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31 de out. de 2008

O andarilho


Sentei com dois amigos, junto à janela panorâmica de um antigo restaurante, na esquina da praça da cidade. A comida e a companhia eram ambas, especialmente, boas naquele dia.
À medida que conversamos, minha atenção foi dirigida para o que se passava na rua. Ali, andando pela rua, estava um homem que parecia estar carregando todos os seus pertences nas suas costas. Ele estava carregando também um bem usado cartaz que dizia: “Eu trabalharei por alimento”. Meu coração entrou em colapso.
Chamei a atenção dos meus amigos para aquele homem e percebi que outras pessoas em volta de nós havia parado de comer para prestar atenção nele. Cabeças se moveram, numa mistura de tristeza e incredulidade.
Continuamos com nossa refeição, mas a imagem daquele homem ficou na minha mente. Terminamos nossa refeição e seguimos, cada um, os nossos caminhos. Eu tinha tarefas a realizar e rapidamente parti para cumpri-las. Dei uma olhada para a praça, buscando, mais ou menos, por aquele estranho. Eu estava assustado, sabendo que vê-lo novamente me chamaria à responsabilidade. Dirigi pela cidade e não o vi. Adquiri algumas coisas numa loja e voltei para meu carro.
Lá no fundo do meu coração, o Espírito Santo estava me dizendo — Não volte para o escritório, até que, pelo menos, você dê mais uma volta por aquela praça.
Então, um pouco em dúvida, voltei para a praça.. Quando contornei a terceira esquina da praça, eu o vi. Ele estava em pé nas escadas de uma loja em frente à igreja, mexendo nos seus pertences.
Parei e olhei, sentindo-me, ao mesmo tempo, compelido a falar com ele e a dar meia volta e ir embora. O espaço vazio no estacionamento da esquina pareceu-me um aviso de Deus, um convite a estacionar. Estacionei o carro, abri a porta, saí e me aproximei daquele homem.
— Procurando pelo pastor? — Perguntei.
— Não propriamente, estou apenas descansando — Ele respondeu.
— Você se alimentou hoje?
— Oh, comi alguma coisa hoje de manhã cedo.
— Você gostaria de almoçar comigo?
— Você tem algum trabalho que eu possa fazer?
— Nenhum trabalho — respondi — Eu paro aqui para trabalhar, vindo da cidade, mas eu gostaria de levá-lo para almoçar.
— Claro. — Respondeu ele com um sorriso. Enquanto ele recolhia suas coisas, lhe fiz algumas perguntar superficiais.
— Você está indo pra onde?
— São Luiz.
— Está vindo de onde?
— Oh, por aí, da Flórida.
— Há quanto tempo você está caminhando?
— Quatorze anos — foi sua resposta.
Eu sabia que havia encontrado alguém diferente. Sentamo-nos de frente um para o outro, no mesmo restaurante em que eu havia estado mais cedo. Sua face estava marcada pelo exposição ao tempo, bem além dos seus 38 anos. Seus olhos eram escuros, ainda que claros, e ele falava com uma eloqüência e articulação que eram surpreendentes. Ele tirou sua jaqueta, revelando uma camiseta vermelha clara, onde estava escrito “ Jesus é a História que nunca terminou”.
Então, a história de Daniel começou a se desenrolar. Ele havia passado por muitas dificuldades no início de sua vida. Ele fez algumas coisas erradas e sofreu as conseqüências. Há catorze anos atrás, enquanto andava com sua mochila pelo país, ele parou em Daytona Beach. Tentou ser contratado por alguns homens que estavam erguendo uma enorme tenda e montando alguns equipamentos. Uma apresentação musical, ou um concerto, ele pensou.
Ele foi contratado, mas a tenda não era para um show musical, mas para Culto Evangélico de Avivamento. E naqueles cultos ele viu a vida mais claramente, e ali ele entregou sua vida a Deus.
— Nada foi igual depois disso. — ele disse — Senti o Senhor me dizendo que continuasse a caminhar e, assim, eu fiz nestes catorze anos.
— Você nunca pensou em parar? — Perguntei.
— Oh, uma vez ou outra, quando parecia que aquilo estava tirando o melhor de mim. Mas Deus havia me chamado para isso. Eu distribuo Bíblias. É isso o que contém minha mochila. Trabalho para comprar alimento e Bíblias. E eu as dou sob a orientação do Santo Espírito.
