste sentido, precisamos estar atentos para não crermos num Deus criado a partir da nossa própria experiência. Ele não é fruto da nossa criação! Embora seja importante ter uma experiência com Deus, tal experiência não serve de base para conceituarmos a pessoa de Deus. Por que não? Porque nossas experiências diferem umas das outras. Nossas experiências são absolutamente individuais e subjetivas. Desta maneira, a melhor referência para conhecermos um pouquinho a respeito de Deus é a Bíblia, porque ela nos fala do que o próprio Deus revelou acerca de si mesmo.
A revelação que Deus faz dele próprio na Escritura está associada aos eventos da história. É algo concreto, objetivo, externo a nós mesmos. Ou seja, à medida que o povo de Deus ia tendo necessidades, o Senhor ia se revelando, posto que Sua revelação sempre teve propósitos redentores. Deus jamais fez revelações de Si mesmo apenas para matar a curiosidade humana.
A oração de Ezequias, registrada em Isaías 37:14-35, é rica em conceitos sobre Deus, porque Ezequias sabia como Deus havia se revelado na história de Seu povo.
Assim, descobrimos que Deus é acessível (v.14-15) – O templo era a manifestação material da presença de Deus. Ezequias foi, portanto, ao templo e orou ao Senhor. E Deus ouviu aquela oração. Este é o Deus dos cristãos! Um Deus presente, acessível e que ouve as nossas petições. Não um deus qualquer, que não ouve nem vê.
Deus é também grandioso e soberano (v.16) – Se Senaqueribe era um poderoso general de um forte exército, Deus é o “Senhor dos exércitos”, os quais estão sob Seu domínio. Ezequias reconhecia que todo poder era concedido por Deus. Ele é o Senhor de tudo e de todos. Ele é o Deus soberano, majestoso, Senhor de todas as coisas visíveis e invisíveis. Ele é um Deus presente.
Deus é, ainda, Único e Verdadeiro (v.16-20) – Ezequias faz uma verdadeira declaração de fé, contrastando com os deuses pagãos, que têm olhos, mas não vêem, têm boca, mas não falam, têm pés, mas não andam. Confessar Deus como Único e Verdadeiro é excluir qualquer possibilidade de idolatria. Deus é exclusivo. Não há outra possibilidade além dEle. Se o homem O exclui da sua vida, depara-se com o caos de si mesmo e passa a ser escravo de poderes que o alienam ainda mais. Confiar em Deus é crer na verdade, é ter a verdadeira vida.
Além disso, o nosso Deus responde às nossas orações (v.21-23 e 30-32) – Após a oração de Ezequias, Deus mandou a Sua resposta através do profeta Isaías, dizendo que Jerusalém poderia menear a cabeça em desdém porque a força de Senaqueribe não era nada diante do poder do Senhor. Senaqueribe não sabia com quem estava lidando. Não era um deus qualquer, fraco e inexistente. Não! Esse era o Deus verdadeiro, o “Santo de Israel”, aquele que responde à oração segundo a Sua soberana vontade.
Deus é também aquele que está no controle de tudo (v.24-29) – Uma mensagem central desta passagem é que Deus tem o controle de todas as coisas. Ele é o Senhor da História. Senaqueribe foi, na verdade, instrumento de Deus para a eliminação de cultos pagãos (v.26). Deus pode usar uma pessoa, mesmo que ela não saiba, pois Ele conhece cada passo da nossa vida (v.28). Apesar das catástrofes mundiais Ele não perde o controle.
O nosso Deus é, sobretudo, um Deus que nos protege (33-35) – Da mesma forma como Deus é poderoso para usar alguém para Seus propósitos, mesmo não sendo um servo seu, Ele é poderoso para guardar os Seus filhos. A cidade não seria invadida, porque Deus disse que a defenderia e a livraria (v.35).
É nesse Deus Único e Verdadeiro que nós, os cristãos de todos os tempos, confiamos, porque Ele é um Deus que cumpre as promessas que faz.
No amor de Cristo, Rev. Pedro Corrêa Cabral

Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Cristo, A Plenitude do Tempo


