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28 de jul. de 2009

Não Cremos na Dor sem Deus


Sempre lembramos de Atos como um livro que descreve um Deus que intervém sobrenaturalmente. São línguas de fogo sobre os discípulos, coxos andando, demônios exorcizados, anjos socorrendo os apóstolos e, até, a sombra de Pedro transformada em instrumento de cura. Mas nem sempre era assim: Estêvão foi martirizado, Paulo preso e açoitado, discípulos fiéis mortos ao fio da espada e lançados aos leões. Além da nossa finita lógica e curta compreensão da história, entre milagres e tragédias, o Senhor Jesus era glorificado e a igreja avançava.
A expectativa do povo de Deus é sempre ver a resposta do Senhor em meio ao sofrimento. Mas Atos mostra-nos uma verdade aplicável ao nosso dia-a-dia: nem sempre Deus intervém sobrenaturalmente. Porém Ele não deixa de ser o Senhor da situação. Em face da tragédia pessoal, somos convidados a compreender que é preciso olhar além da vida e entender que o projeto maior de nossa existência — glorificar a Deus — não pode ser revogado.
O sofrimento possível
Em Atos 8, Lucas relata que “levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém” (v. 1) e escolhe o termo grego diogmos para definir “perseguição”. Distintamente de efistamai (ataque), a expressão diogmos está ligada ao sofrimento físico: causar dores, fazer sofrer, punir com sofrimento. A igreja experimenta de forma violenta o amargo sofrimento, e Lucas descreve este diogmos: o sepultamento de Estêvão, a prisão dos fiéis e a dispersão. Mas, inspirado, ele vai além. Ao mencionar o martírio de Estêvão (v. 2), relata que houve um grande “pranto”, usando o termo kopeton, que pode ser lido literalmente como “bater no peito”, e indica o sofrimento emocional, a dor da alma, o choro inconformado do coração. Ao lado de diogmos, apresenta um sofrimento físico (fuga, prisões, martírio e espancamentos) e emocional (medo, insegurança, saudade e depressão). O historiador afirma ainda que Saulo “assolava” a igreja (v. 3), utilizando elumeinato. Este termo, derivado de lumaino, aponta para uma assolação (destruição) não apenas física e emocional, mas também espiritual. É o mesmo termo usado em João 10.10, em que lemos que o diabo veio roubar, matar e “destruir”.
O primeiro relato de Atos 8 é surpreendente: descreve a igreja sofrendo forte ataque físico (diogmos), emocional (kopetos) e espiritual (lumaino). O contexto não centraliza a igreja, mas sim o ataque a ela perpetrado, o esquema maligno do qual a comunidade de Jesus era alvo, a oposição sobre-humana que atacava o corpo, fazia doer a alma e tentava solapar a fé. A igreja sofria.
O sofrimento continua presente entre o povo de Deus hoje. A violência impera na família, vidas são ceifadas em trágicos acidentes, a enfermidade não abandona o corpo, o desemprego e as dívidas tiram o sono, a depressão se abate profusamente sobre a alma, e a fé é provada no fogo. Mas a fidelidade do Pai mostra-nos que, no mais terrível sofrimento, Ele continua sendo Deus, nunca se ausenta. Mesmo quando silencia, no momento em que preferiríamos um poderoso e miraculoso grito, Ele continua sendo Pai e Senhor. Quando Deus se cala é preciso olhar além da vida, em total dependência, e crer que Ele é maior do que os homens.
Cantamos um hino aqui em Gana que diz:

Não vivemos para celebrar o sofrimento;
Nem também para chorar;
Mas quando ele vier choraremos;
No sofrimento há Deus;
Não cremos na dor sem Deus,
Não cremos na dor sem Deus.
O Deus do impossível

Mas existe o outro lado da moeda, que nos incita a esperar contra a esperança e crer no Deus dos milagres. Entender o sofrimento como algo possível não implica em perdermos a expectativa de ver Deus abrir os céus e agir. Geneticamente, na linguagem da fé, nascemos em Cristo com a tendência de crer no impossível.
Voltando a Atos 8, vemos que a igreja sofria pois “foram dispersos pelas regiões de Judéia e Samaria” (v. 1); “Entrementes os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” (v. 4). Mesmo no sofrimento, Deus faz a história caminhar para glória do seu nome e o avanço da sua igreja.
O evangelho sofre com o martírio de Estêvão, homem cheio do Espírito Santo (v. 2). Cai um grande líder e incansável pregador. Mas Deus levanta Filipe, também cheio do Espírito, que “descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo” (v. 5).
Muitos são arrastados e encarcerados após o grande pranto sobre Estêvão, a igreja se dispersa e a violência assola famílias inteiras (v. 3). Tristeza e melancolia era o que se esperava, mas no final “houve grande alegria naquela cidade” (v. 8). Deus faz o impossível no corpo, na alma e na fé do seu povo.
Em nossa vida, Deus nunca será surpreendido. A despeito do possível caos, das inúmeras derrotas, do vazio no coração, da falta de fé, da ausência de respostas, Deus nunca foi nem jamais será surpreendido pelo que possa nos roubar a expectativa de um dia voltarmos a ser felizes. Ele detém o direito autoral de escrever cada capítulo da nossa existência. É soberano e tem o domínio da nossa história, mesmo quando se cala.
Mas Deus não somente se cala. Ele também fala. Por isso, perante qualquer obstáculo, devemos crer que o Deus dos impossíveis pode fazer o impossível acontecer.
Mesmo quando o sofrimento vem, Deus permanece no controle de tudo e, portanto, no controle do nosso sofrimento. Olhar além da vida é olhar para o projeto maior na mente do Senhor, é reconhecer que Deus é maior que o homem, que a sua glória importa mais do que a nossa. Como diz o cântico, não cremos na dor sem Deus.
Ronaldo Lidório
25 de jun. de 2009