Fiquei maravilhado. Meu amigo andarilho não era um homem da rua. Ele estava em missão e vivia aquela vida por escolha própria, atendendo a um chamado de Deus. A pergunta queimou dentro de mim e eu a fiz: — E como é isso?
— O quê?
— Entrar andando numa cidade, carregando todas as suas coisas nas costas e mostrando esse cartaz?
— Oh, no princípio, era humilhante. As pessoas olhavam e faziam comentários. Uma vez alguém atirou-me um pedaço de pão já meio comido e fez um gesto que, certamente, não me fez sentir bem-vindo. Mas, então, tive a humildade de reconhecer que Deus estava me usando pra tocar vidas e mudar o conceito das pessoas a respeito de pessoas como eu.
Minha maneira de pensar estava mudando também. Terminamos a sobremesa e recolhemos suas coisas. Lá fora, ele parou, voltou-se para mim e disse: — ‘Vinde, bendito de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes’.
Senti-me como se estivesse na terra santa. — Será que você pode usar uma outra Bíblia? — Perguntei.
Ele disse que preferia tal tradução. Era fácil de transportar e não era muito pesada. Essa era, ainda, a sua favorita. — Já a li 14 vezes — Ele disse.
— Não estou certo de que tenhamos uma dessa, mas vamos parar na nossa igreja e verificar. — Eu queria encontrar uma Bíblia para meu amigo que fosse melhor e mais fácil de carregar. Ele, por sua vez, parecia estar grato por isso.
— A onde você pretende ir daqui? — Perguntei.
— Bem, eu encontrei esse pequeno mapa nas costas desse bilhete de estacionamento.
— Você está esperando ser contratado lá por algum tempo?
— Não! Apenas imaginei que deveria ir lá. Imagino que alguém, debaixo daquela estrela lá, precisa de uma Bíblia. Assim, é para lá que estou indo a seguir.
Ele sorriu, e o calor do seu espírito irradiava a sinceridade da sua missão. Eu o levei de volta à praça da cidade, onde havíamos nos encontrado duas horas atrás. Começava a chover. Estacionei e ajudei a desembarcar suas coisas.
— Você pode assinar meu livreto de autógrafos? — Ele pediu — Gosto de guardar mensagens dos amigos que encontro.
Escrevi no seu livreto que o seu compromisso com o chamado divino havia tocado a minha vida. Encorajei-o a se manter forte. E, finalmente, deixei-o com um versículo bíblico de Jeremias — Eu sei os planos que tenho para você, declara o Senhor, ‘ planos para fazê-lo prosperar e não para causar-lhe mal algum; planos para lhe dar um futuro e uma esperança’.
— Obrigado, amigo — Ele disse — Sei que acabamos de nos encontrar e somos, certamente, estranhos, mas eu amo você.
— Eu sei. Eu amo você também. Deus é bom!
— Sim, Ele é.
— Quanto tempo faz que alguém lhe fez um carinho? — Perguntei.
— Ah, faz muito tempo!
E assim, na movimentada esquina da rua, no meio da chuva fria, eu e meu novo amigo nos abraçamos. E senti profundamente que eu havia mudado. Ele colocou suas coisas nas costas, sorriu seu sorriso vitorioso, e disse — Vejo você na Nova Jerusalém.
— Estarei lá! — Foi a minha resposta.
Ele começou sua jornada outra vez. Seguiu com seu cartaz pendurado no cinto e seu pacote de Bíblias. Mais à frente, parou, voltou-se e disse — Quando você vir algo que o faça lembrar-se de mim, você orará por mim?
— Pode apostar que sim — Gritei — Deus o abençoe.
— Deus o abençoe também. — E essa foi a última vez que o vi.
Mais tarde, naquela noite, quando saí do escritório, o vento frio soprava forte. Uma frente fria havia caído sobre a cidade. Corri para o carro. Quando sentei e busquei o freio de mão, eu as vi... um par de bem usadas luvas de trabalho, deixadas no punho do freio. Peguei-as e pensei no meu amigo, preocupando-me se as suas mãos estariam aquecidas naquela noite, sem suas luvas.
Aí, então, lembrei-me de suas palavras: “Se você vir algo que o faça pensar em mim, você orará por mim?”
Hoje aquelas luvas estão na minha escrivaninha, no meu escritório. Elas me ajudam a ver o mundo e as pessoas de uma nova maneira. E elas também me ajudam a lembrar daquelas duas horas com meu singular amigo. E eu oro, então, pelo seu ministério. “Vejo você na Nova Jerusalém”, ele disse. — Sim, Daniel, sei que nos veremos lá.
Autor desconhecido
Tradução livre de Pedro Corrêa Cabral
27 de out. de 2008

Quem mandou abandonar a Palavra de Deus?