“No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Efésios 1.7)
Paulo consegue, com maestria, sintetizar a salvação em Cristo de forma objetiva e transparente. Em Ef 1.7 Deus nos fala, através de Paulo, sobre o que Cristo fez por nós “redenção... remissão dos pecados”; sobre o preço que pagou para que a salvação fosse possível ao homem “pelo seu sangue”; e, por fim, sobre a origem da redenção em Cristo “segundo a riqueza da sua graça”.
Lendo um texto como este, fico pensando como podem algumas pessoas não se comoverem e não refletirem sobre suas próprias existências. Poucos textos sintetizam a essência do cristianismo como este.
Cada palavra deste verso merece atenção, a começar pela primeira expressão “no qual”. Temos visto nos versos anteriores, que somos amados de Deus. Por isso, ele nos escolheu “antes da fundação do mundo” para sermos “santos e irrepreensíveis” no “Amado”, em Cristo Jesus. Ou seja, Deus nos escolheu para sermos amados no Amado. E, tudo isso “para louvor da glória de sua graça”. Portanto, “no qual” refere-se ao Amado de Deus, aquele que derramou o sangue pelos amados do Altíssimo, Cristo Jesus, o nosso Redentor.
Quando Deus criou o homem foi para se relacionar intimamente com ele. Por esse motivo o criou a sua imagem e semelhança. Porém, o pecado degenerou esse relacionamento, e se abriu um abismo entre o homem e o Altíssimo. Isaías diz assim: “Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não o possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus” (Is 59.1,2). Porém, aquilo que fazia separação entre nós e Deus foi eliminado quando Cristo se fez homem e se deu por nós na cruz do Calvário. A seguir vem a segunda palavra importante a ser considerada “redenção” .
Em Cristo temos redenção. Essa expressão significa libertação pelo pagamento de um resgate . No Brasil, é quase cotidiano notícias sobre seqüestros. Por isso, se torna mais fácil a compreensão desta expressão. Quando uma pessoa é seqüestrada, os seqüestradores exigem um resgate, geralmente, em dinheiro. Quando é pago o valor exigido, então, a pessoa seqüestrada é libertada e volta ao convívio familiar. É a mesma coisa com os cristãos. O pecado aprisionava o homem, não o deixando se relacionar com seu Criador e era exigido um resgate para sairmos dessa prisão. Cristo pagou o preço da nossa libertação e, por isso, em Cristo temos redenção, ou seja, a remissão dos nossos pecados.
Entendendo que a obra de Cristo na cruz resultou na nossa redenção, remissão dos pecados, também, entendemos que preço a nossa redenção custou. Neste ponto é importante salientar a terceira expressão “pelo seu sangue”.
Já dissemos que Deus criou o homem para se relacionar intimamente com ele e por isso o criou a sua imagem e semelhança. Na criação tudo era perfeito, ou seja, “muito bom”, era a perfeita harmonia. Nessa perfeição, Deus dá uma ordem ao homem para que não comesse do fruto do conhecimento do bem e do mal . Após essa ordem, Deus dá a primeira promessa: “porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). A primeira promessa de Deus ao homem foi a promessa de morte caso desobedecesse. Infelizmente, o homem desobedeceu. Após isso, Deus faz uma segunda promessa em Gn 3.16, de que o descendente da mulher (Jesus) pisaria na cabeça da serpente. A segunda promessa era de vida.
Jesus Cristo derramou o seu sangue dando a sua vida por causa dessas duas promessas. Em Cristo foi cumprida a primeira promessa, a de morte, e também a segunda, a de vida. Cristo tomou sobre si a nossa morte e nos deu sua vida. Essas duas promessas que são cumpridas em Cristo é o que percorrem toda a Escritura até chegar em Cristo. É o que diz Gl 4.4-7 referindo-se ao cumprimento dessas duas promessas de “plenitude dos tempos”: “Vindo, porém, a plenitude do tempo Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. O cumprimento dessas promessas em Cristo é o que podemos dizer de essência do cristianismo. Isso é maravilhoso e enche o nosso coração de regozijo!
Somente entendendo o que foi o sacrifício de Cristo na cruz do Calvário é que podemos entender a última expressão “a riqueza da sua graça”. Entender como Deus nos amou, mesmo sendo pecadores; de que forma maravilhosa toda Escritura converge para o sacrifício vicário de Cristo; como os planos de Deus são perfeitos; tudo isso deve fazer com que honremos ao Senhor de toda Glória. Sabendo que “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as cousas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Rm 11.36). Deus os abençoe.
Fábio Ito

Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Todas as Coisas


Romanos 8.28 — Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
Sabemos – Essa não é uma questão de especulação, de debate teológico, ou de teoria filosófica. Nós que nascemos de Deus, que conhecemos a Deus, que somos ensinados por Deus, “sabemos”. Nós sabemos pela revelação da Escritura Sagrada, pelo ensino do Espírito Santo, pela experiência da graça e da fé dada por Deus.
“Sabemos que todas as coisas” – Alguém pode dizer: 'Certamente, Paulo não queria dizer todas as coisas sem exceção'. Oh, mas ele quis. Isso é exatamente o que ele quis dizer.
Todos os seres, criados e não-criados, estão trabalhando constantemente para o bem dos eleitos de Deus. Todas as três pessoas da Trindade Santa, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, todos os anjos de Deus (bons e maus, os anjos preservados em santidade e aqueles que caíram!), e todos os homens (justos e ímpios!), todos estão executando a vontade de Deus na providência para o bem dos seus eleitos.
Todas as coisas, no tempo e na eternidade, são soberana e constantemente manipuladas pelo nosso Deus e Pai celestial para o nosso bem. Nós não temos dificuldade em ver a mão de Deus em todas as coisas boas. Nós sabemos que todas as coisas boas vêm da mão de Deus. De fato, Tiago diz que nada senão o que é bom vem do nosso Deus (Tiago 1.17). Todavia, Paulo afirma claramente que todas as coisas (tanto más como boas) são soberanamente governadas e dominadas pelo nosso Deus em sua adorável, sábia e boa providência para o bem dos pecadores escolhidos e redimidos.
Assegure-se que você entenda o ensino da Escritura Sagrada a esse respeito. Nosso santo Deus não é o autor ou a causa do pecado; mas ele é o Administrador e Governador dele (Isaías 45:7; Amós 3:6; Salmo 76:10). O pecado não é algo que toma Deus de surpresa. O pecado não é algum rival de Deus, o qual está de alguma forma fora do seu controle, ou além da esfera do seu poder e domínio como Deus. Aquele que é Deus governa tanto quando ele impede Abimeleque de pecar contra ele, como também quando ele envia Simei para amaldiçoar Davi (Gênesis 20.:6; 2 Samuel 16.10).
O pecado e a queda do nosso pai Adão, o pecado original, foi governado para o bem. Da queda de Adão veio a necessidade de um Salvador. A queda do primeiro Adão foi o caminho para a vinda do último Adão.
O pecado que habita em nós constantemente nos lembra de nossa dependência absoluta de nosso Deus e de sua graça em Cristo (Paulo - 2 Coríntios 12.9). Deus poderia facilmente erradicar o pecado de nossa natureza aqui na terra, assim como ele o fará na glória; mas enquanto estamos aqui, ele considera melhor nos deixar em nossa natureza velha e adâmica, para que ele possa nos manter sempre olhando para Cristo, a fim encontrar graça e justiça. Nossas muitas quedas nos mostram a fidelidade imutável de nosso grande Deus e nos ajudam a controlar o nosso orgulho (Salmo 37.24; Malaquias 3.6; Marcos 16.7).
Certamente, se até mesmo nossos pecados são graciosamente governados por nosso Deus para nos fazer o bem, devemos ver que todas as coisas más experimentadas na vida, assim como as boas, são governadas por ele em sua gloriosa soberania para nos fazer o bem! Todas as nossas provas e aflições terrenas, todas as nossas doenças e dores, todas as nossas tristezas e privações. Até mesmo aquelas coisas pelas quais Satanás nos tenta destruir, são graciosa, sábia e soberanamente governadas por nosso Deus para o nosso bem. Nós podemos, portanto, falar do demônio do inferno como José falou dos seus irmãos. O que ele intentou para o mal, Deus intentou para o bem; e o bem será realizado (Gênesis 50:20).
Don Fortner

Sábado, 19 de Abril de 2008

Arrepender-se ou Perecer!