Diamantes e Zirconita


Até Para um Joalheiro Pode Ser Difícil Distinguir
Alguns anos atrás, uma das cadeias de lojas de departamentos na nossa região usou uma engenhosa estratégia de marketing — eles vendiam "cubos de gelo" plásticos contendo água e dentro de um dos cubinhos havia uma zirconita. As pedras eram virtualmente invisíveis na água congelada e não era possível identificar o tamanho ou a lapidação delas. O consumidor interessado pagava um preço módico pelo cubo de gelo que continha a imitação de um diamante, mas a propaganda dizia que um dos cubos era premiado e continha um diamante real, avaliado em algumas centenas de dólares. Como as imitações eram boas e o preço módico, minha mulher comprou um cubo e observei o joalheiro remover a água, revelando uma linda pedra multifacetada. Ela brilhava sob as luzes artificiais da loja e, tanto quanto pude ver, era tão bonita quanto um diamante real. Imagine minha surpresa quando o joalheiro não examinou a pedra usando uma lupa, o instrumento tradicional utilizado para aferir um diamante genuíno e suas características, mas em vez disso, utilizou um aparelho eletrônico de teste. Quando perguntei o motivo, ele me disse que era realmente a melhor forma de distinguir a imitação da pedra verdadeira! As diferenças em coloração podiam ser notadas usando-se uma lupa, mas as imitações eram literalmente perfeitas. Assim, para evitar enganos, ele usava um aparelho eletrônico de aferição.
Pensando sobre isso, observei que há um paralelo com a vida cristã. Satanás vem fazendo um trabalho de mestre, colocando falsificações entre as ovelhas. Elas parecem ovelhas, agem externamente como ovelhas, aparentemente acreditam serem ovelhas — e em muitas áreas até se sobressaem mais do que as verdadeiras ovelhas — mas apesar disso tudo, são falsas e não têm Jesus Cristo em seus corações como Senhor e Salvador. Esses cupins espirituais causam muitos danos ao corpo de Cristo, por causa de seus raciocínios carnais e da resistência à liderança do Espírito Santo na vida da igreja. A epidemia de divisões de igrejas que ocorreu nos últimos anos deve nos dar uma indicação da conseqüência desse câncer espiritual no nosso meio. Um pouco de joio entre o trigo é inevitável, mas grande parte dele poderia ser evitado se o povo de Deus simplesmente utilizasse o "instrumento especial" que Ele nos oferece. Somos continuamente exortados na Palavra de Deus a ficar de guarda contra aqueles que querem nos enganar com palavras fingidas (2 Pedro 2:3) — usando-nos para atingir seus objetivos sociais e políticos. Na Bíblia, o próprio Senhor, bem como os apóstolos, disseram que isso aconteceria e que pioraria ainda mais no fim da época da igreja. É por isto que Cristo disse: "Pelos seus frutos os conhecereis." O exercício constante e persistente do discernimento e da vigilância espiritual é o instrumento de teste que Deus nos deu para nos permitir separar o genuíno do falso. E a prática bíblica da separação é a cura!
Nossas igrejas e pastores tornaram-se tão obsessivos com o jogo dos números que literalmente aceitam qualquer pessoa que afirme ter uma experiência de salvação. "Sim, pastor, aceitei a Cristo como meu Salvador e estou pronto para ser batizado e jogar vôlei na quadra da igreja. Quando será a próxima reunião de sociabilidade?" é a atitude de muitos dos novos "convertidos". Mas, enquanto eles aparecerem ocasionalmente nos cultos e contribuírem com dízimos e ofertas, seus nomes estarão no rol de membros e ajudarão a aumentar o ego do pastor, que pensa estar "edificando uma igreja". O que, a propósito, não tem base bíblica alguma, pois o Senhor disse em Mateus 16:18 que Ele edificará sua igreja:
"Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela."
Logicamente, a pedra (petra, no original grego), refere-se ao próprio Senhor Jesus Cristo, não ao apóstolo Pedro, como afirma a Igreja Católica (e seus teólogos sabem muito bem o jogo de palavras que ocorre aqui no texto grego original entre petra e petros).
Como já mencionei em outros artigos, muitos pastores passam noites acordados tentando imaginar novos esquemas de atrair mais pessoas às igrejas, para que possam evangelizá-las e alcançar os alvos numéricos. Mas eles estão realmente sendo pescadores de homens ou estão fazendo o papel de trouxas? Isso me faz lembrar a história que aconteceu com um velho pastor. (É uma história verídica que me foi contada por um colega pastor.) Esse velho pastor morava em uma pequena cidade rural de apenas 150 habitantes e quase todos eram membros da igreja. Bem, com o passar do tempo, ele ficou desanimado, pois sua igreja não estava experimentando o tipo de crescimento que os gurus especialistas dizem que uma igreja deve ter. A pequena igreja desse velho pastor tinha o mesmo número de pessoas há vários anos e os únicos convertidos batizados eram os