Infelizmente, parte da Igreja evangélica não tem conseguido disseminar de forma efetiva, entre seus membros, a Palavra de Deus. Sem sombra de dúvidas, afirmo que, em algumas das denominações cristãs, existe um enorme desconhecimento das doutrinas básicas do cristianismo. Junte-se a isso o fato de que a tradição religiosa, as experiências místicas, além de técnicas terapêuticas e estratégias de marketing, têm servido como bússola e orientação àqueles que se denominam cristãos, levando-os às mais absurdas distorções.
Como não poderia deixar de ser, a soma destes fatores tem corroborado com o surgimento de significativos distúrbios na comunidade da fé, e isto se percebe nitidamente em nossos cultos, onde o evangelho pregado é extremamente humanista.
Quanto aos louvores ministrados em nossas igrejas, o que se vê são grotescos desvios teológicos, onde através de estapafúrdias canções, mandamos e desmandamos em Deus. Tenho a impressão de que o chamado movimento gospel criou, através de sua liturgia, um novo sacramento denominado louvor. Para estes, ainda que inconscientemente, a adoração com música transformou-se num meio de graça, onde mediante canções distorcidas teologicamente, os crentes são levados a um estado de catarse.
Caro leitor, creio, veementemente, que boa parte dos nossos problemas eclesiásticos se deve ao fato de termos abandonado as Escrituras. Não tenho a menor dúvida de que somente a Bíblia Sagrada é a suprema autoridade em matéria de vida e doutrina; só ela é o árbitro de todas as controvérsias, como também a norma para todas as decisões de fé e vida. É indispensável que entendamos que a autoridade da Escritura é superior à da Igreja, da tradição, bem como das experiências místicas adquiridas pelos crentes. Como discípulos de Jesus não nos é possível relativizar a Palavra Escrita de Deus, ela é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos.
O reformador João Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na bíblia, e ela é o escudo que nos protege do erro.
Em tempos difíceis como o nosso, precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento, até porque, somente assim conseguiremos corrigir as distorções evangélicas que tanto nos tem feito ruborizar.
Pense nisso!
Soli Deo Gloria,
Renato vargens