Estas foram as palavras do Filho de Deus. Elas nunca foram canceladas; e não serão, enquanto este mundo durar. O arrependimento é absoluto e necessário, se é para o pecador obter paz com Deus (Isaías 27.5), porque arrependimento é o lançar fora as armas da rebelião contra o Senhor. O arrependimento não salva, todavia nenhum pecador jamais foi ou será salvo sem ele. Nada senão Cristo salva, mas um coração impenitente não pode recebê-LO.
Um pecador não pode crer verdadeiramente até que se arrependa. Isso é claro a partir das palavras de Cristo a respeito do Seu precursor: — Pois João veio a vós no caminho da justiça, e não lhe deste crédito, mas os publicanos e as meretrizes lho deram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para crerdes nele (Mateus 21:32).
Isso é também evidente a partir de Sua chamada como trombeta em Marcos 1:15, "Arrependei-vos e crede no evangelho". Não faça confusão neste ponto. querido irmão. Deus "ordena agora que todos os homens em todo lugar se arrependam" (Atos 17:30).
Em requerer arrependimento de nós, Deus está pressionando Suas justas reivindicações sobre nós. Ele é infinitamente digno de supremo amor e honra, e de universal obediência. Isso nós temos, impiamente, Lhe negado. Tanto reconhecimento como correção é requerido de nós. Nossa desafeição por Ele e nossa rebelião contra Ele devem ser reconhecidas e exterminadas. Dessa forma, o arrependimento é uma compreensão profunda de quão terrivelmente tenho falhado, durante toda minha vida, em dar a Deus Seu justo lugar em meu coração e em meu andar diário.
A justiça da demanda de Deus por meu arrependimento é evidente, se considerarmos a natureza hedionda do pecado. Pecado é uma renúncia àquele que me fez. É recusar ao Criador Seu direito de me governar. É a determinação de agradar a mim mesmo. Assim, é uma rebelião contra o Altíssimo. O pecado é uma ilegalidade espiritual e uma indiferença absoluta à autoridade de Deus. O pecado diz em meu coração: — Eu não me importo com o que Deus requeira, eu vou seguir o meu próprio caminho; eu não me importo com o que Deus reivindique de mim, eu serei o senhor de mim mesmo.
Será que você não percebe que é assim que você tem vivido?
O arrependimento verdadeiro origina-se a partir de uma compreensão no coração, operado neste pelo Espírito Santo, da excessiva malignidade do pecado, do terror de ignorar as reivindicações dAquele que me fez, de desafiar Sua autoridade. Ele é, conseqüentemente, um santo ódio e horror ao pecado, uma profunda tristeza por ele, e o reconhecimento dele diante de Deus, e um completo abandono dele. Até que isto tinha sido feito, Deus não nos perdoará. "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Provérbios 28:13).
No verdadeiro arrependimento, o coração se volta para Deus e reconhece: —Meu coração tem sido posto sobre um mundo vão, que não pode satisfazer as necessidades de minha alma; eu Te abandonei, a fonte de águas vivas, e me voltei para cisternas rotas que nada retêm: eu agora reconheço e lamento minha tolice.
Ele ainda diz mais: — Eu tenho sido uma criatura desleal e rebelde, mas eu não mais serei assim. Eu agora desejo e determino com todo meu poder servir e obedecer a Ti como meu único Senhor. Eu me entrego a Ti, Senhor.
Irmão, seja você um Cristão professo ou não, é arrepender-se ou perecer. Para cada um de nós, membro de igreja ou não, é voltar ou queimar; voltar da direção da obstinação e auto-satisfação; voltar para Deus com um coração quebrantado, procurar Sua misericórdia em Cristo; voltar com total propósito de coração de O agradar e servir; ou ser atormentado dia e noite, para sempre e sempre, no Lago de Fogo. Oh, ajoelhe-se agora mesmo e implore a Deus que lhe dê o espírito de verdadeiro arrependimento.
"Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar; mas a tristeza do mundo opera a morte". (2 Coríntios 7:10).
Arthur W. Pink

Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Um Sorvete pra Matar a Fome


Era uma tarde quente de domingo. Eu caminhava sozinho pela Avenida Rio Branco, naquele momento, deserta. Gosto de caminhar por ali e contemplar a bela arquitetura do centro do Rio de Janeiro. Aprecio as construções antigas, magníficas, sobranceiras. Muito da História do Rio de Janeiro e do Brasil passa por aquela e outras avenidas centrais da Cidade Maravilhosa. Como sou um apreciador das coisas da história, quando posso, dou-me o prazer de passar um bom tempo caminhando por ali.
Como estava muito quente resolvi tomar um sorvete (uma das minhas paixões proibidas por causa de minhas constantes faringites) num quiosque de uma famosa rede de Fast-food. De repente vi que não estava só. Aproximou-se um rapaz e foi logo me pedindo: “moço, me dá um sorvete... é que eu tô com fome”. Como eu estava com o dinheiro “contado” para voltar a Teresópolis, não pude atender o pedido daquele jovem, quase adulto.
Instantaneamente me pus a pensar: “peraí... a lanchonete está aberta...se ele realmente estivesse com fome teria me pedido algo para comer,e não uma “sobremesa”... sorvete não mata a fome...” e meu pensamento foi parar onde sempre pára nessas horas em que as coisas inusitadas me acontecem: na realidade da igreja. Na mesma hora senti que aquele era o quadro fiel de algumas igrejas que tenho conhecido. Estão querendo matar a “fome” com “sorvetes”.
Pensei em como a Palavra, verdadeiro alimento que realmente sacia a fome (nem só de pão viverá o homem, mas de toda Palavra...), tem sido trocada por meros “sorvetes” espirituais. Engraçado é que sorvetes geralmente são a sobremesa preferida das crianças. É difícil conhecer uma criança que não goste de se lambuzar de sorvete, e mais, elas são capazes de trocar pratos saborosos e nutritivos por uma pequena taça dessa guloseima doce e gelada.
Lembrei-me de Paulo dizendo aos Coríntios que gostaria de lhes dar alimento sólido, mas não podia e tinha que lhes dar leite, ainda eram meninos na fé, crianças espirituais. Lembrei-me do mesmo Paulo dizendo que o amor (que é superior a todos os dons) era coisa pra gente grande, pois quando era menino fazia as coisas de menino, corria atrás dos dons como se fossem fins em si mesmos, mas quando descobre que tudo aquilo não era nada sem amor, ele abandona as coisas de menino.
Alimentos sólidos... a Palavra... o Amor... coisas tão distantes da maioria de nossas igrejas e “bibocas eclesiásticas”. O interesse pelas coisas que realmente dão “sustância” à nossa vida parece desaparecer à medida em que as novidades aparecem e chamam nossa atenção, e desviam nosso olhar daquilo que realmente é essencial.
“A coisa principal é fazer da coisa principal a coisa principal.” Ouvi essa frase em um dos sermões do Russell Shedd em que ele citava um escritor inglês que agora não lembro o nome. Como isso é verdadeiro!! A igreja tem dado lugar às coisas de menor importância em detrimento daquelas que são essenciais. A “coisa principal” há tempos deixou de ser a coisa principal.
Veja nossos congressos, nossos seminários, nossas cruzadas (detesto essa palavra pois me remete à Idade Média e as atrocidades feitas em nome de Deus). As “estrelas” não são os pregadores da Palavra, na verdade em muitos desses eventos as pessoas nem perceberiam se não houvesse pregação da Palavra, desde que saíssem de lá sentindo o “mover”, o “fluir” e a “unção”. Se houver algo para me emocionar, me fazer chorar, pular, gritar, melhor ainda afinal de contas, segundo um desses “maravilhosos” e medíocres cânticos a que somos entregues todo o dia, “o meu corpo é pra pular diante do Senhor”, ou pior, “faça o melhor... pule... grite...” ... e tome sorvete pra criançada...
As palavras de Paulo são mais que atuais nesses nossos dias, são imprescindíveis. “Leite (sorvetes são feitos com leite) vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais.” Infelizmente essa ainda é a nossa realidade.
Que Deus nos ajude a amadurecermos, a prosseguirmos para o alvo, crescendo, até chegarmos à estatura de homem perfeito, deixando as coisas de criança e nos apegando àquelas que realmente nos edificam e nos alimentam, e que nunca mais sejamos crianças pedindo um sorvete pra matar a fome.
Que Deus mesmo nos faça crescer Nele.
José Barbosa Junior

Sábado, 12 de Abril de 2008

A Trindade Santa


Deus é uma trindade de pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Pai não é a mesma pessoa que o Filho; o Filho não é a mesma pessoa que o Espírito Santo e o Espírito Santo não é a mesma pessoa que o Pai. Eles são pessoas distintas; ainda assim, são todos o mesmo único Deus. Eles estão em perfeita harmonia consistindo de uma única substância. Eles são co-eternos, co-iguais e co-poderosos. Se qualquer deles fosse retirado, então não haveria Deus. Existe, aparentemente, uma separação de algumas funções entre os membros da divindade. Por exemplo: o Pai escolhe quem será salvo (Ef 1:4); o Filho os redime (Ef 1:7); e o Espírito Santo os sela (Ef 1:13).
Um ponto que é necessário esclarecer é que Deus não é uma pessoa, o Pai, com Jesus sendo uma criação e o Espírito Santo uma força de Deus, como ensina a seita das Testemunhas de Jeová. Nem tampouco Deus é uma pessoa que adquiriu três formas consecutivas, isto é, o Pai tornou-se o Filho que, depois, tornou-se o Espírito Santo, como querem algumas correntes pentecostais. Nem ainda é a Trindade uma associação de três deuses separados, como prega a terrível seita dos Mórmons.
Vejamos a seguir algumas passagens bíblicas que ajudarão você a ver como a doutrina da Trindade originou-se das Escrituras. Os exemplos não são exaustivos, somente ilustrativos. O primeiro passo é estabelecer quantos deuses existem: UM! Isaías 43:10 diz — Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.
E se você quiser pode ainda consultar Is 44:6; Is 45:14,18,21,22; Is 46:5,9 onde comprovadamente verificamos a existência de UM só Deus. — "Eu sou o SENHOR e fora de mim não há Deus" (Is 45:5).
O segundo passo consiste em comparar passagens da Escritura. Por exemplo, em Isaías 64.8 percebemos o Deus Pai Criador — Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos.
No mesmo sentido, João 1.3 nos mostra Deus Filho como Criador — Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.
E em Jó 33.4 vemos o Espírito Santo também no trabalho de criação — O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida.
Um outro exemplo nos mostra que as três pessoas da Trindade Santa habitam em nós. Em 2 Coríntios 6.16 Paulo nos diz — ... Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
Enquanto Colossenses 1.26-27 afirma o Filho fazendo morada em nós — agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória.
E em João 14.17 descobrimos o Espírito Santo habitando em nós — o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.
Penso que estes dois exemplos são suficientes para você estabelecer no seu coração a convicção da existência da Trindade Santa, embora a palavra trindade não apareça na Bíblia.
No amor de Cristo,
Rev. Pedro Corrêa Cabral

Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

A Palavra de Deus


Deus é tão grande que não podemos conhecê-lo na sua totalidade, mas apenas aquilo que ele revela a nós, seja pela sua Palavra, seja na sua criação. O Senhor é tão grande que não podemos vê-lo ou tocá-lo, conforme lemos em 1Tomóteo 6.16. Assim, ele se revela a nós como nosso Salvador e Pai por sua Palavra. Não devemos nos surpreender com isso, posto que o discurso é o principal meio de comunicação mesmo entre nós, que fomos criados à sua imagem e semelhança.
Entretanto, que Deus fala aos homens é um milagre. É um milagre, em primeiro lugar, porque o infinito e o eterno Deus falou de si mesmo e da sua glória em nosso linguajar limitado e imperfeito, mas mesmo assim tornou algo de si verdadeiramente conhecido para nós. Desta forma, Ele é um Deus que conhecemos e com quem temos comunhão por meio de sua Escritura.
Em segundo lugar, o falar de Deus aos homens é um milagre porque, assim como acontece com a linguagem humana, esse falar de Deus a nós é mais do que apenas um meio de comunicação. É o meio pelo qual temos comunhão com o Senhor, o conhecemos e o amamos. Como um homem conhece e ama a voz de sua amada esposa, acima de todas as outras, assim realmente conhecemos e amamos a Deus ouvindo a sua voz (Cantares de Salomão 2.14).
Em terceiro lugar, a revelação de Deus de si mesmo por meio da Escritura é um milagre porque a Palavra não é mero som no ar, nem marcas sobre uma folha de papel, mas é uma Palavra viva e eterna (1Pedro 1.23). É uma palavra que não somente ouvimos e lemos, mas que toma uma forma visível e se torna uma revelação tangível do Deus vivo e invisível (1 João 1:1), de maneira que embora Deus seja para sempre impossível de se ver, vemo-lo na pessoa de seu Filho, o Verbo feito carne.
E finalmente, a Palavra é um milagre porque é um ato de condescendência e misericórdia que Deus tenha falado conosco. Uma vez que caímos no pecado, não seria mais apropriado que ele se afastasse e se ocultasse de nós? Todavia, ele fala, e fala de paz, de amor e de graça.
Que Deus fala em misericórdia como nosso Pai e Salvador é possível somente por causa da relação inseparável entre a Palavra feita carne e a Palavra escrita, lida e pregada. Não pode existir uma sem a outra. Somente através da Palavra escrita conhecemos a Palavra viva. Não há outra possibilidade, não importa o que aqueles que falam de revelações diretas possam alegar. Tampouco, é a Palavra escrita entendida e recebida, a menos que alguém também conheça e a receba por meio daquela Palavra viva feita carne.
Existem erros que precisam ser evitados dos dois lados. Por um lado, devemos evitar falar de conhecer e crer em Cristo à parte das Escrituras, como se, agora que a Bíblia está completa, pudéssemos ter comunhão com ele, ouvi-lo e vê-lo à parte daquelas Escrituras. Por outro lado, nunca podemos esquecer que ler as Escrituras e não encontrar Cristo nelas (]oão 5:39, 40) é lê-las sem entendimento e em vão.
Assim, nunca podemos duvidar, ou esquecer, dessas Escrituras, pois que elas nos foram dadas em forma escrita e preservadas nessa forma por Deus, desde os tempos antigos. É por essas Escrituras somente que a Deus agrada se fazer conhecido em e através do nosso Senhor Jesus Cristo. "São elas", Jesus diz, "que de mim testificam" (João 5.39). Prestemos, portanto, a mais séria atenção às Escrituras (Hebreus 2.1)
Ronald Hanko

Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Qual é o seu valor?


Há muito tempo, numa cidade do interior, um jovem que vivia desanimado dirigiu-se ao seu professor:
— Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa que não tenho forças para fazer nada. As pessoas me dizem que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?
O professor, sem olhá-lo, disse-lhe:
— Sinto muito, meu jovem, mas não posso ajudar. Devo primeiro resolver meu próprio problema. Talvez depois. — E fazendo uma pausa, falou:
— Se você me ajudasse, eu poderia resolver este problema com mais rapidez e depois talvez possa lhe ajudar.
— Claro, professor - gaguejou o jovem, logo se sentindo outra vez desvalorizado e hesitou em ajudar seu professor. O professor tirou um anel que usava no dedo mínimo deu ao garoto, dizendo:
— Pegue o cavalo e vá até o mercado. Devo vender esse anel porque tenho de pagar uma dívida. É preciso que você obtenha pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vai e volta com a moeda o mais rápido possível.
O jovem pegou o anel e partiu. Mal chegou ao mercado, começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel. Quando o jovem mencionava a moeda de ouro, alguns riam, outros saiam, sem ao menos olhar para ele. Só um velhinho foi amável, a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel.
Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas. Depois de oferecer a jóia a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso, montou no cavalo e voltou. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, assim livrando a preocupação de seu professor e, assim, receber ajuda e conselhos. Já na escola, diante de seu mestre, disse:
— Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir duas ou três moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.
— É importante o que você disse, meu jovem... — falou o professor, sorridente — Devemos saber primeiro o valor do anel. Pegue novamente o cavalo e vá até o joalheiro. Quem poderia ser melhor para saber o valor exato do anel? Diga-lhe que quer vender o anel e pergunte quanto ele lhe dá. Mas não importa o quanto ele lhe ofereça, não o venda... Volte aqui com meu anel.
O jovem foi até o joalheiro e deu o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o anel e disse:
— Diga ao seu professor, se ele quer vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel.
— 58 MOEDAS DE OURO!!! - exclamou o jovem.
— Sim, replicou o joalheiro, eu sei que, com tempo, eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente...
O jovem correu emocionado à escola para contar o que ocorreu. Depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou, o professor disse:
— Você é como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por um "expert". Será que você pensava que qualquer um podia descobrir seu verdadeiro valor?
E, dizendo isso, voltou a colocar o anel no dedo.
— Todos somos como esta jóia. Valiosos e únicos, andamos por todos os mercados da vida, pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.
Porém ninguém, além do Grande Joalheiro, o Deus eterno e poderoso, sabe o nosso valor!