filhos dos membros, de modo que ele estava perplexo com a situação. No entanto, fez o que deveria: começou a orar sobre o assunto, pedindo a orientação de Deus. Um dia, ao dirigir até o armazém, observou que um cachorro grande tinha sido atropelado e seu cadáver ficara estendido ao lado da estrada. Como ele não sabia quem era o dono do animal, ao chegar em casa, comentou o fato com sua mulher. Mas, como ela também não sabia de quem era o cachorro, ele acabou se esquecendo do assunto. No entanto, alguns dias depois, ao passar novamente por aquele local, notou que o corpo do pobre animal ainda estava lá, começava a mostrar sinais de putrefação e estava visivelmente maior, mais inchado. Então, subitamente, ocorreu na sua mente que o problema com a igreja podia ser explicado por essa analogia. O cachorro grande tornara-se maior ainda, mas estava morto por dentro! Essa poderia ser a descrição da sua igreja?
Em toda a parte, os púlpitos de muitas igrejas estão sendo ocupados por pastores zirconita e eles estão encantando as multidões com seu charme, carisma pessoal e seus sermões sobre o amor e suas lições de Psicologia "sinta-se bem consigo mesmo" — mas lembre-se das graves palavras que Jesus disse logo após "Pelos seus frutos os conhecereis":
"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade." [Mateus 7:21-23].
Dentro do contexto, esses versos estão falando dos "falsos profetas" — "lobos em pele de ovelha" (verso 15) — e referem-se aos pregadores apóstatas e não-salvos durante esta Época da Graça. Observe que esses homens (e atualmente, muitas mulheres) "profetizam" em nome de Cristo. Originalmente, isso significa anunciar a literal Palavra de Deus, que podia não ser conhecida por nenhum outro meio — como era feito pelos profetas do Antigo Testamento. No entanto, nos dias atuais, com o cânon do Novo Testamento completo, os pregadores ainda expõem a literal Palavra, mas ela já foi revelada em sua totalidade. Assim sendo, cada cristão individual é responsável por conhecer se um pregador está anunciando a verdade da Palavra ou não! Se ele vem com algo novo ou que não parece exatamente correto, as pessoas que estão sentadas nos bancos devem fazer uma verificação, porque como ser humano, o pastor está sujeito a erros. Quando dizemos "amém", estamos concordando com o que foi dito; portanto, tenha certeza absoluta daquilo com o que está concordando. Além disso, precisamos exercer o discernimento espiritual e atentar para as ações dos pastores e dos outros irmãos na igreja, porque as ações sempre falam mais alto do que as palavras.
Observe que os indivíduos referenciados pelo Senhor também expulsam demônios em nome de Cristo e operam muitas maravilhas, mas não estão entre o número de seus eleitos. Esse fato soberbo é a razão pela qual imploro com aqueles que insistem em enfatizar os "sinais e maravilhas" para se acautelarem! Os milagres realizados nos ministérios dos apóstolos e evangelistas na igreja primitiva tinham o propósito específico de autenticar a mensagem que estava sendo pregada. Uma vez que o cânon das Escrituras ficou completo, esses sinais e maravilhas não são mais necessários e cessaram de ocorrer. Aquilo que passa como sinais e milagres hoje (falar em línguas, curar, etc.) foi "redescoberto" somente no início do século 20 e deve ser encarado com a máxima cautela. Deus pode dar a um de Seus servos a capacidade de falar em um língua estranha que a pessoa nunca estudou antes? Certamente que sim. Deus pode dar a um de Seus servos a capacidade de orar em "línguas celestias"? Certamente. Mas a pergunta mais importante é, "Ele ainda faz isso atualmente?" Não quero parecer irreverente, mas minha próxima pergunta sobre o que se refere à prática desses "dons" na atualidade é: O que eles fazem de bom pela causa de Cristo? O propósito certamente não pode ser ainda validar a autenticidade da mensagem que está sendo pregada, como era o caso originalmente. Tudo o que Deus quer que saibamos está incluído na Bíblia e qualquer conhecimento revelado a alguém que fala em línguas — além do que já está revelado na Bíblia — viola as proibições dadas em Deuteronômio 4:2 e Apocalipse 22:18-19 sobre o acréscimo ou diminuição da Palavra de Deus! Aqueles que insistem serem profetas inspirados nos dias atuais precisam considerar essa verdade básica. Novamente, digo a todos: acautelem-se!
Lembre-se que a zirconita é muito parecida, mas não é diamante genuíno. Milhões de "cristãos" hoje estão absorvendo entusiasticamente qualquer coisa que seja supostamente espiritual e envolvendo-se em práticas carnais e que desonram o nome de Jesus Cristo, sob o disfarce de adoração. Os mascates religiosos estão ficando podres de ricos com as manias evangélicas, provendo aquilo que parece fazer sentido às naturezas depravadas, mas que na realidade não têm base nas Escrituras. As velhas e preciosas doutrinas bíblicas estão sendo totalmente ignoradas e "coisas aprazíveis" (Isaías 30:10) estão sendo pregadas para agradar aos mortos espirituais. Cegos estão guiando outros cegos (Mateus 15:14 e 23:16) e estão ficando perigosamente próximos do abismo eterno. Estamos obviamente vivendo em um tempo de crescente apostasia que, sem dúvida, culminará na apostasia total que ocorrerá simultaneamente ao aparecimento do Anticristo. [2 Tessalonicenses 2:1-12].