Uma Reclamação Que Nunca Ninguém Fez


Você já ouviu alguém dizer que recebeu Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor e que está insatisfeito?
A maioria das pessoas fica aborrecida quando gasta um bom dinheiro para comprar algum produto que depois não funciona conforme anunciado — ou funciona bem por alguns dias e quebra em seguida. Fazemos compras com a expectativa razoável de que os produtos funcionarão corretamente e terão uma vida útil coerente com o preço. Mas as coisas que são relativamente baratas e de má qualidade, normalmente, não nos irritam tanto quando deixam de funcionar, porque compreendemos que elas não são fabricadas para durarem muito.
Assim, duvido muito que haja alguém que esteja lendo este artigo que nunca teve de devolver um produto e solicitar a devolução do dinheiro — ou, no mínimo, quis fazer isso. A "Lei de Murphy" diz que se alguma coisa pode dar errado — então dará errado — e, para muitos de nós, parece que Murphy é um parente próximo. Entretanto, embora seja verdade que algumas pessoas consigam destruir uma bigorna cromada usando um martelo de borracha, na maior parte das vezes, o problema está no próprio produto. Felizmente, a maioria das lojas, hoje, concorda em substituir um item defeituoso, ou devolver o dinheiro sem criar muitas dificuldades para o cliente.
Portanto, como é um fato que as garantias dos produtos são necessárias porque as coisas quebram, ou deixam de funcionar adequadamente, você não concorda que algo que oferece 100% de satisfação deva receber a atenção das pessoas?
Devido à nossa natureza caída e pecaminosa, os cristãos expressam insatisfação com todos os tipos de coisas, tanto reais quanto imaginárias. Vemos defeitos com aqueles que aderem a posições doutrinárias diferentes, com as filiações denominacionais, com as situações nas igrejas, com os pastores, e uns com os outros — apenas para mencionar algumas situações! Mas eu nunca soube, ou ouvir dizer, que alguém tenha expressado desapontamento com Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. Você já? Ah, já conheci algumas pessoas que, em sua ignorância, ficaram aborrecidas porque pensaram que Jesus Cristo iria fazê-las enriquecer, e isso não aconteceu! Ou outras que tolamente tentaram acusá-Lo, quando um ente querido morreu — porém, tanto quanto eu saiba, nunca houve um único indivíduo que tenha, verdadeiramente, experimentado a graça salvadora de Cristo e depois quis "seu dinheiro de volta".
Jesus Cristo não é um limão. A salvação que Ele comprou é garantida para sempre, e a garantia dessa salvação está assinada com Seu próprio sangue. Deus determinou os termos da transação na Bíblia e declarou que eles nunca mudarão. Então, para tornar essa transação a mais estupenda pechincha já anunciada, Deus gratuitamente a oferece a todos que a recebem pela fé!!! Não existem truques, nem letras miúdas no contrato, com o propósito de enganar os incautos.
Outra coisa interessante sobre a natureza humana é nossa disposição de contar aos outros sobre a pechincha. Bons negócios e satisfação com um produto, normalmente, nos levam a contar para todos os amigos e conhecidos para que eles também possam aproveitar a oportunidade. Essa é precisamente a força motivadora que está por trás da mensagem do evangelho. O Espírito Santo leva os "clientes satisfeitos" a contar às outras pessoas sobre o que Jesus Cristo fez por eles, e eles, alegremente, passam adiante a recomendação.
Não é muito mais provável que procuremos comprar certo produto quando alguém nos dá boas referências sobre como ele funciona bem? Sem dúvida! É por isso que nosso testemunho ativo pelo Senhor é tão importante. Quando permitimos que as outras pessoas saibam sobre Ele, e as maravilhosas bênçãos que Ele nos concede — o mais provável é que algumas dessas pessoas ouvirão aquilo que temos a dizer.
Em um sentido, vir a Jesus Cristo pela fé é muito similar a comprar um computador pela primeira vez! Aqueles que já aprenderam a usar o computador, eficientemente, dizem às outras pessoas sobre aquilo que pode ser realizado com ele, mas há uma relutância inicial para dar o mergulho — especialmente por parte daqueles de nós que são mais velhos. Todos aqueles termos técnicos, como bits, megabytes, gigabytes, discos rígidos, gravadores de CDROM, e outros, têm pouco ou nenhum significado para os não-iniciados, e a maioria fica assustada com essas coisas! Então, somente quando essas pessoas tomam a coragem de molhar os pés na água e dar os primeiros passos na parte rasa da piscina, pode o processo de aprender a usar a besta fazer algum avanço. Mas uma vez que esse passo inicial de fé seja dado, pegamos o mouse, digitamos no teclado, cometemos alguns erros, aprendemos o que funciona e o que não fazer na próxima vez! E isto é essencialmente o mesmo o que acontece no relacionamento com Jesus Cristo. Sempre há uma relutância inicial e compreensível para entrar em algo desconhecido — independente de quão maravilhoso os outros digam que é. Informações excessivas de natureza técnica, logo de início, somente servem para confundir e dificultar o progresso. É por isto que Deus quis que a mensagem do Evangelho fosse tão simples! O que poderia ser mais simples do que a mensagem de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que foi visto por Pedro e pelos outros apóstolos e por um grupo de mais de 500 discípulos naquele tempo?
"Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também." [1 Coríntios 15:3-6]
Evangelho significa "boas novas" e, essencialmente, é isso que ele é! Jesus Cristo morreu no lugar daqueles a quem Ele salva, de modo que não cometa o erro de tentar dar um curso de teologia quando falar aos outros sobre Ele. Há um poder sobrenatural — dunamis, no grego (a palavra-raiz para "dinamite") — nesta mensagem extremamente simples, e ela sempre realiza o serviço de acordo com a boa e perfeita vontade de Deus. Tentar explicar os conceitos teológicos da propiciação, da expiação vicária, e da impossibilidade de o Filho de Deus pecar, a alguém que está espiritualmente morto, é ridículo! Apenas apresente a mensagem do evangelho e saia do caminho. Se o Espírito Santo estiver no processo de atrair aquelas pessoas ao Salvador, a única mensagem que terá algum efeito é a simples, porém sobrenatural mensagem do Evangelho. Conte a elas o que a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo fez por você e confie que o Senhor suprirá o restante. Esta "fórmula de vendas", utilizando clientes satisfeitos para passar a Palavra adiante provou ser bem-sucedida incontáveis vezes nos últimos dois mil anos. Todos aqueles que procuram aprimorar essa mensagem com planos e programas são totalmente errados!
O relacionamento do homem com Deus foi interrompido e não pode ser consertado pelo próprio homem. Adão pecou intencionalmente; ele não foi enganado e deliberadamente comeu do fruto proibido. (1 Timóteo 2:14) Esse ato de rebelião, por parte de Adão, condenou toda sua descendência à morte espiritual! Portanto, desde aquele dia, todo indivíduo que nasce neste mundo está "morto em ofensas e pecados" [Efésios 2:1] e isso não pode ser revertido! Jesus Cristo é o único capaz de corrigir o problema, porque somente Ele possui as chaves da morte e do inferno (o hades):
O fato de Cristo possuir essas chaves representa Sua autoridade sobre nosso destino eterno. E não se engane sobre o seguinte fato: com referência à possibilidade de conserto (salvação), ou é do jeito Dele ou de jeito nenhum!
"Disse Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." [João 14:6]
Pr. Ron Riffe
26 de out. de 2008