Autor desconhecido

Domingo, 6 de Abril de 2008

Os Santos Também Sujam os Pés no Caminho


Um dos mais fascinantes momentos bíblicos, ao meu ver, é o momento em que Cristo, durante a última ceia, lava os pés dos discípulos. Toda vez que tento imaginar essa cena, meus olhos marejam... é simplesmente linda!!! E quanta coisa nos ensina...
Ali estavam eles, os discípulos... haviam andado com o Mestre por alguns anos, contemplando face a face o verbo, Deus encarnado, sentindo o cheiro de Deus, vendo o “jeitão” de Deus, ouvindo sua voz...
Mas estava chegando a hora final, a cruz que era desde a eternidade se fazia urgente, palpável, vinha dos tempos eternos para rasgar a história e ver cravada nela o cordeiro imolado desde antes da fundação do mundo. O que era fora do tempo, estava prestes a invadir a cronologia humana e executar o plano, o único plano de Deus para a salvação... a CRUZ.
Jesus então cinge-se com uma toalha, tira a vestimenta de cima, enche uma bacia com água e passa a lavar os pés dos discípulos. Vergonha!! Humilhação!! Quem lavava os pés geralmente era um servo, alguém a mando de seu senhor, dono da festa, dono da casa. Inversão de valores, servos sendo servidos, o Senhor era quem os servia, o dono da festa é quem “paga o mico”... e Ele se humilhou...
Pedro, em seu impetuoso temperamento, seu jeitão tosco, dono do mar, pescador destemido, na arrogância infantil que lhe era peculiar, nega essa possibilidade: “nunca me lavarás os pés”. Gesto aparentemente humilde, pois trazia em seu bojo o reconhecimento da autoridade do Mestre, foi duramente reprovado por aquele que trazia a bacia e a toalha nas mãos: “Se eu não te lavar os pés, não tens parte comigo (...) quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais está todo limpo...”
Os santos também sujam seus pés no caminho! Mesmo aqueles que tem seus pés firmes na Rocha, que caminham naquele que é o Caminho, podem por muitas vezes sujar os pés.
O que mais me fascina em Jesus é sua total compreensão da humanidade e sua não-religiosidade. Jesus hoje seria, com certeza, confundido com o Anti-Cristo por alguns líderes da “religião cristã”, pois seu modo de agir, suas palavras e sua maneira de encarar as coisas difere muito da chamada “moral evangélica”.
Jesus não seria “evangélico”. Cada vez mais me convenço disso. Seu modo de lidar com os erros, com as dificuldades daqueles que sujam os pés no caminho é totalmente diferente da forma como vejo a “igreja”. Ele cuida, ele trata, ele lava os pés, mas não deixa de dizer que o corpo já está limpo... são só os pés... empoeirados, sujos, machucados... quão diferente daqueles que jogam fora a criança junto com a água da bacia... tão típico dos grandes coronéis-apóstolos-super-pastores de nossos “arraiais”.
Essa santidade que anda por aí, que não abre espaço aos pés sujos no caminho, essa eu não quero! Essa santidade do “não toque”, “não prove”, “não mexa” ... é a santidade dos fariseus. Paulo já dizia que essa santidade, na verdade, é falsa humildade, culto de si mesmo! (Cl 2.20-23). Essa santidade daqueles que querem ser mais santos do que Deus, daqueles que dizem que é pecado aquilo que Deus nunca chamou de tal, essa eu rejeito! A santidade dos “levitas”, dos “apóstolos”, dos “semi-deuses”, dessa eu quero distância.
Quero deixar claro que não estou fazendo uma apologia ao pecado! O mesmo Paulo que escreve o texto acima também diz que não devemos fazer uso dessa liberdade para dar ocasião à carne (Gl 5.13). Para a liberdade foi que Cristo nos chamou, principalmente porque nos libertou do império das trevas, da tirania da carne, para o reino do Filho do seu amor. Liberdade que nos faz responsáveis e que nos enche de gratidão pela graça (ah! a graça) que nos enche os pulmões e a alma do vento que sopra onde quer.
O que estou querendo dizer é que é possível, mesmo no Caminho, sujar os pés... e encontrar consolo naquele que lava os pés, corações, mentes, olhos, simplesmente por ser a água viva.
Que Ele nos guarde de todo o mal no caminho que, às vezes, nos suja os pés.
Com carinho,
José Barbosa Junior

ANIVERSARIANTES DE ABRIL



Dia - Aniversariante
12 - Mauriceia
13 - Yanara Lins
23 - Maia José (Zeza)
23 - Camila Lira
24 - Pb. Cícero Antônio
29 - Maria Célia ferreira

PEDIDOS DE ORAÇÃO


Pb Cícero Antônio e Gil (vida espiritual); Internos do Desafio Jovem de Alagoas; Graça (vida espiritual); Irmã Neuza (de Botucatu, SP – vida espiritual da família); Missionários da APMT; Irmã Nivânia e Irmão Luis Felipe Calundo (Inglaterra – saúde e que Deus conceda um filho ao casal); Missionária Maria Noêmia (Oriente Médio – saúde); Missionária Diná Freitas (Índia); Missionário Rev. Marco Mota (Senegal); Juvenal Quaresma (IPF – saúde); Márdem (primo da Lysia – saúde); Dilmar e Kelly (vida espiritual).