Qual é a resposta correta a tudo isso, se você reconhece que essa é a nossa situação? A resposta encontra-se em 2 Coríntios 6:14-18, que diz assim:
"Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor, o Todo-Poderoso."
O povo de Deus precisa desesperadamente sair de qualquer igreja que tenha se desviado do caminho espiritual correto em que antes militava, e procurar a companhia de outros cristãos que queiram adorar a Deus em espírito e em verdade. A igreja primitiva reunia-se nas casas e, sinceramente, acredito que essa pode ser a única alternativa viável para muitos cristãos nos dias atuais. Freqüentemente, algumas pessoas me escrevem pedindo a recomendação de uma igreja e fico entristecido porque não posso mais recomendar genericamente uma denominação e somente posso recomendar algumas poucas igrejas que conheço pessoalmente, devido aos desvios doutrinários que estão ocorrendo em toda a parte. A maioria daqueles que são mais conservadores e fundamentalistas em suas crenças está envolvida em planos, programas e/ou música carnal e mundana no serviço de louvor — tudo de acordo com o plano de favorecer o jogo dos números e sem qualquer base bíblica. Amados, nossas igrejas devem ser centros de adoração ao Senhor e não clubes sociais voltados para o atendimento às vontades dos potenciais convertidos/membros. Não se engane sobre uma coisa: Deus vai salvar Seu povo de seus pecados e, contrariamente à opinião popular, não precisa que façamos o trabalho para Ele! Testemunhar e evangelizar são privilégios e aqueles que forem fiéis nessas atividades receberão galardões no céu, mas é Deus quem salva, não nós. Nunca houve e nem nunca haverá alguém que tenha sido "convencido por palavras humanas" a receber Jesus Cristo como Salvador. Não, eles ou respondem à mensagem sobrenatural do evangelho e crêem, ou não. É simples assim. Não é uma questão de entender mentalmente, mas de ter seu coração quebrantado pelo próprio Deus e esse fato está sendo negligenciado pela maioria das igrejas e pastores atualmente. Milhões estão aprendendo a "como testemunhar" e "como ganhar almas para Cristo", como se fossem meras técnicas que podem ser aprendidas para produzir resultados. Que Deus nos perdoe! Estamos com nossos olhos vendados e nos tornamos zelotes sem base bíblica, enchendo nossas igrejas com joio.
Um dia em breve — e acredito que será realmente em breve — os habitantes deste mundo serão confrontados com acontecimentos e personalidades destinados a abalá-los profundamente. Se os cristãos da Época da Igreja estarão entre esses habitantes ou não, é algo que pode ser questionado, dependendo do momento exato em que ocorrerá o arrebatamento. Entretanto, de qualquer forma, quando o Anticristo aparecer na cena mundial, operando "sinais e maravilhas da mentira", multidões daqueles que meramente professavam serem cristãos afluirão a ele, tomados por grande reverência. Alguns concluem erroneamente que os eleitos da época da igreja estarão na terra, por causa das referências aos eleitos em Mateus 24:24, mas o termo "eleitos" refere-se a todos os que foram escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo. [Efésios 1:4] Assim, imediatamente após o arrebatamento, haverá muitos eleitos na Terra, que serão salvos durante o período da Tribulação. Em minha opinião, esses são os eleitos referenciados pelo Senhor. Além disso, muitos estudiosos acreditam que o número de salvos durante a Tribulação será até maior que o número de salvos durante a Época da Igreja, por causa da passagem em Apocalipse 7:9-14, que diz assim:
"Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma grande multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas mãos... E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro."
Você e aqueles com quem adora estão entre os eleitos de Deus? Se você sabe sinceramente que é um dos eleitos mas tem dúvidas sobre os outros, deve pensar seriamente em afastar-se do meio deles e buscar a vontade de Deus sobre onde Ele quer que você o sirva. A norma na igreja primitiva eram os grupos pequenos de cristãos que se reuniam nas casas e, para preservar qualquer semelhança na reverência e piedade, parece que isso voltará a ser necessário para muitos de nós hoje. Lembre-se do que o Senhor disse em Mateus 18:20
"Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles."
Pr. Ron Riffe
30 de mai. de 2009