Caminhos do Coração


Tudo em Comum
No livro dos Atos dos Apóstolos há um pequeno trecho que descreve de forma magnífica a natureza e a qualidade de vida da primeira comunidade cristã em Jerusalém (Atos 2.41-47). A descrição é fascinante, impressiona qualquer um que a lê, até mesmo os mais céticos e descrentes. O que vemos ali é o Reino de Deus em ação, a concretização da oração que Cristo ensinou: "Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu...". Este relato contrasta com a história de uma outra comunidade (Gênesis 11.4), que decidiu construir uma torre que alcançasse os céus e fizesse seus nomes célebres e famosos. Falavam a mesma língua e tinham um projeto em comum, mas, em vez de criarem uma comunidade, criaram um altar para sua auto-exaltação.
Esse relato da Torre de Babel está presente na vida de todos nós. Na educação, na política, no trabalho e nos púlpitos de nossas igrejas, todos nós estamos construindo nossas torres, empenhados em tornar nossos nomes célebres. Queremos construir nosso próprio reino.
O Pentecostes tornou possível o Reino de Deus entre nós. O povo de Atos 2 começa a viver o seu êxodo, dá os primeiros passos rompendo com o jeito que vivia no "Egito", para viver o novo jeito ensinado por Cristo, e faz isto de forma natural e sincera, impulsionado pelo chamado de Cristo e pelo poder do Espírito Santo. A promessa do Espírito não foi para que os primeiros cristãos tivessem poder para se autopromoverem, mas para reafirmarem os feitos e o caráter de Cristo. Era um novo tipo de comunidade que nascia de um novo tipo de pessoa. Muitas vezes, queremos uma igreja diferente, que nos faça diferentes, mas não queremos ser pessoas diferentes que constróem uma comunidade diferente.
O relato de Atos nos diz que eles "perseveravam na doutrina dos apóstolos...", que "diariamente perseveravam unânimes no templo". Alguns tinham largado tudo e dedicado dois anos e meio de suas vidas para seguirem a Cristo. Eles permaneceram em Jerusalém da ascenção até o Pentecostes aguardando a promessa do Espírito. Era uma comunidade de cristãos disciplinados. A graça não se opõe à disciplina. Pelo contrário, é a disciplina espiritual que sinaliza nosso desejo espiritual. A igreja sofre quando tentamos viver sob a direção do Espírito Santo, mas sem disciplina, como também sofre quando tentamos viver com disciplina, mas sem o Espírito Santo.
Era uma comunidade totalmente comprometida em tornar Jesus Cristo conhecido. Tudo nela apontava para Cristo. Suas orações, o partir do pão, o cuidado que tinham uns com os outros, sua pregação e seu testemunho, a alegria da comunhão, a renúncia dos bens, enfim, tudo em suas vidas e ações apontava para Cristo.
O Êxodo continua. Estamos a caminho do céu. O testemunho dos dois varões vestidos de branco foi: "Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir" (Atos 1.11). O mesmo Jesus que viveu entre nós, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa esperança vai voltar e estabelecer definitivamente seu reino entre nós. Enquanto isto, somos chamados para ser sal da terra, luz do mundo e ovelhas no meio de lobos. Olhamos para o mundo, a cultura, a família, a juventude, a infância, a guerra, as drogas, a prostituição, a violência, a desesperança, a solidão,o desespero, e percebemos que a humanidade precisa urgentemente de uma nova esperança.
O problema é que, quando olhamos para a comunidade de Jerusalém, reconhecemos, lá no fundo, um sentimento ambíguo. É um modelo de comunidade que admiramos, mas não queremos. Admiramos o amor sacrificial deles, mas não é este o tipo de amor que buscamos. Admiramos sua vida abnegada, mas não estamos dispostos a abrir mão do que temos por amor ao próximo. Achamos extraordinário o fato de que tinham tudo em comum, mas não abrimos mão de nosso individualismo. Confessamos a doutrina dos apóstolos, mas a negamos na prática. No fundo, não queremos uma comunidade assim. Mas ela é possível e o mundo anseia por ela.