CALENDÁRIO DO MÊS



abril de 2008
05 – Palestra Harmonia Conjugal proferida pelo Pr. Pedro e irmã Lysia, no ECC da Igreja Batista da Comunhão.
06 - Consagração da Mocidade – 07:30 hs
Culto de Adoração 19:00 hs
13 – Consagração da Mocidade – 07:30 hs
Encontro de pastores com o Presidente do Supremo Concílio, às 15:00 hs, na IP de Maceió.
Centenário do presbiterianismo em Alagoas
Culto de Adoração 19:00 hs
19 – Dia do Índio

20 – Consagração da Mocidade – 07:30 hs
Culto de Adoração 19:00 hs
21 – Dia de Tiradentes (feriado nacional)
26 – Reunião do Conselho da igreja
27 – Consagração da Mocidade – 07:30 hs
Culto de Adoração e Santa Ceia 19:00 hs
28 – Dia da Sogra

Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

SOBRE O VINHO E OUTRAS COISAS


Publicamos a seguir, primeiramente, uma carta de um irmão, Marcelo, ao Rev. Caio Fábio. Logo depois, vem a resposta do Caio. Irmãos, vale a pena ler esses textos. Com amor, Pr. Pedro Corrêa Cabral.
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Querido Pastor Caio Fábio,
Graça e Paz nAquele que nos satisfaz em tudo!
Nasci em um lar evangélico, aprendi que nosso testemunho de cristão deve servir de luz para o mundo, que como crentes em Cristo Jesus não somos diferentes, mas devemos fazer a diferença...
Mas a cada dia que passa entro mais em contradição, não com minha fé em Cristo Jesus, mas com as doutrinas impostas pelas "igrejas". Sou de uma igreja bem formal. Sempre aprendi, e cresci com isso, que o crente deveria ser diferente, pois tem a luz de Cristo, e porque crente é o sal da terra.
Não gostaria de julgar as pessoas, as atitudes delas; mas cada dia que passa, vejo que a Igreja de Cristo tem se confundido com as coisas do mundo.Existem coisas que não consigo aceitar, nem entender, como: "Boate evangélica; crente bebendo cerveja santa; festa junina santa; baile santo"... Hoje em dia tudo é permitido... Qual a diferença do povo de Deus?
Sou um jovem de 28 anos e não me enquadro no estereótipo "quadrado", mas será que a "igreja" e a "doutrina", conseguiram me fazer ser "quadrado"?
Será que eu deveria evoluir juntamente com as inovações propostas pelo mundo?
Abraços,
Marcelo