A RENDIÇÃO DE UM HOMEM A DEUS


O Deus que escolhe soberanamente, ama incondicionalmente, também chama irresistivelmente. Deus escolheu Jacó antes dele nascer. Amou-o apesar de seus desvios e salvou-o gloriosamente. Vejamos os passos dados por Jacó em resposta a obra de Deus na sua salvação.
O reconhecimento da necessidade da salvação (Gn 32:26)
Jacó se agarra a Deus e diz: “eu não te deixarei ir se tu não me abençoares”. Ele tem dinheiro, tem família, tem o direito de primogenitura, mas agora ele quer Deus. Sua maior necessidade é de Deus. Jacó sem Deus é nada. Jacó sem a bênção de Deus é vazio. Jacó agora tem pressa para ser transformado por Deus. Ele ora com intensidade, com senso de urgência. Ele não pode perder a oportunidade. Ele anseia por Deus mais do que por qualquer outra coisa na vida.
O choro do arrependimento (Os 12:4)
Jacó agora tem o coração quebrantado. Ele agarra-se a Deus com senso de urgência e com os olhos molhados de lágrimas. Jacó se quebranta, se humilha, chora e reconhece que não pode mais viver sem um encontro profundo e transformador com Deus. Como Pedro, Jacó chora, o choro do seu arrependimento. Ele instou com Deus em lágrimas. Ele pediu a bênção de Deus com pranto. Seus olhos estão molhados e sua alma ajoelha diante do Senhor. E por que Jacó chora? O que ele pede com tanta urgência e com tanta sofreguidão? Ele não pede coisas. Ele pede que Deus mude a sua vida. Ele quer Deus e quer vida nova!
Uma confissão necessária (Gn 32:27)
Quando Deus lhe perguntou: “Qual é o teu nome?” Ele respondeu: “Jacó”. Aquela não foi uma resposta, mas uma confissão. O nome Jacó significa suplantador, enganador. Jacó não podia ser transformado sem antes reconhecer quem era. Ele não podia ser convertido sem antes sentir convicção de pecado. Ele não podia ser uma nova criatura sem antes reconhecer que era um enganador, um suplantador. A história de Jacó era crivada de engano e mentira. Ele tinha nome de crente, mas ainda não era salvo. Jacó era um patriarca, ele conhecia a aliança de Deus. Ele tinha as promessas de Deus, mas Jacó não vivia como um filho de Deus. O engano era a marca da sua vida. Seu nome era um espelho da sua vida. Seu nome era aquilo que ele era e vivia. Mas, agora, ele abre o coração. Ele admite o seu pecado. Ele toca no ponto de tensão, no nervo exposto da sua alma. Qual é o seu nome? Quem é você? É hora de você depor as armas. É hora de você deixar de resistir o amor de Deus. É hora de você confessar não apenas o que você faz, mas quem você é, a fim de que você também seja salvo!
A contemplação de Deus (Gn 32:30)
Até este tremendo encontro, Deus era apenas o Deus de seu avô Abraão e de seu pai Isaque, mas agora Deus passa a ser conhecido como o Deus de Jacó. Jacó tem os olhos da sua alma abertos. Ele vê a Deus face a face. Jacó tem seus pecados perdoados, sua alma liberta, seu coração transformado, sua vida salva. Tudo se fez novo na vida de Jacó.
Um futuro abençoado (Gn 32:31; 33:4)
Depois de ter vivido uma vida inteira de trevas, o sol nasceu para Jacó e a luz brilhou no seu caminho. As trevas ficaram para trás. Tudo se fez novo na vida dele: um novo coração, uma nova mente, uma nova vida. Ele saiu manquejando, mas sua alma estava livre! Esaú deve ter lhe perguntado: “Por que você está manquejando Jacó?” - Jacó deve ter respondido: “Ah! Meu irmão, Deus me salvou. Hoje eu sou um novo homem, tenho uma nova vida! Aquele velho Jacó morreu e foi sepultado no vau de Jaboque. Agora sou uma nova criatura. O sol nasceu para mim!” Deus transformou o ódio de Esaú em amor; o medo de Jacó em alegria. E aquele encontro temido, que prenunciava uma briga, uma contenda, uma guerra, transformou-se numa cena de choro, abraços, beijos e reconciliação. Deus transforma a nossa vida completamente. Ele nos reconcilia com os nossos inimigos. Ele alivia o nosso coração da culpa e do medo!
Rev. Hernandes Dias Lopes.
26 de mai. de 2009

Vazio de domingo à noite?