Rev. Ricardo Barbosa de Sousa
24 de out. de 2008

Pérola de Grande Valor


“O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou.” Mateus 13:45-46
É atribuída a Esopo a história do cachorro que, atravessando uma ponte com um pedaço de carne na boca, viu sua sombra refletida na água em baixo. Ele pensou que estava vendo outro cachorro com um pedaço de carne o dobro do tamanho do dele. O cachorro então soltou seu pedaço e atacou o outro para pegar o pedaço maior. Fazendo isso, no entanto, ele perdeu os dois pedaços, o dele, porque caiu na água, e o do outro, porque era apenas uma imagem na água. Muitos Cristãos não enxergam o tesouro de valor incalculável que Deus lhes deu. Correm atrás de "tesouros" aqui, não percebendo que acabarão perdendo tudo — os bens ilusórios desta vida e os tesouros desperdiçados do céu. É com as nossas ações que revelamos o que realmente tem valor para nós. É tão fácil trocar a leitura diária da Palavra por um passeio nas páginas de uma revista de moda, ou mais um artigo no jornal na Internet. A oração requer concentração e esforço, enquanto um programa de televisão nos diverte. No Domingo, o campo, a praia, ou a cama com suas promessas de lazer e descanso nos chamam. Quais as escolhas que você enfrenta? O perdão de Deus, que para você um dia valia tudo, hoje está valendo quanto? O ponto de Jesus não é o preço que nós estamos dispostos a pagar para entrar no Reino. Não temos como pagar, nem retribuir a graça de Deus. Porém, as escolhas que tomamos hora a hora, dia após dia, revelam o quanto vale a graça de Deus para nós. Para você, está valendo quanto hoje?
Oração: Pai, frequentemente, eu esqueço o valor incalculável do Reino dos Céus. Eu perco de vista quão valiosa é a minha vida, uma vez que Jesus deu a vida dEle por mim. Ajude-me a redescobrir, ainda hoje, quão preciosas são as riquezas de uma nova vida em Jesus. Em nome do meu Salvador eu peço e agradeço. Amém.
Dennis Downing
22 de out. de 2008