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Amigo e irmão Marcelo: Graça, Paz e Bem!
Leia Romanos 14 e você entenderá qual é a postura de um cristão frente coisas desse tipo. A leitura é tão simples que não farei comentário algum, pois sei que você entenderá. Há, todavia, algumas coisas que gostaria de tratar com você, pois tenho algumas opiniões a lhe dar.
1º. Boate de crente, cerveja de crente, e tudo mais de crente e para crente, além de ser, em si, algo careta e feio, é sintoma e manifestação de que os crentes não são o sal da terra, mas sim o sal dentro do saleiro. Ora, isto é reflexo daquilo que foi ensinado aos crentes: que o diabo mora na boate, que os demônios vivem no álcool e que o mundo é um lugar, não um espírito. Assim, quanto mais pensam que o mundo é feito de lugares, mais eles se tornam mundanos, visto que não vão aos lugares do mundo, mas criam seus "corbãs" (Mc 7:9-13) a fim de jeitosamente darem seus "jeitos" em relação àquilo que se diz ser mundano, mas que eles não vêem mal algum em fazer, tendo que fazê-lo dentro do aquário cristão, visto que para eles o mundo é um lugar, não um espírito. Assim, eles tornam mau, pela sua própria alienação e
preconceito, algo que em si nem é bom e nem é mau, dependendo apenas de como cada um lida com a coisa em si.
2º. O mundo é um espírito, de acordo com Paulo. Ele chama de "curso deste mundo", cuja tradução modernizada seria "o fluxo da corrente deste mundo". Ora, esse espírito do mundo foi jeitosamente vinculado pelos evangélicos às coisas do lazer, do prazer, da diversão, dos relacionamentos, das festas, das boates, dos cigarros, das bebidas, das roupas e dos cosméticos. Assim, mesmo que uma pessoa que seja bondosa, sóbria, piedosa, misericordiosa, madura, limpa de olhos, sem inveja, não interessada em fofocas, nem em disputas de espaço religioso, e plena de amor a Deus — ainda assim a tal pessoa será considerada mundana se tomar cerveja ou outra bebida alcoólica, se gostar de dançar, se fumar cigarro, de vestir-se bem e conforme gostos modernos e se não falar conforme a língua do gueto cristão. E isso é assim porque para os "evangélicos" o que contamina o homem é o que entra pela boca e não o que sai do coração. Ou seja: a maioria dos "evangélicos" são discípulos dos fariseus, enquanto pensam que são discípulos de Jesus.
3º. No ensino da Palavra há "um mundo" ao qual se deve odiar e há "um mundo" ao qual se deve amar. O mundo que se deve odiar é feito de espíritos de maldade, inveja, corrupção, malícia, manipulação, ódio, raivas, perseguições, antipatias, não-afetividade, e objetivação do próximo. Esse é o mundo que se deve odiar, e que existe tanto na "igreja", em seus concílios e em suas convenções, quanto em qualquer disputa política no Congresso Nacional. Já o mundo que se deve amar é feito de gente, de todo tipo de gente, e tem a ver com a celebração da vida, da alegria, da comunhão humana, da sociabilidade que aproxima os diferentes; visto que tal "mundo" é objeto do amor de Deus: a humanidade.
4º. Assim, em Jesus, o mundo existia muito mais no Sinédrio de Jerusalém do que na casa dos publicanos. Era em Jerusalém, a Jerusalém dos cultos ininterruptos, onde Jesus via o mundo; e é de lá que vêm os poderes acerca dos quais Jesus diz: "Vamo-nos daqui; pois aí vem o príncipe deste mundo" (João 14.30) — embora quem chegue sejam as autoridades religiosas a fim de prendê-LO.
5º. Se o mundo, segundo Jesus, fosse festa, bebida, dança, e outras coisas, então, se deveria dizer que Jesus era um mundano, visto que Ele comia de tudo (a ponto de Lhe chamarem "glutão"), bebia de tudo (a ponto de ser designado como "bebedor de vinho"), andava com todos (a ponto se ser chamado "amigo de pecadores"), e não criava eventos para os pecadores, de um lado, e para os discípulos, de outro. Ao contrário, Ele levava os discípulos para a boate dos publicanos, para a festa dos pecadores, para os banquetes dos mundanos, do ponto de vista da religião.
6º. Jesus também não bebia cerveja, ou vinho sem álcool. O vinho que Ele criou em Caná era vinho mesmo, como convinha ser em qualquer festa. Além disso, nos dias dEle, Joaquim Jeremias nos diz que a bebida mais comum era a "cevita", uma cerveja muito apreciada pelo mundo romano e por todas as pessoas da Palestina. Isso sem falar que o vinho da Ceia, segundo Paulo (I Co 11), tinha o poder de fazer embriagar ("...ao passo que há quem se embriague..."). Portanto, os cristãos originais não tinham essa neurose acerca de bebida alcoólica, até porque não dá para ser discípulo de Jesus e praticar essa forma de ascetismo — ou qualquer outra forma de ascetismo — visto que Jesus era tudo, menos ascético. E o ensino de Paulo aos Colessenses é
flagrantemente contrário ao ascetismo do tipo "... não bebas isto, não proves aquilo, não toques aquilo outro...", coisas essas que Paulo diz que têm "aparência de sabedoria e humildade, mas que não têm valor algum contra a sensualidade".
7º. O mundo que mais me apavora é esse mundo maligno que se disfarça de religião de Deus. É aí que as mais estranhas e malignas manifestações do mundo se manifestam, embora ninguém dance, beba ou fume. Sim, eles não fazem nada disso. Porém, devoram-se uns aos outros, conspiram contra os irmãos, torcem pela queda de alguns, alegram-se com suas vitórias, filhas da malícia e vivem para garantir o cosmético de sua falsa humildade, as quais são os disfarces dos lobos que se vestem de ovelhas.
8º. Eu sou contra qualquer coisa "para crente", pois apenas aumenta o engano do ascetismo e exacerba a doença religiosa, a qual advoga que crente vota em crente, dança com crente, bebe bebida de crente, e vive num mundo paralelo. Ora, Jesus apenas pediu que estivéssemos no mundo, porém livres do mal. Para Jesus, fugir da vida era se tornar sal que perde o sabor, e que para nada mais presta, nem para o monturo.
9º. Eu vou a boate quando dá — infelizmente, hoje em dia, muito raramente. Mas quando vou, vou a uma boate de gente, onde eu possa dançar com minha mulher, e dançar músicas normais, conforme a poesia da vida. Quase não bebo, pois, depois de duas hepatites, meu fígado não gosta do impacto da bebida em meu organismo. Todavia, meu paladar gosta de um bom vinho, de uma cerveja geladinha num dia quente, de um "Porto" após as refeições, de uma caipirosca na praia, e de champanhe nas celebrações solenes.
10º. O que vejo é que pessoas para as quais esses mandamentos da etiqueta evangélica herdada dos missionários americanos — filhos do puritanismo anglo-saxão — são um problema. Esses mesmos são os que mais se complicam na vida, posto que não sabem por que são obrigados a desgostar do que naturalmente gostam e porque têm que chamar de maligno aquilo que para eles não é nada. Assim, um dia essas pessoas explodem, e os resultados são desastrosos, posto que Paulo disse que o ascetismo não tem nenhum valor contra a sensualidade ou contra a embriaguez.

Ora, isto dito, quero afirmar mais o seguinte:

1º. Careta você é. Sim, um caretão evangélico. Explico: Você só me escreveu isso porque não gosta de ver boate de crente (nem eu), mas não consegue negar seu conflito e sua vontade de ser normal e poder gostar de tudo o que você gosta sem culpa. Só que você não pode, em razão das proibições dos fariseus que o discipularam.
2º. Você está se esforçando para ver "o mundo" nessas bobagens que foram criadas pelo próprio ascetismo evangélico e pela hipocrisia da religião, sempre tentando manter os crentes sob a tutela da "igreja", e isso até na hora de dançar. E você faz isso da maneira mais "evangélica" possível, isto é, coando os mosquitos (as bobagens de crente que querem ser normais, mas não têm permissão para isso; daí criarem esses "híbridos"), enquanto engole os camelos (o sistema de controle "evangélico", com suas proibições, as quais condenariam como mundano o próprio Jesus).
O que se tem que saber é que uma pessoa que aparecesse fazendo o que
Jesus fazia (curas, milagres e libertações) e dizendo o que Jesus dizia, se, todavia, vivesse com a liberdade que Ele tinha de comer e beber nas festas dos "mundanos" (publicanos e pecadores), tal pessoa seria vista pelos "evangélicos" do mesmo modo que os fariseus e religiosos viram Jesus em Seus dias. Ou seja, o olhar dos "evangélicos" não vê a vida com os olhos de Jesus.
Ora, quem quer que não veja a vida com os olhos de Jesus, mesmo que s