Li certa vez o anúncio de um refrigerante, de página inteira, que dizia assim: “Preencha o vazio de domingo à noite”. Na foto, uma apetitosa pizza, com a garrafa do refrigerante ao lado.
E fiquei pensando: se eu tivesse nascido crente em Jesus Cristo não teria compreendido aquele anúncio. Afinal, domingo à noite é a parte mais agradável, mais edificante, mais “cheia” da semana! É domingo à noite que eu tenho a oportunidade de estar com os meus irmãos de fé, numa comunhão espiritual alegre e descontraída. É domingo à noite que eu adoro o meu Pai celestial num culto coletivo, com hinos, testemunhos e, acima de tudo, com a pregação da palavra de Deus. É domingo à noite que eu tenho o enorme prazer de ver eventuais convidados meus e de outros irmãos chegando à igreja, mostrando interesse nas coisas do alto. Vazio de domingo à noite???
Mas eu não nasci crente. E até os 24 anos, sabia muito bem o que era o vazio de um domingo à noite – meio sombrio, angustiante, solitário (mesmo estando acompanhado). O peso de uma vida sem rumo, provisoriamente aliviado na sexta-feira com a perspectiva de um agitado fim de semana, voltava a sufocar o meu coração nas noites de domingo.
Até que um dia esse vazio foi totalmente preenchido – não por um pedaço de pizza e um gole de refrigerante – mas pelo próprio Espírito Santo que se alojou para sempre no meu íntimo. Que plenitude!
De vez em quando gosto de ir a um restaurante depois do culto noturno de domingo. E ali de fato posso saciar o estômago. Mas o vazio existencial, de espírito, esse não existe mais. Saio da igreja muito bem alimentado pelo Pão da Vida…
Mauro Clark
19 de mai. de 2009

Comunidade, uma qualidade do coração


A palavra comunidade tem várias conotações, algumas positivas, outras negativas. É a comunidade que nos leva a experimentar a segurança do pertencimento, a compartilhar a mesa, a estabelecer alvos comuns, viver alegres celebrações e usufruir do amor carinhoso e perdão dos irmãos e irmãs. Porém, é também na comunidade que sofremos a dor do sectarismo, dos grupos fechados, do isolamento, da intolerância e da incompreensão, do perdão negociado, das frustrações afetivas.

Todos nós temos expectativas distintas do que é uma comunidade e do que significa viver em comunidade. O mesmo espaço comunitário pode representar alegria e esperança para uns, e aflição e frustração para outros. No entanto, tenho observado que ser comunidade é, antes de tudo, uma qualidade do coração. Ela nasce e cresce primeiro em nós, é fortalecida pela consciência de que vivemos, não para nós mesmos, mas para os outros. Ela é o fruto da nossa capacidade de fazer do interesse dos outros, algo mais importante do que os nossos próprios interesses. A questão, porém não é: como podemos criar uma boa comunidade, mas, como podemos desenvolver e nutrir corações mais dadivosos?

Muitas vezes, nos iludimos em pensar que podemos encontrar uma boa comunidade, considerando apenas os programas e as atividades que ela organiza e a forma como podemos entrar e participar destas atividades. Porém, cedo ou tarde, descobriremos que aquilo não é bem a comunidade de que precisamos. A comunidade nasce quando as pessoas aprendem a repartir suas vidas umas com as outras, quando se importam umas com as outras. A artificialidade faz com que a comunidade exista apenas nos momentos em que seus programas mantêm seus membros entretidos. Uma vez cessado o barulho e a agitação, as pessoas se perdem no vazio de sua solidão. A experiência comunitária é aquela que nos leva a aproximar do outro pelo que ele é e não pelo que faz ou possui. É uma disposição do coração.

O Rubem Alves conta uma pequena estória que nos ajuda a compreender a natureza da comunhão. Trata-se de uma lenda oriental que diz: "Havia uma árvore solitária que se via no alto da montanha. Não tinha sido sempre assim. Em tempos passados a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias, que os lenhadores cortaram e venderam. Mas, aquela árvore era torta, não podia ser transformada em tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de essências em busca de madeiras perfumadas. Mas, a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes se assentam sob a sua sombra e descansam. Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas não é isto que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma experiência de comunhão. Diante do amigo sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir."
Ricardo Barbosa
8 de mai. de 2009

Não Quero Espetáculo, Quero Jesus!