A Missão de Latir


Uma vez treinados, os cães servem para a guarda da casa e de outros bens de seus donos. São capazes de proteger lojas e fábricas à noite. Ao latir e rosnar, amedrontam ladrões e acordam quem está dormindo, em caso de fogo. Se esses cães perderem a capacidade de latir, já não servem para cães de guarda.
Por serem responsáveis pela segurança religiosa do povo de Deus, alguns homens e mulheres são vocacionados, preparados e empossados como atalaias, guardas, líderes, pastores, sentinelas ou vigias dos fiéis. Com muita frequência, esses "cães de guarda" dão mau testemunho, cometem escândalo, tornam-se mercenários e abandonam o rebanho, principalmente na longa história de Israel. Há muitas queixas contra eles no Antigo Testamento.
Todas muito severas. Uma delas encontra-se em Isaías 56.10: "As sentinelas de Israel estão cegas e não têm conhecimento; todas elas são como cães mudos, incapazes de latir. Deitam-se e sonham; só querem dormir".
Isaías 56.9-12 mostra que esses pastores são incapazes de enxergar o perigo ("não têm conhecimento"), de latir ("são como cães mudos"), de permanecer acordados ("só querem dormir"), de controlar a gula ("são cães devoradores insaciáveis"), de se submeterem ao Senhor ("todos seguem seu próprio caminho"), de abrir mão dos seus interesses pessoais ("cada um procura vantagem própria") e incapazes de frear sua decadência ("bebamos nossa dose de bebida fermentada, que amanhã será como hoje, e até muito melhor").
O que mais impressiona é a denúncia de que são "incapazes de latir". Tornaram-se cães emudecidos que não sabem, não podem e já não conseguem latir ou ladrar. Então, para que servem? Quando o ladrão se aproxima, quando o lobo ataca o rebanho, eles não ladram. O rebanho fica, dessa forma, perigosamente desprotegido.
A missão de latir não pertence apenas aos pastores. Ela se estende a todos aqueles que têm alguma posição relevante na sociedade e são, portanto, co-responsáveis pela segurança de todos. Entre eles estão os pensadores, os sociólogos, os comunicadores, os professores, os governantes, os legisladores, os psicólogos, os estatísticos, os militares, os juizes etc. Se todos forem incapazes de latir, o caos ético se instalará de forma alarmante, globalizada e irreversível.
O pai e a mãe de crianças e adolescentes têm a obrigação de "latir" em benefício de seus filhos, livrando-os de desperdiçar a saúde e a vida nos caminhos desastrosos da incredulidade, da secularização, do crime, do álcool e das drogas e da promiscuidade sexual. A qualquer perigo, a qualquer desvio e a qualquer ameaça, o pai e a mãe, em uníssono, precisam emitir aqueles "latidos" que assustam tanto o assaltante como a vítima.
Talvez fosse bom verificar ao nosso redor: os "cães de guarda" que nos rodeiam tornaram-se incapazes de latir? Nós mesmos nos tornamos cães mudos, incapazes de latir?
Transcrito da Revista ULTIMATO – maio/junho 2008
18 de out. de 2008

A Finalidade da Cruz


“Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim...” (Gálatas 2.19b-20).
A ilusão do "símbolo" do cristianismo
Os elementos anticristãos do mundo secular dariam tudo para conseguir eliminar manifestações públicas da cruz. Ainda assim, ela é vista no topo das torres de dezenas de milhares de igrejas, nas procissões, sendo freqüentemente feita de ouro e até ornada com pedras preciosas. A cruz, entretanto, é exibida mais como uma peça de bijuteria ao redor do pescoço, ou pendurada numa orelha, do que qualquer outra coisa. É preciso perguntar: Através de que tipo estranho de alquimia, a rude cruz, manchada do sangue de Cristo, sobre a qual Ele sofreu e morreu pelos nossos pecados, se tornou tão limpa, tão glamourizada?
Não importa como ela é exibida, seja até mesmo como joalheria ou como pichação, a cruz é universalmente reconhecida como símbolo do cristianismo – e é aí que reside o grave problema. A própria cruz, em lugar do que nela aconteceu há dois mil anos, se tornou o centro da atenção, resultando em vários erros graves. O próprio formato, embora concebido por pagãos cruéis para punir criminosos, tem se tornado sacro e misteriosamente imbuído de propriedades mágicas, alimentando a ilusão de que a própria exibição da cruz, de alguma forma, garante proteção divina. Milhões, por superstição, levam uma cruz pendurada ao pescoço, ou a têm em suas casas, ou fazem "o sinal da cruz" para repelir o mal e afugentar demônios. Os demônios temem a Cristo, não a uma cruz; e qualquer um que não foi crucificado, juntamente com Ele, exibe a cruz em vão.