Lucas 23.8-9 — Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava também vê-lo fazer algum sinal. E de muitos modos o interrogava; Jesus, porém, nada lhe respondia.
Esta é uma das muitas passagens bíblica que nos mostra que nem sempre uma alegria exterior expressa a verdadeira adoração, o louvor e a honra devidas ao Senhor Jesus.
Aqui temos o relato do momento em que Cristo estava sendo interrogado, um pouco antes de Sua crucificação.
Primeiro, Ele havia sido levado a Pôncio Pilatos que, tendo o examinado, resolveu enviá-lo a Herodes, que era o governador da Galiléia.
Reparem no texto, que Herodes, ao ficar diante de Cristo, demonstrou que “há tempos desejava vê-lo” e também “alegrou-se muito” quando viu o Mestre.
Na verdade, Herodes o tratou como se Jesus fosse um mágico e gostaria que Ele operasse um sinal.
Era um falso desejo. Era uma falsa alegria!
O que Herodes queria era um espetáculo de Jesus e que Ele demonstrasse o “Seus poderes miraculosos” para saciar seus desejos humanos.
Um fato parecido com este episódio ocorreu também com os apóstolos em Atos 8.5-19 — Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo. As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. E houve grande alegria naquela cidade. Ora, havia certo homem, chamado Simão, que ali praticava a mágica, iludindo o povo de Samaria, insinuando ser ele grande vulto; ao qual todos davam ouvidos, do menor ao maior, dizendo: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande Poder. Aderiam a ele porque havia muito os iludira com mágicas. Quando, porém, deram crédito a Filipe, que os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, iam sendo batizados, assim homens como mulheres. O próprio Simão abraçou a fé; e, tendo sido batizado, acompanhava a Filipe de perto, observando extasiado os sinais e grandes milagres praticados. Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João; os quais, descendo para lá, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo; porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em o nome do Senhor Jesus. Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo. Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito Santo , ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo.
Reparem que Simão começou a seguir os apóstolos depois que viu as manifestações de poder do Espírito Santo, e via a alegria do povo, e ficou impressionado com o fato de que, através da imposição de mãos dos apóstolos, os samaritanos recebiam o Espírito Santo.

Observem a semelhança:Herodes diante de Jesus Cristo e Simão diante dos apóstolos. O que eles queriam?
Eles queriam o espetáculo. Queriam satisfazer seus desejos humanos e impuros e pensavam que estavam diante de “mágicos” e não diante de Deus.
Amado irmão, sou crente e também gosto muito de sentir o mover do Espírito Santo. Fico maravilhado com os sinais e prodígios que também hoje são realizados no meio da Igreja de Cristo através do Seu poder.
Mas é necessário,antes de tudo isso, darmos o verdadeiro louvor e honra ao “dono dos sinais”. O que importa é Quem Jesus é, e não o que Ele pode nos dar.
Importa é reconhecer o Seu sacrifício na Cruz do Calvário que nos abriu a porta da salvação eterna.
Precisamos desejar vê-lo face a face e adorá-lo, independentemente de qualquer sinal, cura ou milagre.
Não podemos ser tão medíocres para desejá-lo por aquilo que Ele possa demonstrar para nós, mas sim pela Sua presença.
Ao nos aproximarmos Dele não podemos limitar nossa comunhão ao fato de sentirmos Sua presença, vermos ou recebermos algo Dele.
Só Ele nos basta. Não quero espetáculo. Quero somente a Jesus Cristo.
Amém
3 de mai. de 2009

Pastoral de maio


O Pastor
Tem sido para mim um grande privilêgio servir ao Senhor como ministro do Evangelho. Mas, embora o trabalho de um pastor seja satisfatório e gratificante, ele também envolve experiências extremamente difíceis, desencorajadoras e decepcionantes que podem esgotar a energia e frustrar os esforços até do mais dedicado servo de Deus.
Como bons soldados de Cristo, entretanto, os pastores, homens de Deus, continuam a sua tarefa, sem queixas, apesar da tentação de desistir e dizer: "Afinal, que proveito estou tendo com isso?"
Não é apenas o trabalho de pregar e as tarefas administrativas que sobrecarregam a energia e a resistência de um pastor, mas a fraqueza física e o esgotamento nervoso que podem resultar em relacionamentos tensos entre ele e a sua congregação.
A incapacidade de agradar aqueles a quem ele mais ama e a decepção de ser contrariado por aqueles dos quais ele depende para o apoio moral. Estas são algumas coisas que o levam, por vezes, a lançar as suas mãos para cima, em desespero. É triste dizer, mas muitas vezes parece que o pastor não consegue fazer nada certo. Independente de quão sincero ele seja, sempre existem alguns que estão prontos para encontrar falhas e criticar. Podemos descrever isso da seguinte forma:
• Se o pastor é jovem, não tem experiência; se o seu cabelo é branco, é velho demais para as pessoas jovens.
• Se tem cinco ou seis filhos, tem demais; se não tem nenhum, está dando um mau exemplo.
• Se prega com anotações, está usando sermões antigos e não tem mais energia para novos; se as suas mensagens são improvisadas com fala livre, não é suficientemente profundo.
• Se usa demasiadas ilustrações, está negligenciando a Bíblia; se não inclui histórias, não é suficientemente claro.
• Se condena o que é errado, começa a irritar; se não prega contra o pecado, eles reivindicam que ele está se comprometendo.
• Se prega a verdade, é demasiado ofensivo; se não apresenta "o conselho completo de Deus", é um hipócrita.
• Se falha em agradar a todas as pessoas, está ferindo a igreja e deveria deixar o seu cargo; se faz com que todos estejam felizes, ele não tem convicções.
• Se dirige um carro velho, está envergonhando a sua congregação; se compra um novo, está criando afeição pelas coisas materiais deste mundo.
• Se prega todo o tempo, a congregação se cansa de ouvir sempre uma só pessoa; se convida pregadores de fora, está se esquivando da sua responsabilidade.
• Se recebe um grande salário, é um mercenário; se o salário é pequeno, dizem que isto prova que ele não é digno de mais.
Agora, eu sei que estas colocações enfatizam a atitude geral em vários lugares. Parece que não faz muita diferença para onde você vai, ou que igreja você frequenta, sempre existe um grupo que dificulta a vida do pastor. Mesmo que ele esteja fazendo o melhor que pode para pastorear com fidelidade o seu rebanho, anelando pelas ricas bênçãos do Senhor para o seu ministério, e fazendo um esforço enorme para conseguir a aprovação da congregação como um todo, há sempre alguém que encontra uma falta, se opõe a ele pela suas costas, ou denuncia publicamente os seus atos.
No Evangelho de João, são ditas três coisas a respeito de João Batista que se aplicam a qualquer servo genuíno de Deus. Eu estou convencido de que, se cada membro da igreja guardasse na sua mente estas três coisas, muitas das dificuldades experimentadas na Primeirona, hoje, seriam evitadas. O apóstolo João escreveu:
— Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz (João 1:6-8).
Nestes versículos são mencionadas três coisas significativas sobre João Batista.
Primeiro, nos é dito que "houve um homem". Ele era um ser humano, sujeito às mesmas fraquezas e limitações como qualquer outra pessoa. João não era um anjo; não era uma criação sobrenatural; não era um emissário extraterrestre, vindo do trono de Deus. Mas como lemos no registro: "Houve um homem."
Segundo, lemos que "houve um homem enviado por Deus". Embora fosse um ser humano com limitações humanas, João se distinguia dos outros pelo fato de ter sido um escolhido. Ele era um homem "enviado por Deus."
Terceiro, nos é dito que "houve um homem enviado por Deus para que testificasse da luz". Ele veio para pregar a respeito de Cristo, a Luz do mundo. Esta era a missão de João Batista. O versículo 8 diz: "Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz". Desta passagem bíblica aprendemos as seguintes coisas sobre João Batista.
1. Ele foi um homem.
2. Ele foi um homem enviado por Deus.
3. Ele foi um homem enviado por Deus para testemunhar da luz.
Estas três coisas também podem ser ditas a respeito dos pastores que têm um chamado de Deus. Eles são homens, eles têm limitações humanas. São homens enviados por Deus, eles têm autoridade divina. São homens enviados por Deus para testemunhar da Luz, eles têm uma incumbência celestial. A sua tarefa principal é a de apresentar o Senhor Jesus, a Palavra viva, revelada na Palavra escrita. Se são leais à sua missão, eles vão pregar a Cristo. Como João Batista, devem "testificar da luz".
Por isso, guarde na sua mente, meu irmão, estas três coisas sobre este homem de Deus quando você pensar em seu pastor. Lembre-se, como homem ele tem falhas e limitações. Entretanto, como um homem com um chamado divino, deve ser tratado como um servo de Deus. E já que a sua missão é a de proclamar o Evangelho de Cristo, você deve a ele a sua cooperação e apoio em oração para ajudar a fazer com que o seu ministério seja o mais eficaz possível.
O que eu digo não se aplica a alguém que prega um outro evangelho, que rejeita a salvação pela graça, somente por meio da fé, ou que nega a divindade de Cristo, o Seu nascimento de uma virgem, a Sua vida perfeita, a Sua expiação pelos pecados, a Sua ressurreição literal dos mortos e a Sua volta. Alguém que não aceita estas verdades da Bíblia, nunca poderia ser chamado. Por isso, tenha cuidado com os líderes cegos que guiam outros cegos, nas outras igrejas que você, eventualmente, frequenta.
O nosso propósito em proclamar a Palavra de Deus é, como o de João Batista, o de "testificar da luz" e pregar a Cristo, o Salvador dos pecadores, a única esperança de um mundo perdido e morto em seus delitos e pecados.
Meditem, irmãos, sobre isso. Que a Primeirona do Tabuleiro ore pelo seu pastor, tenha complacência com ele e compareça com assiduidade aos cultos. No amor de Cristo,
Rev. Pedro Corrêa Cabral
(texto resumido e adaptado do livreto “O seu pastor e você” de Richard Haan, pastor da RBC)