A "palavra da cruz": poder de Deus
Paulo afirmou que a “palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, é poder de Deus” (1 Co 1.18). Assim sendo, o poder da cruz não reside na sua exibição, mas sim na sua pregação; e essa mensagem nada tem a ver com o formato peculiar da cruz, e sim com a morte de Cristo sobre ela, como declara o evangelho. O evangelho é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16), e não para aqueles que usam ou exibem, ou até fazem o sinal da cruz.
O que é esse evangelho que salva? Paulo afirma explicitamente: “venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei... por ele também sois salvos... que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Co 15.1-4). Para muitos, choca o fato do evangelho não incluir a menção de uma cruz. Por quê? Porque a cruz não era essencial à nossa salvação. Cristo tinha que ser crucificado para cumprir a profecia relacionada à forma de morte do Messias (Sl 22), não porque a cruz em si tinha alguma ligação com nossa redenção. O imprescindível era o derramamento do sangue de Cristo em Sua morte, como prenunciado nos sacrifícios do Antigo Testamento, pois "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9.22); “é o sangue que fará expiação em virtude da vida” (Lv 17.11).
Não dizemos isso para afirmar que a cruz em si é insignificante. O fato de Cristo ter sido pregado numa cruz revela a horripilante intensidade da maldade inata ao coração de cada ser humano. Ser pregado despido numa cruz e ser exibido publicamente, morrer lentamente entre zombarias e escárnios, era a morte mais torturantemente dolorosa e humilhante que poderia ser imaginada. E foi exatamente isso que o insignificante ser humano fez ao seu Criador! Nós precisamos cair com o rosto em terra, tomados de horror, em profundo arrependimento, dominados pela vergonha, pois não foram somente a turba sedenta de sangue e os soldados zombeteiros que O pregaram à cruz, mas sim os nossos pecados!

A cruz revela a malignidade do homem e o amor de Deus
Assim, a cruz revela, pela eternidade adentro, a terrível verdade de que, abaixo da bonita fachada de cultura e de educação, o coração humano é “enganoso... mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto” (Jr 17.9), capaz de executar o mal muito além de nossa compreensão, até mesmo contra o Deus que o criou e amou, e que pacientemente o supre. Será que alguém duvida da corrupção, da maldade de seu próprio coração? Que tal pessoa olhe para a cruz e recue dando uma reviravolta, a partir de seu ser mais interior! Não é à toa que o humanista orgulhoso odeia a cruz!
Ao mesmo tempo que a cruz revela a malignidade do coração humano, ela revela também a bondade, a misericórdia e o amor de Deus de uma maneira que nenhuma outra coisa seria capaz. Em contraste com esse mal indescritível, com esse ódio diabólico a Ele dirigido, o Senhor da glória, que poderia destruir a terra e tudo o que nela há com uma simples palavra, permitiu-se ser zombado, injuriado, açoitado e pregado àquela cruz! Cristo “a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.8). Enquanto o homem fazia o pior, Deus respondia com amor, não apenas Se entregando a Seus carrascos, mas carregando nossos pecados e recebendo o castigo que nós justamente merecíamos.

A cruz prova que existe perdão para o pior dos pecados
Existe, ainda, um outro sério problema com o símbolo, e especialmente o crucifixo católico que exibe um Cristo perpetuamente pendurado na cruz, assim como o faz a missa. A ênfase está sobre o sofrimento físico de Cristo, como se isso tivesse pago os nossos pecados. Pelo contrário, isso foi o que o homem fez a Ele e só podia nos condenar a todos. Nossa redenção aconteceu através do fato de que Ele foi ferido por Jeová e “sua alma [foi dada] como oferta pelo pecado” (Is 53.10); Deus fez “cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Is 53.6); e “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pe 2.24).
A morte de Cristo é uma evidência irrefutável de que Deus precisa, em Sua justiça, punir o pecado, que a penalidade precisa ser paga, caso contrário não pode haver perdão. O fato de que o Filho de Deus teve que suportar a cruz, mesmo depois de ter clamado a Seu Pai ao contemplar em agonia o carregar de nossos pecados [“Se possível, passe de mim este cálice!” (Mt 26.39)], é prova de que não havia outra forma do ser humano ser redimido. Quando Cristo, o varão perfeito, sem pecado e amado de Seu Pai, tomou nosso lugar, o juízo de Deus caiu sobre Ele em toda sua fúria. Qual deve ser, então, o juízo sobre os que rejeitam a Cristo e se recusam a receber o perdão oferecido por Ele?! Precisamos preveni-los!
Ao mesmo tempo e no mesmo fôlego que fazemos soar o alarme quanto ao julgamento que está por vir, precisamos também proclamar as boas notícias de que a redenção já foi providenciada e que o perdão de Deus é oferecido ao mais vil dos pecadores. Nada mais perverso poderia ser concebido do que crucificar o próprio Deus! E ainda assim, foi estando na cruz que Cristo, em seu infinito amor e misericórdia, orou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). Assim, a cruz também prova que existe perdão para o pior dos pecados e para o pior dos pecadores.
Dave Hunt